quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A batalha pela narrativa


Uma das razões - existem várias - do fracasso do controle da narrativa por parte do oligopólio midiático baseado no eixo Rio-São Paulo é que, em conseqüência do desenvolvimento econômico disperso pelo território do país, os grupos econômicos no nível subnacional que dominam a paisagem midiática no Estados desenvolveram interesses econômicos próprios, mais atrelados à dinâmica econômica do contexto onde vivem. Assim, se tomarmos aleatoriamente algumas manchetes dos jornais de hoje (quarta-feira, 15/09/2010), percebe-se algo inédito na vida nacional dos últimos 30 anos: as principais empresas de comunicação - Globo, Folha, Abril - já não exercem o mesmo poder de influência sobre o que os meios de comunicação regionais devem falar.

- Globo: Dirceu: PT terá mais poder com Dilma do que com Lula

- Folha: Caso Erenice põe o governo na ofensiva e partidos batem boca

- Estadão: Lula comanda reação do govemo para blindar Erenice

- Correio: Diferentes nas ideias, iguais nos ataques

- Valor: Fundo Soberano pode ser 2º maior acionista da Petrobras

- Estado de Minas: Minas tem 62 cursos de pós-graduação de nível internacional

- Jornal do Commercio: Menos famintos pelo Mundo

- Zero Hora: Maior apreensão de cocaína em 17 anos atinge tráfico no RS



Os três únicos diários que insistem em repercutir as acusações furadas da revista mais desacreditada do Brasil são: Folha de São Paulo, O Globo e o Estadão. Todos os outros, de Brasília, Minas Gerais, Pernambuco e Rio Grande do Sul, sem falar do Valor - o único jornal que tem uma cobertura de fato nacional -, tratam de outros temas - combate às drogas, fome mundial, educação superior, Petrobras, eleições locais.

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