quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Cadê o protesto que estava aqui?

Um mesmo evento, e duas maneiras de contar a história. Trata-se de uma aula prática de jornalismo. No Jornal Nacional, Serra realizou uma visita a uma obra viária em São Paulo, onde teria sido "abraçado" por eleitores. Não parece, mas o mesmo evento é narrado de outra forma pela Record. Aqui, vemos que Serra foi recepcionado por moradores insatisfeitos, saiu rapidinho, e a visita se tratou mais de uma breve passagem de carro.

A matéria da Record:




E a matéria da Globo - o protesto sumiu!




Essa é a liberdade de imprensa à brasileira: é a liberdade de mentir, omitir, difamar e deturpar...

sábado, 2 de outubro de 2010

Alternativa verde?


JOSÉ DIRCEU


A história de Marina é um patrimônio do país e de nosso partido. A vida política, porém, é plena de armadilhas

O VEREADOR carioca Alfredo Sirkis, dirigente do Partido Verde, começou o artigo nesta página do dia 9 de agosto ("A hipótese Marina") afirmando a legitimidade da causa ambientalista e da eventual candidatura presidencial pelo PV da senadora Marina Silva, que anunciou seu desligamento do PT na semana passada. São colocações com as quais estamos de pleno acordo. Mas, como tudo na política, devemos sempre averiguar os interesses que animam seus agentes.
Não paira nenhuma dúvida sobre o caráter, a biografia e os compromissos da senadora Marina Silva, companheira de tantas lutas e trincheiras.
Senadora acriana, eleita pelo PT, construtora de nosso programa ambiental e ministra do governo Lula durante cinco anos.
A história de Marina é um patrimônio do país e de nosso partido. Ao lado de bravos companheiros como Chico Mendes, Jorge e Tião Viana, entre tantos outros, dedicou o melhor de sua vida para defender os povos da floresta e a causa ambientalista.
Cabocla, seringueira, Marina é o sal da terra. Seu papel nas batalhas pela emancipação de nossa gente lhe garante o direito de disputar qualquer função pública em nosso país.
A vida política, porém, é plena de armadilhas. Até os mais nobres e valorosos militantes podem ser arrastados a situações com as quais, no futuro, não concordem ideologicamente.
Os feitos recentes do PV no Rio, liderado por Sirkis, por exemplo, são bastante reveladores: o partido integrou todas as gestões do prefeito César Maia e contou com o apoio do DEM a Fernando Gabeira no segundo turno da eleição de 2008.
Essa conduta é partilhada pelo PV paulista, que faz parte da base de sustentação dos governos Serra e Kassab. Enfim, os setores do Partido Verde liderados por Sirkis e Gabeira não são uma voz progressista em busca de uma alternativa para aprofundar o processo de mudanças iniciado no Brasil em 2002, mas representantes minoritários do bloco conservador que dá tratos à bola para achar saída diante da desidratação político-ideológica da coalizão demo-tucana, à qual pertence com galhardia.
Analisemos os argumentos acerca da possível candidatura presidencial de Marina Silva. Sirkis apresenta essa hipótese como uma alternativa à "compulsória aliança das duas vertentes da social-democracia com as oligarquias políticas na busca da governabilidade", referindo-se a uma suposta e nefasta consequência da disputa entre PT e PSDB.
E vai além, ressaltando que "Marina é bem talhada para promover uma nova governabilidade (...) que, enfim, supere essa polarização bizarra".
O vereador carioca redesenha a realidade, possivelmente para pavimentar a terceira via que propõe. O PSDB fez uma opção, há quase 15 anos, por ser o partido das elites financeiras, quando a transição conservadora entrou em colapso após o impeachment de Collor.
A velha direita, desgastada pela longa ditadura militar, não era mais capaz de protagonizar a engenharia do Estado neoliberal.
Esse foi o vácuo preenchido pelos tucanos, que se aliaram às velhas oligarquias do PFL-DEM para levar a cabo um programa de privatizações e desregulamentações que desmontou a economia do país e colocou em xeque a soberania nacional. Esse foi o papel exercido por FHC, cujo custo social o levou à derrocada em 2002.
O PT foi a vanguarda da mobilização contra esse programa. Quando o presidente Lula assumiu, mesmo em condições políticas precárias, pois minoritário no Congresso e às voltas com uma herança maldita, travou o programa tucano-liberal, interrompeu as privatizações e deu início à reconstrução do Estado como condutor de uma economia baseada na produção, no mercado interno e na distribuição de renda.
São, portanto, dois projetos antagônicos, inconciliáveis, cuja contraposição só pode ser considerada "bizarra" se forem outros os interesses que não o retrato da realidade. Muitos arautos conservadores se deram conta de que, no caso de não ser superada ou esmaecida a polarização entre os dois projetos, tudo indica que o condomínio PSDB-PFL terá ralas chances em 2010, naufragando outra vez com seu velho programa privatista.
Uma das possibilidades para tentar essa superação passou a ser a construção de uma alternativa que apresente novo discurso e nova imagem que tentem sangrar o bloco popular liderado pelo presidente Lula e pelo PT.
Esse é o esforço ao qual aparentemente se filiam setores do PV, em manobra que busca atrair os anseios legítimos e as contrariedades respeitáveis da companheira Marina Silva com a execução da agenda ambiental, que ela tanto ajudou a construir.


JOSÉ DIRCEU DE OLIVEIRA, 63, é advogado. Foi ministro-chefe da Casa Civil (governo Lula) e presidente do PT.
Teve seu mandato de deputado federal pelo PT-SP cassado em 2005.





São Paulo, domingo, 23 de agosto de 2009

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Uma eleição presidencial diferente




Ontem, 29set/10, na Bahia, um dos trabalhadores da refinaria Landulpho Alves, explica ao presidente Lula do porquê ele votará na Dilma para presidente.


DEU NO CORREIO BRAZILIENSE

Fazendo escolhas

De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

A premissa da democracia eleitoral, na sua acepção contemporânea, é a liberdade do eleitor para definir seu voto. Cada um faz o que quer com ele. Consulta a consciência, toma sua decisão e a deposita na urna (no Brasil, digita o número de seu escolhido). Uns não são mais livres que outros. Ninguém é obrigado a votar como os demais e nem a selecionar seus preferidos da mesma maneira que os outros.

Não cabe discutir critérios de escolha. Não existe o modo certo de votar e o errado. Algumas pessoas definem seu voto levando em conta elementos que outras desconsideram. É possível que uns pensem ser fundamental algo que outros têm certeza que é irrelevante. Só os muito arrogantes acham que todos deveriam usar o critério deles.

Daqui a três dias, faremos uma eleição presidencial diferente das anteriores. Nela, os eleitores estão sendo convidados a pensar de uma nova maneira: avaliar os candidatos pelo que representam e não pelo que são no plano pessoal.

Nossa cultura política sempre privilegiou a personalidade e as características pessoais dos candidatos como elementos diferenciadores na tomada das decisões de voto. Até hoje, quando se pergunta, nas pesquisas de opinião, o que é mais importante na hora de escolher determinado indivíduo para um cargo (especialmente no Executivo), a maioria dos entrevistados responde sem titubear: “a pessoa do candidato”.

Essa primazia da dimensão individual leva a que as campanhas se transformem em passarelas nas quais os candidatos desfilam, disputando os olhares e as preferências. Qual o mais preparado? Quem fala melhor? Qual o mais “preocupado com os pobres”, o mais “maduro”, o “mais honesto”?

É um modelo de decisão ingênuo e estressante para o eleitor comum. Que certeza pode ter de que consegue enxergar o “íntimo” dos candidatos, seus verdadeiros sentimentos? Como escolher, se todos se metamorfoseiam naquilo que procura? Se todos se exibem de maneira parecida e falam coisas praticamente idênticas (pois todos mandam fazer pesquisas de “posicionamento” e se orientam por elas)? Como separar o joio do trigo, o bom candidato do mau?

Nestas eleições, muita gente ainda pensa dessa maneira, mas há uma nova, posta na mesa pelo principal ator de nosso sistema político. Nela, o foco da escolha deixa de ser o artista e passa a ser a obra.

Por muitas razões, Lula foi levado a apresentar essa proposta ao eleitorado. Talvez porque não tivesse, do seu lado, a opção da candidatura de um “notável”, talvez porque calculasse que teria mais sucesso desse modo, ele terminou propondo uma mudança na lógica da escolha. Ao invés de cotejar biografias e personalidades, que a eleição fosse uma comparação dos resultados obtidos pelos partidos no exercício do poder.

Goste-se ou não de Lula, essa proposta é uma inovação em nossa cultura. Ela oferece uma base racional para a escolha, na qual várias ilusões saem de cena. O mito do “herói solitário”, do “candidato do bem”, capaz de reformar sentimentos e prioridades, é apenas um, mas dos mais importantes. Chegou a eleger um presidente há 20 anos.

A candidatura Dilma foi sempre o inverso disso. Ela convocou as pessoas a considerá-la pelo que representava, não por seus atributos pessoais. Sua mensagem era clara: “Olhe para o que proponho, para quem está comigo, para o que fizemos no governo, de certo e de errado. Faça o mesmo com meu adversário principal. Compare e decida”.

Serra começou a campanha acreditando que os eleitores continuariam a pensar com o modelo de antes, baseado na disputa de biografias. Sua experiência e história bastariam para elegê-lo, se isso ocorresse.

Visivelmente, a hipótese não se confirmou. A vasta maioria do eleitorado até admite que seu currículo é melhor que o de Dilma. Mas pensa em votar levando em conta outros fatores.

Nestes últimos dias, uma nova encarnação da forma antiga de escolher está em voga: a “onda Marina”. Ela tem tudo que conhecemos de algumas candidaturas do passado: a “solidão”, a “sinceridade”, a “boa vontade”. Perguntada sobre como governaria, é franca: com os “bons” dos dois lados. Ou seja, está sozinha.

Só um romantismo quase pueril acreditaria que é possível governar assim. Mas é tão arraigada a fantasia a respeito das “pessoas de bem que mudam o mundo da política” que muita gente, especialmente na classe média metropolitana, se seduz por ela.

O “povão”, mais realista, olha isso tudo com descrença.


Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/09/29/fazendo-escolhas-328238.asp


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Dilma protesta contra a parcialidade da Folha da S. Paulo


Cretinice da Folha não passa mais impune. Quem fala o que quer, ouve o que não quer. Dilma mostra como vai ser o tratamento dispensado ao PiG em seu governo: firme. Questionando as premissas furadas das campanhas difamatórias que sistematicamente o PiG faz contra o Governo Lula e a campanha Dilma. Aqui é uma prévia do que podemos esperar no ano que vem:


sábado, 18 de setembro de 2010

Entrevista de Lula ao IG


No gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dois umidificadores de ar atenuam a aridez da seca que atinge seu auge neste mês de setembro, em Brasília. Os termômetros da campanha eleitoral também indicam um tempo inclemente, como atestavam as manchetes de quinta-feira. Mas a duas semanas da primeira eleição presidencial em que seu nome não constará da urna eletrônica, Lula é o dono do ambiente num Palácio do Planalto que acabou de ser reformado como se fosse novo. E, olhando pelas janelas envidraçadas de onde se avista um pedaço da Praça dos Três Poderes, o seu humor anda bem distante do que se passa lá fora – nem árido como o clima brasiliense, nem áspero como a campanha eleitoral.

O presidente respira popularidade de até 80% de aprovação, segundo as últimas sondagens, e é daquele canto no terceiro andar do Planalto que ele se levanta para dar, com exclusividade ao iG, a mais reveladora entrevista sobre um tema que até hoje parecia uma incógnita: afinal, como será o Brasil do pós-Lula? Qual destino se reserva o presidente mais popular da redemocratização?

Ao longo de 60 minutos, Lula falou sobre os temas que você pode conferir nesse quadro abaixo. Clique no assunto desejado e veja a entrevista do presidente.

No renovado gabinete presidencial, Lula abre a porta que dá acesso à sala de reuniões e entra falante. Cumprimenta todo mundo, acena para um assessor no fundo da sala, senta à cabeceira e cobra a lentidão na troca dos antigos microfones da grande mesa retangular.

"Oito anos de Fernando Henrique, mais oito do meu governo e o Planalto não consegue ter um microfone que tenha um botão para ligar e desligar", queixa-se. "Esse problema já foi resolvido, presidente", responde o assessor, apertando o botão de luz verde do novo aparelho.

Lula cobra então equipamentos que ele acreditava serem mais modernos, à semelhança do que viu no gabinete do governador do Rio, Sérgio Cabral. Reclama do enorme monitor discretamente escondido no vão da mesa e pede uma telinha embutida, como na mesa do governador do Rio.

Sempre que fala, o presidente mantém o contato visual com o interlocutor. Dos cinco políticos que passaram pelo cargo na redemocratização, ele é o que mais profundamente encara as pessoas. De José Sarney a Fernando Henrique Cardoso, também foi o que chegou à clássica entrevista de final de governo de forma mais brincalhona e extrovertida. É o que mais mantém assessores em volta, sinal de que a popularidade afasta a chamada solidão do poder, amplamente vivida por alguns de seus antecessores nos dias finais dos governos. Talvez por isso tenha sido explícito: “Quero ser lembrado”, disse o presidente ao iG.














quinta-feira, 16 de setembro de 2010

'Na democracia se disputa projetos'


‎"ganhar nas urnas, até onde eu sei, é legítimo. a não ser que a partir de agora, a gente vá deslegitimar vitórias conquistadas nas urnas, democraticamente, através do processo democrático"




- Dilma Rousseff


Entrevista coletiva de Dilma em Varginha (15 de setembro)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A batalha pela narrativa


Uma das razões - existem várias - do fracasso do controle da narrativa por parte do oligopólio midiático baseado no eixo Rio-São Paulo é que, em conseqüência do desenvolvimento econômico disperso pelo território do país, os grupos econômicos no nível subnacional que dominam a paisagem midiática no Estados desenvolveram interesses econômicos próprios, mais atrelados à dinâmica econômica do contexto onde vivem. Assim, se tomarmos aleatoriamente algumas manchetes dos jornais de hoje (quarta-feira, 15/09/2010), percebe-se algo inédito na vida nacional dos últimos 30 anos: as principais empresas de comunicação - Globo, Folha, Abril - já não exercem o mesmo poder de influência sobre o que os meios de comunicação regionais devem falar.

- Globo: Dirceu: PT terá mais poder com Dilma do que com Lula

- Folha: Caso Erenice põe o governo na ofensiva e partidos batem boca

- Estadão: Lula comanda reação do govemo para blindar Erenice

- Correio: Diferentes nas ideias, iguais nos ataques

- Valor: Fundo Soberano pode ser 2º maior acionista da Petrobras

- Estado de Minas: Minas tem 62 cursos de pós-graduação de nível internacional

- Jornal do Commercio: Menos famintos pelo Mundo

- Zero Hora: Maior apreensão de cocaína em 17 anos atinge tráfico no RS



Os três únicos diários que insistem em repercutir as acusações furadas da revista mais desacreditada do Brasil são: Folha de São Paulo, O Globo e o Estadão. Todos os outros, de Brasília, Minas Gerais, Pernambuco e Rio Grande do Sul, sem falar do Valor - o único jornal que tem uma cobertura de fato nacional -, tratam de outros temas - combate às drogas, fome mundial, educação superior, Petrobras, eleições locais.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Lula faz defesa enfática do Estado de Bem-Estar Social

"Não existe possibilidade de criarmos o Estado do Bem-Estar social se não tiver produção, riqueza e trabalho. Os países que têm mais política social, mais Estado do Bem-Estar social são exatamente os Estados que têm uma carga tributária condizente com a necessidade de fazer justiça para o seu povo"

- LULA


Discurso de Lula em Genebra em 22/06/2009



terça-feira, 31 de agosto de 2010

Lições de um jornalista colombiano

Estamos cansados de saber dos constantes conflitos de Chávez com a mídia engajada na Venezuela. Mas conhecemos pouco sobre o que se passa na vizinha Colômbia. Ali, um oligopólio midiático com ligações umbelicais ao governo Uribe e ao atual (a família Santos, do ex-ministro da Defesa e presidente recém-eleito Juán Manuel Santos, é dona dos principais jornais do país), dispensa um tratamento gentil ao governo. Um jornalista colombiano durante dez anos apresentou o programa Contravía, oferecendo visões alternativas em relação ao conflito armado do país, dando voz aos diferentes grupos envolvidos, mas por isso mesmo desafiando a narrativa oficial do governo (os fins justificam os meios na luta contra o terrorismo) e repetida pela mídia. O seu programa incomodava, apesar da pequena audiência. O jornalista Holman Morris passou dez anos sofrendo ameaças de grupos paramiltares, pois fora tachado pelo próprio Uribe como "terrorista", por dar voz a outras partes envolvidas no conflito. Por fazer jornalismo, virou dissidente. O carimbo de terrorista, na Colômbia, é senha para os grupos direitistas paramilitares "defender a nação da ameaça terrorista". Talvez, o que Uribe estivesse querendo esconder é o custo social da sua guerra contra o terror interna. A Colômbia é o segundo país do mundo com mais "deslocados internos", que é um nome pomposo para dizer refugiados domésticos. O primeiro é o Sudão. Ou então incomode a Uribe que se discuta abertamente em seu país a questão dos falsos positivos. São inocentes - pobres, jovens das áreas rurais - assassinados pelo próprio exército para aumentar os números do "sucesso" da guerra contra o terror - bancada, aliás, com o dinheiro americano, por meio do Plano Colômbia. O jornalista agora recebeu uma bolsa da faculdade de jornalismo da Harvard e vai lá para realizar estudos, mas também, diz ele, para poder viver momentos de paz e tranquilidade com sua família, o que fui impossível durante os dez anos em que trabalhou na Colômbia. Em outras palavras, exilou-se.

Essa história é importante por três motivos.

1. A nossa imprensa se inquieta tanto com os excessos de Chávez na Venezuela, e eles são reais e, de fato, preocupantes. No entanto, os excessos do governo Uribe são solenemente ignorados. No máximo, são relegados ao segundo plano. Por que a cumplicidade? Ou é apenas ignorância? E qualquer dos casos, é mau jornalismo.

2. O segundo motivo é entender o perigo da falta de livre acesso a informação. Uma imprensa oligópolica reflete-se, politicamente, no oligopólio do controle da agenda e da narrativa construída. Uma mídia plural, desconcentrada, pulveriza a capacidade de qualquer único agente ter um predomínio completo sobre ambos. Os custos sociais do cerceio à livre informação na Colômbia são monstruosos.

3. Também é importante ter consciência do que está ocorrendo no resto do mundo para colocar o Brasil atual não só numa perspectiva histórica - com relação ao seu passado - mas também internacional - em relação aos movimentos no resto do mundo. O momento no Brasil é de imensa liberdade de expressão - porém os meios para expressá-las ainda estejam concentrados, ainda que em decadência. Qualquer pessoa que acusar ameaça a liberdade de imprensa no Brasil está mentindo. Pelo simples fato de que a nós, brasileiros, a história de Holman Morris nos parece tão absurda. E isso é um ótimo sinal de onde nos encontramos hoje.


Aqui segue uma entrevista do próprio Morris, em que ele resume a perseguição que sofreu de Uribe simplesmente por exercer jornalismo independente. Uma boa lição para os jornalistas do Brasil.

Colombian journalist reflects on US visa dispute - Cambridge - Your Town - Boston.com

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Como é que o senhor vai governar o Brasil se o senhor não fala inglês?

Discurso de Lula em Campo Grande (24 de agosto)

"Me lembro como se fosse hoje, quando eu estava almoçando com a Folha de São Paulo. O diretor da Folha de São Paulo perguntou pra mim: "O senhor fala em inglês? Como é que o senhor vai governar o Brasil se o senhor não fala inglês?"... E eu falei pra ele: alguém já perguntou se Bill Clinton fala português? Eles achavam que o Bill Clinton não tinha obrigação de falar português!", alvejou. A plateia o interrompeu, com gritos e aplausos. "Era eu, o subalterno, o colonizado, que tinha que falar inglês, e não Bill Clinton o português!".

"Houve uma hora em que eu fiquei chateado e me levantei da mesa e falei: eu não vim aqui pra dar entrevista, eu vim aqui pra almoçar... Levantei, parei o almoço... E fui embora", prosseguiu. "Quando terminou o meu mandato, Zeca... terminei sem precisar ter almoçado com nenhum jornal! Nunca faltei com o respeito com a imprensa... E vocês sabem o que já fizeram comigo...", encerrou o presidente.




quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Jornalismo da Era da Rede


Íntegra do discurso de Franklin Martins, ministro da Comunicação Social, durante a inauguração da TV dos Trabalhadores (TVT) em São Bernardo do Campo (SP).

sábado, 21 de agosto de 2010

o poste pensa!

Eh interessante ver as respostas de dilma sem a edicao da TV... o poste pensa! :)
Na Folha de SP de ontem (20/08): "Depois de defender a liberdade da imprensa, porém, Serra se recusou a responder perguntas de jornalistas sobre a suposta falta de oposição no Brasil e sobre quais são os blogs sujos a que se referira. "Alguma outra pergunta?", limitou-se a dizer cada uma das três vezes em que foram feitos questionamentos incômodos a ele."
Ao contrario de Serra, Dilma responde a TODAS as perguntas e, alem disso, coloca TODAS NA INTEGRA no YouTube. Serra nem responde as "perguntas incomodas", como noticiou a Folha, nem coloca no YouTube o que ele pensa. O que ele pensa?

Quem quiser saber, quem buscar alem do que sai nos jornais, pode saber o que Dilma pensa, porque ela fala o que pensa. Eh so ouvir na integra e, a partir do que ela fala, tirar as suas proprias conclusoes.

Entrevista coletiva de Dilma na CNBB







domingo, 15 de agosto de 2010

A blogosfera e a luta contra o oligopolio midiatico

A revista Epoca, das Organizacoes Globo, aderiu a campanha. A materia de capa dessa semana eh um panfleto anti-Dilma - leia aqui, mas cuidado pra nao vomitar sobre o teclado.

Alguem precisa ensinar aos jornalistas (acho uma ofensa chama-los assim) da revista como usar o Google. Outra sugestao seria eles fazerem uma coisa chamada "jornalismo". Eis uma ideia inovadora. Mas isso da trabalho. Bastava que dessem uma "googlada" e descobririam que ha um par de semanas apenas a IstoE publicou uma materia sobre o tema, entrevistando outras presas contemporaneas de Dilma (fazendo jornalismo): leia aqui.

Eu deixei o seguinte comentario no site da Epoca:

Isso nao eh jornalismo serio. Nao se trata aqui de ser contra ou a favor de determinado partido. Nao eh isso que esta em questao. Eh ate saudavel que os meios de comunicacao declarem sua preferencia. A The Economist, respeitadissima, eh totalmente transparente nesse sentido.O que choca, no caso da imprensa brasileira, eh a dissimulacao, eh o dois pesos e duas medidas... enfim, eh a premissa de que seus leitores, e os brasileiros em geral, sao burros. Esse partidarismo dissimulado das Organizacoes Globo eh uma vergonha e eh anti-jornalistico.Esse tema, que a Epoca levanta, so serve aos interesses eleitorais do PSDB. E mais nada. Nao acrescenta NADA ao debate publico. Eh um desservico aa democracia brasileira.O povo brasileiro demonstra indepencia intelectual, ao votar de acordo com sua consciencia e seus proprios interesses e nao com aquilo que os maiores (so em tamanho de venda e audiencia, porque sao anoes morais) meios de comunicacao do pais tentam enfiar goela abaixo.

O importante dessa historia eh colocar essa capa da Epoca em contexto. As Globos ja vem fazendo campanha ha algum tempo, e nao eh de hoje nem de ontem. Desde que nasceram. Mas ultimamente, isso ja nao passa impunemente. A campanha dos 45 anos da emissora, com o slogan igual ao de Serra (pode mais), nao durou um dia sequer e logo a empresa teve que se retratar. Nunca dantes na historia desse pais os Marinho se sentiram compelidos a prestarem explicacao ao publico. Sinal dos novos tempos desse novo Brasil.

Um leitor do blog do Nassif destrincha essa mudanca de comportamento das Globos, que eh um reflexo das mudancas do proprio pais:

"Lembro que essa já é a TERCEIRA vez que prestam esclarecimentos em menos de 45 dias pra dizer que "não são".

1º Na Globo News e no Fantástico, ao mesmo tempo, foi lida uma carta onde explicavam que não torciam contra a seleção.

2º No principal programa de esporte, o apresentador vem a público se retratar, explicando que a emissora não tem nenhum preconceito contra o povo do Paraguai.

3º Agora, divulgam nota pra dizer que o telejornal da Globo é imparcial e que o papel do jornalismo global não é levantar nem derrubar nenhum candidato, ou seja, afirmam que não possuem DNA golpista.

Mais do que uma bandeira sem precedentes, o que estamos assistindo é histórico no Brasil, um sinalizador inequívoco dos tempos em que vivemos. Eles não armam e nem mutretam mais nada "impunemente" no nosso país. Distorcem, mentem e manipulam de lá que a gente pressiona, pressiona e pressiona de cá e eles tem que vir a público pra esclarecer tudo."

contiue a ler o post aqui.

Mas essa turma do PiG eh tao alienada do mundo real - eles parecem acreditar nas bobagens que publicam -, que nem imaginavam o tiro no pe que estavam dando! Os comentarios no site da Epoca sao em sua maioria criticos aa revista! E viva a blogosfera! Ajudando o Brasil a se ver livre do oligopolio midiatico!

Maria da Conceição Tavares está com Dilma

sábado, 14 de agosto de 2010

O dia em que a Globo desnudou Serra e a oposição

Debate político para gente grande

uma das mais lucidas analises da atual conjuntura politica brasileira:



ValorEconômico

Debate político para gente grande

Maria Inês Nassif
12/08/2010


É muito delicada a discussão que tem tomado corpo sobre a tese de que o "lulismo" interdita o debate político. Do lado da direita, os argumentos usados para sustentar a afirmação têm sistematicamente misturado temas discutidos intensamente há pelo menos duas décadas entre os movimentos sociais e organizações da sociedade civil, subtraído as suas conclusões, ajuizado um "viés autoritário" - principalmente quando elas se referem à democratização da comunicação e aos direitos humanos - e as "denunciado" como decisões ou intenções de governo. É suprimida a informação de que houve um intenso debate nesse processo, porque isso desautorizaria a conclusão de que o governo é autoritário; e também se omite a informação de que a discussão envolveu agentes sociais no máximo mediados por organizações de governo, porque isso tiraria o caráter governista que se pretende dar a essas ideias.
Do lado da esquerda, a interpretação é a de que um líder populista com grande poder de atração sobre setores populares, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, à frente de um governo mais permeável a reivindicações dos movimentos sociais e com uma ligação histórica com o sindicalismo, seria desmobilizador por definição e o grande responsável pelo "descenso" das lutas sociais. Não apenas o debate político à esquerda seria interditado pela mobilidade do governo Lula junto aos setores populares, mas as próprias conquistas populares estariam relativizadas pela falta de conflito. Uma conquista social, por essa visão, apenas é legítima quando fruto de uma luta, de um sacrifício - uma visão épica do socialismo.
ssas visões padecem de alguns vícios. Primeiro, partem do diagnóstico de que o único responsável pelo agendamento do debate é o governo. Isso não é verdade. Embora Lula exerça uma liderança carismática sobre grande parcela da população, foi um presidente que caminhou quase dois mandatos sobre a trilha de agendamentos dos dois maiores partidos oposicionistas, o DEM e o PSDB, excessivamente reverberada pela grande imprensa. A agenda, inicialmente, teve como parâmetros de julgamento a pauta neoliberal do período anterior - à qual, diga-se de passagem, o primeiro governo Lula esteve perfeitamente adequado. Como as divergências na área econômica foram muito reduzidas no primeiro período, o tema moral passou a pautar exclusivamente o debate da oposição, sem que o governo pudesse interferir nessa dinâmica, já que não influencia os principais meios de comunicação. Nos dois casos, da agenda neoliberal e da agenda neo-udenista, o debate político tende a ser restrito - no primeiro caso, porque se parte do princípio de que não existe inteligência na discordância; no segundo, porque um clima permanente de agressão não leva a qualquer conversa em profundidade. É apenas uma luta de boxe.
O que teoricamente deveria ser um debate político sobre a ética, no entanto, não aconteceu, pelo menos do lado institucional. A política ascendeu rapidamente às páginas policiais dos jornais sem que em nenhum momento se tenha debatido como proceder a uma renovação de quadros políticos e como dar substância ideológica a partidos que, relativamente novos, já apresentam sinais de senilidade.
Marginalmente, o debate ético ganhou a sociedade civil via movimento Ficha Limpa que, embora seja pelo menos uma iniciativa, não teve capacidade de manter mobilizados seus atores para fazer um diagnóstico mais profundo sobre as mazelas do sistema político brasileiro. Aliás, sem uma discussão e uma ação política que encare com igual urgência as deficiências da Justiça, a lei poderá se constituir, no futuro, num importante instrumento nas mãos das oligarquias estaduais, que têm ainda forte influência sobre as justiças estaduais - quando não nas instâncias superiores -, e a política continuará sendo o refúgio para malfeitores que usam o mandato legislativo como peça de defesa, valendo-se do foro privilegiado. Estes dificilmente terão uma condenação que lhes suprima o direito de se candidatar.
A outra visão, de que o governo traz em si o poder de desmobilizar os movimentos sociais, é relativa. De fato, o Bolsa Família desarticulou importantes agentes de mobilização popular, mas os movimentos sociais vinham de um período de esvaziamento anterior - assim como os sindicatos -, no período em que seus adversários venderam com relativo êxito o peixe de que as diferenças de classe tinham acabado, e uma conjuntura permanente de estagnação tirou o poder de fogo das lutas reivindicatórias.
A recolocação em pauta do debate político não é, portanto, um assunto e uma responsabilidade só de governo. Não se sustentaria dessa forma, aliás, porque o governo tem um poder de agenda restrito. E esse debate é de interesse da situação e da oposição, tanto à esquerda como à direita. Isso porque todos os atores que se movem na cena política são parte hoje de uma grande crise de representatividade. Falta debate político porque os partidos têm falhado no papel de mediadores de setores sociais e de formuladores de projetos políticos. E têm falhado porque não conseguem dar substância e matéria-prima para a unidade interna, já que são partidos de quadros que pedem votos ostentando discursos baseados quase que exclusivamente no discurso pessoal - "eu sou", "ele é".
Um sistema político sem partidos que mereçam esse nome tem se mostrado incapaz de dar um efetivo salto do país para uma verdadeira democracia. O sistema político brasileiro é o próprio entulho autoritário; existem quadros partidários importantes que são uma pesada herança da ditadura. O sistema mostra-se incapaz de se renovar, formar novas lideranças, atrair valores novos da sociedade civil. A forma como os partidos lidam com isso, quando fazem oposição, e o modo como repercute essa atuação em setores que se identificam com eles, consolidam um preconceito com a política que apenas contribui para afastar ainda mais os bons quadros.
O único jeito de resolver isso é conversar sobre política que nem gente grande.


Maria Inês Nassif é repórter especial de Política.

Escreve às quintas-feiras

E-mail: maria.inesnassif@valor.com.br


Fonte:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-debate-politico-interditado

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Wikileaks

A maioria das pessoas ainda têm uma mentalidade do século 20. Mas a era da Internet transformou, e segue transformando, substancialmente a maneira como informação é distribuída. O vazamento de documentos sigilosos revelando o que realmente está ocorrendo no campo de batalha afegão (veja aqui a reportagem do diário londrino The Guardian) é indício dos novos tempos - trata-se simplesmente do maior vazamento de dados da história do exército americano.

Entender o que é e como funciona Wikileaks é essencial para qualquer pessoa que queira entender como será, daqui pra frente, a relação entre governos e grandes corporações e a comunidade global ao lidar com controle de informação. O movimento inexorável é de maior transparência. O objetivo do site é tornar público toda informação que seja considerada como de interesse público.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O oligopólio midiático e o espantalho da ameaça à democracia

Meu comentário a um post patético do correspondente em Brasília do Estadão - leia aqui o post.



esse post é um exemplo do jornalismo parcial apontado pelo presidente.

estranho é uma imprensa, como a nossa, oligopólica e ideologicamente pouco plural, e que se alinha partidariamente.

o problema não é falar de "mensalão" ou deixar de falar. o problema é que tais escândalos só ocorrem de um lado. o psdb governa SP há quase duas décadas, e a imprensa carioca-paulista não encontra nada de errado por lá.

o problema não é denunciar ou não o dossier. o problema é que ninguém nunca viu o tal dossier, que na verdade são capítulos de um livro de um respeitado jornalista que vem fazendo uma coisa rara no brasil: jornalismo investigativo. há uns dois anos.

esses dois exemplos, apontados pelo blogueiro, ilustram bem o que causa a falta de pluralidade na mídia brasileira: impera uma versão - partidária - em detrimento de outras leituras da realidade.

e qualquer crítica à prática jornalista praticada por esse oligopólio é vista como "ameaça à democracia". e aí se entende, que a preocupação é com reformas que induzam à democratização do espaço midiático, que proporciona mais vozes, mais visões de mundo e mais representatividade da imensa diversidade geográfica, cultural e política desse país, que não se restringe ao eixo avenida paulista-jardim botânico!

esse jornalismo supercial, interesado, partidário e pouco plural é muito mais um obstáculo à democracia do que as críticas procedentes do principal líder político do país!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Berlam e Banda Larga

Tem um novo cantor no pedaço - Berlam e Banda Larga. Trata-se de uma boa novidade. Berlam é um excelente intérprete, performático e, o melhor de tudo, as suas músicas apresentam letras tão inteligentes como não se via há muito tempo na música brasileira. Achei algumas músicas suas no YouTube, e espero encontrar mais no futuro.



E pra quem gostou e quiser conhecer mais o trabalho, aqui é a página Myspace.


terça-feira, 1 de junho de 2010

Por que Celso Amorim é o melhor ministro de relações exteriores das últimas décadas

dois exemplos recentes:


- Entrevista coletiva no encerramento do III Fórum Mundial da Aliança de Civilizações foi marcada pelo acordo nuclear do Irã




sábado, 29 de maio de 2010

Compartilhamento de dados e acesso a cultura

A troca de dados on-line é uma das grandes transformações do século 21 porque democratiza o acesso à informação e a produtos culturais que, se fossem depender da lógica do mercado apenas, permaneceriam restritos a círculos ínfimos de iniciados. O acesso ilimitado a dados, em todas as suas manifestações - vídeo, música, texto, fotos - tem o poder de propagação da informação. No momento em que se cobra por esse acesso, automaticamente o alcance potencial da informação é limitado. Um consumidor mais bem informado é um consumidor necessariamente melhor.

Um estudo recente (leia AQUI artigo publico no The Independent) indicou que aquelas pessoas que costumam baixar música gratuitamente na Internet são os que mais gastam consumindo música. O detalhe é qual é o tipo de música e produtos culturais os quais eles consomem. Não são mais aquelas da cultura de massa - e isso é provavelmente o que mais incomoda as grandes corporações - não a distribuição gratuita em si. Afinal, o criador, o artista, ele só tem a ganhar com a disseminação de seu trabalho. É o intermediário que deixa de ganhar e é isso que incomoda a indústria fonográfica.

Um exemplo disso é o cineasta chileno radicado na França, Alejandro Jodorowsky - um grande diretor e roterista. E se ele fosse depender do mercado, eu jamais teria tido acesso a ele. Foi graças à Internet e ao compartilhamento de dados gratuito que eu tive acesso ao trabalho dele. Sua obra nunca iria passar na televisão, nunca iria passar no multiplex. Se não fosse pelo compartilhamento, eu não teria tomado conhecimento do trabalho dele e estaria me limitando como pessoa, cidadão e consumidor.

Jodorowsky, inclusive, é um dos grandes diretores do século 20, indiscutivelmente. O trabalho dele é essencialmente cinematográfico. As histórias que ele conta, por meio de imagens, não poderiam ser contadas de nenhuma outra forma - livro, pintura, o que for. Cada cena, cada imagem, transborda de signifcados; tem muitas leituras possíveis e só poderiam ser contadas cinematograficamente - o que é mais do que se pode dizer do que boa parte dos cineastas. Por seus filmes, ampliei minha visão do mundo, adquiri informações que me tornaram um cidadão mais crítico e um consumidor cultural mais exigente.

--







terça-feira, 18 de maio de 2010

PT versus PSDB

O que está em jogo nessas eleições não é um concurso de Miss Simpatia ou uma mera seleção de currículos. Estão em jogo dois modelos de desenvolvimento que tiveram oito anos cada para implementar suas idéias. O governo da coalizão liderada pelo PSDB estabeleceu a estabilidade macroecômica, transformando o país qualitativamente. Sem dúvida, foi um divisor de águas. A partir daquele momento, o chamado imposto inflacionário, que corroía o poder de compra dos setores populares, desbancarizados, foi eliminado, proporcionando um ganho de renda. Por outro lado, o setor empresarial passava a ter condições para planejar com um horizonte temporal mais alargado.

O povão e o setor privado foram os grande vencedores desse processo. Em contra-partida, a quantidade dos empregos gerados era pouca e a qualidade, precária. Isso porque um dos pilares da estabilidade era a política monetária que visava a manter o câmbio apreciado. Isso tirava o incentivo de investimento e da demanda. Emperrando o consumo, evitava que a inflação crescesse. Ou seja, um dos elementos essenciais daquele modelo dependia justamente de uma punição para os setores populares, por conta da precarização do emprego (trabalho informal) assim como para o setor privado, que não tinha incentivos para se individar e investir no setor produtivo. Era mais vantajoso e menos arriscado aplicar o dinheiro. Ao mesmo tempo, os juros altos aumentavam a dívida pública, que também aumentava para manter os juros altos. O perfil da dívida pública era inerentemente instável, porque estava exposta ao Dólar, ficando a mercê das oscilações do mercado internacional.

A estabilidade, sob esse modelo, tinha óbvios custos sociais para vários setores.

Quando o governo petista assumiu, em Janeiro de 2003, o quadro era preocupante. Os juros vinham em linha crescente, chegando ao absurdo de 26,5%; a inflação passava dos dois dígitos, atingindo 12,5%; o lucro da Petrobrás decrescia havia 3 anos consecutivos; o PIB teve o pífio incremento de 2,3%; as reservas internacionais seriam negativas se não fosse pelo aporte do FMI; o rendimento médio mensal vinha em queda pelo menos desde 1996; a dívida pública em relação ao PIB já passava dos 50%. Todos esses dados alarmantes não eram frutos do acaso. Eram a base mesma dos 8 anos de um modelo que, como legado positivo ao país, deixou a estabilidade macroeconômica. Mas ao preço de estagnação, falta de investimento público e privado, vulnerabilidade externa.

Todos esses dados começam a mudar a partir de 2003. Novamente, isso não é fruto do acaso. Um novo modelo começou a ser implantado. A inflação manteve-se bem abaixo dos dois dígitos, caindo de 12,5% em 2002 para 5,9% em 2008. O lucro da Petrobras apresentou uma evolução constante entre 2003 e 2008. Em 2008, o PIB cresceu 5,9%, acima da média mundial. As reservas internacionais hoje atingiram níveis sem precedentes, passando dos 250 bilhões de dólares. A dívida com o FMI foi quitada, e o perfil da dívida foi melhorado, diminuindo drasticamente a exposição ao dólar, para ficar menos vulnerável a eventos vindo de fora (como a crise financeira mundial, por exemplo). O rendimento médio mensal apresenta uma linha de constante crescimento, a partir de 2003. A relação dívida/PIB caiu para 38% em 2008, sofrendo pequena subida em 2009 por conta das medidas rápidas e eficientes adotadas pelo governo federal para proteger o Brasil da crise mundial. Os juros apresentam uma linha decrescente, baixando dos incríveis 27,5% para em torno de 10% atualmente.


O que é significante é que o elemento básico desse modelo é que ele se baseia na distribuição de renda e na inclusão social. Esse é o motor, abastecido com diversas políticas distributivas - expansão do crédito, programas de transferência de renda, expansão e interiorização dos ensinos técnico e universitário, expansão dos serviços de assistência de saúde, como Programa Saúde da Família. Mais de 20 milhões de pessoas saíram da pobreza extrema, enquanto outras 30 milhões subiram degrau acima para compor a nova classe média. A inclusão social e econômica, por meio de políticas públicas eficientes, tem sido o motor do atual modelo. As políticas adotadas são um meio para se atingir um fim, que é a melhoria de vida dos brasileiros. É a construção de um Estado de Bem-Estar Social - com a institucionalização das políticas sociais, juntamente com a implantação de infra-estrutura do país sob planejamento estratégico do Estado mas com capital público e privado - gerando novas indústrias, novos modais de transportes, novos pólos regionais de desenvolvimento - que somados vêm dando impulso à atual fase de crescimento. Não é apenas que, no Governo do PT, o Brasil cresceu mais. O Brasil cresceu mais e melhor. O fato de que 12 milhões de empregos foram criados nos últimos sete anos e meio se torna ainda mais auspicioso quando se considera que boa parte deles é formal - de carteira assinada e todos os direitos sociais que isso implica.

Agora, em outubro, o povo brasileiro vai se deparar com a escolha entre esse dois modelos. Serra personifica o modelo tucano, e o seu governo em São Paulo é um bom exemplo. Dilma representa o modelo petista.

Todos os dados desse texto podem ser conferidos nesse link: http://lulavsfhc.tumblr.com/page/1 .

segunda-feira, 17 de maio de 2010

CBN entrevista Dilma

Vale a pena escutar Dilma respondendo às perguntas de Heorodoto Barbeiro, Lúcia Hipólito e Míriam Leitão: Aqui.


sexta-feira, 14 de maio de 2010

Debatendo o Estado de Bem-Estar Social

O E-mail "Kit do Brasileiro" gerou um debate entre meus primos. À resposta de Diogo, que postei abaixo, um primo respondeu o seguinte:

**

Devemos ajudar, claro, mas qual é o cursor de formação de mão de obra que o lula implantou, não adianta só o assistencialismo tem que evoluir a população, investir mais em educação basica e menos em publicidade e assistencialismo. tem que estimular a produtividade e não a vagabundagem, talvez dai da europa o brasil esteja parecendo lindo mas a realidade no interior dos estados mais pobres eh outra, niguem quer mais trabalhar pois ja ganha o suficiente do governo. Hoje em dia eh mais vantagem para quem tem dois filhos ou mais estar preso do que arrumar um emprego de pedreiro, pois tem o auxilio do governo de R$ 800,00 por filho. Acho que o Lula foi um otimo presidente em alguns aspectos mas nesse ponto não acho que viciar a população em auxilio do governo gastando muito dinheiro com isso e não gastando nem perto disso com educação eh uma bomba relogio. Não existe desenvolvimento sustentavel sem educação. Educação eh o principio basico de sustentação para qualquer nação, sem educação nem plano de governo tem futuro, muito menos o assistencialismo. NENHUM FILHO VIVE DE MESADA PARA O RESTO DA VIDA, UMA HORA ELE TEM QUE ANDAR COM AS PROPRIAS PERNAS!!!!

**
Resposta de Diogo:

nao poderia concordar mais que educação agora deve ser a prioridade de qualquer governante que venha a assumir. tem razao. mas se dermos uma olhada na tabela abaixo, veremos que nos ultimos anos tivemos uma boa evolução nesta área com programas como o fundeb e com a construçao de forma descentralizada de escolas de nivel superior e técnica. vejam os numeros relativos a educação abaixo. mas uma pergunta geral: se voces fossem cortadores de cana e recebessem um salario minimo para um trabalho que nao lhes dá benefícios sociais, nao paga hora extra, etc, e pudessem ganhar um pouco menos sem ter que trabalhar, o que voces escolheriam? quem sou eu para chamar de preguiçoso a pessoa que escolhe pela segunda; acho que eu faria o mesmo. ou o empregador melhora as condiçoes de trabalho, ou o trabalhador, que agora tem a opção de nao trabalhar e receber dinheiro, vaza. nao necessariamente por preguiça; aqui é uma questão de dignidade.

**
Minha resposta:


é importante nos informarmos antes de fechar uma opinião a respeito de algum tema.

1. todas as democracias desenvolvidas do mundo têm algum tipo de Estado do Bem-Estar Social, como Diogo descreveu a amiga dele. Uma das características de uma sociedade socio-economicamente desenvolvida é a existência de instituições que garantam um nível mínimo de bem-estar para toda a população. As políticas sociais implantadas no Governo Lula são o princípio desse processo, que na maior parte dos países desenvolvidos foi construído a partir do pós-guerra.

2. quantos por cento do PIB é investido no Bolsa Família? E quantos porcento em educação? Menos de 1% do PIB é direcionado ao BF, enquanto que algo em torno de 5% é investido em educação. Uma coisa não exclui a outra.

3. O fortalecimento do mercado interno tem dado dinamismo à economia brasileira e ajudou a proteger o país da crise mundial; o papel do BF nesse processo foi fundamental:
http://www.goldenlight.biz/jornal/economia/leitura.php?id=3107 . Ou seja, ao analisarmos os custos do BF, devemos levar em conta quanto essa política vem contribuindo pro desenvolvimento econômico e social do país.

4. como diogo apontou, foram construídas centenas de escolas técnicas atendendo as demandas de cada região. Ipojuca é um bom exemplo disso:
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=12179


5. a informação repassada na mensagem sobre o bolsa-presidiário é falsa. 798,30 é o valor MÁXIMO que se pode receber em reclusão, e apenas pessoas que JÁ são seguradas pela Previdência Social (ou seja, que já trabalhavam com carteira ssinada antes da reclusão) podem receber esse benefício, que vai para os DEPENDENTES do preso. Essa informação consta do link repassado na própria mensagem...

6. também é interessante saber quais são os valores do Bolsa Família. Essa informação pode ser encontrada facilmente na internet:
http://www.mds.gov.br/bolsafamilia/fc_beneficiario/beneficio/qual-o-valor-do-beneficio-pago-as-familias-do-pbf/

o valor varia de 15 a 95 reais por mês por família, de acordo com a renda mensal da família (pobre ou muito pobre) e número de membros (de 1 a 3 ou mais). Uma família pequena - 1 membro - e com renda mensal per capita de 60 a 120 reais (pobre), recebe 15 reais por mês. Uma família grande (3 membros ou mais), com renda mensal per capita de até 60 reais (muito pobre), recebe do Estado brasileiro 95 reais. É importante ter esses valores em mente antes de fazer julgamento sobre pessoas que vivem numa realidade tão diferente da nossa. Os trabalhos que as pessoas recusam em geral são sub-empregos que exploram mão-de-obra extremamente barata, em serviços sazonais (não dura o ano inteiro), em condições sub-humanas (tem gente que morre de exaustão no corte da cana), por um salário de miséria. Antes do BF, o cidadão se submetia a esse tipo de coisa por total falta de opção. Agora, como Diogo apontou, o cidadão tem uma escolha: entre fazer um trabalho merda e não fazer nada. E o empregador também: se quer trabalhador, que ofereça condições de trabalho mais dignas.

7. Pela primeira vez em décadas, o fluxo migratório mudou: o Nordeste deixou de ser exportador populacional para o Sul-Sudeste e, agora, recebe mais gente do que manda embora. Isso é um dos efeitos da série de políticas públicas implantadas no Nordeste nos últimos oito anos, dentre as quais o BF é uma das mais importantes. Os programas sociais fixam os cidadãos em sua terra.

8. por fim, não podia deixar de responder ao seu comentário. Não achamos que o Brasil esteja lindo. Temos problemas seculares que não se resolvem da noite pro dia. Mas acreditamos que o caminho para a melhoria do nosso país passa pela construção de um Estado do Bem-Estar Social, como é o caso de todos os países ricos. E esse processo foi iniciado sob Lula, e tem gerado um ciclo econômico positivo. E a aprovação dessas políticas não é só da gente que está longe, mas de 80% dos brasileiros, que estão aí. Mesmo longe, estamos mais em sintonia com o nosso povo do que algumas pessoas que estão no brasil....