domingo, 28 de junho de 2009
Relatos de Brasília - 2
III Semana
Sun Nov 21, 2004 7:59 am
Terceira semana no DF; primeira semana morando só.
Foi mais difícil do que eu imaginava.
Domingo fui com Lia, uma das minhas primas daqui, na kitchenette fazer
uma faxina. Minha primeira faxina foi um fiasco – o chão ficou todo
manchado de branco. No dia seguinte, segunda-feira, feriado, minha
primeira manhã lá. Antes de ir fazer um simulado de Resumo e Redação
lá no Curso João Batista, fiz mais uma faxina. Nada como a prática.
Essa segunda faxina já foi bem melhor que a primeira, e deixou o
ambiente com um aspecto mais agradável, habitável.
A kit não é grande coisa... Aliás, é espaço demais pras coisas que eu
NÃO tenho. Tem um birôzinho pra estudo, uma cadeira, uma cama, uma
mesinha onde ponho as roupas e uma mini-TV/rádio. Minimalista. A
localização é muito central e razão pela qual eu optei pelo lugar.
Estou a três minutos do curso. A cinco de um shopping com cinemas,
lanchonetes e Americanas (putz, a música natalina de lá dá vontade de
se matar!). Os vizinhos são tranqüilos. Só na segunda teve um babaca
escutando música brega nas alturas. E hoje quando abri a janela depois
de uma soneca à tarde, tinha uma placa de uma loja que abriu embaixo
de mim, bem na minha varanda. Arruinou minha vista do colégio em
frente. (Será que meu aluguel pode baixar por causa disso?).
O primeiro dia sozinho foi triste, o segundo menos. Conversei com
minha mãe. E do terceiro em diante, foi melhorando. Como mãe sabe
dizer as coisas certas, hein? Também recebi um e-mail de César que me
ajudou muito nessa adaptação. Como ele disse, além de ser um momento
difícil por eu estar só numa cidade desconhecida, o é também por ser
um momento de definição profissional. Identificar essa origem da minha
ansiedade foi essencial.
Minha rotina foi estabelecida por um processo de tentativa e erro.
Experimentando caminhos até a Biblioteca do Senado, lugares pra tomar
café da manhã ou almoçar, caminhos pra voltar pro curso... Fui
adaptando. Ficou mais ou menos assim: me acordo de manhã e, depois do
Bom Dia Brasil, ando até o Conjunto Nacional (um shopping que fica no
caminho até a Esplanada dos Ministérios). Tomo um sucão e ando até a
Biblioteca. No total, uns 50 minutos de caminhada. Descobri que no MEC
tem acesso à Internet grátis (só não posso checar E-mail... Ou tenho
que faze-lo escondido), então pretendo uma vez por semana passar por
lá no caminho ao Senado pra ver e-mails e ler a imprensa internacional
(grave falha lá do Senado!). Estudo e como lá pelo Congresso mesmo. É
bom estar lá porque além de a Biblioteca ter um ótimo acervo, ar-
condicionado e jornais, há eventos como na quinta-feira, quando teve
uma palestra de uma professora mexicana sobre o Nafta para a Comissão
do Mercosul no Senado! E você ainda corre o risco de cruzar com
Heloísa Helena (argh!) e seu rabo de cavalo indo pra lá e pra cá, ou
avistar Cristóvam Buarque (uau) entrando na Biblioteca.
Lá pelas 17-18h, tomo uma lotação (um real) até a rodoviária, e ando
uns 20 minutos até o curso, que começa às 19h. Às 22h termina, volto
pra casa e durmo. Certamente deixei muitos de vocês com inveja do meu
dia-a-dia...
Essas caminhadas são os meus momentos de lazer, exercício e
relaxamento durante a semana. Desisti de fazer qualquer esporte formal
até depois das provas, porque me ocuparia um tempo precioso que não
posso desperdiçar.
Descobri lá na Biblioteca um outro cara que também está estudando pro
concurso. Primeira reação (irracional) foi raiva... (“concorrente fdp,
vá pra casa ver TV!”). Depois pensei melhor e um dia, depois que ele
saiu, fui ver os livros que ele estudava e peguei umas idéias de
estudos legais!
Uma das coisas boas dessa minha experiência é que eu estou tendo a
oportunidade de conhecer familiares que eu não tinha tido muito
contato antes. Vanessa é prima do meu pai, lá de Maceió (de onde vem
Vovó Maidy) e era, na juventude, muito próxima à nossa família. Ela e
a família (meus novos tios e primos) têm me recebido de maneira
totalmente generosa. Aliás, todos os meus móveis na kit foram eles que
me emprestaram...
Minha visão de Brasília mudou um pouco (nada como a vida real). Já
tinha vindo outras vezes de férias. Sempre gostava. Mas é diferente.
Na primeira vez vim aos dez anos, passei um mês, passeei bastante com
meus tios que moravam aqui na época, e até subi a rampa com Collor e
tal. Inesquecível. Nas últimas duas vezes, mais recentes, fiquei na
casa de Guilherme e fui sempre MUITO bem recebido por ele e seus pais –
não tinha como não gostar. Mas tem sido diferente viver aqui. Claro,
tem o lado emocional: o fato de se estar só, longe de casa, da família
e de amigos próximos; e o fato de não se saber se irei ou não atingir
o meu objetivo. Mas o fato é que a cidade (aliás, como toda
arquitetura conceitual que eu já vi) é muito burramente planejada. Pra
começar, ela é feita pra quem tem carro. Comunismo de burguês.
Pedestre se fode. Tem que andar pra cacete. E a sinalização, nessa
cidade onde as ruas não têm nomes, é toda para os carros...
Coisas de Brasília... Hoje vi um carro com um adesivo pedindo a
liberalização das informações sobre UFOs. Taí uma causa de suma
importância para o bem-estar da Humanidade.
Até a próxima semana... Ou quando der.
Abraços.
BJ
Relatos de Brasília - 1
| DF, segunda semana |
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sábado, 6 de junho de 2009
Mês 1
Seguindo o exemplo de Diogo, com seus relatos mensais da experiência suíça, dou início ao meu próprio relatório mensal!
Sábado fará duas semanas que cheguei em Londres. Mas completará um mês de Europa. Dorothy e Luiz Gonzaga me vêm à mente sempre que observo as diferenças entre o lugar estrangeiro e a terra natal (a “hometown”, como dizem os gringos – no meu caso particular, sutileza semântica que faz uma diferença!). Dorothy, quando tem sua casa levada pelo furacão em “O mágico de Oz”, ao se deparar com seres e paisagens que não lhe são familiares, comenta com o seu cãozinho: “Toto, I’m afraid we are not in Kansas anymore”. Por sua vez, Gonzagão, retirante nordestino na Cidade Maravilhosa, comentava os aspectos da vida urbana do Rio da primeira metade do século 20, e pedia licença para dizer: “vocês cá da capitá, me adesculpa essa expressão: no Ceará num tem disso, não”.
Primeiro contato com a Europa, e Dorothy e Luiz Gonzaga já me aparecem, logo que saio do aeroporto de Lyon, onde entrei na Europa. Mobilidade. Para quem vem do Brasil, é sempre uma surpresa como é fácil de se locomover numa cidade européia. Cheguei cansado da farra de despedida e baqueado com as horas mal dormidas e a decalagem de horário. E, apesar disso, não tive problemas em fazer o percusso aeroporto-estação de trem (Lyon) e, de lá, trem para St-Etienne, para onde fui ao casamento da nossa “família francesa” – a família Pays, que acolheu os meus pais quando eles moraram lá, 30 anos atrás. Foi bem interessante o retorno à cidade onde nasci, tanto para mim quanto para os que estavam lá. “Eu vi você tout petit, bem pequenininho” foi uma frase que ouvi à exaustão. O casamento em si, foi uma experiência antropológica – foi meu primeiro evento do tipo na França. Casório à francesa é totalmente distinto da festa tal qual estamos acostumados no Brasil. Na terra de Mussum e de Lula, a cerimônia religiosa é só para agradar aos avós e não passa de um empecilho para começar a derrubar aquela garrafa de Red Label: o objetivo da festa é embreagar-se (assim como o de ir para praia, sair com os amigos, ir ao campo de futebol, festa de aniversário... qualquer pretexto serve para encher a cara). Na terra de Coco Channel, a cerimônia é civil (ao invés da imagem de Cristo, uma foto de Sarkozy... que, para alguns, é a encarnação do diabo!). A maior parte do tempo fica-se sentado numa mesa de lugares marcados, enquanto os pratos são servidos na ordem (entrée, salada, prato principal, queijo, sobremesa). Entrementes, homenagens aos recém-casados são oferecidas por parentes e amigos – discursos, canções improvisadas, slides de fotos, piadas hilárias e outras de mau gosto. Também tem álcool, mas a variedade vai bem além do Red Label típico do Brasil. Mais que isso: cada momento requer uma bebida específica. Vinho branco pro peixe, tinto pra carne, champagne ao final, etc.
De St. Etienne, volto a Lyon, onde fiquei entre a casa de Alvinho, amigo de Recife, e Philipp, de Berlim. Lyon é uma cidade linda, antiga capital gaulesa, cheia de história que remonta ao Império Romano. É também um modelo de urbanismo. Em Lyon, locomover-se é fácil. Lá tem metrô, tram-way, ônibus, ônibus elétrico, ciclovias, bicicletas públicas e amplas calçadas para os pedestres. Ah, tem carro e táxi, também. A beira do Rio Saône, até pouco tempo, era estacionamento de automóveis. O prefeito atual mudou isso. Transformou toda a beira-rio em área de lazer, com pista de cooper, ciclovia, piscinas infantis, pista de skate, etc. Os motoristas chiaram. Mas, hoje, a beira-rio vive cheia de gente – todo tipo de gente. Tem várias ruas exclusivas para pedestres, e outras onde a prioridade é sua e não do carro. Todas as paradas de ônibus têm um mapa. Locomover-se em Lyon não é só uma experiência agradável – é também fácil.
De lá, peguei uma carona com Philipp, que ia até Locarno e me deixou no meio do caminho, em Évian, no lado francês do Lago Léman. Peguei o barco e em 30 minutos estava do outro lado. Passei uns dias com Diogo, se apertando para compartilhar os 20 metros quadrados do seu apartamento. A gente não faz idéia do que são 20 metros quardados até que se tenta compartilhar esse espaço. Não é trivial. Não há armário na cozinha: a cozinha é no armário. O box do meu banheiro em Recife era do tamanho do bannheiro inteiro. Pelo lado positivo, Lausanne tem uma qualidade de vida impressionante. A cidade é bucólica e de um silêncio profundo. O prédio de Diogo fica ao lado do parque que margeia o lago. As árvores que circunscrevem a área em que ele mora faz com que, pela manhã, sejamos acordados ao som dos cantos de vários pássaros. Conheci alguns amigos de Diogo e pude ter uma idéia do seu cotidiano. A Suíça é tão limpa e próspera, que sente-se um contraste ao voltar para a França. De repente, Lyon me parecia meio suja, meio bagunçada, meio decadente... Em Lausanne eu procurei e não achei nem uma mísera tampinha de Coca-Cola no chão. Difícil será depois Diogo se adaptar a morar em qualquer outro lugar do mundo – exceto, talvez, o Canadá e os países Nórdicos!
Faz pouco mais de uma semana que estou procurando emprego aqui na terra de Lady Di. A oferta é impressionante. Tem muito emprego, para todo tipo de gente, todos os níveis salariais, graus de formação, áreas de atuação. E mesmo o pior deles, o salário oferecido é sempre digno. Como diria o Velho Lua, no Ceará num tem disso, não!
Com pouco mais de uma semana de busca, já estou com três perspectivas, embora nada ainda assegurado. Esse fato (não ter nada certo ainda) estava me deixando um pouco inquieto. Até que um dia desses fui fazer um lanche numa Starbucks. Comentei com a colombiana que me atendia que estava buscando um trabalho de verão (summer job). Ela recomendou o site que todo mundo me recomenda desde que soube que viria para Londres – www.gumtree.com . Eu respondi que já estava procurando lá e ainda não tinha conseguido nada. Ela levantou os braços, em sinal de reprovação, quando eu disse que estava buscando havia uma semana.
Ela tinha razão. Até então eu só havia recebido a proposta para ser piloto (será essa a melhor palavra?) de “rickshaw” (aquelas bicicletas à chinesa que carregam passageiros pela cidade). Mas um dos funcionários do cara que me contrataria sofreu um acidente no fim de semana passado, e até agora ele não me deu mais notícia. O que talvez tenha sido para o melhor. Em seguida, fui para uma entrevista para trabalhar num restaurante fast-food de saladas e comidas saudáveis. Não sei bem o que faria lá, mas se eles me contratarem para fazer salada, só digo uma coisa: nunca vão lá para comer! Eu nunca comeria salada num estabelecimento que me contrata para fazê-las! Na segunda-feira, irei para outra entrevista... para a posição de “game-tester”: são oito horas diárias de jogos que ainda nem foram lançados. O sonho de vários amigos meus. Mas uma das minhas desvantagens é o fato, justamente, de eu nunca ter sido muito de jogar vídeo game. Basta dizer que o primeiro e último console que eu tive foi o SuperNintendo! Também recebi propostas para dar aula de francês e prestar assistência social.
Não sei se ficarei em nenhum deles. O que não é um problema grave. Cada dia um sem-número de trabalhos os mais diversos é acrescentado no gumtree.com . Mas o que impressiona é o dinamismo da economia inglesa/europeia que, mesmo em recessão, tem essa diversidade de empregos. Economia dinâmica. E eu, cá com os meus botões recifenses: Toto, I think we are not in Kansas anymore! Game-tester? Ser pago (400 libras/semana) para jogar vídeo games? Definitivamente não estou mais no Kansas!
Fora isso, a Inglaterra tem me causado uma ótima impressão inicial. É clichê dizer que viajar abre a mente e desfaz clichês em relação a outros povos. Como também é clichê dizer que algo é clichê... mas o fato é que, na verdade, às vezes viajar confirma certos clichês e acaba com outros. O famoso British humour está, definitivamente, na categoria dos clichês comprovados. Andar nas ruas de Londres, às vezes, é como assistir a um episódio de Monty Python.
Cena 1 – no ônibus, neto para avó
- “Por que o seu rosto é assim?”
- “Assim como?”
- “Wobbly” (molenga, instável)
- “Ah... Porque eu sou velha.”
Silêncio (e eu prendendo o riso).
- “Então quando eu crescer eu vou ficar igual a você?”
- “Não, porque você é homem e eu sou mulher.”
Cena 2 – na rua, o celular do cara cai no chão. Ao invés de se irritar, ele gesticula como se tivesse feito de propósito e vai na direção do seu aparelho como se fosse pisá-lo para esmagar. Puro humor físico, chapliniano!
Cena 3 – Vitrine de uma loja de vinhos: “A recessão não é desculpa para se tomar vinho ruim!”.
Cena 4 – eu cheguei em Londres depois das 23h, depois que o meu voo barato da RyanAir me deixou num aeroporto a não sei quantos quilômetros de Londres. Carregado de mala, cansado, com fome... e a estação de metrô que eu tinha que descer estava fechada. Tive que pegar um ônibus, e me atrapalhei. Finalmente, peço ajuda a um inglês ao meu lado, de 30 e poucos anos. Primeiro, ele deixa que eu faça um ligação de seu I-Phone para os meus amigos que vão me receber. Depois, ele desce comigo na minha parada (tudo bem, era a mesma dele), carrega a minha mala mais pesada e me deixa na porta da casa. No caminho, eu comento que me sinto um pouco mal por ele estar se dando a todo esse trabalho. Ao que ele responde: “No problem. I have a lot of bad karma do undo... I’m a lawyer”. Que bom que tenha sido comigo! Mas achei a justificativa genial!
Outro clichê corroborado é a pontualidade britânica. A imprensa está pegando no pé do governo local aqui, porque a pontualidade dos trens e metrô aqui é de “apenas” 90% dos casos e as autoridades estão comemorando como um sucesso. É um fracasso, dizia o artigo do tablóide, porque no Japão o índice de atraso é de 1% (3 a 5 segundos de atraso) e, ainda assim, lá a meta é chegar a índice zero de atraso. O clima, desde que cheguei, tem sido agradabilíssimo. Embora hoje tenha feito um clima mais condizente com a fama londrina (cinzento, frio, com chuvisco constante)... mas esqueceram de avisar ao sistema de auto-falantes do metrô, que aconselhava os passageiros a andar sempre com uma garrafa d’água, “in this hot wheather”. É verão – summertime – mesmo se estiver fazendo 11 graus lá fora... Por fim, a comida aqui não é horrível. Primeiro, porque Londres é uma cidade cosmopolita e, portanto, é possível comer-se de tudo aqui, e a todos os preços. Segundo, mesmo os pratos tipicamente locais, podem ser bons. Provei as famosas fish & chips, delicioso. E “O” outro prato típico, salchicha com purê de batatas e molho, também é bom. Fora esses dois, tem o “English breakfast”. Fica pro próximo mês. E segunda, me mudo. Vou morar aqui.
sábado, 30 de maio de 2009
um poema cabeçóide
esse é de outubro de 2005
Contemporizar
Comigo, sentar
Com teu par
Contemplar
Contigo,
Enfim,
Sei lá.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Equilíbrio de poder
terça-feira, 14 de abril de 2009
kit
Isso não é uma casa
Isso não é um lar
Eu moro numa kit
Nunca mais fui no Bit-Bit
Forçando a barra para rimar
Forçando a barra para morar
sábado, 28 de março de 2009
Comentários no HuffPost
As a pale faced, blue-eyed person, I can heartily agree with this. I love the 'things white people like' blog... but if there's one thing we REALLY love, it's destroying the global economy. Unfortunately, holding a mid-range IT job hasn't given me much opportunity to fulfill my personal dreams of forcing at least 50% of the world population living on cat food (whiskas, not fancy feast!) and scraps from dumpsters... at least not direct opportunity. Fortunately, I was able to vote Republican repeatedly, helping bring Bush in office, which has resulted in more wealth destroyed than was created in entire history of civilization before him!
Now excuse me while I go for a delightful walk outside. Maybe I can tell a homeless person "GET A JOB" or an immigrant "GO BACK TO MEXICO". Yes, there are few things more fun than being white.
Tell me how it is untrue historically. Maybe, he was just trying to shame. There is so much bad going on in the world. Why didn't we go to Sudan instead of Iraq? Why didn't we go to Rwanda instead of Yugoslavia? Do you know anything about what is going on in the Congo right now and why?
Highly generalized, unfitting and absurd accusation. I'm hoping this is something that was lost in translation.
Lula's letting his rhetoric get ahead of him here, but this is a man who has always been a harsh critic of the sort of neoliberal economic platforms that are at the root of the global financial crisis. When he was elected president, the pundits were panicked that he would run the Brazilian economy, yet Brazil has eliminated its debt and has seen its GDP grow at the same rate as China's. If I'm the same room as all the G-20 leaders, Lula's the guy I'm most interested in hearing from.
quarta-feira, 25 de março de 2009
A disputa política está saindo do armário
segunda-feira, 16 de março de 2009
Interpretação de texto
segunda-feira, 9 de março de 2009
Faoro, Furtado e o novo Brasil



A Geração de 1930, grupo composto por intelectuais que pensaram criticamente o Brasil sob diversas perspectivas, deixou marcas indeléveis não só na produção acadêmica subsequente, mas também na maneira como a sociedade brasileira compreende a si mesma. Muito do que esses pensadores destacaram como problemas permanece, em geral, como temas centrais no país. As disparidades regionais, apontadas por Celso Furtado, no seminal “Formação Econômica do Brasil”, como o grande entrave para o desenvolvimento econômico nacional ainda se encontram irresolvidas.
A pífia integração da economia brasileira, decorrente das disparidades econômicas e regionais, é o grande entrave para o desenvolvimento integral da economia nacional. A inclusão de mais brasileiros na sociedade de consumo, que corresponde ao incremento do mercado consumidor, é fundamental, segundo Furtado, para a inserção competitiva do país na economia mundial. Para que esse fim fosse atingido, caberia ao Estado função preponderante de indutor do processo.
A criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), sob os auspícios de Furtado, na segunda metade do Governo Kubitschek, visava, justamente, a exercer essa função de promotor ou de coordenador do desenvolvimento da região, integrando-a ao eixo econômico sul-sudeste. O Golpe Militar, em 1964, no entanto, interrompeu esse processo, que ainda se encontrava em fase incipiente. Retomando a tradição do Estado patrimonialista descrito por Raymundo Faoro, outro integrante da Geração de 1930, a Sudene, sob o regime autoritário, se torna instrumento de manutenção do poder por parte das oligarquias regionais.
A história da Sudene comprova a perspicácia analítica tanto de Furtado, como a de Faoro. Mas indica, também, a sua contradição intrínseca, que lhe foi fatal: segundo Furtado, o Estado seria, por vocação, o indutor do desenvolvimento regional; para Faoro, o Estado patrimonialista seria, por definição, instrumento de manutenção do poder dos estamentos sociais superiores. Tem-se evidente paradoxo quando o instrumento de transformação da realidade é o mesmo que serve para defender a manutenção do status quo.
A abertura política dos anos de 1980 dá início a um processo de redemocratização, bem ao gosto dos militares: lento, gradual e seguro. Nas duas décadas seguintes ao fim da ditadura militar, observa-se, no Brasil, a paulatina inclusão de novos setores sociais no processo político-decisório. Exemplo mais eloquente disso é a extensão do direito ao voto aos analfabetos, pela primeira vez na história do país. São lançadas as bases do atendimento público universal de saúde (o SUS). A sociedade civil se organiza em partidos políticos, sindicatos, movimentos sociais e organizações não-governamentais e se manifesta por meio de instituições democráticas existentes.
O processo de redemocratização, iniciado com a abertura política dos anos de 1980, aprofundado com a abertura econômica dos anos de 1990, culmina, nos anos de 2000, com o princípio de redistribuição da riqueza nacional. A desconcentração da renda se dá tanto social, quanto regionalmente. O Nordeste, assim como as camadas sociais mais baixas em todo o país, cresceu a taxas acima da média nacional. O crescimento em níveis chineses de regiões e setores sociais historicamente mantidos à margem dos ciclos de expansão econômica prévios é consequência direta de políticas públicas adotadas. Políticas como a valorização do salário mínimo, o Programa Bolsa Família, a ampliação da oferta de micro-crédito, o Pronaf, levaram a uma inclusão de mais brasileiros à sociedade de consumo. O aumento do mercado consumidor doméstico significa a integração das regiões periféricas à economia nacional. Isso porque a parcela mais pobre da população encontra-se nessas regiões.
A história recente do Brasil corrobora a análise de Celso Furtado. O crescimento econômico brasileiro da última década, ao contrário do de ciclos passados de expansão, é baseado no incremento do mercado consumidor doméstico, que ocorreu, por sua vez, em consequência de políticas públicas adotadas pelo governo brasileiro. O fato de a sociedade brasileira estar realizando aquilo antevisto por Furtado (inclusão social e desenvolvimento regional com base em políticas públicas redistributivas) talvez signifique, por fim, que esteja superando o Estado patrimonialista definido por Faoro.
segunda-feira, 2 de março de 2009
A velha nova Europa?
Cara, não concordo nem um pouco com o texto, acho que a Europa se afunda ano após ano.
O período pós guerra foi do meu ponto de vista o mais cruel em termos de globalização : 30 anos de crescimento nas costas do terceiro mundo explorando matéria prima baratissima e ficando com todos os processos agregando valor, mantendo no poder governos ditatoriais e ainda se gabando de modelo de humanismo !
Aos poucos, está acabando a submissão, agora econômica, do novo mundo e as conseqüências são terríveis para a Europa que, em nome do igualitarismo, se recusa a assumir uma lógica de mérito e competição.
Os USA vão ficar baleados, mas está no DNA deles reagirem, inovar, competir... basta ver sua historia e como eles reagiram a todo que os abalou. A Europa, já é outra coisa, coloca acima de tudo o bem estar e consequentemente poucos esforços : pense nos numerosos velhos europeus não dispostos a evoluírem com seu tempo e reverem seus hábitos ou aos jovens “rebeldes” querendo trabalhar pouco e ainda ganhar 10 vezes mais que um Brasileiro ou um Indiano, sem falar do Chinês.
Eu votei no Sarkosy, porque acho urgente que tenha reformas na França para que a queda não seja muito brutal, e vejo que não tem jeito, é preciso tanta cautela para reformar o país que seriam necessários 10 mandatos para chegarmos lá.
Quando passei a viver fora da França, fiquei enjoado do discurso populista da esquerda francesa que quer defender o encanador francês contra o polonês, o agricultor francês contra o brasileiro... quer dizer que a justiça social vale apenas para os sortudos que nasceram na França e que o resto do mundo pode morrer de fome, ou pelo menos ficar sem oportunidade de desenvolvimento, saúde, educação para efetivamente passar a ser um competidor ?
Não entendo como a justiça social pode enxergar fronteiras. Isto passa longe do meu entendimento.
Gordon Brown, Sarko ou Merkel não são grandes figuras políticas... bem que eu queria, mas até em sua terra respectiva, eles tem aprovação popular mínima e provavelmente vão rodar nas próximas eleições contra populistas que prometerão aumentar o salário mínimo para compensar o aumento dos preços consequente da limitação das importações de carne brasileira e de têxtil chinês. Aí vai o déficit publico pro espaço e a competitividade europea para o chão e aí sim, a França terá como única opçãp se tornar um museu-restaurante, graças a sua linda paisagem, seu clima simpático e seus monumentos cults. Agora, vamos ver se os franceses vão querer ser assistente do chef na cozinha ou garçom... Duvido.
Um pouco amargo, este meu depoimento ?!
Na verdade, foi bem espontâneo. Acordei de bom humor, mas li as noticias ontem a noite : sindicatos fechando uma estação de trem em Paris por 1 dia. Meio milhão de pessoas reféns de meia dúzia de funcionários públicos preguiçosos... Jovens dos liceus fazendo greve sem bem saber porque e muitas ações antisemitas em prol do conflito Israelo palestinens. A oposição esquerdista bitolada na liceça maternidade de uma ministra árabe que teve um filho solteira. Devo ter dado hazar, mas a situação me pareceu desanimadora, sem falar das perspectivas econômicas !
Até REcifilis não deve ser tão ruim ! ah ah
Abração e feliz 2009
Bom dia Recifilis !
ta certo que foi um pouco entusiasta no meu pessimismo.
O equilibro entre humanismo e assistencialismo é tenuo, mas é uma busca que é preciso manter sempre, concordo.
Os rednecks americanos deixados por trás agora estão descobrindo nem o terço da miséria que eles espalharam pelo mundo afora com seu colonialismo econômico e protecionismo comercial. Mas, enfim, ninguém merece passar por isto...
Estou achando o governo do Lula com a proposta mais coerente hoje no mundo entre ideal de melhor redistribuição de renda e a pratica de um mundo competitivo.
O foda é que leva tempo e que neste intervalo, vão se algumas gerações sacrificadas.
Mas me parece o modelo mais robusto, menos populista, mais pragmático... quem diria nas direitas do mundo, neh ?!
Vc sempre é bem vindo em Sampa, inclusive para ganhar uns trocados de babá da Malu ! ah ah
Abraço e até logo