sábado, 28 de julho de 2007

PANdemônio ou PANacéia? Que tal PANaquice...


Eu me lembro de ter lido a declaração de um membro do COI sobre a candidatura Rio 2004, nos anos 90. Em tom crítico, ele falou algo nessa linha: trata-se de buscar uma cidade para as olimpíadas, não as olimpíadas para uma cidade.

Vendo o Pan-07, fica claro o que ele queria dizer. O evento foi vendido (literalmente) para a sociedade brasileira como a panacéia que iria resolver os problemas da cidade... mais um pouquinho, e era do país inteiro!

Os argumentos dos defensores são bastante emocionais, para não dizer irracionais. “O Rio é a cara do Brasil”, “a cidade tem muitos hotéis”, “a paisagem é linda”. Francamente, beiram o desvairio. O problema desses argumentos é que a realidade, ora bolas!, insiste em se impor.

O Rio é, afinal de contas, uma das cidades mais problemáticas do Brasil e das Américas. É preciso listar? Não bastasse a crônica crise de segurança pública, o trânsito é complicado e a maior parte da população vive em comunidades onde a ausência do Estado é a característica básica... Todo esse contexto social frágil sob péssimos gestores públicos (Sérgio Cabral vem quebrar esse traço tão marcante das sociedades carioca e fluminense).

Dada essa realidade caótica, haja abstração para justificar a realização dos jogos panamericanos no Rio. É mais do que uma irresponsabilidade realizar um evento desse porte numa cidade como o Rio, com tantos e tão graves problemas sociais e urbanos. É imoral gastar-se quase R$ 5 bilhões para construir quadras de esgrima, pistas de hipismo e campos de beisebol (que não prestam) numa cidade onde recentemente houve – só pra ficar num exemplo – o colapso total do sistema público de saúde.

Temos cidades com condições ideais para realizar tais eventos, como Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis... Cidades que, inclusive, deveriam ser premiadas, com eventos assim, por sucessivas gestões competentes.

Não é o Pan que resolverá os problemas do Rio. Ele apenas os clamufará, abafará. Ou, pior – os explicitará. Alguém está surpreso com os superfaturamentos? E com a desorganização dos ingressos? E com as obras inacabadas? E com a panaquice de César Maia? Não era óbvio que tudo isso iria acontecer?


É de políticas públicas, como as recém anunciadas pelos governos federal e estadual, que o Rio precisa. Auto-estima e auto-imagem não se resolvem desse modo superficial – isso é como plástica em pessoas mal-resolvidas... resolve até a próxima ruga. “Amadurecimento” não se atinge de fora para dentro, mas sim por processo interno, de dentro para fora. No plano individual, seria como uma pessoa que se casa e se acha mais madura só por isso... Pan é perfumaria. E das caras.

****


****

Acho relevante essa discussão. Num país de recursos escassos e problemas de sobra, nunca é demais discutir-se como são invertidos os recursos públicos. E com a candidatura dessa mesma cidade para as Olimpíadas e do país para a Copa do Mundo, refletir o Pan torna-se obrigatório. É interessante registrar, também, que essa talvez seja a primeira vez que eu e Diogo discordamos substancialmente.

****

Para melhorar-se a auto-estima coletiva e nossa imagem lá fora, faz-se mais necessário medidas como as do Governo Federal de combate à corrupção. Temos repercussão dessa natureza lá fora: veja aqui.


Realizar eventos para os quais não temos condições, como esses jogos pan-americanos, apenas contribui para reações negativas, como essa matéria aqui.

****

Para se ter uma idéia do que anda acontecendo por lá, veja o blog A verdade do Pan.

O editorial da Folha de São Paulo, do dia 15 de Julho, também está bem interessante.

****

E, por fim, alguém ainda agüenta trocadalhos do carilho com o prefixo "pan"? Panta que o pariu!

terça-feira, 24 de julho de 2007

"Qual é a culpa de Lula? "


É interessante comparar o tratamento dado ao acidente da TAM pela imprensa brasileira e aquele dado pela estrangeira. Recebo o e-mail de uma amiga canadense, me contando que uma amiga sua austríaca disse-lhe que tinha-se mais informação sobre esse caso lá do que aqui. Outro amigo brasileiro, que mora na França, me envia um e-mail querendo saber o que tem Lula a ver com o acidente, já que nos jornais franceses essa associação jamais é feita. Na matéria da Economist da semana passada, a revista levante questionamentos estruturais – por exemplo, o fato de ser a Infraero uma empresa pública, e para o fato de sua governança ser dividida entre civis e militares.


Aí ontem à noite recebo uma dessas correntes, repassada por um tio meu. Lá, acusa-se Lula de ser “assassino em massa”. A cobertura da imprensa brasileira, com seu viés de sensacionalismo partidarizado, leva a esse tipo de reação. Cega-nos. A imprensa brasileira nunca fez a pergunta do título - essa foi a premissa em que basearam suas matérias.


É evidente que o Governo Lula tem uma parcela de responsabilidade – a qual ele chamou para si em sua fala à nação na última sexta. Mas é verdade também que seu governo herdou um modelo de gestão, moldado no governo FHC, esquisofrênico, com múltiplas instituições e agências e ainda dividido entre civis e militares.


Que essa tragédia não nos impeça de ver que o Brasil vai melhor do que muito de nós pensamos – como afirmou, inclusive, o editorial do diário argentino La Nación.

sábado, 21 de julho de 2007

Querem "venezuelizar" o Brasil, de novo


Essa tragédia da TAM deixou patente, mais ou vez, o duplo padrão praticado pelas grandes empresas de comunicação. Chama a atenção a rapidez com que os jornalões e as emissoras atribuíram a culpa ao Governo Federal. Por outro lado, o populismo barato da oposição em geral, e de José Serra em particular, tentando obter dividendos políticos às custas de 200 vidas perdidas, foi visto pelos colunistas e comentaristas como absolutamente normal...


Que a oposição busque fazer esse tipo de associação, é normal. Faz parte do jogo político, numa democracia, a disputa das versões. O problema é que a imprensa adote, tão facilmente, o discurso oposicionista. Não deixa margem a dúvida, agindo assim, de que sirva como porta-voz da oposição.


Não é preciso um exercício de imaginação para saber como seria caso fosse esse um governo tucano... Basta um exercício de memória. No ano passado, quando dos ataques do PCC, essas mesmas empresas que tão prontamente apontaram o dedão acusador para Lula, daquela vez foram extremamente cautelosos. É preciso não politizar o assunto, era o mantra repetido por todos... (exceto por mim, como se pode ver no que escrevi em maio de 2006).


Incrível o comportamente de dois pesos e duas medidas. Como explica Keith Olbermann, (que inveja! uma imprensa que se auto-critica!) jornalismo justo é aquele que tem padrões e os aplica indistintamente a todas as partes envolvidas. Infelizmente, estamos longe desse tipo de jornalismo.


Há, porém, como fugir a isso. O Valor Econômico tem tido uma cobertura sóbria, objetiva, equilibrada. Na blogosfera, o blog de Nassif é obrigatório para quem não suporta mais o sensacionalismo reinante. Lá, ele tem levantado questões pertinentes (por exemplo, aqui e aqui). O blog de Paulo Henrique Amorim é bem extremado, mas ao contrapor-se-lhe à grande imprensa, encontra-se o ponto de equilíbrio.


O fato é que esse acidente da TAM, ao que tudo indica, não tem nada a ver com o que provocou o da GOL ou com a questão dos atrasos – muito embora nossa imprensa tendenciosa e nossa classe-média semi-leitora intelectualmente preguiçosa, prefiram pôr tudo no mesmo balaio. Não está claro para mim que efeito tudo isso terá sobre o apoio popular ao Presidente Lula. A impressão que eu tenho é que se repetirá o que ocorreu nas outras ocasiões em que as grandes empresas jornalísticas se comportaram dessa forma, abertamente manipuladora e maniqueísta, como na "crise política" de 2005 ou nas eleições de 2006 – ou seja, reforçará as opiniões já existentes. Quem apóia Lula, continuará apoiando-o – talvez até mais enfaticamente, se constatar nova tentativa desestabilizadora. Por outro lado, quem se opõe ao governo, seguirá se opondo, só que mais fortemente. Ou seja, a nossa imprensa empresarial, irresponsável, ao enveredar pelo sensacionalismo partidário, contribui para acirrar os ânimos e polarizar o país – tudo o que Lula vem tentando evitar, com sua postura conciliatória. A nossa imprensa corporativa quer “venezualizar” o Brasil. Só que Lula não é Chávez. Sorte a nossa.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

PAN - PAN - PAN - PAN!!!
* * * * *
Tenho sentido uma energia muito boa na cidade com relação aos Jogos. As pessoas do Rio estão animadas, participam, querem conhecer, ajudar, fazer bonito. Voluntários uniformizados desfilam orgulhosamente pela cidade, nos ônibus, metrôs, nas ruas. Jovens, idosos, crianças... todas as faixas etárias estão curtindo ser o palco esportivo das américas. Penso que, até agora, ser sede do PAN pode ser um amadurecimento para o povo carioca.
* * * * *
O povo vaia sem saber o motivo. Deu pena... Mais os brasileiros presentes naquele Maracanã sexta-feira decepcionaram o mundo do esporte. Foi incoerente em todas as suas manifestações de vaias e em algumas de suas palmas. Vaiaram as delegações dos Estados Unidos, da Venezuela e da Bolívia. Vaiaram o presidente Lula. Aplaudiram Carlos Arthur Nuzmán. Num evento dessa natureza, não se vaia; o brasileiro vai aprender. Na premiação das equipes de ginástica a torcida esboçou uma vaia quando o time americano foi anunciado para o lugar mais alto do pódio. Laís Souza, ginasta brasileira, interveio aplaudindo e pedindo que o público a seguisse como exemplo. E todos seguiram com aplausos. Nossa torcida ainda é muito ingênua, mas vai amadurecer.
* * * * *
Apesar de vaiado, o Governo Lula foi quem mais investiu para a realização dos Jogos. Há pouco tempo atrás a falta de sintonia entre os poderes deixou no colo do Governo Federal ônus de arcar com a maior fatia do bolo. O Governo do Estado não era aliado da Prefeitura, que não era aliada do Governo Federal que tampouco era aliado ao Governo do Estado. Após a eleição de Sérgio Cabral, as obras fluíram mais rapidamente e com mais tranquilidade por parte do Governo Federal para investir. No entanto, hoje na cidade já vemos vários outdoors sabe de quem? Da prefeitura... assumindo a paternidade de obras as quais ela, quando participou, o fez de forma acanhada quando comparada à participação dos outros Governos (Estadual e Federal). Filho bonito nunca deixará de ter pai. Lula cantou essa pedra há algum tempo...
* * * * *
Acho legal ver o envolvimento dos atletas e dos torcedores. Como profissional da área, tenho a esperança de ver em breve o esporte sendo eficientemente usado como uma ferramenta de inclusão social. Um meio de ascenção social; uma forma de indiretamente reduzir gastos com saúde; um mecanismo de redução da violência e da ociosidade. Esporte como entretenimento, sim. Mas com visão social. Desta forma, toda a sociedade sai ganhando. O PAN é importante para elevar a figura do atleta, profissionais que carregam consigo a imagem da superação, da determinação, do respeito e da convivência com outras culturas para pessoas que precisam ter esses valores reforçados. É preciso apoiá-los.
* * * * *
Sou do time que reconheço todas as falcatruas que houve na realização do PAN. Mas sou do time que acredita no pequeno legado físico deixado pelos Jogos (pequeno quando comparado com o alto valor investido), bem como aquele legado abstrato que mexe com valores de conduta do cidadão. Abaixo o PAN-demônio! Força para o PAN-Americano! Mas temos que enxergar o Esporte de forma mais séria, cobrar mudanças e leis mais fortes para sacudir a estrutura desportriva do país. Não podemos ter dirigentes eportivos intocados no poder por 15, 20, 30 anos. Não podemos ter verbas repassadas para Federações (Lei Piva) sem que fiscalizemos como e onde esses recursos são aplicados. Não podemos nos deixar levar pelo oba-oba provocado pelas emoções embutidas a uma disputa e esquecer que nesse intervalo de 4 anos entre Jogos esses atletas precisam se alimentar, treinar e sustentar a si e muitas vezes à sua família.
* * * * *
Quando os dirigentes agirem responsavelmente o bastante investindo na base das modalidades, o desempenho dos atletas melhorará; com melhor desempenho dos atletas profissionais, maior a presença da iniciativa privada. Trata-se de um ciclo de investimentos.
* * * * *
Nem tudo foram flores na abertura dos Jogos. Estive no Maracanã e achei uma bagunça lá dentro. ninguém respeitou as numerações das cadeiras. A turma brigava nas filas de cerveja. Inclusive, em alguns pontos não tinha mais cerveja. Não havia lixo, então os corredores internos do estádio ficaram imundos. A orquestra também foi playback! Todos eles fingiam quando chegava sua vez de "tocar". Eu estava bem atrá e vi. Fiquei numa área cujo ingresso valia somente R$ 250,00. O ingresso mais barato para esse evento era 150,00. Sinceramente, eu não pagaria 20,00 para assistir que eu vi. 50,00 seria caro.

domingo, 15 de julho de 2007

Vaia para quem vaiou

Vaiaram o Lula. Que coisa chata. Eu sei que democracia é isso, cada um diz o que quer, e é por isso que eu digo que tem certas coisas que não se faz.

Tem hora para tudo. Se o cara está chateado com a política brasileira (e tem todo o motivo para estar), o melhor protesto era não ter ido à abertura do Pan. Fazia um boicote ou se juntava a quem fazia protestos fora do Maracanã.

O Pan é fruto do esforço político brasileiro, coordenado e financiado pelo presidente da República. Quem nele vai, obrigatoriamente está concordando com isso, com a política de Lula. No mínimo, vaiar o Lula é incongruência. E falta de educação.

Postado por Álvaro Filho
no Futeblog

sábado, 14 de julho de 2007

Vaias para a classe-média brasileira



Eu não vi na TV. Fiquei sabendo pelo meu irmão, que estava lá no Maracanã. Mas fiquei muito triste com as vaias que o Presidente Lula recebeu. Como disse o próprio: é uma sacanagem.


Antes de tudo, foi desrespeitoso. Num evento, ainda que um tanto irrelevante (vamos lá, quem aí assistiu ao último Pan? Alguém lembra dele?), com certo apelo internacional, isso foi feio e foi mais – foi recalque. Preconceito de classe, sim. Se tivesse sido o Presidente Professor PhD, duvido que tivesse havido vaia. A platéia vaiou, ainda, as comitivas americana e venezuelana. Ou seja, a nossa classe-média ilustrada não sabe distinguir um evento esportivo-cultural de uma manifestação política (talvez porque não costumem frequentar nem um nem outro). Além de as vaias demonstrarem a ausência de qualquer coerência político-ideológica. Se as vaias denunciam alguém, não é o Presidente Lula: é a ignorância e má educação da classe-média brasileira.


Foi sacanagem também porque foi injusto. Porque vaiaram o Presidente Lula, mas aplaudiram Nuzman e César Maia. Ora, segundo a Caros Amigos, Nuzman é o principal responsável pelo superfaturamento das obras do PAN. Todas as concessões foram ganhas por amigos, parentes, sócios de Nuzman. O orçamento original, previsto em 400 milhões de reais – chegou quase aos 5 bilhões de reais. César Maia, um dos gestores públicos mais incompetentes do Brasil hoje, deveria ser grato ao apoio suprapartidário do Governo Lula ao evento. Mas notícias da Carta Capital ou da Caros Amigos nunca repercutem, não sei porquê (sarcasmo).


Cada vez que Lula aparecia no telão, a platéia vaiava. Exceto Diogo – ele se levantava a cada vez, aplaudindo e apoiando o nosso Presidente. Eu faria o mesmo e tenho orgulho que ele tenha agido assim. Na verdade, essa vaia é a expressão da classe média brasileira – Diogo explica que o preço mais barato para estar no evento era 150 reais. Por isso houve a vaia: não havia povão, povo mesmo. Essa vaia demonstrou o quão ignorante é a classe média brasileira, que se julga tão culta e auto-suficiente, e que obtém suas informações de muito poucas fontes de notícias e nem sequer as digere ou processa, engolindo tudo acriticamente. O nosso povo tem, repetidamente, demonstrado ser muito mais sábio e, principalmente, independente, do que a nossa classe média. E isso é muito bonito. O blog do Noblat, meio que na torcida, “analisa” que possa haver, a partir dessa vaia, uma “inflexão na popularidade” do Presidente Lula! Há! Pense numa “análise” enviesada, movida por puro “whishful-thinking”! Podem aguardar: é capaz de a popularidade do Presidente até subir nas próximas pesquisas; certamente não irá cair.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Percorremos um longo caminho, mas...

Nunca é demais ressaltar o mal que a ditadura causou ao Brasil. E em tantos e tão variados aspectos. Até hoje pagamos o preço disso. Apesar dos significativos avanços que o Brasil tem vivenciado desde a redemocratização, em meados da década de 80, é evidente que ainda temos um longo caminho até atingirmos o patamar das democracias maduras. Apenas pra não ficar numa nota derrotista - aliás, tão ao gosto do brasileiro... o velho "complexo de vira-lata" -, registro que os países atualmente desenvolvidos chegaram aos atuais níveis de bem-estar social à expensa de um regime democrático totalmente consolidado - o qual foi-se desenvolvendo à medida em que novos setores da sociedade atingiam certo padrão de vida que os permitissem exigir demandas de inclusão política. O inusitado da experiência brasileira é justamente estarmos realizando os dois processos - o desenvolvimento político e o econômico - concomitantemente.

Tendo dito isso, voltemos ao ponto que eu queria chegar. Dada a nossa pouca (20 anos) experiência democrática, é compreensível (embora não desejável) os excessos da nossa grande imprensa corporativa. Somando-se ao papel desproporcional que a TV desempenha num país como o nosso, onde a população (lato sensu) não lê, temos uma cultura jornalística ainda viciada por maus hábitos do passado recente. O jornalista e atual ministro Franklin Martins faz umas das melhores análises do atual comportamento da imprensa brasileira (recomendo, a quem se interessar pelo tema, a leitura de sua entrevista à Caros Amigos no ano passado; tenho a íntegra e envio pelo correio pra quem quiser!). Em suma, ele diz que as grandes empresas jornalísticas editorializaram a notícia, ao tentar "puxar a opinião pública pelo nariz". A imagem é forte e eficiente. O fato de não ter funcionado diz muito a respeito da capacidade analítica e independência de pensamento de amplos setores da sociedade brasileira. Mas ilustra também o atraso relativo da nossa imprensa...

A conseqüência direta da banalização de acusações, da generalização inquisitiva, da culpabilização antes mesmo do devido processo legal, do denuncismo seletivo - é a perda da credibilidade da imprensa. A grande imprensa fez por onde, para que notórios crápulas como Renan Calheiros possam dizer-se vítima de perseguição.

Não vejo isso como algo irremediavelmente mal... De jeito nenhum! Nossa imprensa melhorou muito de 20 anos pra cá! Apenas quero constatar que ainda tem um longo caminho a seguir... E saliento, ainda, a importância da notícia não-editorializada, equilibrada, sóbria. Num contexto desses, quando a acusação vem, lastreada por uma cobertura ilibada, ela tem muito mais força, eficiência, credibilidade. Para ilustrar o meu ponto, um jornalista americano, Obermann, da MSNBC (canal de notícias), recentemente pediu que Bush e Cheney renunciassem. Olha a diferença da imprensa nossa com a deles... a nossa em 3 anos queria de todos os modos derrubar o presidente. A deles, ao fim do segundo mandato, e com elementos irrefutáveis, defende - abertamente, não veladamente - a renúncia do presidente. Democracia madura é isso aí. Vejamos como funciona:



Pra quem quiser ver outro exemplo, veja aqui um interessante debate sobre a cobertura da imprensa americana do sistema de saúde do país.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Tudo não está tão mal

A visão que prevalece na classe média brasileira em relação ao Brasil atual tende a ser pessimista. A crer na sua análise, a situação é grave, não há saída à vista. Digo classe média porque, como aliás já escrevi aqui, os setores mais pobres fazem uma leitura diferente da realidade brasileira. Essa interpretação negativa carece de perspectiva histórica (quando vemos o Brasil de hoje e o comparamos com 200, 100, 50 ou 20 anos atrás, escolha-se livremente o corte) e perspectiva global (quando comparamos com os nossos vizinhos ou com outros de renda semelhante – Venezuela, Argentina, Rússia, Índia, dentre outros). Trata-se de uma visão bem restrita no tempo e no espaço.

Nao acredito em mudança da noite pro dia, ao menos nao em mudança sólida. Mudança é processo. Ademais, a história brasileira indica que nossa sociedade é avessa a rupturas abruptas. O Presidente Lula, muito sabiamente, e a despeito da sua suposta ignorância propalada pelos opositores, percebeu isso e, ao invés de uma postura confrontacionista, optou por uma posição conciliatória, tal qual Mandela na África do Sul e ao contrário do que faz Chávez em seu país. Percebo, no Governo Lula, com todos os seus percalços, o aprofundamento de um processo que começou lá nos anos 80 com a redemocratização.


Lembro que, em 2003, um professor meu na faculdade – Jorge Zaverucha – lamentava que o Governo Lula não fosse tão “de esquerda” quanto o também recém-inaugurado Governo Kirstchner. Passados cinco anos, gostaria de saber o que acha agora (provavelmente continua achando tudo ruim porque pessimismo é uma coisa viciante, além de ser explicação fácil para tudo). Mas, hoje, lá a inflação é crescente, o controle de preços está causando desabastecimento de alimentos e energético e o Presidente vai lançar sua esposa para sucedê-lo...


Precisamos nos valorizar enquanto sociedade, e reconhecer o quanto temos avançado, até pra termos consciência do quão longe podemos ir. Por incrível que pareça, a Veja (cuspi no chão) quase (quase!) acertou na sua capa dessa semana... se falasse da auto-estima coletiva.


Alguém ainda aguenta o discurso do "nada presta"(cujo arauto-mor é Arnaldo Jabor)? Jabor não está com nada, eu sou muito mais Gilmar! Um contraste gritante entre o senso-comum das nossas classes-médias é a visão de outras pessoas, vendo de fora e de longe:


* De um amigo canadense, ex-Banco Mundial, atualmente segue carreira acadêmica:

Bernardo: Yes, Brazil is doing well. Below is what an investment newsletter I subscribe to says in its latest issue (o relatório recomenda investimento de longo prazo no Brasil, dada a solidez de seu crescimento). (I wonder how the prognosis will be affected by the on-going correction in bond and equity markets and whether that portends a fundamental economic slowdown.) By the way, I am back from Israel , the so-called Holy Land . It was a wonderful experience. I hope to go back again for a longer visit. Best regards, Dan



* De um tio meu, empresário em Recife com negócios em Angola:

(...)

Acredito que estamos avançando, esta sujeira sempre existiu e que não apareça ninguém pra dizer que a bronca está circunscrita ao que está aparecendo, para nós da elite empresarial esta é a regra que vem prevalecendo no Brasil há anos, continuo um otimista incorrigível, vindo à tona as coisas tendem a se equilibrar, um dia vamos ter corrupção de 1º mundo, na economia já estamos quase lá..



* De um amigo meu de La Paz, formado em Economia e História, mestrando em Economia, em Barcelona:

bernardo, q tal hombre, oye solo queria decirte q me gusta mucho q me mandes estos artículos de crecimieto económico y de economía en general sobre brsail. me da la impresion q a difrencia del resto de los países de América Latina, Brasil no está crecieno exclusivamente sobre la venta de sus materias primas, lo q le da mayor sostenibilidad y calidad a su crecimiento.

bueno, hermano, cuidate

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Está tudo tão bem!

A reforma política - que eu defendi, em texto abaixo - foi para as cucuias. As forças do atraso prevaleceram sobre a vontade de mudança. É ilustratitvo de como o debate foi estabelecido de forma truncada e desinformada quando ouvimos analistas na imprensa dizerem, aliviados, que "o eleitor vai continuar podendo escolher o candidato em que vai votar". Tudo bem que, pensando estar votando no candidato X do partido A, o eleitor estará em verdade elegendo o candidato Y do partido B. Mas, e daí? Nosso sistema político-partidário não é uma beleza? Então que invenção é essa de querer mudá-lo?! O mais engraçado é ver políticos que se dizem progressistas, que se opuseram à lista pois ela iria "fortalecer as oligarquias partidárias" (esse bicho-papão!). Como se esse tipo de coisa já não existisse... A democracia brasileira está salva! ... Ou será os mandatos deles, que queriam proteger? Maldade minha: É que, como já falei, está tudo tão bem! Com uma "vanquarda" dessas, que país precisa de uma Direita?!

Como disse uma vez um primo meu, quando certa vez eu e Diogo estávamos criticando Ricardo Teixeira: "mas vocês também, não estão satisfeitos com nada!"...

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Uma defesa da reforma política


O debate a respeito da reforma política faz-se importante no sentido de tornar nosso sistema político-partidário mais transparente, estável e previsível. Não existe um modelo ideal, prêt-à-porter. Nem será a reforma a panacéia que resolverá todas as mazelas nacionais. Não se trata de nada disso. Mas é possível, sim, aperfeiçoar o sistema, adaptá-lo às caracterísitcas da nossa cultura política, fazendo com que funcione melhor.


Cabe, portanto, antes de tudo, entender como sistema político-partidário (SPP) funciona atualmente, no que se refere à votação legislativa, que é o alvo da reforma. O sistema vigente é proporcional. Significa que votamos na coligação – aglomerado de partidos – e cada uma delas elegerá um número de representantes proporcional à votação obtida. Este número é estabelecido por meio do quociente eleitoral, que é calculado dividindo os votos válidos (menos os nulos e brancos) pelas cadeiras a serem preenchidas. As coligações definem quantos de seus representantes serão eleitos dividindo-se sua votação pelo quociente. Uma vez eleitos, as coligações não têm qualquer obrigação de manter o vínculo no exercício da legislatura. A esse sistema, costuma-se chamar de lista aberta, em que o eleitor define, por meio do voto no candidato, a sua ordem.


São evidentes as falhas e distorções desse SPP. Trata-se de algo complexo, cujo entendimento escapa mesmo aos eleitores mais bem informados. O eleitor não sabe que seu voto vai, na verdade, para toda a coligação – apenas ele indica em que posição da lista ele gostaria que o seu candidato estivesse. As cúpulas partidárias têm o poder de privilegiar um candidato em detrimento de outros, por meio de maior tempo na propaganda de TV, por exemplo. O voto individual encarece sobremaneira as eleições, beneficia aqueles candidatos de maior poder econômico. Esse SPP induz, também, à concorrência intrapartidária, o que é sui generis no mundo inteiro: os candidatos disputam o voto com os seus próprios colegas de partido (para estar na frente da lista) e não com os adversários de outros partidos. Por fim, nem sempre o candidato mais votado é eleito. Ao contrário. Casos extremos ilustram bem esse ponto: quando Enéas obteve aquela votação de um milhão de votos, levou consigo para a Câmara deputados cuja votação mal excedia os cem votos. Enquanto outros candidatos, cuja coligação talvez não tenha atingido o quociente, ou que não tenham entrado na lista, apesar de terem muito mais voto, ficaram de fora.


Como espero ter deixado claro, o nosso SPP apresenta graves falhas que distorcem a vontade popular, tornam o processo obscuro para o eleitor, extremamente caro para os candidatos, e menosprezam a disputa propriamente programática (de idéias). Tudo isso leva a um problema maior, que é o fato de, a cada nova legislatura, não haver uma maioria clara para nenhum dos lados (oposição versus governo). Conseqüentemente, cada novo governo precisa construir maiorias, negociando não com partidos, mas com grupos políticos a despeito dos partidos, recorrendo a métodos muitas vezes reprováveis (fisiologismo, como sabemos, é o menos grave deles). Essa necessidade está na base dos principais escandâlos recentes. As maiorias, estabelecidas nessas condições, são extremamente frágeis.


Devemos também reconhecer os méritos do nosso sistema. Nós, brasileiros, temos dificuldade em reconhecer nossas qualidades. Tendemos a ser auto-depreciativos demais. Nosso SPP, apesar de tudo, é extremamente aberto. O nosso Congresso Nacional é a cara do Brasil, muito representativo da sociedade brasileira. Temos uma das mais altas taxas de renovação do mundo – o que é bom, de um lado, pois indica maior acesso, por outro, torna-o mais instável. Trata-se também de uma instituição com uma burocracia permanente bastante competente; o poder público o mais transparente, que sofre o maior escrutínio por parte da sociedade e o mais sensível às suas demanadas.


É por isso mesmo que sua reforma é um imperativo. O projeto de reforma existente, de autoria de Ronaldo Caiado (DEM-GO) é muito bom – e não é por acaso que nunca tenha sido votado. Ele é bom porque trata dos principais defeitos do SPP, tais quais os apresentamos aqui. O ponto essencial é o voto em lista fachada. Isso tornará o processo mais claro, transparente para o eleitor. Ele saberá exatamente em quem está votando. A lista fechada (ou pré-ordenada) também acaba com a aberração que é a disputa eleitoral interna, tornando os partidos mais coesos e o debate, mais programático. Também o tornará mais barato, ao encerrar com as candidaturas individuais – e aqui se encaixa outro ponto do projeto, que é o financiamento público. O fim das coligações também favorece o eleitor – que atualmente vota em partidos e candidatos sem nem saber disso – assim como o processo de formação de maiorias: em seu lugar, instituir-se-iam federações partidárias, que teriam a obrigação de agir conjuntamente no exercício da legislatura. Por fim, há fidelidade partidária, que faz sentido nesse contexto. O quociente eleitoral permanece, só que agora sem aquelas distorções apresentadas anteriormente.


Há no Congresso propostas que podem inclusive melhorar o projeto da reforma. A deputada Rita Camata (PMDB-RS) por exemplo propõe um sistema de lista mista, inspirado no modelo belga, em que o eleitor vota duas vezes para o representante parlamentar: uma vez para a lista partidária de sua preferência e outra, para o candidato daquela lista que ele (a) gostaria de ver no topo. Outra proposta, da bancada feminina, é instituir uma alternância entre candidatos e candidatas, de modo a aumentar a participação feminina na política nacional, ainda bastante reduzida. Vale deixar claro, ademais, que esse projeto de reforma não fortalece as cúpulas partidárias – essa é uma das principais críticas à lista fechada. Certamente não fortalece mais do que o sistema atual já o faz. E regras como a que estabelece que a ordem da primeira lista será aquela da votação, em sentido decrescente, das eleições mais recentes, podem dotar o sistema de certa objetividade.


O fato é que, como espero ter mostrado, o SPP apresenta falhas graves que comprometem a qualidade da nossa democracia, tornam mais difícil o exercício do governo assim como a prática parlamentar e induzem a práticas ilícitas e/ou imorais. Precisamos adaptar o SPP brasileiro à nossa realidade, identificando em que ele é incompatível com a nossa cultura política para que possamos, assim, aperfeiçoá-lo. Trata-se de resposta concreta aos escândalos e às denúncias recentes – algo conseqüente, que trará resultados práticos observáveis, dotando a classe política de mais credibilidade presente e de melhor atuação futura.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

More Moore

Entendo totalmente as ressalvas que se possam ter a respeito de Michael Moore. Mas também devemos contextualizá-lo! Quer queira, quer não, Moore cumpre um papel importante lá nos Estados Unidos, divulga idéias e promove debates que, de outro modo, jamais ou dificilmente estariam no topo da agenda pública americana… Por exemplo - grandes corporações (Roger and Me), fácil acesso a armas de fogo (Tiros em Columbine), Bush e a guerra no Iraque (Fahrenheit 911), e, agora, o sistema de saúde americano…

Ele é manipulador? É, mas e onde entra o senso crítico do espectador? Acho que também devemos reconhecer o seu mérito, de conseguir propagar certas idéias abominadas pelo establishment americano. Digamos que seja um “mal necessário”… Por fim, os filmes, além de levantar questões bem relevantes - são bem feitos e muito divertidos! Aqui está o trailer de seu novo filme, "Sicko":



terça-feira, 5 de junho de 2007

O Guia do Mochileiro latino-americano

Meu amigo Guilherme (Guila para os íntimos) dará início, amanhã, a mais uma de suas jornadas. Vai mochilar de Belém até a California. Quem quiser acompanhar o relato das aventuras desse mochileiro latino-americano, é só seguir seus passos no seu blogue! Boa viagem, velho!

domingo, 3 de junho de 2007

VIDA VIRTUAL


O Second Life é um fenômeno interessante. A vida virtual aos poucos vai se sobrepondo à vida real... vai se tornando a própria vida real. Vários produtos e serviços podem ser comprados via Second Life: sessões de psicanálise, dentista, escola, roupas...

Achei interessante a estória desta candidata ao Senado belga. Tania Derveaux começou sua campanha com outdoors como o desta foto aqui postada com a promessa de 400.000 empregos (jobs). Ela critica adversários por fazerem promessas irreais de oferta de novos empregos.


Mas enfim, no site de campanha da candidata, havia milhares de pedidos de "jobs"; sendo que de blowjobs (sexo oral). Para não perder esses eleitores ela passou a prometer esses blowjobs àqueles que se cadastrassem em seu site. Mas ela avisa: "...receberão seu blowjob no Second Life."

Realmente... um novo mercado virtual está sendo lançado.
Festa nipo-junina

Começou o mês de Junho e, com ele, as festas juninas. Elas acontecem por aqui aos montes, adaptadas às diferentes comunidades que compõem a cidade. No caminho da volta, por exemplo, passamos por uma de uma igreja evangélica. A festa junina que fui hoje foi a do Clube Nipo. É a tradicional festa junina japonesa - porque a sua 24a versão faz dela tradicionalíssima, nos padrões locais. É uma bela ilustração do nosso sincretismo, em que as diversas culturas se mesclam pacificamente, umas acrescentando-se às outras, na maior putaria antropológica.

Mas não deixa de ser um fenômeno curioso. Achei fantástica primeiro a disposição da comunidade japonesa de realizar uma festa junina. Ora, nos Estados Unidos, outro país tão diverso culturalmente quanto o nosso, cada comunidade tem suas próprias, exclusivas, celebrações. Assim, no Saint Patrick's Day só os irlandeses celebram, no Cinco de Mayo, só os “latinos”, and so on. Aqui não – é aquela mistureba. Na festa junina do Nipo, tinha um monte de japoneses. Mas tinha também todo tipo de gente – patricinhas, punks, galera “roots”, famílias, pirralhas, idosos e até uns nordestinos.

Logo que chegamos, avistei uma placa indicando “comidas típicas”. A primeira dúvida é: típica de onde? Japonesa? Junina? Dúvida dissipida: tinha as duas coisas. Só que as comidas juninas típicas daqui não são as mesmas que as do Nordeste. É preciso prestar atenção, para não se confundir na hora do pedido: aqui, canjica é munguzá e munguzá é canjica. Pamonha é coisa “de goiano” (isso não é um elogio; os brasilienses desprezam Goiás e almejam o Rio – ainda não superaram o complexo de viverem no interior de Goiás). E o pé-de-moleque deles não tem castanha! O forte da festa, mesmo, é o yakisoba. Com pauzinhos.

A música, quase não se ouve. A festa junina japonesa é um evento antes de tudo gastronômico. Ainda bem. Porque eu fiquei imaginando como seria assustadoramente bizarro uma quadrilha japonesa. As damas, com aquelas maquiagens brancas no rosto, e cavalheiros vestidos de kimono. Andando em círculo, comportadamente. E lá vai o cavalheiro cumprimentar a dama – curvando-se diante dela, as mãos uma contra a outra, em tradicional sinal de referência. E o narrador avisando: “Olha o terremoto!” e todo mundo se abaixa. “Passou”. Alegria, mas niponicamente comedida. “Olha a bomba atômica! Passou...” E como será “anarriê” e “alavantú” em japonês? No ano passado, teve uma apresentação de “street dance”... O que é melhor do que a temerosa quadrilha, mas ainda acho que a junção ideal das duas culturas seria pôr uns quiosques com caraoquê só de forró.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Opinião é de graça...


Eu acho que não tem santo nessa questão do fechamento da emissora venezuelana. Se a CNN usa imagens do México ao se referir à Venezuela, os meios venezuelanos cooptados pelo regime não passam imagens das manifestações contrárias à nacionalização... Reconheço que esses canais radicalizaram, não nego isso. Mas concordo com nosso Presidente Lula, que pensa - em privado, pois em público ele, a meu ver corretamente, não emite opinião - que é um erro político, doméstica e internacionalmente, a radicalização da parte de Chávez. Se por nenhuma outra razão, apenas porque parece estar despertando setores insatisfeitos mas até então silenciosos, como os estudantes universitários das redes pública e privada... Mas aí entra em cena a diferença da natureza de um e outro mandatário. Lula é um conciliador, que quer achar convergências - nada mais emblemático do que o Programa Nacional de Biodiesel. Chávez é o oposto, busca a divisão de sua sociedade, o confronto, o embate. O tempo nos dirá qual das duas posturas é mais eficaz. Por fim, não acho a comparação, tal como feita no editorial do Valor Econômico, com Stalin um disparate, pois o Valor explicitamente se referiu ao processo de centralização política e econômica por que passa a Venezuela, processo semelhante àquele levado a cabo na URSS.


***

A matéria da Veja que acusa Renan, expondo sua vida íntima, sem ao menos se dar ao trabalho de verificar a notícia - típico da prática jornalística da revista - me fez pensar sobre as diferentes formas que as sociedades contemporâneas lidam com a questão da privacidade dos seus homens públicos.

Na França, a imprensa preserva ao extremo a vida privada de seus homens públicos. Durante anos, sabia-se do caso extra-conjugal de Miterrand, e de sua filha. Somente anos depois sua morte, o caso veio a público. A maneira como a imprensa tem acompanhado as idas e vindas do novo "primeiro-casal" é a exceção que confirma a regra.

Nos Estados Unidos, por outro lado, temos a antítese do "sistema" francês. Lá, caiu na rede é peixe - tudo está valendo. Nem o Presidente Clinton escapou... Mas a regra vale para todos. É comum deputados ou senadores terem detalhes de suas vidas íntimas reveladas ao público. No caso dos moralistas, aí o estrago é, naturalmente, maior. Newt Gringitch, um dos paladinos do puritanismo e um dos algozes de Clinton na época do charuto, recentemente confessou que, durante aquele tempo, tinha um relacionamento extra-conjugal! Obama Barak, um dos fortes pré-candidatos democratas à Casa Branca, se antecipou ao costume e revelou, em livro, que já havia cheirado cocaína - não causou maiores abalos.

E no Brasil? Bem, por aqui, prevalece um meio termo. Um meio-termo, a meu ver, preocupante. A vida íntima do político vem à tona sempre que convirjam interesses entre a grande imprensa e setores políticos. Como resultado, a regra da exposição e do escrutínio público serve para uns, mas não para outros. Os critérios para isso permanecem, no entanto, obscuros. Assim, em 1989, Collor usou um suposto aborto de uma ex-mulher de Lula (aliás, esse seria um dos fatores que o então candidato petista teria chegado tão abatido ao fatídico debate). Igualmente, os hábitos etílicos do Presidente Lula são notórios, falado em tom de chacota por todos os comentaristas políticos na Imprensa. A "Casa de Ribeirão", que era freqüentada por Palocci, e suas "profissionais do sexo", também se tornou público. Os hábitos consumistas de Marta Suplicy são igualmente conhecidos. Por outro lado.... nada se fala do fato - que eu não condeno, frise-se - de Aécio Neves cheirar cocaína; assim como não se falava disso quando Collor era presidente, e também cheirava. Nem que Luiz Eduardo Magalhães morreu em decorrência de um porre de pó. Ou que o Senador Jarbas é alcóolatra. Dois pesos e duas medidas, com um corte partidário revelador...

***

Outro dia recebi um "artigo", desses repassados por e-mail, criticando Lula por, supostamente, tentar se passar por "pai do biodiesel". O texto é uma bobagem tremenda, nem vale a pena reproduzi-lo. Pode-se até não gostar de Lula e do PT, e existe muito o que se criticar ao seu governo - embora eu o apóie, sei que há problemas. Por isso mesmo, não é necessário exagerar e reclamar daquilo que está certo. O Presidente Lula não clama que tenha inventado o biodiesel. Ao contrário, ele conclama o tempo todo a iniciativa privada a aumentar investimentos no setor. Agora, uma coisa tem que ser reconhecida - seu governo tem dado ênfase ao biocombustível desde o começo, antes de a moda da "mudança climática" catapultar o tema para o topo da pauta pública. Lembro que, quando cheguei aqui em Brasília no final de 2004, começo do governo Lula, assisti a uma palestra de um diplomata, e me recordo que ele falou que uma das obsessões do Presidente Lula, já
àquela época, eram os investimentos e as políticas públicas para biodiesel e bioenergia - por suas conseqüências ambientais, sociais e econômicas. Afinal de contas, não se trata de discutir "quem inventou" essa tecnologia autóctone... Mas o empenho do Estado brasileiro em desenvolvê-lo, por meio de muita verba pública - e essa é uma conquista de toda a sociedade brasileira - tudo seria em vão se desde 2003 este governo não tivesse "vendido o peixe" para todos os parceiros econômicos do Brasil! Existe uma série de políticas públicas desse governo para garantir que esse novo ciclo da
economia brasileira não repita vícios antigos dos ciclos prévios- como a concentração de renda regional e social.Quem quiser se informar sobre tais programas vá aqui - www.biodiesel.gov.br/ . Essa, sim, é a grande novidade
do Governo Lula - crescimento econômico com distribuição de renda. O que tem beneficiado demais a nossa região, historicamente tão desprezada!

Não é à toa que a oposição ao Presidente Lula tem tanta dificuldade em definir um discurso coeso que encontre ressonância junto à sociedade - se apega às bandeiras erradas, como é o caso desse textinho... Uma pena,
pois poderia, por exemplo, levantar a bandeira da reforma política, tão urgente... ou a reforma do Orçamento, foco de corrupção... Mas, por que não fazem isso? Preferem palavras ao vento, demagogia. Oposição substancial dá trabalho. Mas alternância é bom por isso - enquanto o PT e as esquerdas vão aprendendo a ser governo (uns já desistiram da dureza de ser governo, demonstrando tendência ao reles oposicionismo, como o PSol), o PFL vai aprendendo a ser oposição.

terça-feira, 29 de maio de 2007

RCTV: fechar ou não fechar, eis a questão

Acho grave o que ocorre na Venezuela. A meu ver, reforça a tendência centralizadora e hegemônica do regime que ora se instala. Para mim, a liberdade de expressão e a pluralidade de idéias - mesmo as mais estapafúrdias! - são valores sagrados, que não devem supor exceções ou arbitrariedades. Uma amiga uruguaia, Lyliam Seferin, daqui de Brasília, no entanto, apóia entusiasticamente a medida; seu texto, que recebi por e-mail e posto aqui, apresenta elementos que certamente ajudam na reflexão sobre tema complicado, que traz à tona opiniões tão apaixonadas...


Queridos compañeros, amigos, familia,

Pude constatar con horror ayer, una vez más, el muro poderoso de silencio, desinformación y manipulación de noticias de que se valen los grandes medios de comunicación.

Me refiero concretamente a las noticias vehiculadas sobre el fin de la concesión de RCTV y al nacimiento de TVES.

Todos al unísono hablaron de "atentado a la democracia, muerte de la libertad de prensa, fortalecimiento de una dictadura "etc. etc.

Mostraron imágenes, que como en el caso de la CNN en español, ni siquiera habían sido registradas en Venezuela y sí en México en otra ocasión y por otros motivos que no era al que se referían.

Dejaron de mostrar sin embargo al verdadero mar humano que esperó con entusiasmo y alegría en las calles de Caracas y en muchas ciudades de Venezuela el nacimiento de la nueva emisora TVES.

Jamás hicieron referencia a que esta práctica de retirar o no renovar concesiones es usada en muchísimos países sin que a nadie escandalice, lo han hecho los países europeos, los asiáticos y el mismo "campeón de la democracia" los Estados Unidos de América.

Vehicularon a un Fox vociferante que llamaba de dictadura a un gobierno democráticamente elegido por el pueblo, pero claro él sí se utilizó de los dos canales más poderosos de su país para elegirse y a ellos debe lealtad.

Todos recordamos el papel vergonzoso que tuvo la midia brasileña en el primer turno de las últimas elecciones así como lo tuvieron en el pasado, especialmente la Globo en su campaña de apoyo a Collor.

Pero nada es comparable al papel indigo que ha tenido la RCTV, desde el día mismo en que por primera vez se elegía el presidente Chávez como representante legítimo de un pueblo que en él había depositado todas sus esperanzas.

Recuerdo claramente el estupor que me causó ver en ese canal a personas declarando que "a éste lo vamos a
tumbar!". En aquel mismo momento el pueblo en las calles, por cientos de miles festejaba el triunfo de su candidato por encima de todas las campañas calumniosas que se habían vehiculado.

Como uruguaya, habiendo vivido una terrible dictadura, no podía aceptar aquellas expresiones signo de una brutal intolerancia, desrespeto a los derechos del pueblo y muestra de rencor clasista sin disfraces.

Les recuerdo aquí que después de la crisis de 2002 en Uruguiay, el presidente Batlle contaba con la aprobación de apenas el 5% de la población, pero ninguna voz se levantó para "tumbar" a este tan impopular presidente.

Lo que hicieron los uruguayos fue redoblar esfuerzos para cambiar, en las elecciones que vendrían en 2004, legitimamente a ese gobierno impopular por otro que verdaderamente lo representara. Así funciona la democracia.

Obtuvimos entonces el triunfo del Frente Amplio y la izquierda organizada en Encuentro Progresista - Nueva Mayoría, que de forma libre, por el voto popular, elegía en el primer turno con más del 50% de los votos al presidente Vázquez.

La oposición venezolana que vocifera desde el día uno del gobierno chavista ha tenido innúmeras oportunidades de actuar de la misma forma, no lo ha conseguido simplemente porque el pueblo reelige a Chávez.

La RCTV fue la emisora que estuvo siempre muy claramente llamando a derrocar por cualquier medio a este presidente elegido, una y otra vez, por el voto popular, e incluso hubo quien dijera en ese mismo canal que una magnicidio era legítimo!

Basta rever las imágenes increíbles del documental "The revolution will not be televised"
http://video.google.com/videoplay?docid=5832390545689805144
para recordar el papel de esta emisora "democrática".

Podemos también refrescar nuestra memoria con "Beyond Citizen Kane"

http://video.yahoo.com/video/play?vid=153762&fr=
sobre la Globo, tan familiar a todos nosotros, para recordar que jamás estos imperios de comunicación defienden los verdaderos intereses del pueblo y sí los suyos propios y el de los grupos de poderosos que a ellos se asocian.

Sería bueno recordar aquí también el papel gigantesco, de incluso guerra psicológica, que los medios pueden jugar en una batalla donde se sirven aún de las peores mentiras.

Radio Swan, instalada en la isla del mismo nombre, parte de la República de Honduras, fue creada exclusivamente para desestabilizar al joven gobierno cubano.

Esta emisora fue la responsable de repetir una y otra vez la noticia, absolutamente falsa, de que el gobierno revolucionario retiraría la patria potestad a los padres y por tanto el estado se encargaría de sus hijos enviándolos incluso a la URSS para su adoctrinamiento.

Podemos imaginar el terror que causaba en madres cubanas desinformadas estas noticias. El Papel que tuvo Radio Swan en el exilio al que fueron enviados más de 14000 niños cubanos entre los años 60 y 62 está claramente hoy comprobado. Para recordarlo basta leer sobre la Operación Peter Pan, ignominia que aún hoy causa sufrimientos a muchísimas familias cubanas.

En esta batalla, por el poder y salvaguardia de sus inmensas fortunas,los medios son todopoderosos. Por eso compañeros, porque la información es un derecho de todos pero un deber para los militantes, los invito a romper el silencio.

Porque cada uno de nosotros puede ser instrumento de propagación de la verdad, les envío el acceso directo a Telesur, que es nuestra y que tiene nuestra cara.

Porque en ella somos protagonistas y porque estoy segura que estará a la altura de nuestras expectativas. Y, fimalmente porque como afirmaba Joaquín Torres García, "Nuestro norte es el sur".

http://tv.venezuela.com/venezuela/telesur.html

besos cariñosos a todos los que llegaron al final!
Lyliam

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Novo hit do YouTube:




A versão original, sem a montagem, é essa aqui.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Marcha da Maconha



Domingo, 06 de maio, aconteceu a Marcha da Maconha no Rio de Janeiro. Embora tenha sido uma ação global realizada em 200 cidades espalhadas pelo mundo, aqui no Rio a Marcha aconteceu em bom momento. O estado conta com um defensor da discriminalização no Congresso, Fernando Gabeira; artistas ligados ao movimento, como Marcelo D2; e o novo Governador do Estado, Sérgio Cabral, que defendeu a legalização como meio de reduzir a criminalidade do tráfico.
A Marcha, no entanto, ficou esvaziada. Faltou respaldo de especialistas, de políticos e artistas. Faltou diálogo para informar aos poucos 250 presentes sobre experiências em outros países... para discutir potenciais consequências de tal medida aqui no Brasil... enfim, faltou conteúdo a uma marcha que começa a colocar em pauta um tema que pode vir a representar uma das muitas mudanças estruturais que o Brasil precisa.
Aos gritos de "Ei, Polícia... Maconha é uma delícia..." a pequena multidão mais parecia um grupo de maconheiros que aproveitaram a oportunidade para preparar baseados de meio metro e fumar livremente na orla de Ipanema. O oba-oba predominou num momento onde um debate sério e profundo é necessário.
Fica o desejo de que novas manifestações sejam organizadas e que elas contem com o respaldo de políticos, artistas e especialistas para legitimar esse debate nos diversos níveis de nossa sociedade.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Cativeiro carro

Ninguém anda mais em Recife (refiro-me à classe média, bem entendido). Prevalece a ditadura do transporte individual motorizado (vulgo, carro).


Noves fora ser este meio de transporte altamente poluente, uma caminhada pode ser algo tão agradável! Mais que isso, é saudável tanto ecológica quanto socialmente. Não há melhor maneira de se conhecer a sua cidade; descobrir pequenas belezas não observáveis a 40, 50 km/h; perceber a diversidade cultural e a sabedoria popular, ao interagir, nos ambientes públicos, com pessoas diferentes dos seus próprios meios.


No entanto, a paranóia com a questão da segurança, torna a classe-média recifense refém de si mesma – presa em seu próprio cativeiro – alimentando-se de sua alienação e ignorância em relação ao mundo que a cerca, à sua própria cidade.


Não querendo desconhecer a crise de segurança pública que assola a cidade – cujas raízes estão nas profundas desigualdades brasileiras, potencializadas pelos 8 anos de desgoverno jarbista – é evidente que se trata de caso de paranóia. Afinal, apenas um medo embasado em estereótipos, irracional, desprendido da realidade objetiva, explica que alguém se recuse a andar a pé, mas se sinta mais seguro porque os vidros do seu carro são (ilegalmente) mais escuros!


Por trás dessa neurose coletiva, subjaz o profundo desconhecimento do outro – o pobre, sempre visto como agressor potencial, quando não o subalterno, claro.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Nem tudo é solidão

Reagindo a um texto de João, em seu blog, um texto que é um grito - não um apelo desesperado por ajuda, mas a expressão de uma vontade profunda de ajudar -, um grito bastante eloqüente, César escreveu um comentário à altura. Compartilho aqui, por achar que as reflexões feitas em ambos os textos são tão necessárias quanto são urgentes. (O desenho ao lado é de Rodolfo Mesquita).

Cesar said...

Belo texto. Bom saber que nem tudo é solidão, e quando se grita na multidão, umas cinco pessoas se voltam pra você e se identificam com sua dor. Esse clima de apatia política da sociedade de consumo faz sentido em sociedades pós-industriais, onde os conflitos sociais foram abafados e conciliados pela umbrela do estado do bem estar social e por uma sensação de prosperidade e afluência generalizada. Incompreensível que esse mesmo sentimento assole a juventude de classe média do Brasil, país ainda enredado num violento apartheid social, onde só em Pernambuco 4000 pessoas são assassinadas por ano e onde muitas pessoas - pobres sobretudo - vivem em estado de sítio, sem liberdade de ir e vir em suas comunidades dominadas pelo crime, sem direito à educação e à saúde. É mais fácil e mais romântico lutar contra generais puritanos como Médici e Geisel do que reconhecer a falta de liberdade e democracia real na qual vivem inúmeras pessoas (pobres) no Brasil. Somos apolíticos, como se a política tivesse dado tudo o que teria a dar, quando a realidade se apresenta de outra maneira. A grande batalha é a simbólica, a batalha da linguagem, da nomeação. Falta-nos um Camus, um Beckett, alguém que diga que o absurdo é absurdo, alguém que conclame o senso de urgência e balance os corações de uma geração tão preconcemente pragmática e satisfeita com tão pouco. Vivemos numa situação absolutamente surreal: um baile alegre no salão nobre de um Titanic que afunda. Ninguém tem coragem de dizer que o rei está nu. Chamar o absurdo de absurdo. Pra isso que precisamos de gente como você, João. De artistas, de teatro. Pra nomear as coisas.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Liberdade para quê?

A Economist da semana passada publicou um editorial - cujo tema foi a capa da mesma edição -, analisando a mais recente, mais uma, tragédia provocada pelo acesso extremamente fácil às armas de fogo nos Estados Unidos. Trata-se de uma publicação de inequívoca tradição liberal, com autoridade moral, portanto, para fazer uma crítica à liberadade de matar.

Ao contrário do que o senso comum tende a afirmar, não concordo que ser "liberal" seja necessariamente "de direita". Os liberais, como a Economist, o são econômica e socialmente. Naquilo que chamamos "de direita", em geral nos referimos a um pensamento socialmente conservador e economicamente liberal, enquanto que "de esquerda" refere-se a uma ideologia socialmente liberal e economicamente intervencionista.

A publicação contribui para o debate sobre armas que matam, demonstra o disparate em que se transformou a discussão sobre o tema nos Estados Unidos - por força do podero lobby na National Rifle Association e comprova, uma vez mais, porque é, desde o século XIX, uma revista tão respeitada - é coerente e sensata. Num país, como o nosso, em que se mata mais, em um dia, só em uma grande metrópole, mais do que uma semana inteira de guerra no Iraque, a reflexão é mais que desejável - é uma imposição moral.

Quem quiser ler a matéria inteira (recomento), vá aqui. Coloco, abaixo, um trecho bem interessante:


"No phrase is bandied around more in the gun debate than “freedom of the individual”. When it comes to most dangerous products—be they drugs, cigarettes or fast cars—this newspaper advocates a more liberal approach than the American government does. But when it comes to handguns, automatic weapons and other things specifically designed to kill people, we believe control is necessary, not least because the failure to deal with such violent devices often means that other freedoms must be curtailed. Instead of a debate about guns, America is now having a debate about campus security."

domingo, 22 de abril de 2007

Halal power for road users of the future?

(E-mail de um amigo canadense, publicado no Financial Times)


By Daniel Roseman

Published: April 19 2007 03:00 | Last updated: April 19 2007 03:00

From Mr Daniel Roseman.

Sir, One can imagine the dialogue at the fuel pump in light of the development of alternatives to petrol ("Plan to make biodiesel from animal fat", April 12):

"Will that be vegetarian, kosher/halal, blended or classic?"

Daniel Roseman,

Ottawa, Canada K2P 0J5

Copyright The Financial Times Limited 2007

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Enganos e desenganos

Escrito por Noé Sérgio, arquiteto, em resposta a artigo assinado por João da Costa (aqui, para assinantes UOL).


os moradores de Boa Viagem entregaram um abaixo-assinado com 17

A condução que vem sendo dada à questão do parque de Boa Viagem mostra mais uma vez a dificuldade de se conduzir de forma clara e objetiva questões que dizem respeito ao urbanismo.Há cerca de oito anos, apenas para ficar em fato mais recente, a Praça Rio Branco no Bairro do Recife foi modificada ao gosto oficial de então, ignorando práticas mais contemporâneas de gestão urbana aqui mesmo no Brasil. Embora considerando toda a evolução política e social que temos vivenciado ao longo destes primeiros anos do século XXI e até por isso, é exasperante constatar a eterna pertinência da frase do Príncipe de Salina refletindo sobre o seu tempo nas páginas de “O Leopardo”: “As coisas têm de mudar, para permanecerem do jeito que estão”.


O primeiro engano com relação à questão do Parque de Boa Viagem é a de que “os moradores de Boa Viagem entregaram um abaixo-assinado com 17 mil assinaturas ao

Presidente”. Na realidade o abaixo assinado foi colhido por uma população, não necessariamente de Boa Viagem, mobilizada em torno de um ideal comum. Assinaturas foram colhidas em toda a cidade: universidades, escolas, bares e locais de trabalho bem além dos limites do bairro.. O raio de influência imediata de um equipamento deste porte é de 1,5km. A semelhança do que acontece com espaço equivalente na cidade: o da Jaqueira, tal equipamento diz respeito a uma população que transcende em muito aquele raio. É fundamental que fique bastante claro: o pleito é de uma parcela dos cidadãos recifenses e não apenas dos moradores de Boa Viagem, Setúbal, Imbiribeira e arredores.

Assim chegamos ao segundo engano: conforme foi colocado acima não se trata de caprichos de comunidades particulares, como parece estar sendo a compreensão da gestão.Ao se mobilizar para demandar à Presidência da República uma área para a implantação de um parque, esta parcela da população tinha em mente o significado da palavra na forma como a explica o Houaiss: “terreno relativamente extenso, cercado e arborizado, destinado à recreação ou um jardim público arborizado para lazer e ornamentação”.

Ora...No dizer do próprio Niemeyer o projeto entregue é: "uma grande área ajardinada onde serão situados o teatro, o prédio de apoio com escritórios, lojas, etc. o salão de exposições, e um mirante, que, a 20 metros de altura, dará aos visitantes uma visão panorâmica extraordinária...”. Um espaço de diversão (skate, parque de diversão para crianças) e de entretenimento (shows e espetáculos culturais).Não era bem isso, o que os cidadãos que apuseram a sua assinatura naquele pedido ao presidente tinham em mente. O espaço desejado era aquele da definição de Houaiss



Um terceiro (e grave!!!) engano é aquele que vem dando uma dimensão indevida e usando o batismo do espaço de eventos ora em questão. O debate deve ser conduzido com o foco no equipamento urbano em si e como ele atende as políticas ambientais, como ele responde a questões urbanísticas e paisagísticas. A questão aqui não reside na pessoa da homenageada ou no que ela significa. Não acho que este aspecto mereça nem mesmo considerações neste momento. Não apenas pela sua pequenez, mas principalmente para que não se perca o real sentido do debate.

A questão substantiva é a imagem construída pela população em torno da palavra “parque” e o desejo decorrente e a capacidade de cognição da gestão para conseguir interpreta-la dentro de um vocabulário o mais simples e corriqueiro possível e antenar-se com os princípios mais básicos das práticas ambientalistas de grupos políticos mais evoluídos.

Se a atitude do prefeito foi antidemocrática ou não, isso só é assunto para as próximas eleições; até lá, vamos praticando democracia .

os moradores de Boa Viagem entregaram um abaixo-assinado com 17

quarta-feira, 28 de março de 2007

Sopa de letrinhas - sobre a "transformação" (sic) do PFL

E mais um partido muda de nome. Dessa vez, o tradicionalíssimo Partido da Frente Liberal. Antes de tudo, acho uma pena que os seus dirigentes tenham tomado essa decisão. É ruim para o processo político brasileiro, ainda em forma
ção, pois vai contra a institucionalização de um importante partido de direita, que contava com um bom recall, digamos assim, por parte da sociedade. Trata-se, ademais, no contexto atual, do único partido autenticamente de oposição.

***

A mudan
ça do nome se deu da forma mais pefelista possível. Imposta de cima para baixo, sem qualquer debate interno ou algo que o valha. Para quem se propunha a "transformar-se", é um mau começo.

***

É um lugar-comum, mas nem por isso menos correto, dizer que tudo é "orwelliano". Mas essa mudan
ça apenas agrega ao inequívoco caráter orwelliano do nosso sistema partidário! Mas letrinhas pra nossa sopa, que não significam nada. Assim, o Partido Republicano é aquele do deputado federal Inocêncio Oliveira - conhecido pelos açudes construídos com dinheiro público em suas propriedades privadas em Pernambuco. O deputado Paulo "estupra-mas-não-mata" Maluf, com sua filosofia social moderníssima, integra os quadros do Partido Progressista. Agora vêm os "Democratas" (!), ao qual pertencem os senadores ACM, Marco Maciel e Bornhausen, filhotes da Ditadura Militar. Piada de mau gosto?

***

A tal renova
ção, aliás, é só de fachada. Pois vimos que até os métodos usados para mudar o nome retomam velhas práticas. Mas dizer que o DNA do DEM é essencialmente igual àquele do PFL não é mero jogo retórico. Deve-se entender isto literalmente! Assim, os velhos caciques dão lugar aos novos: os seus filhos! Saem (saem?) ACM, Jorge Bornhausen, Agripino Maia, César Maia.... Entram: Paulo (filho de Jorge), Felipe (filho de Agripino) e Rodrigo (filho de César). Maldade minha... nem todo mundo é filho de alguém! Tem ACM Neto!

***

Em Pernambuco, o pouco que sobrou do PFL não foge à regra familiar... O "grande líder" do DEM pernambucano... é Mendon
ça Filho. Em Recife, a "democrata" (pefelista, entenda-se) de maior expressão é Priscila Krause (filha de Gustavo, claro!). Ou seja, o que vemos é que a verdadeira renovação do PFL foi intra-oligárquica. O resto é firula, jogo de cena, marketing...

***

E nada como a alternância de poder! Se o PT/PCdoB/PSB aprendem a ser governo, o PFL aprende a ser oposi
ção. E veja que coisa maravilhosa é ver os pefelistas indignados com as defecções que o partido vem sofrendo... O feitiço se virou contra o feiticeiro, e eles sofrem daquilo de que tanto se beneficiaram no passado. E agora são ardorosos defensores de ideais modernos como fidelidade partidária e conceitos avançados como o de que o mandato pertence ao partido e não ao político individualmente. O PT defende isso desde sempre! Welcome to the club. Registre-se o caminho inverso, aliás, que os neo-oposicionistas tucano-pefelês percorrem, em relação ao PT. Enquanto este partido cresceu sistemática e continuamente a cada eleição, sempre na Oposição, foi o primeiro partido que diminuiu de tamanho ao chegar ao poder! Enquanto isso, PSDB/PFL cresceram, ainda que artificialmente, sempre que ocuparam o poder. E estão murxando agora, quando oposicionistas.

***

Hoje foi o evento oficial da mudan
ça de nome. Dei uma rápida passada por lá, pois ficava perto da biblioteca, durante o meu intervalo de almoço. Fui justamente no momento "triunfante" de um discurso muuuuito "empolgante" do nosso carismático senador Marco Maciel. Registrei em foto esse momento "histórico". Quase me filio de tão empolgado que saí de lá.

***

Pelo amor de Deus, perceba o sarcasmo na nota acima!



quinta-feira, 15 de março de 2007

Utopia recifense

Mesmo, porém, a essa fase de maior diferenciação social entre sobrados

e mucambos, correspondente à maior desintegração do sistema patriarcal

entre nós, não tem faltado elementos ou meios de intercomunicação entre

os extremos sociais ou de cultura. De modo que os antagonismos que não

foram nunca absolutos, não se tornaram absolutos depois daquela desin-

tegração.”

Gilberto Freyre (“Sobrados & mucambos”)



Fiquei muito impressionado, nessa minha última ida a Recife, como a cidade está crescendo de forma errada... O que me parece mais grave é a legitimidade desse modelo perverso perante a sociedade civl. Do ponto de vista do poder público, a situação não é tão mal. A atual gestão da Prefeitura do Recife tem tentado controlar o modo desordenado como a cidade vem crescendo – como a lei dos 12 bairros, que regularizou a construção do Derby atéApipucos, as melhorias do trânsito, a recuperação das praças públicas... A própria sociedade civil, no entanto, acha esse modelo de desenvolvimento normal e desejável. Ainda que ele não seja sustentável no longo prazo. A lei dos 12 bairros é boa e, embora tenha chegado tarde, acabou com a lei de “uso e abuso” do solo que era a regra até então – a situação, hoje, estaria ainda mais calamitosa. As construtoras agora miram sua ganância inescrupolosa naqueles bairros não contemplados pela lei – como o Rosarinho. É imprescindível que se regularize a cidade inteira. O Plano Diretor não tem essa função?


Os recifenses lidam cotidianamente com as conseqüências da verticalização desenfreada, do adensamento populacional sem limites, do crescimento desordenado. Me admira que não exista em Recife nenhum tipo de movimento ou mobilização em face desse problema. Ouve-se uma ou outra pessoa reclamando – sentadas na varanda de seus apartamentos. O processo de crescimento sem critério é aceito como algo dado, diante do qual nada se pode fazer – uma fatalidade da natureza. Há, ainda, aqueles que consideram esse tipo nefasto de desenvolvimento como “progresso”.

foto abaixo - utopia recifense?

Há, de fato, um embate ideológico. Acontece que só existe um lado divulgando as suas idéias. Onde estão os que não concordam com esse modelo? Eles precisam se manifestar também. Precisa haver um debate público. A imprensa pernambucana não questiona esse modelo, porque as páginas dos jornais estão entupidas de anúncios... anúncios das construtoras! Existe muita gente incomodada com a destruição por que está passando a cidade, mas essas pessoas não têm sido capazes de canalizar esse sentimento, de se mobilizar. Por outro lado, as construtoras são muito eficiente$ em divulgar seu ponto de vista (a idéia de verticalização como sinônimo de progresso e modernidade)... O jornal era para ser o meio propício que desse vazão a essa discussão. Mas, como venho falando, a nossa imprensa recifense é uma merda mesmo.
E além de ruim, é vendida. Então, já que não cumpre o seu papel, seria necessário uma verdadeira organizacão social.


Uma das bases do discurso ideológico desse modelo vertical de desenvolvimento é a questão da segurança. A violência e a verticalização são dois fenômenos que estão interligados. No entanto, tende-se a se ver apenas um lado dessa relação – a de que a verticalização seria causada pelo medo provocado pela violência. O movimento inverso, no entanto, creio que seja o determinante – a violência aumentou em decorrência das transformações urbanas por que passou a cidade. Esse modelo excludente, privatista dos espaços, divide mais a sociedade. Em "Sobrados & mocambos", Gilberto Freyre fala – nos anos 30!!! – do princípio desse processo de divisão social! Hoje, Recife vive as conseqüências do processo que Freyre tão lucidamente observou lá atrás. As classes mais abastadas se distanciam cada vez mais das classes pobres, aprofundando os antagonismos existentes, e o fato é que Recife e seus habitantes não passam incólumes a esse processo. Há conseqüências desse corte contemporâneo provocado pela exclusão total dos elementos de intercomunicação social a que alude Freyre. O fenômeno que ele batizou como “Sobrados & Mucambos” desdobrou-se no atual perverso “Espigões e Favelas”.


A Prefeitura também deveria enfrentar o embate ideológico, posicionar-se – defender, em suma, o interesse coletivo, em face do privado (muito bem defendido). Uma idéia seria criar uma comissão, no âmbito da administração local. É preciso que se coloque em pauta “qual a cidade que você quer”. Eu fui para a votação da lei dos 12 bairros. Não havia ninguém lá para apoiá-la! As construtoras, por sua vez, enviaram um bando de ônibus cheios de trabalhadores para protestar contra, porque seria uma “ameaça” ao emprego deles! Pura massa de manobra!.... Afinal, só seria uma ameaça mesmo à margem de lucro dos patrões deles! Os trabalhadores, eles, iriam continuar recebendo o mesmo salário de fome! Até agora, eles (as construtoras) estão venvcendo o embate ideológico, porque são os únicos que estão falando
e sendo ouvidos.

O mais maluco é que a postura dos empresários do setor é anti-capitalista. O que eles estão fazendo indica que a classe empresarial pernambucana do setor padece de grave e crônica falta de visão! A destruição a que estão submetendo a cidade talvez seja lucrativa no curto e médio prazo. Mas no longo prazo, como eles planejam ganhar dinheiro?! Na Europa, por exemplo, as construtoras ganham mais da metade de seus rendimentos com a restauração de construções antigas.... isso é falta de visão e falta de CRIATIVIDADE dos empresários recifenses desse setor.

Eu achei umas coisas positivas quando fui aí agora em dezembro. Acho que o trabalho da PCR está MUITO bom, no sentido da valorização dos espaços públicos. Fiquei surpreso em ver as praças SEM GRADES! Que coisa maravilhosa! A verdade é que é um contra-senso praça com grades. As praças e parques estão muito bem cuidadas. E o que é melhor: por conta disso, as pessoas estão utilizando! As academias da cidade também são algo muito interessante, no sentido de integrar, misturar as pessoas. É bonito ver de manhã um monte de gente da vizinhança fazendo exercícios, socializando, conhecendo os vizinhos, tudo sob a orientação de profissionais de nutrição e educação física. Paremos para reconhecer a dimensão de uma medida que, em tempos de neurose coletiva, logra tirar as classes médias de suas bolhas. Mas pensemos, sobretudo, que não podemos aguardar, comodamente sentados em nossas varandas, que o poder público, paternalisticamente, resolva todos os nossos problemas. Enquanto os setores insatisfeitos não se organizarem e não se mobilizarem – e o outro lado está muito bem organizado e mobilizado –, fica difícil imaginar um futuro otimista para a cidade do Recife.


PS: vai Jamildo, fala disso no teu blog!

sexta-feira, 9 de março de 2007

Em 1956...


A IBM lançava o 305 RAMAC, o primeiro Computador com Hard Disk
(HD).

O HD pesava perto de 1 Tonelada e tinha a capacidade de 5Mb.



Legislação Esportiva


Me preocupa a quantidade de legislações no Brasil que repetem o mesmo modelo no que se refere aos esportes.

A lei pelé foi inovadora no que se refere à liberdade do atleta. Ela impôs o fim da escravidão do atleta permitindo-o sair do clube quando este passasse à partir de três meses sem pagar o salário devido. O fato de focar apenas o futebol não é um problema, pois pela dimensão desta modalidade no Brasil é importante que haja uma regulamentação voltada a sua realidade.

A lei Agnelo-Piva é interessante. Ela determina que 2% das verbas de loterias e bingos sejam direcionadas ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para que este repassasse às Federações. Teoricamente, ela é muito interessante, afinal grande parte das modalidades esportivas é incapaz de investir em campeonatos bem estruturados ou em infra-estrutura para a prática esportiva. A questão é que no Brasil a conduta dos dirigentes esportivos é questionável. Se mecanismos de monitoramento de como a verba é usada não forem adotados, então damos margem a corruptos enriquecerem com um dinheiro que deveria ser usado em pró dos atletas. Usamos uma idéia boa de forma inapropriada.

O Estatuto do Torcedor foi revolucionário. Ele definiou padrões de segurança e de respeito ao torcedor. Como podemos querer lotar estádios se não garantimos segurança? Se não garantimos os direitos báscios do consumidor àquele que compra um evento de entretenimento? O interessante do Estatuto do Torcedor é que foi feito para ser descumprido. Os prazos determinados não correspondem à realidade da maioria dos clubes brasileiros. Seria preciso estender mais o prazo para tornar possível uma cobrança aos que não cumprissem a lei. Acontece que ela é tão irreal que todos os estádios até hoje não estão 100% compatíveis com o determinado pelo Estatuto e, consequentemente, estão fora da lei. Boa medida, porém mal executada.

A Timemania, loteria esportiva criada pelo Governo para garantir que os clubes brasileiros quitem suas dívidas fiscais, é o que há de pior na minha opinião. Primeiro, quem pagará a conta é a população mais pobre que costuma jogar em loterias esportivas. Segundo, mais uma vez ela não define contra-partidas sociais ou de investimento. Como monitoraremos a forma como o dinheiro é usada pelos clubes? Na verdade, o governo mostrou que não está preocupado com como isso será investido e, sim, em garantir que as dívidas dos clubes sejam pagas... e depois de pagas as dívidas? Repetimos o erro.

Agora me vêm com uma Lei de Incentivo... teoricamente, ela é muito boa, mas temos que garantir algumas contra-partidas. Deixar aberto é permitir que a grande maioria dos projetos sejam focados nas modalidades que dão mais visibilidade de mídia, mas que talvez nem precisassem de tanto incentivo. Quem investirá no remo, esporte sem qualquer visibilidade de mídia? Quem investirá no triatlo? Investirão na ginástica, na natação, em lutas... e os mais carentes continuarão na mesma situação. É preciso discutir isso mais a fundo, cobrar que haja prioridades; cobrar que haja, mais uma vez, monitoramento de como são executados esses projetos. Se na cultura houve casos de desvio claro de verba em projetos, nos esporte haverá mais, pois estamos tratando com dirigentes "voluntários" que usam as legislações como fonte de renda.

Apenas uma reflexão sobre o esporte, pois acredito que por meio dele é possível reduzir uma série de problemas ligados à segurança, saúde e ao social.

terça-feira, 6 de março de 2007

É nóis na fita

Minha estréia no YouTube está AQUI.

sábado, 3 de março de 2007

jamildo@nãometoques.com para bernardo@aiquemeda.com

um retrato do jornalismo pernambucano

Remetente: jamildo@jc.com.br add
Para: bj@iteci.com.br add
Data: Sex 17:54

Não é a primeira vez que o senhor me ataca gratuitamente o que tens contra mim? sobre o prefeito ou quem quer que seja, quero lhe informar que não tenho nada pessoal contra eles faço o meu trabalho, que é levantar polêmicas e apresentar críticas o senhor pode não concordar, mas outros podem isto é o espírito deste espaço, pluralidade mais: quando Jarbas e Mendonça eram governadores, esse raul secretário, eu não fazia o blog não possso responder pelo que escreveram ou deixaram de escrever respondo pelo que escrevo agora aliás, minha cara está lá encima (sic), levando tapa por isso, peço que nos preserve não há objetivo político algum neste blog nem na empresa que eu trabalho apenas cada um lê ao seu modo paciência isto é da dmeocracia tenha a minha palavra que no dia que as pessoas que o senhor considera inmimgas, como jarbas, mendonça, sei lá, fizeram algo que eu acho criticável, vou criticar o que ocorre é quem quem está a vitrine é o PT, na prefeitura, amigo, só isso estou fazendo essas observações porque espero que haja boa fé de sua parte



Remetente: jamildo@jc.com.br add
Para: bj@iteci.com.br add
Data: Sex 21:17

já que o senhor não me esclarece o motivo de seu ódio por minha pessoa, prometo que vou descobrir por conta própria um abraço e feliz 2007 voltaremos a nos falar, tenha certeza



A RÉPLICA

Prezado Jamildo,

Não tenho nenhum ódio contra a sua pessoa. Não se trata de nada pessoal. Minhas críticas virulentas se referem a determinados posicionamentos e comportamentos da imprensa. Uma das grandes vantagens do blog, em relacão aos meios tradicionais de comunicacão, é a interacão entre leitor e blogueiro. Se o Sr. não pode receber uma crítica sem levar para o lado pessoal, corte os comentários do blog.

Eu acho no mínimo estranho que, numa cidade com tantos problemas e questões a serem debatidas, o salário do prefeito seja discutido monotemática e exaustivamente, como se esse fosse o grande problema a ser resolvido na cidade (tendo em vista os salários vultosos - sem entrar no mérito - de outras autoridades).

Um ótimo 2007 para todos nós.

Grande abraco,
Bernardo Jurema

****

Concluindo: só Jamildo tem autoridade moral pra tecer as críticas que ele próprio julgue convenientes... Mas quem quiser criticá-lo, ah não, isso é uma indelicadeza. Ahhh, entendi.

Sugestão: pessoal, visite o "Blog de Jamildo" (ex-do JC) - http://jc.uol.com.br/blogs/blogdejamildo/index.php - mas, aparentemente, só vale se for pra elogiar o editor do blog.... Criticar é monopólio do ilustre jornalista, que fique bem claro. Senão, você vai receber uma mensagem assim, com uma ameaca... Ai que meda!!!!

Nova campanha: Qual o salário de Jamildo? Oito mil reais? Sei lá, não faco idéia. Mas vamos lá que seja. Que um jornalistazinho desse receba oito mil reais - eis o verdadeiro escândalo! Abaixo o salário de Jamildo, já! Pô, quer criticar o salário do prefeito? Dê a notícia direito! Quando foi o último aumento que teve o prefeito? Essa pergunta, por exemplo, seria essencial. Populismo barato e eleitoreiro a forma como Jamildo tem levado adiante essa campanha difamatória.