quarta-feira, 28 de março de 2007

Sopa de letrinhas - sobre a "transformação" (sic) do PFL

E mais um partido muda de nome. Dessa vez, o tradicionalíssimo Partido da Frente Liberal. Antes de tudo, acho uma pena que os seus dirigentes tenham tomado essa decisão. É ruim para o processo político brasileiro, ainda em forma
ção, pois vai contra a institucionalização de um importante partido de direita, que contava com um bom recall, digamos assim, por parte da sociedade. Trata-se, ademais, no contexto atual, do único partido autenticamente de oposição.

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A mudan
ça do nome se deu da forma mais pefelista possível. Imposta de cima para baixo, sem qualquer debate interno ou algo que o valha. Para quem se propunha a "transformar-se", é um mau começo.

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É um lugar-comum, mas nem por isso menos correto, dizer que tudo é "orwelliano". Mas essa mudan
ça apenas agrega ao inequívoco caráter orwelliano do nosso sistema partidário! Mas letrinhas pra nossa sopa, que não significam nada. Assim, o Partido Republicano é aquele do deputado federal Inocêncio Oliveira - conhecido pelos açudes construídos com dinheiro público em suas propriedades privadas em Pernambuco. O deputado Paulo "estupra-mas-não-mata" Maluf, com sua filosofia social moderníssima, integra os quadros do Partido Progressista. Agora vêm os "Democratas" (!), ao qual pertencem os senadores ACM, Marco Maciel e Bornhausen, filhotes da Ditadura Militar. Piada de mau gosto?

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A tal renova
ção, aliás, é só de fachada. Pois vimos que até os métodos usados para mudar o nome retomam velhas práticas. Mas dizer que o DNA do DEM é essencialmente igual àquele do PFL não é mero jogo retórico. Deve-se entender isto literalmente! Assim, os velhos caciques dão lugar aos novos: os seus filhos! Saem (saem?) ACM, Jorge Bornhausen, Agripino Maia, César Maia.... Entram: Paulo (filho de Jorge), Felipe (filho de Agripino) e Rodrigo (filho de César). Maldade minha... nem todo mundo é filho de alguém! Tem ACM Neto!

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Em Pernambuco, o pouco que sobrou do PFL não foge à regra familiar... O "grande líder" do DEM pernambucano... é Mendon
ça Filho. Em Recife, a "democrata" (pefelista, entenda-se) de maior expressão é Priscila Krause (filha de Gustavo, claro!). Ou seja, o que vemos é que a verdadeira renovação do PFL foi intra-oligárquica. O resto é firula, jogo de cena, marketing...

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E nada como a alternância de poder! Se o PT/PCdoB/PSB aprendem a ser governo, o PFL aprende a ser oposi
ção. E veja que coisa maravilhosa é ver os pefelistas indignados com as defecções que o partido vem sofrendo... O feitiço se virou contra o feiticeiro, e eles sofrem daquilo de que tanto se beneficiaram no passado. E agora são ardorosos defensores de ideais modernos como fidelidade partidária e conceitos avançados como o de que o mandato pertence ao partido e não ao político individualmente. O PT defende isso desde sempre! Welcome to the club. Registre-se o caminho inverso, aliás, que os neo-oposicionistas tucano-pefelês percorrem, em relação ao PT. Enquanto este partido cresceu sistemática e continuamente a cada eleição, sempre na Oposição, foi o primeiro partido que diminuiu de tamanho ao chegar ao poder! Enquanto isso, PSDB/PFL cresceram, ainda que artificialmente, sempre que ocuparam o poder. E estão murxando agora, quando oposicionistas.

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Hoje foi o evento oficial da mudan
ça de nome. Dei uma rápida passada por lá, pois ficava perto da biblioteca, durante o meu intervalo de almoço. Fui justamente no momento "triunfante" de um discurso muuuuito "empolgante" do nosso carismático senador Marco Maciel. Registrei em foto esse momento "histórico". Quase me filio de tão empolgado que saí de lá.

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Pelo amor de Deus, perceba o sarcasmo na nota acima!



quinta-feira, 15 de março de 2007

Utopia recifense

Mesmo, porém, a essa fase de maior diferenciação social entre sobrados

e mucambos, correspondente à maior desintegração do sistema patriarcal

entre nós, não tem faltado elementos ou meios de intercomunicação entre

os extremos sociais ou de cultura. De modo que os antagonismos que não

foram nunca absolutos, não se tornaram absolutos depois daquela desin-

tegração.”

Gilberto Freyre (“Sobrados & mucambos”)



Fiquei muito impressionado, nessa minha última ida a Recife, como a cidade está crescendo de forma errada... O que me parece mais grave é a legitimidade desse modelo perverso perante a sociedade civl. Do ponto de vista do poder público, a situação não é tão mal. A atual gestão da Prefeitura do Recife tem tentado controlar o modo desordenado como a cidade vem crescendo – como a lei dos 12 bairros, que regularizou a construção do Derby atéApipucos, as melhorias do trânsito, a recuperação das praças públicas... A própria sociedade civil, no entanto, acha esse modelo de desenvolvimento normal e desejável. Ainda que ele não seja sustentável no longo prazo. A lei dos 12 bairros é boa e, embora tenha chegado tarde, acabou com a lei de “uso e abuso” do solo que era a regra até então – a situação, hoje, estaria ainda mais calamitosa. As construtoras agora miram sua ganância inescrupolosa naqueles bairros não contemplados pela lei – como o Rosarinho. É imprescindível que se regularize a cidade inteira. O Plano Diretor não tem essa função?


Os recifenses lidam cotidianamente com as conseqüências da verticalização desenfreada, do adensamento populacional sem limites, do crescimento desordenado. Me admira que não exista em Recife nenhum tipo de movimento ou mobilização em face desse problema. Ouve-se uma ou outra pessoa reclamando – sentadas na varanda de seus apartamentos. O processo de crescimento sem critério é aceito como algo dado, diante do qual nada se pode fazer – uma fatalidade da natureza. Há, ainda, aqueles que consideram esse tipo nefasto de desenvolvimento como “progresso”.

foto abaixo - utopia recifense?

Há, de fato, um embate ideológico. Acontece que só existe um lado divulgando as suas idéias. Onde estão os que não concordam com esse modelo? Eles precisam se manifestar também. Precisa haver um debate público. A imprensa pernambucana não questiona esse modelo, porque as páginas dos jornais estão entupidas de anúncios... anúncios das construtoras! Existe muita gente incomodada com a destruição por que está passando a cidade, mas essas pessoas não têm sido capazes de canalizar esse sentimento, de se mobilizar. Por outro lado, as construtoras são muito eficiente$ em divulgar seu ponto de vista (a idéia de verticalização como sinônimo de progresso e modernidade)... O jornal era para ser o meio propício que desse vazão a essa discussão. Mas, como venho falando, a nossa imprensa recifense é uma merda mesmo.
E além de ruim, é vendida. Então, já que não cumpre o seu papel, seria necessário uma verdadeira organizacão social.


Uma das bases do discurso ideológico desse modelo vertical de desenvolvimento é a questão da segurança. A violência e a verticalização são dois fenômenos que estão interligados. No entanto, tende-se a se ver apenas um lado dessa relação – a de que a verticalização seria causada pelo medo provocado pela violência. O movimento inverso, no entanto, creio que seja o determinante – a violência aumentou em decorrência das transformações urbanas por que passou a cidade. Esse modelo excludente, privatista dos espaços, divide mais a sociedade. Em "Sobrados & mocambos", Gilberto Freyre fala – nos anos 30!!! – do princípio desse processo de divisão social! Hoje, Recife vive as conseqüências do processo que Freyre tão lucidamente observou lá atrás. As classes mais abastadas se distanciam cada vez mais das classes pobres, aprofundando os antagonismos existentes, e o fato é que Recife e seus habitantes não passam incólumes a esse processo. Há conseqüências desse corte contemporâneo provocado pela exclusão total dos elementos de intercomunicação social a que alude Freyre. O fenômeno que ele batizou como “Sobrados & Mucambos” desdobrou-se no atual perverso “Espigões e Favelas”.


A Prefeitura também deveria enfrentar o embate ideológico, posicionar-se – defender, em suma, o interesse coletivo, em face do privado (muito bem defendido). Uma idéia seria criar uma comissão, no âmbito da administração local. É preciso que se coloque em pauta “qual a cidade que você quer”. Eu fui para a votação da lei dos 12 bairros. Não havia ninguém lá para apoiá-la! As construtoras, por sua vez, enviaram um bando de ônibus cheios de trabalhadores para protestar contra, porque seria uma “ameaça” ao emprego deles! Pura massa de manobra!.... Afinal, só seria uma ameaça mesmo à margem de lucro dos patrões deles! Os trabalhadores, eles, iriam continuar recebendo o mesmo salário de fome! Até agora, eles (as construtoras) estão venvcendo o embate ideológico, porque são os únicos que estão falando
e sendo ouvidos.

O mais maluco é que a postura dos empresários do setor é anti-capitalista. O que eles estão fazendo indica que a classe empresarial pernambucana do setor padece de grave e crônica falta de visão! A destruição a que estão submetendo a cidade talvez seja lucrativa no curto e médio prazo. Mas no longo prazo, como eles planejam ganhar dinheiro?! Na Europa, por exemplo, as construtoras ganham mais da metade de seus rendimentos com a restauração de construções antigas.... isso é falta de visão e falta de CRIATIVIDADE dos empresários recifenses desse setor.

Eu achei umas coisas positivas quando fui aí agora em dezembro. Acho que o trabalho da PCR está MUITO bom, no sentido da valorização dos espaços públicos. Fiquei surpreso em ver as praças SEM GRADES! Que coisa maravilhosa! A verdade é que é um contra-senso praça com grades. As praças e parques estão muito bem cuidadas. E o que é melhor: por conta disso, as pessoas estão utilizando! As academias da cidade também são algo muito interessante, no sentido de integrar, misturar as pessoas. É bonito ver de manhã um monte de gente da vizinhança fazendo exercícios, socializando, conhecendo os vizinhos, tudo sob a orientação de profissionais de nutrição e educação física. Paremos para reconhecer a dimensão de uma medida que, em tempos de neurose coletiva, logra tirar as classes médias de suas bolhas. Mas pensemos, sobretudo, que não podemos aguardar, comodamente sentados em nossas varandas, que o poder público, paternalisticamente, resolva todos os nossos problemas. Enquanto os setores insatisfeitos não se organizarem e não se mobilizarem – e o outro lado está muito bem organizado e mobilizado –, fica difícil imaginar um futuro otimista para a cidade do Recife.


PS: vai Jamildo, fala disso no teu blog!

sexta-feira, 9 de março de 2007

Em 1956...


A IBM lançava o 305 RAMAC, o primeiro Computador com Hard Disk
(HD).

O HD pesava perto de 1 Tonelada e tinha a capacidade de 5Mb.



Legislação Esportiva


Me preocupa a quantidade de legislações no Brasil que repetem o mesmo modelo no que se refere aos esportes.

A lei pelé foi inovadora no que se refere à liberdade do atleta. Ela impôs o fim da escravidão do atleta permitindo-o sair do clube quando este passasse à partir de três meses sem pagar o salário devido. O fato de focar apenas o futebol não é um problema, pois pela dimensão desta modalidade no Brasil é importante que haja uma regulamentação voltada a sua realidade.

A lei Agnelo-Piva é interessante. Ela determina que 2% das verbas de loterias e bingos sejam direcionadas ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para que este repassasse às Federações. Teoricamente, ela é muito interessante, afinal grande parte das modalidades esportivas é incapaz de investir em campeonatos bem estruturados ou em infra-estrutura para a prática esportiva. A questão é que no Brasil a conduta dos dirigentes esportivos é questionável. Se mecanismos de monitoramento de como a verba é usada não forem adotados, então damos margem a corruptos enriquecerem com um dinheiro que deveria ser usado em pró dos atletas. Usamos uma idéia boa de forma inapropriada.

O Estatuto do Torcedor foi revolucionário. Ele definiou padrões de segurança e de respeito ao torcedor. Como podemos querer lotar estádios se não garantimos segurança? Se não garantimos os direitos báscios do consumidor àquele que compra um evento de entretenimento? O interessante do Estatuto do Torcedor é que foi feito para ser descumprido. Os prazos determinados não correspondem à realidade da maioria dos clubes brasileiros. Seria preciso estender mais o prazo para tornar possível uma cobrança aos que não cumprissem a lei. Acontece que ela é tão irreal que todos os estádios até hoje não estão 100% compatíveis com o determinado pelo Estatuto e, consequentemente, estão fora da lei. Boa medida, porém mal executada.

A Timemania, loteria esportiva criada pelo Governo para garantir que os clubes brasileiros quitem suas dívidas fiscais, é o que há de pior na minha opinião. Primeiro, quem pagará a conta é a população mais pobre que costuma jogar em loterias esportivas. Segundo, mais uma vez ela não define contra-partidas sociais ou de investimento. Como monitoraremos a forma como o dinheiro é usada pelos clubes? Na verdade, o governo mostrou que não está preocupado com como isso será investido e, sim, em garantir que as dívidas dos clubes sejam pagas... e depois de pagas as dívidas? Repetimos o erro.

Agora me vêm com uma Lei de Incentivo... teoricamente, ela é muito boa, mas temos que garantir algumas contra-partidas. Deixar aberto é permitir que a grande maioria dos projetos sejam focados nas modalidades que dão mais visibilidade de mídia, mas que talvez nem precisassem de tanto incentivo. Quem investirá no remo, esporte sem qualquer visibilidade de mídia? Quem investirá no triatlo? Investirão na ginástica, na natação, em lutas... e os mais carentes continuarão na mesma situação. É preciso discutir isso mais a fundo, cobrar que haja prioridades; cobrar que haja, mais uma vez, monitoramento de como são executados esses projetos. Se na cultura houve casos de desvio claro de verba em projetos, nos esporte haverá mais, pois estamos tratando com dirigentes "voluntários" que usam as legislações como fonte de renda.

Apenas uma reflexão sobre o esporte, pois acredito que por meio dele é possível reduzir uma série de problemas ligados à segurança, saúde e ao social.

terça-feira, 6 de março de 2007

É nóis na fita

Minha estréia no YouTube está AQUI.

sábado, 3 de março de 2007

jamildo@nãometoques.com para bernardo@aiquemeda.com

um retrato do jornalismo pernambucano

Remetente: jamildo@jc.com.br add
Para: bj@iteci.com.br add
Data: Sex 17:54

Não é a primeira vez que o senhor me ataca gratuitamente o que tens contra mim? sobre o prefeito ou quem quer que seja, quero lhe informar que não tenho nada pessoal contra eles faço o meu trabalho, que é levantar polêmicas e apresentar críticas o senhor pode não concordar, mas outros podem isto é o espírito deste espaço, pluralidade mais: quando Jarbas e Mendonça eram governadores, esse raul secretário, eu não fazia o blog não possso responder pelo que escreveram ou deixaram de escrever respondo pelo que escrevo agora aliás, minha cara está lá encima (sic), levando tapa por isso, peço que nos preserve não há objetivo político algum neste blog nem na empresa que eu trabalho apenas cada um lê ao seu modo paciência isto é da dmeocracia tenha a minha palavra que no dia que as pessoas que o senhor considera inmimgas, como jarbas, mendonça, sei lá, fizeram algo que eu acho criticável, vou criticar o que ocorre é quem quem está a vitrine é o PT, na prefeitura, amigo, só isso estou fazendo essas observações porque espero que haja boa fé de sua parte



Remetente: jamildo@jc.com.br add
Para: bj@iteci.com.br add
Data: Sex 21:17

já que o senhor não me esclarece o motivo de seu ódio por minha pessoa, prometo que vou descobrir por conta própria um abraço e feliz 2007 voltaremos a nos falar, tenha certeza



A RÉPLICA

Prezado Jamildo,

Não tenho nenhum ódio contra a sua pessoa. Não se trata de nada pessoal. Minhas críticas virulentas se referem a determinados posicionamentos e comportamentos da imprensa. Uma das grandes vantagens do blog, em relacão aos meios tradicionais de comunicacão, é a interacão entre leitor e blogueiro. Se o Sr. não pode receber uma crítica sem levar para o lado pessoal, corte os comentários do blog.

Eu acho no mínimo estranho que, numa cidade com tantos problemas e questões a serem debatidas, o salário do prefeito seja discutido monotemática e exaustivamente, como se esse fosse o grande problema a ser resolvido na cidade (tendo em vista os salários vultosos - sem entrar no mérito - de outras autoridades).

Um ótimo 2007 para todos nós.

Grande abraco,
Bernardo Jurema

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Concluindo: só Jamildo tem autoridade moral pra tecer as críticas que ele próprio julgue convenientes... Mas quem quiser criticá-lo, ah não, isso é uma indelicadeza. Ahhh, entendi.

Sugestão: pessoal, visite o "Blog de Jamildo" (ex-do JC) - http://jc.uol.com.br/blogs/blogdejamildo/index.php - mas, aparentemente, só vale se for pra elogiar o editor do blog.... Criticar é monopólio do ilustre jornalista, que fique bem claro. Senão, você vai receber uma mensagem assim, com uma ameaca... Ai que meda!!!!

Nova campanha: Qual o salário de Jamildo? Oito mil reais? Sei lá, não faco idéia. Mas vamos lá que seja. Que um jornalistazinho desse receba oito mil reais - eis o verdadeiro escândalo! Abaixo o salário de Jamildo, já! Pô, quer criticar o salário do prefeito? Dê a notícia direito! Quando foi o último aumento que teve o prefeito? Essa pergunta, por exemplo, seria essencial. Populismo barato e eleitoreiro a forma como Jamildo tem levado adiante essa campanha difamatória.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Quanta-Ladeira

Taí a única coisa que sinto realmente falta do carnaval de Recife! O Quanta-Ladeira. E tive o privilégio de ir a uma das primeiras apresentações do bloco, em 1999. Éramos apenas uns gatos pingados, no meio da rua, sem palco, na Rua da Moeda. Velhos tempos, a mesma irreverência. Agora, só me resta mesmo o YouTube:





outros links do bloco no YouTube:

- "A Rede Globo Tá Demais"
- O hino do bloco
- Poeira/Oliveira (muito boa)

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Explaining Hitler through Marx

"Men make their own history. But they do not make it just as they please; they do not make under circunstances chosen by themselves, but under given circumstances directly encountered and inhereted from the past."
- Karl Marx

Atividade da aula de inglês: comentar essa passagem.

Marx's approach to History, known as "historic materialism," implies that its driving force is the struggle between classes. That means that, although men indeed "make their own history," that does not happen in the void; instead, it takes place within a given historic, cultural and social context.

The state of affairs in Europe as a whole, and in Germany in particular, at the time Hitler rose to power, can be traced back to events that took place decades or even centuries before.

In the Middle Age, the European feudal social system provided security to the people. The person would be born and live predictably in the same social group -- and religion would ensure them that that was right. The sense of security, therefore, stemmed from being part of a group - be it social (i.e., peasants) or religious.

Two social transformations, however, would join forces to weaken this base of security. The emergence of Enlightenment ideal -- especially the idea of individuality -- compounded with a new economic system - Capitalism -- would change fundamentally European societies.

These changes were made possible, according to a Marxist perspective, only because a new social class was emerging -- the bourgeoisie. For its economic strength to have a political expression, a new set of values was required. Individualism and secularism would legitimize the new ruling class and, at the same time, weaken the traditional elite (clerics and nobles).

Another new class emerged as an offspring of Capitalism -- the working class. They sold their labor to the owners of the means of production. They would be gathered in urban centers, away from their traditional rural homelands, and without time for leisure or for religious duties. Never before, according to Hobbsbawn, was thee a social group so disenfranchised religiously and culturally.

At the end of the 19th century, Germany was arguably the most industrialized nation in all of Europe, and its workers had the best legislation, which was put there by Bismarck's social reforms. The Versailles Treaty, instead of solving problems that led up to the Great War, gave in to French revanchism. When Hitler came to power in the 1930's, his neurotic personality found fertile ground for self-destructive attitudes in the humiliated and insecure German society -- making it possible for him to lead his nation to near suicide.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

O legado de Serra à cidade de São Paulo

Pois é. Ninguém sabe de algo marcante deixado na capital paulista na meteórica gestão Serra. De concreto mesmo, o legado Serra à cidade consiste no Prefeito Kassab, ex-assessor de Pitta, que demonstra o seu DNA pefelista. Recentemente, ficamos sabendo de suas múltiplas dimensões:

- Kassab, o democrata.

- Kassab, o sensível.

Daqui pro ano que vem, esperemos mais. Nos resta apenas imaginar do que Serra será capaz no nível estadual! Ui!

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Privatizaram o horizonte!


“Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,

Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,

Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,

E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver”.


Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)


As constutoras de Pernambuco repetem o que as elites sempre fizeram no país. Desde quando, no século XIX, setores das classes dirigentes assumiam um discurso liberal inspirado nos mais nobres ideais iluministas universalistas apenas para realizar seus interesses privados (já falei disso antes!), esse expediente tornou-se uma constante. Assim, as construtoras defendem-se por trás de uma retórica pretensamente progressista e democrática, apenas para perseguirem a inescrupulosa e inconseqüente realização de lucros tão altos quanto os prédios da cidade!


Democracia não prescinde de regras; muito pelo contrário, ela implica no estabelecimento e cumprimento de regras claras que regem o convívio coletivo (quando conveniente, costuma-se confundir democracia com anarquia). O discurso falsificador daqueles que destróem a nossa cidade encontra ressonância nas classes médias. Essas admiram a “beleza” e aspiram comprá-las. Não importa que esse processo esteja minando sua própria qualidade de vida – legitimiza-a porque deseja-a, ainda que não a tenha. O sonho é chegar no topo – literalmente.


O conceito deturpado de “modernidade” implica um tipo de desenvolvimento truculento, auto-destruidor. Extraindo do ideal fáustico de modernidade apenas aquilo que ele tem de mais danoso – profundo desdém pelas conseqüências do progresso – sem pelo menos buscar aquilo que tem de humano – intensa energia criativa e criadora inspirada no avanço técnico-científico.


Todas as sociedades sadias – e de todas as espécies – seguem o impulso natural da auto-preservação. Um modelo de crescimento urbano que não leva em conta as limitações geográficas e estruturais, então, se revela moralmente condenável. Ao mesmo tempo que se constróem prédios cada vez mais altos, estamos usando, de modo totalmente inconseqüente, os recursos naturais que a cidade oferece – em particular, as águas públicas dos lençóis freáticos e os rios e mares. Os tubarões de Boa Viagem, o avanço do mar em Piedade, a podridão dos rios e a falta d'água que

aflige boa parte da população são conseqüências diretas de ações humanas sobre o meio-ambiente por parte da sociedade pernambucana. O assalto às águas coletivas perpetrado pela classe média tampouco passará incólume – e nem a verticalização.

Quando iremos nos preocupar com isso? Como no caso dos tubarões, quando já seja tarde? Deixaremos a conta para os nossos descendentes (mais uma)? E naturalizaremos mais esse problema socialmente construído? Esse modelo, literalmente, não se sustentará a médio e longo prazos. Que sociedade é esta que vamos legar às próximas gerações?


foto acima - isso também é Recife. Ainda.

Pior do que o descaso com sua memória, seu passado, na forma da aniquilação radical dos prédios e casarões antigos – pode-se, afinal, argüir que se trate apenas de uma

questão estética –, é a despreocupação com o futuro e seus habitantes – nossos próprios filhos e netos – e aqui, trata-se, sem dúvida, de uma questão moral.


Mas, e uma coisa não está ligada à outra?

Recife ruirá

Ontem à noite tive uma idéia para um filme.


Chega-se a um momento em que os prédios da cidade do Recife começam a desabar, desmoronar; de como isso perturba a vida das pessoas; de como uma sociedade se auto-destrói.


Uma sociedade cuja direção é a auto-destruição não está sã. Poços artesianos somados à verticalizaçao intensa e condensada levará às quedas dos prédios e o conseqüente colapso social.


A tendência natural de qualquer espécie é a sua auto-preservação. A sociedade recifense está gerando um mundo inviável, que não se sustenta. Isso é contra a natureza, e portanto mal-são.


Recife ruirá, e de seus escombros emergirá uma sociedade bela. (O filme terá um final positivo).

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Movimento ao totalitarismo


O erro fundamental da análise que atribui a ruptura democrática venezuelana a Hugo Chávez é o fato de ela não atentar-se para o fato de que não é ele a origem real do fenômeno; toma-se o sintoma pela doença. O processo de corrupção do regime democrático na Venezuela antecede a ascensão de Chávez ao poder; ao contrário, é nesse contexto – e, de fato, em função dele – que esse “outsider” do sistema partidário emerge.


Recorro a Raymond Aron para a análise do caso venezuelano. Segundo o sociólogo francês, “a corrupção das instituições políticas aparece quando o sistema de partidos não corresponde mais aos diferentes grupos de interesse, ou quando o funcionamento do sistema partidário é de tal ordem que nenhuma autoridade estável sai da rivalidade de partidos”. Na Venezuela pré-chavista, ambas as coisas aconteceram. Chávez não gerou a crise da democracia em que vive seu país – ele é fruto dela. A pseudo-democracia então vigente no país consistia na alternância de poder entre os tradicionais Copei e Ação Democrática (AD), que na verdade representavam um mesmo segmento social – a elite. Aron nos adverte, ainda, que os regimes constitucionais-pluralistas podem se corromper seja pelo “excesso de oligarquia”, seja pelo “excesso de demagogia”. No caso venezuelano, vemos que o primeiro deu margem ao segundo. Os ingredientes de degeneração democrática, previstos por Aron há cinqüenta anos, estão lá.


Um dos critérios essenciais que distingue o regime democrático-liberal do totalitário, seguindo sempre a linha de Aron, é o acesso ao poder. Na forma de organização política tal qual desenvolvida historicamente nas sociedades industriais do Ocidente, o acesso ao poder é aberto à concorrência pacífica de múltiplos partidos, segundo regras claras e previamente estabelecidas, pelo exercício do poder político; a oposição é legalmente reconhecida. Nesse caso, o Estado é “ideologicamente laico”. A sociedade deve, numa democracia sã, respeitar as regras constitucionais assim como ter senso de compromisso – este último, essencial, implica o reconhecimento da legitimidade dos argumentos dos outros.


No caso do Estado totalitário, não há disputa pelo poder político – ao menos não legal e, certamente, não pacífica. O partido único confunde-se com o próprio Estado, e é por meio dele a via exclusiva de acesso ao controle do poder; é lá dentro, e só lá, que se dá a disputa pelo controle do Estado. Os dois pilares desse poder – o que o faz ser aceito pela sociedade, ou seja, que tenha legitimidade – é a fé, da parte dos partidários, no ideário preconizado pelo partido; e o medo, ou a certeza da impotência, dos que não crêem na mensagem do partido legal, na sua capacidade de ação.


Havia, na Venezuela, uma situação que era incompatível com um regime constitucional-pluralista: uma minoria fechada, consciente de si, que detinha a um só tempo poder social e autoridade política. Era, de fato, uma aristocracia. O regime democrático venezuelano encontrava-se mal-são. Existem, ainda segundo Aron, três inimigos irredutíveis dos regimes constitucionais-pluralistas: os tradicionalistas, nostálgicos de tempos – e regimes – passados; os economicamente privilegiados que se vêem ameaçados pela tendência de ampliação de direitos sociais às massas inerente ao regime constitucional-pluralista; os sub-proletários, que não se sentem contemplados na forma como funciona o regime. Na Venezuela pré-Chávez, portanto, o terreno era propício para uma crise das instituições democráticas, uma vez que existiam mais de um fator desestabilizante: uma aristocracia ciosa de seus privilégios, de um lado, e a massa da população, à margem do progresso econômico (o “sub-proletariado” de Aron), de outro. A classe política, representativa exclusivamente da oligarquia, não mais refletia os diferentes interesses da sociedade venezuelana. Havia o “excesso de oligarquia”. Chávez não aparece no vácuo.


Ainda útil para entender o caso venezuelano, seguimos com Aron. Ele destaca três modadlidades de passagem de um sistema constitucional-pluralista para um sistema de natureza outra: 1) o golpe de Estado, em que se dá a ruptura da legalidade constitucional; 2) a tomada legal ou semi-legal do poder e, ulteriormente, a convulsão revolucionária; e 3) a derrota militar, a invasão, ou mera ação, estrangeira. Chávez tentou, em meados da década de 1990, a primeira forma de construção do seu regime; falhou. Agora, por meio da segunda modalidade, ele leva adiante o seu projeto. Mas, em que consiste, concretamente, o projeto de poder chavista?


Chávez é presidente desde 1999. Já é possível traçar um perfil desse seu projeto. Não pelo que ele fala; mas o que tem sido feito naquele país. Coisas que poderiam ser atos isolados, ganham significado quando olhados em conjunto. Um dos primeiros atos de seu governo, então, foi a retomada da petrodiplomacia. Ou seja, ele liderou uma diplomacia frente a todos os membros da OPEP. A forte alta do preço do petróleo – até recentemente –, é, sem dúvida, pelo menos em parte decorrente desse seu esforço. Os petrodólores, ou os recursos que entram no país graças ao petróleo, que representa 90% do valor das exportações venezuelanas, são a base tanto de sua política doméstica quanto da política externa. Paralelamente a essa política deliberada de valorização do petróleo, Chávez seguiu uma política doméstica de reformas. Logo no seu primeiro ano de governo, promoveu uma reforma do Judiciário e deu lugar a uma Assembléia Constituinte. Atualmente, o acesso ao poder político passa por um processo de intensa centralização. Isso foi possível, ou tornado mais fácil, graças ao “boiocote” da oposição – que de fato boicotou a si mesma – que optou por não participar nas eleições parlamentares, abrindo caminho para a implantação do projeto chavista de poder sem maiores empecilhos. O Congresso só tem parlamentares da base de apoio de Chávez.


Some-se a isso o poder legislativo irrestrito, a ser concedido pelo Congresso ao Executivo (Chávez), a reeleição ilimitada, o banimento de meios de comunicação opositores, o fim das administrações locais (prefeituras) em favor de “conselhos comunitários” (sic), o expurgo de aliados do governo, uma ideologia estatal oficial, uma confederação de “partidos bolivarianos”, e fica claro que o que está em curso se configura, inequivocamente, numa centralização política gradativa. Nada disso, isoladamente, implica na constituição de um regime autoritário; tomado no conjunto, e visto em retrospecto, a evolução progressiva do processo centralizador, a direção é, sem sombra de dúvida, a de um regime totalitário, de partido único.


Paralelamente, os petrodólares financiam uma política externa populista, pois visa estabelecer diálogo diretamente com as populações estrangeiras, em detrimento das vias institucionais governamentais, diplomáticas. Trata-se, ademais, de uma política externa intervencionista, que não hesita em interferir em assuntos domésticos de outros países. Mas também é uma política externa hipócrita, pois não obstante a retórica hostil em relação a Washington, os americanos são seu principal parceiro comercial, responsável por comprar mais da metade de suas exportações.


As suas políticas, internas e externas, baseiam-se no preço supervalorizado, ainda que em linha descendente, do petróleo; é inconsistente porque depende exclusivamente ou primordialmente de uma questão volátil e contingencial, que não se sustentará no longo prazo; é inconseqüente porque não prevê a fase posterior ao petróleo – a indústria venezuelana se restringe a uns poucos minérios, materiais de construção, alimentos, têxtil e automotores.


Aron escreveu: “Os regimes não se tornam totalitários por um tipo de encadeamento progressivo, mas a partir de uma intenção original, a vontade de transformar fundamentalmente a ordem existente em função de uma ideologia. Os traços comuns aos partidos revolucionários que levaram ao totalitarismo são a amplitude das ambições, o radicalismo das atitudes e o extremismo dos meios”. Como creio ter mostrado aqui, o caso venezuelano se enquadra perfeitamente nessa descrição. O regime chavista preenche os quatro critérios estabelecidos por Aron para definir o fenômeno totalitário:


  1. Um partido que detém o monopólio da atividade política;

  2. Uma ideologia, cuja autoridade é absoluta e se torna a verdade oficial do Estado

  3. O Estado detém o monopólio dos meios de força assim como o dos meios de persuasão;

  4. A maior parte das atividades econômicas e profissionais são submetidas ao Estado.


Na Venezuela, observa-se um movimento gradual na direção de um partido único, de um Estado partidário. Os partidos que apóiam o governo estão em vias de juntar-se sob uma única direção – o Partido da Revolução Bolivariana. A oposição, à margem da vida parlamentar, também é intimidada em outras frentes – de que o banimento de uma estação de TV opositora é o melhor exemplo. Matéria recente da Folha de São Paulo aponta para a passividade das classes média e alta, que já não crêem na possibilidade de mudança – o fator medo. A retórica – e a prática – chavista não aceita qualquer tipo de compromisso com os interesses divergentes. Quando somamos a esse cenário as nacionalizações de setores estratégicos da economia, recém anunciadas, cumpre-se o quarto critério. Questão de tempo ou de graduação, o fato é que há, na Venezuela, uma ditadura em formação.


Não deve ser fácil executar a política externa brasileira nesse cenário nebuloso e em constante movimento. Trata-se de definir uma nova estratégia diante de um contexto regional em vias de transformação, que conta, destarte, e pela primeira vez desde o fim do período autoritário na região, no anos 80, com um país em que vige um regime progressivamente mais fechado. A índole democrática do Presidente Lula contrasta com o ímpeto totalitário do Presidente Chávez. Cabe ao Brasil o desafio de conciliar os interesses brasileiros, que incluem a defesa incondicional da democracia do país, mas também seu desenvolvimento sócio-econômico, e a integração regional. Ou seja, devemos deixar claro nossas enormes diferenças no plano interno, nossa inequívoca vocação democrática, mas não nos furtarmos a abraçar nossos vizinhos naquilo em que convergirmos na política hemisférica.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Arroubos poéticos (mais pra arrombos.... hehehe)

Eu disse

eu disse:
"nunca mais quero te ver,
Eunice".
Deixar pra trás todo amor, todo horror, toda chatice.

O que passou, passou, acabou,
Eunice.
"Nunca mais, até mais, so long",
Eu disse.

** **

Lembro

... Agosto, setembro,
outubro,
novembro...
E eu
ainda
lembro.

Do dia,
um dia,
eu,
você:
aquela agonia.

Você,
no seu afã,
até parecia...
uma ressaca
de Gudam-Garam.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Mensagem enviada para a Ouvidoria do PT - ouvidoria@pt.org.br

não recebi resposta... pretendo repassar para os parlamentares petistas do meu estado.

Prezado (a) Senhor (a):

Como eleitor e militante do PT - voluntário, aliás - e árduo defensor tanto do governo federal como da gestão na minha cidade natal de Recife, gostaria de deixar registrado a minha profunda desaprovação em relação à candidatura do Deputado Arlindo Chinaglia para a presidência da câmara.

Por razões comezinhas, menores, estaduais - mais uma vez os interesses do PT/SP prevalecem em detrimento de interesses do país - o PT mutila a coalizão de centro-esquerda, construída tão cuidadosamente pelo Presidente Lula e almejada por todos nós cidadãos progressistas. Na ânsia por espaço de poder, o PT/SP está pondo em risco toda a coesão da coalizão. A que preço vai sair essa candidatura? De princípio, vimos que ela alienou a "esquerda" da coalizão (PSB, PCdoB, PDT), preferindo o seu "centro". Para piorar, com a retirada do apoio tucano, agora o preço a ser cobrado pelos "aliados" de ocasião, de direita - PP, PTB etc - será cada vez mais alto. O que implica cargos distribuídos - e eis mais uma contradição, como se não houvesse razão suficiente para demonstrar a insensatez da candidatura Chinaglia: ao buscar mais espaço de poder, o PT/SP faz com que o PT perca mais espaços de poder em prol dos "aliados" da candidatura Chinaglia.

Em suma, aliena-se os partidos de esquerda, junta-se a partidos de centro-direita, e ainda dá-se-lhes mais espaço na esfera do governo federal. Qual é a lógica, portanto, da candidatura Chinaglia, que vai contra um dos mais fiéis e esquerdistas aliados do Governo Lula? Seria mais uma vez uma disputa estadual a prevalecer sobre interesses nacionais?

Basta olhar nas comunidades petistas do Orkut para perceber que esse meu sentimento de insatisfação com essas atitudes do PT não é algo isolado. Ainda há tempo para se consertar o estrago.

Sinceramente,

--
Bernardo Jurema


****

Quem quiser fazer pressão a favor de Aldo, clique aqui.

sábado, 20 de janeiro de 2007

Debate - se não aqui, no OI

Se aqui nem sempre o que escrevemos provoca algum tipo de reflexão, um e-mail que enviei para o programa de rádio do Observatório de Imprensa gerou um interessante debate (clique aqui pra ler), com participação do próprio apresentador e de outros ouvintes. Vale a pena dar uma olhada.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Debatendo a Imprensa brasileira

A imprensa brasileira é ruim, mas estaríamos muito pior sem ela. Parece necessário, num país com um passado como o do nosso, deixar claro este ponto antes de adentrar-se numa discussão a seu respeito. Dito isto, vamos adiante.


A imprensa brasileira, inserida numa cultura paternalista e autoritária, tem um viés corporativista e auto-indulgente. Debatê-la, ainda mais em face de seu comportamento recente, faz-se mister.


Os meios de comunicação, impressos ou eletrônicos, exercem papel essencial ao servir de canal – mediatizar, portanto – entre governantes e governados, assim como entre governados e governados. Não existe, previsto constitucionalmente, remédios para seus potenciais excessos, ao contrário do que ocorre em relação às instituições republicanas, que se limitam umas às outras. Em sociedades capitalistas desenvolvidas, a oferta de informação é balanceada e variada – de que, talvez, a Inglaterra seja o melhor exemplo. Um sistema judiciário eficiente, que atenda satisfatoriamente a população, garante que exageros por parte da mídia sejam coibidos ou, ao menos, passíveis de contestação. Ademais, uma legislação que regule a concentração dos meios de informação – como os que existem nos Estados Unidos e na Europa – torna todo o processo de divulgação de informação, senão idealmente, com certeza razoavelmente diversificado.


No entanto, num país como o Brasil, com suas profundas desigualdades de toda ordem, sobretudo econômicas, mas também culturais (no sentido daquele conjunto de informações socialmente valorizadas), os meios de comunicação tendem a pertencer a um minúsculo grupo social, e a dirigir-se àqueles poucos segmentos da sociedade que os consomem. Ou seja, são uns pouquinhos falando para uns poucos. Para piorar o cenário, esses poucos com acesso à informação são desprovidos de senso crítico.


Diante desse quadro, preocupante, a imprensa apresenta algumas falhas que agravam ainda mais o contexto. Eu destacaria três.

  1. A pauta da grande imprensa “nacional” é provinciana em sua cobertura. Não temos uma imprensa de fato nacional. Não sabemos o que ocorre na periferia da centralidade Rio-São Paulo. Por outro lado, questões estritamente estaduais, ou, quando muito, regionais, tomam proporções nacionais.

  2. A cobertura política (mas não apenas ela, frise-se) é superficial, limitada. Prevalece a cobertura “política”, para usar a distanção feita por R. Aron, no sentido de “politics”, ou seja, a esfera em que se dá a disputa entre os diferentes grupos que concorrem pelo exercício do poder. Tal cobertura se dá em detrimento de uma abordagem mais analítica da “política” no sentido de “policies”, ou seja, o conjunto de ações programáticas que estão em disputa, por meio dos partidos, sindicatos, associações, no âmbito da “politics”. A cobertura perde em densidade e reduz o sentido de política, desacreditando-a perante a sociedade.

  3. Finalmente, e não menos importante, a grande imprensa corporativa tem a sua agenda política própria, que reflete tanto os interesses econômicos, como a visão de mundo, dos seus donos e/ou principais patrocinadores. Um exemplo bem esclarecedor foi apontado por Luis Nassif, em seu excelente blog, ao comentar a insistente pressão dos principais meios pela “reforma da previdência”. Ou, mais recentemente, a discussão em torno do pedágio das rodovias. Típicos casos em que a “notícia” se submete à lógica da ideologia/interesses dos patrões.

Esses três pontos acima representados são questões que apenas as próprias empresas jornalíticas podem resolver. Já aqules três anteriormente apontados dizem respeito a medidas que a sociedade pode tomar no sentido de tornar o acesso à informação mais democrático e mais plural, refletindo de maneira mais aproximada a imensa diversidade social, cultural e política do país.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Saddam Hussein: should he be executed?

Há cerca de dois meses atrás, tivemos que escrever um texto respondendo a essa questão, colocada pelo professor de Inglês, Mr. Kelly. Apesar de ser tarde demais - Saddam já foi enforcado, como sabemos - as conseqüências de seu assassinato, causado mais por seus méritos - insubmissão aos interesses americanos e capacidade de união nacional - do que por seus crimes - dos quais temos amplo conhecimento -, comprovam o argumento central do texto. Apresento aqui o que respondi:

Despite the fact that the war against Iraq was a mistake from the beginning, motivated by ideology and geopolitics rather than by facts and international justice, there are philosophical as well as political and pragmatic reasons as to why Saddam Hussein should no be executed.

First of all, the death penalty is outright wrong. It is inhumane and prone to unfair rulings which, once carried out, cannot be reversed. Suffice to say that the United States is the only developed country where such a brutal penalty is legally permitted: the others are ruthless dictatorships, such as China, Saudi Arabia and Cuba. That information speaks for itself.

Furthermore, there is no empirical evidence that the death penalty really inhibits people from committing crimes. The US, despite the death penalty, has the world's largest, in proportion to its total population, number of prisoners. And it should go without saying that killing is wrong and should not be encouraged, much less by a the State.

To make matters more complicated, we are dealing with the iconic Saddam Hussein, who represents radically different meanings to the opposing groups in Iraq, in a context that all but the American Government consider to be a civil war. Saddam raises diametrically contradictory feelings. In a society in shambles, where a puppet government bears very little authority and in which violence is widespread, the killing of Saddam will not help in creating a much-needed atmosphere of compromise and cooperation. Besides, it passes - to an already fractured society - a message of hatred and of legitimation of violence. Not to mention the lack of independence that the Court has shown throughout the entire process.

The situation in Iraq is chaotic. The geopolitical consequences of Iraq's uncertainties are just now being felt. The coming together of Syria, Iran and Iraq creates a threat to the long-term development of political opening in the Middle East. The American-led war has thus far achieved the contrary of what it intended to in the first place. The killing of the former leader of Iraq, ousted by an illegimate war, tried in an illegitimate Court, can only add more confusion to what already is a mess.

sábado, 30 de dezembro de 2006

Leitura indispensável de fim de ano

A edição de fim de ano da CartaCapital. Ótimo subsídio para refletir o ano que passou e pensar o ano que vem aí.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Pensando a África

compartilho mais um e-mail (este foi o outro) enviado à família por minha mãe, por achar válido aproveitar sua condição de observadora inserida lá no meio, muitas vezes nos rincões de Moçambique, com sua típica capacidade analítica privilegiada.


"Descobri, lendo um livro [a luta pela independência. A formação das elites fundadoras da frelimo, mpla e paigc, de dalila cabrita mateus], o conceito de negritude. Isso me chamou atenção.

António Jacinto é um poeta angolano. Muito engajado, à época, na luta pela independência, é dele por exemplo um poema que expõe a dominação de uma raça pela outra: “o meu poema sou eu-branco/ montando em mim-preto/ a calvalgar pela vida”. Pois bem, ao se publicar uma coletânea de autores africanos, uma corrente tentou barrar a publicacao de seus poemas pelo simples fato de ele ser branco....[afinal seus poemas foram publicados]

No entanto, uma outra corrente de poetas concentravam a atenção no negro dos estados-unidos da américa [pra satisfazer bernardo], que apesar de serem negros e portanto com uma grande identificação física, tinha enormes diferenças culturais... [isso era nos anos 1940-60]

Quem é mais negro, um antonio jacinto, ou um negro da geórgia-ee.uu.?? é aih que entra o conceito de negritude, que não diz respeito a cor da pele, mas as apropriações culturais. A própria burguesia negra da áfrica se comportava como brancos europeus... e ainda hoje. Enquanto que os negros norte-americanos tinham valores mais brancos que antonio jacinto....[alias, diz cabrita mateus, “fora de angola, ninguém sabia que jacinto era branco...]. e a conclusão, é que existem “fortes diferenças culturais entre os diversos grupos negros, africanos ou americanos”

Outra coisa que me chama a atenção é uma citação que ela faz do autor martinicano Frantz Fanon [no livro os condenados da terra], que denuncia o fato de o povo [dos países que vão ficando independentes] estagnar “lamentavelmente numa miséria insuportável, sem consciência da traição inqualificável de seus dirigentes ... Os privilégios se multiplicam, triunfa a corrupção, os costumes corrompem-se. Os corvos são agora muito numerosos e vorazes, dada a magreza do espólio nacional”

Outro livro,que não conheço mas gostaria de ler é A África começa mal, de René Dumont.

Ele denuncia a casta privilegiada de ministros, deputados e funcionários que, nos novos países africanos equivaliam a corte de luis XVI, pela mentalidade parasitaria que ostentavam e produtividade quase nula. Referia, ao fausto, multiplicação de viaturas, recepções à européia, e reserva nos bancos suíços para velhice: “para demasiadas elites africanas a independência consistiu em tomar o lugar dos brancos e em gozar as vantagens muitas vezes exorbitantes até aí reservadas aos coloniais. Denunciava ainda a ambição de funcionários subalternos: ‘o africano arrivista diz-se obrigado a tomar conta não só da família, sempre numerosa, mas muitas vezes dos amigos e até da aldeia.”

A questao é que realmente começou mal, e ainda continua até hoje, sem mudança... os exemplos são numerosos por toda áfrica....

Prontos, foi so pra compartilhar com vocês algumas leituras, nesta minha estadia solitária em Beira.

Cheiros, aninha"

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Bate-papo político

eu e um amigo comentando a notícia da derrota do candidato do pt, paulo delgado, à vaga do tcu, para o candidato de acm. a teoria que comentamos para explicar a derrota, aliás, foi confirmada em nota no painel da folha de hoje.

(19:45:37) b j: essa base aliada comecou bem hein!
(19:45:40) b j: como isso aconteceu?!
(19:46:13) capadócio tibungando: acontecendo
(19:46:30) capadócio tibungando: pra vc ver o nivel de articulação e prestígio do pt nessa casa
(19:46:32) b j: puta merda...
(19:46:35) b j: é
(19:46:55) b j: e ainda insistem nessa BURRICEde lancar chinaglia
(19:47:02) b j: é foda é foda
(19:47:06) capadócio tibungando: exatamente
(19:47:09) b j: será que foi um se-ligue?
(19:47:25) b j: será que o aldo estaria por trás disso p. ex?
(19:47:39) capadócio tibungando: era muito mais inteligente se articular em torno de alguém do psb, por exemplo; mas o pt tu sabe como é...
(19:47:42) capadócio tibungando: num sei
(19:47:46) capadócio tibungando: mas é capaz
(19:47:52) capadócio tibungando: o pcdob é capaz de tudo
(19:47:57) capadócio tibungando: acredite
(19:48:20) b j: eu acredito
(19:48:28) b j: e, nesse sentido, até concordo com o que fizeram
(19:48:44) capadócio tibungando: ai eu num acho não
(19:48:49) capadócio tibungando: pq delgado num merecia
(19:48:56) capadócio tibungando: se fosse outro, até tudo bem
(19:48:56) b j: apesar de delgado ser uma figura excelente. pessoalmente, nao merecia
(19:49:05) b j: mas ele foiuma escolha, uma indicacao do pt.
(19:49:17) b j: que tem sistematicamente boicotado aldo, um fiel aliado de lula.
(19:49:27) b j: é uma puta sacanagem o que o pt faz com aldo
(19:49:30) b j: desde que era ministro
(19:50:46) capadócio tibungando: talvez vc tenha razão
(19:50:57) capadócio tibungando: mas como eu odeio o pcdob, quero mais é q aldo se foda
(19:51:11) b j: é foda
(19:51:51) b j: num sistema como o brasileiro, por mais partidário que eu seja - e eu sou totalmente contra personaliza política - é difícil isso no brasil.
(19:52:02) b j: aldo é um dos políticos mais sérios do país.
(19:52:05) b j: mas........
(19:52:12) b j: tem esse aspecto a que vc se refere.
(19:52:13) b j: é foda.
(19:53:05) b j: mas eu acho que o pt deveria fechar com aldo. até em reconhecimento ao trabalho dele. ele pegou um tremendo abacaxi, a camara tava numa crise danada, e normalizou as coisas. merece crédito. e o pt constrói condicoes pra daqui a dois anos.
(19:53:39) b j: pq pelo andar da carruagem, tá o maior cheiro de déjà-vu....
(19:54:57) capadócio tibungando: tá mesmo
(19:55:18) b j: a turma nao aprende.....
(19:55:32) b j: e quem seria o severino 2007?
(19:55:34) capadócio tibungando: dizem q se pt, pmdb, pfl e tal lançarem candidato, aquele ciro nogueira seria o próximo severino
(19:55:51) b j: putz
(19:56:00) b j: mas psdb e pfl fecharam com aldo nao é?
(19:56:19) capadócio tibungando: fecharam nada
(19:56:30) b j: oxe, mas no jornal saiu isso né?
(19:56:35) capadócio tibungando: sai
(19:56:44) capadócio tibungando: mas sai todo tipo de boato todo dia
(19:56:48) capadócio tibungando: ainda tá cedo
(19:56:54) capadócio tibungando: tem muita agua pra rolar
(19:56:57) b j: é verdade
(19:57:02) capadócio tibungando: inda m,ais no meio dessa confusão toda
(20:02:25) b j: po, nem vai dar pra tu vires pra pelada né?
(20:04:47) capadócio tibungando: vai nada
(20:04:59) b j: que merda
(20:05:10) b j: bom
(20:05:13) capadócio tibungando: só vou poder sair 20h45
(20:05:17) b j: looking at the bright side
(20:05:28) b j: significa que os deputados estão trabalhando!
(20:05:39) capadócio tibungando: isso pra mim é péssimo
(20:05:45) b j: hahaha



***

Enquanto isso, ouve-se por aí todo tipo de boatos sobre o ministério de lula... viver em brasília tem dessas coisas. compartilho com vocês dois. o deputado federal mais votado do piauí, do pmdb, é um médico e teria sido convidado para a pasta da saúde. já o nosso maurício rands, estaria contado para transportes. terão esses boatos algum fundo de verdade? quem sabe. mas que é divertido conviver com esse tipo de especulações, ah, isso é!

***

Hoje saiu o edital. pois é, enquanto o presidente lula segue na agúria da formação ministerial, bush come o pão que ele próprio amaçou e chávez se elege a fidel do século , minha maratona pessoal continua... ui!