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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

É preciso despersonalizar o debate e compreender o processo

Meu amigo Jampa escreveu um texto sobre a situação política do seu pai, o ex-prefeito João Paulo Lima e Silva, e, por extensão, sobre a política pernambucana na última década. Trata-se de uma análise e um convite ao debate. Atendendo ao pedido, retorno a esse blog abandonado.

No primeiro parágrafo, ele estabelece uma analogia entre as transformações da ordem mundial e a realidade política local. “A vontade de falar mal do prefeito João da Costa é hoje o grande dínamo da socialização recifense”, explica. Nessa analogia, seria o prefeito do Recife os Estados Unidos? Não me convenceu a analogia – o que ocorre a nível global, seja economicamente com a crise da dívida, ou politicamente com as revoluções árabes, são processos de ruptura com o passado. Não vejo evidências disso no Brasil ou em Recife, e nenhuma é apresentada no texto. Entendo o processo político brasileiro atual como de aprofundamento, e não de quebra, do regime democrático.

Uma interpretação equivocada da causa do isolamento político do ex-prefeito João Paulo pode ser a razão que tenha levado Jampa a conclusões, a meu ver, equivocadas.

Na sua narrativa, exposta em seu texto no blog e em comentários no Twitter e no Facebook, João Paulo seria um Dom Quixote, lutando contra monstros dentro do PT, que teriam medo de sua pureza política e de sua popularidade. Cita-se uma pesquisa que indicaria que João Paulo seria eleito o próximo prefeito, “independente do partido em que estivesse”. Pode até ser verdade, mas é mera especulação. O próprio ex-prefeito, se fosse depender de pesquisa, jamais teria sido sequer eleito em 2000 – quero dizer apenas que projetar para o futuro números do passado não é empírico; até porque em boa medida trata-se de “recall”. Em seguida, ataca o PT local, taxando-o como “neo-oligarquia”. Diante da falta de exemplo ou de alguma explicação sobre o que se quer dizer com isso, resta-me a questão: mas não são partidos políticos, em certa medida, oligárquicos por definição?

Mas vamos adiante. Ele explica que João Paulo “foi educado politicamente numa tradição de esquerda que entendia o partido como setor de vanguarda da sociedade, que munido de disciplina revolucionária e organicidade ideológica, atingiria os seus objetivos” – seja lá o que “disciplina revolucionária” e “organicidade ideológica” de fato signifiquem. O PT de Pernambuco, por outro lado, seria “um lugar sem nenhuma organicidade ideológica e cheio de interesses particulares”. João da Costa, ao afastar-se do ex-prefeito e aliar-se à cúpula do PT estadual, teria “traído” os nobres ideais do ex-mentor e isso explicaria o insucesso da sua gestão.

Diante dessa inevitável disputa entre o bem e o mal, não restaria ao ex-prefeito senão arrumar uma legenda de aluguel e lançar-se à prefeitura, para salvar a todos dos péssimos políticos pernambucanos. É uma narrativa conveniente, pois exime João Paulo de qualquer responsabilidade – seu isolamento político no PT e fora dele seria devido a fatores externos a ele, nada que estaria sob seu controle; o fiasco da gestão João da Costa tampouco lhe diz respeito. A lógica interna do texto leva inexoravelmente a essa conclusão: a única solução é ele mesmo, apesar e a despeito de todos.

O problema, a meu ver, é que a premissa mesma é que está errada. Essa narrativa da vitimização não me convence porque se João Paulo é vitima de qualquer coisa, é de suas próprias escolhas e ações políticas no passado.

A primeira eleição de João Paulo, em 2000, foi tão imprevisível quanto emocionante. Mais importante, não foi uma vitória que ocorreu no vácuo. O PT vinha crescendo eleitoralmente no Recife no decorrer de toda a década de 1990 e tinha vários setores da sociedade civil organizada mobilizados. Não foi uma vitória pessoal. Foi uma campanha auto-financiada: contribuições dos eleitores ou repasses do próprio partido. E buscou-se compor com as várias correntes do PT. Apesar das dificuldades, o primeiro mandato de João Paulo refletiu essas características de forma clara: foi um governo de cunho francamente popular e de enfrentamento ao status-quo. João Paulo compôs com vários setores do próprio PT, que ocuparam espaço na sua gestão, e de outros partidos. As grandes marcas dos oito anos de João Paulo na verdade se restringem – todas elas – ao primeiro mandato: a inversão do trânsito em Boa Viagem, a regulamentação do transporte público (o fim do transporte clandestino), a Lei dos 12 Bairros, o Programa Guarda-Chuva, habitação popular, aumento do Bolsa Família, a criação do SAMU e das Academias da Cidade.

Infelizmente, o segundo mandato não foi uma continuação do primeiro. Dessa vez, a campanha foi bancada essencialmente pelo setor da construção civil. João Paulo, prefeito bem avaliado e com acesso a financiamento, talvez tenha julgado que poderia prescindir dos aliados políticos. Ao contrário do primeiro mandato, no segundo não buscou compor com as várias correntes do partido ou com aliados de outros partidos. O primeiro mandato tratou-se de uma verdadeira frente popular; já o segundo foi estritamente de João Paulo. E as grandes “marcas” do segundo mandato estão mais para cicatrizes: a reforma da Conde da Boa Vista, a construção das torres gêmeas e o infame parque de Boa Viagem. Nada mais a apresentar.

Em 2006, João Paulo queria ser candidato a governador, mas encontrava-se isolado dentro (e fora) do PT – encontrava-se isolado, não: isolou-se. Humberto Costa foi candidato, sofrendo campanha difamatória braba, e sem o apoio de João Paulo (que diz ser homem de partido, mas fez corpo mole...). Em 2008, mais uma vez o ex-prefeito agiu de forma unilateral. Ao invés de buscar construir um consenso no partido, impôs um nome de sua estrita confiança, alguém do seu círculo pessoal. O PT estadual teve que engolir.

Sem mandato, João Paulo foi alçado à secretaria estadual, mas não durou muito tempo e logo entrou em desavença com o governador Eduardo Campos. João da Costa, constatando o isolamento, colocou o seu próprio interesse político à frente do interesse pessoal de João Paulo. Afinal, o que teria João Paulo a oferecê-lo? Que importantes setores da sociedade civil organizada, ou do sistema político-partidário, ou do próprio PT, João Paulo representa de verdade? Se João Paulo é um político tão astuto quanto Jampa gostaria de crer, o que explica sua crassa incapacidade de agregar e compor, tanto no PT como fora dele, no decorrer da última década? Afinal, política de verdade vai bem além do voto.

João Paulo, agora, sofre por seus próprios erros políticos. O fracasso da gestão João da Costa é seu fracasso. Foi sua incompetência política de fazer alianças dentro e fora do partido que o deixou isolado e que o levou a impor goela abaixo do partido seu principal ex-assessor, que parece ser bem incompetente. Mudar de partido não vai resolver nenhum desses problemas que o colocaram nessa situação. Pode até vir a ser eleito. Mas vai continuar isolado e refém dos interesses privados que ditaram o seu segundo mandato e o do seu sucessor.

A análise de Jampa personaliza a política recifense em torno da figura do seu pai. Além de levar aos erros de análise acima expostos, o mais grave é que isso despolitiza o debate. O caos urbano em que vive o Recife, hoje, não pode ser atribuído exclusivamente ao atual prefeito. É o resultado de toda uma visão de mundo hegemônica e de interesses materiais de poderosos grupos econômicos no estado. Nos últimos 30 anos, o único momento em que houve uma reação organizada e institucionalizada à força desses setores que destroem a cidade em nome de um falso progresso foi justamente na primeira gestão João Paulo. A segunda gestão já foi totalmente servil aos interesses privados. João da Costa é a continuidade da política subordinada aos interesses da construção civil e das empresas de ônibus. As gestões João Paulo diferem mais entre si do que a segunda com relação ao governo João da Costa.

Eu espero que venha sangue novo em 2012. João Paulo já teve a sua oportunidade. Fui eleitor de João Paulo e votei no candidato dele. Mas, agora, precisamos de alguém que reavive aquele 2000. O debate que precisamos não é encontrar heróis quixotescos ou buscar analogias onde não as há – devemos, isto sim, buscar entender como até uma figura como João Paulo foi incapaz de enfrentar os interesses arraigados que subvertem o poder público, corrompem-no e, ao fazê-lo, destroem a cidade em benefício do lucro fácil de uma ínfima minoria. Despersonalizar o debate e compreender o processo, eis o que proponho.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Lula faz defesa enfática do Estado de Bem-Estar Social

"Não existe possibilidade de criarmos o Estado do Bem-Estar social se não tiver produção, riqueza e trabalho. Os países que têm mais política social, mais Estado do Bem-Estar social são exatamente os Estados que têm uma carga tributária condizente com a necessidade de fazer justiça para o seu povo"

- LULA


Discurso de Lula em Genebra em 22/06/2009



quinta-feira, 17 de junho de 2010

O oligopólio midiático e o espantalho da ameaça à democracia

Meu comentário a um post patético do correspondente em Brasília do Estadão - leia aqui o post.



esse post é um exemplo do jornalismo parcial apontado pelo presidente.

estranho é uma imprensa, como a nossa, oligopólica e ideologicamente pouco plural, e que se alinha partidariamente.

o problema não é falar de "mensalão" ou deixar de falar. o problema é que tais escândalos só ocorrem de um lado. o psdb governa SP há quase duas décadas, e a imprensa carioca-paulista não encontra nada de errado por lá.

o problema não é denunciar ou não o dossier. o problema é que ninguém nunca viu o tal dossier, que na verdade são capítulos de um livro de um respeitado jornalista que vem fazendo uma coisa rara no brasil: jornalismo investigativo. há uns dois anos.

esses dois exemplos, apontados pelo blogueiro, ilustram bem o que causa a falta de pluralidade na mídia brasileira: impera uma versão - partidária - em detrimento de outras leituras da realidade.

e qualquer crítica à prática jornalista praticada por esse oligopólio é vista como "ameaça à democracia". e aí se entende, que a preocupação é com reformas que induzam à democratização do espaço midiático, que proporciona mais vozes, mais visões de mundo e mais representatividade da imensa diversidade geográfica, cultural e política desse país, que não se restringe ao eixo avenida paulista-jardim botânico!

esse jornalismo supercial, interesado, partidário e pouco plural é muito mais um obstáculo à democracia do que as críticas procedentes do principal líder político do país!

terça-feira, 18 de maio de 2010

PT versus PSDB

O que está em jogo nessas eleições não é um concurso de Miss Simpatia ou uma mera seleção de currículos. Estão em jogo dois modelos de desenvolvimento que tiveram oito anos cada para implementar suas idéias. O governo da coalizão liderada pelo PSDB estabeleceu a estabilidade macroecômica, transformando o país qualitativamente. Sem dúvida, foi um divisor de águas. A partir daquele momento, o chamado imposto inflacionário, que corroía o poder de compra dos setores populares, desbancarizados, foi eliminado, proporcionando um ganho de renda. Por outro lado, o setor empresarial passava a ter condições para planejar com um horizonte temporal mais alargado.

O povão e o setor privado foram os grande vencedores desse processo. Em contra-partida, a quantidade dos empregos gerados era pouca e a qualidade, precária. Isso porque um dos pilares da estabilidade era a política monetária que visava a manter o câmbio apreciado. Isso tirava o incentivo de investimento e da demanda. Emperrando o consumo, evitava que a inflação crescesse. Ou seja, um dos elementos essenciais daquele modelo dependia justamente de uma punição para os setores populares, por conta da precarização do emprego (trabalho informal) assim como para o setor privado, que não tinha incentivos para se individar e investir no setor produtivo. Era mais vantajoso e menos arriscado aplicar o dinheiro. Ao mesmo tempo, os juros altos aumentavam a dívida pública, que também aumentava para manter os juros altos. O perfil da dívida pública era inerentemente instável, porque estava exposta ao Dólar, ficando a mercê das oscilações do mercado internacional.

A estabilidade, sob esse modelo, tinha óbvios custos sociais para vários setores.

Quando o governo petista assumiu, em Janeiro de 2003, o quadro era preocupante. Os juros vinham em linha crescente, chegando ao absurdo de 26,5%; a inflação passava dos dois dígitos, atingindo 12,5%; o lucro da Petrobrás decrescia havia 3 anos consecutivos; o PIB teve o pífio incremento de 2,3%; as reservas internacionais seriam negativas se não fosse pelo aporte do FMI; o rendimento médio mensal vinha em queda pelo menos desde 1996; a dívida pública em relação ao PIB já passava dos 50%. Todos esses dados alarmantes não eram frutos do acaso. Eram a base mesma dos 8 anos de um modelo que, como legado positivo ao país, deixou a estabilidade macroeconômica. Mas ao preço de estagnação, falta de investimento público e privado, vulnerabilidade externa.

Todos esses dados começam a mudar a partir de 2003. Novamente, isso não é fruto do acaso. Um novo modelo começou a ser implantado. A inflação manteve-se bem abaixo dos dois dígitos, caindo de 12,5% em 2002 para 5,9% em 2008. O lucro da Petrobras apresentou uma evolução constante entre 2003 e 2008. Em 2008, o PIB cresceu 5,9%, acima da média mundial. As reservas internacionais hoje atingiram níveis sem precedentes, passando dos 250 bilhões de dólares. A dívida com o FMI foi quitada, e o perfil da dívida foi melhorado, diminuindo drasticamente a exposição ao dólar, para ficar menos vulnerável a eventos vindo de fora (como a crise financeira mundial, por exemplo). O rendimento médio mensal apresenta uma linha de constante crescimento, a partir de 2003. A relação dívida/PIB caiu para 38% em 2008, sofrendo pequena subida em 2009 por conta das medidas rápidas e eficientes adotadas pelo governo federal para proteger o Brasil da crise mundial. Os juros apresentam uma linha decrescente, baixando dos incríveis 27,5% para em torno de 10% atualmente.


O que é significante é que o elemento básico desse modelo é que ele se baseia na distribuição de renda e na inclusão social. Esse é o motor, abastecido com diversas políticas distributivas - expansão do crédito, programas de transferência de renda, expansão e interiorização dos ensinos técnico e universitário, expansão dos serviços de assistência de saúde, como Programa Saúde da Família. Mais de 20 milhões de pessoas saíram da pobreza extrema, enquanto outras 30 milhões subiram degrau acima para compor a nova classe média. A inclusão social e econômica, por meio de políticas públicas eficientes, tem sido o motor do atual modelo. As políticas adotadas são um meio para se atingir um fim, que é a melhoria de vida dos brasileiros. É a construção de um Estado de Bem-Estar Social - com a institucionalização das políticas sociais, juntamente com a implantação de infra-estrutura do país sob planejamento estratégico do Estado mas com capital público e privado - gerando novas indústrias, novos modais de transportes, novos pólos regionais de desenvolvimento - que somados vêm dando impulso à atual fase de crescimento. Não é apenas que, no Governo do PT, o Brasil cresceu mais. O Brasil cresceu mais e melhor. O fato de que 12 milhões de empregos foram criados nos últimos sete anos e meio se torna ainda mais auspicioso quando se considera que boa parte deles é formal - de carteira assinada e todos os direitos sociais que isso implica.

Agora, em outubro, o povo brasileiro vai se deparar com a escolha entre esse dois modelos. Serra personifica o modelo tucano, e o seu governo em São Paulo é um bom exemplo. Dilma representa o modelo petista.

Todos os dados desse texto podem ser conferidos nesse link: http://lulavsfhc.tumblr.com/page/1 .

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Debatendo o Estado de Bem-Estar Social

O E-mail "Kit do Brasileiro" gerou um debate entre meus primos. À resposta de Diogo, que postei abaixo, um primo respondeu o seguinte:

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Devemos ajudar, claro, mas qual é o cursor de formação de mão de obra que o lula implantou, não adianta só o assistencialismo tem que evoluir a população, investir mais em educação basica e menos em publicidade e assistencialismo. tem que estimular a produtividade e não a vagabundagem, talvez dai da europa o brasil esteja parecendo lindo mas a realidade no interior dos estados mais pobres eh outra, niguem quer mais trabalhar pois ja ganha o suficiente do governo. Hoje em dia eh mais vantagem para quem tem dois filhos ou mais estar preso do que arrumar um emprego de pedreiro, pois tem o auxilio do governo de R$ 800,00 por filho. Acho que o Lula foi um otimo presidente em alguns aspectos mas nesse ponto não acho que viciar a população em auxilio do governo gastando muito dinheiro com isso e não gastando nem perto disso com educação eh uma bomba relogio. Não existe desenvolvimento sustentavel sem educação. Educação eh o principio basico de sustentação para qualquer nação, sem educação nem plano de governo tem futuro, muito menos o assistencialismo. NENHUM FILHO VIVE DE MESADA PARA O RESTO DA VIDA, UMA HORA ELE TEM QUE ANDAR COM AS PROPRIAS PERNAS!!!!

**
Resposta de Diogo:

nao poderia concordar mais que educação agora deve ser a prioridade de qualquer governante que venha a assumir. tem razao. mas se dermos uma olhada na tabela abaixo, veremos que nos ultimos anos tivemos uma boa evolução nesta área com programas como o fundeb e com a construçao de forma descentralizada de escolas de nivel superior e técnica. vejam os numeros relativos a educação abaixo. mas uma pergunta geral: se voces fossem cortadores de cana e recebessem um salario minimo para um trabalho que nao lhes dá benefícios sociais, nao paga hora extra, etc, e pudessem ganhar um pouco menos sem ter que trabalhar, o que voces escolheriam? quem sou eu para chamar de preguiçoso a pessoa que escolhe pela segunda; acho que eu faria o mesmo. ou o empregador melhora as condiçoes de trabalho, ou o trabalhador, que agora tem a opção de nao trabalhar e receber dinheiro, vaza. nao necessariamente por preguiça; aqui é uma questão de dignidade.

**
Minha resposta:


é importante nos informarmos antes de fechar uma opinião a respeito de algum tema.

1. todas as democracias desenvolvidas do mundo têm algum tipo de Estado do Bem-Estar Social, como Diogo descreveu a amiga dele. Uma das características de uma sociedade socio-economicamente desenvolvida é a existência de instituições que garantam um nível mínimo de bem-estar para toda a população. As políticas sociais implantadas no Governo Lula são o princípio desse processo, que na maior parte dos países desenvolvidos foi construído a partir do pós-guerra.

2. quantos por cento do PIB é investido no Bolsa Família? E quantos porcento em educação? Menos de 1% do PIB é direcionado ao BF, enquanto que algo em torno de 5% é investido em educação. Uma coisa não exclui a outra.

3. O fortalecimento do mercado interno tem dado dinamismo à economia brasileira e ajudou a proteger o país da crise mundial; o papel do BF nesse processo foi fundamental:
http://www.goldenlight.biz/jornal/economia/leitura.php?id=3107 . Ou seja, ao analisarmos os custos do BF, devemos levar em conta quanto essa política vem contribuindo pro desenvolvimento econômico e social do país.

4. como diogo apontou, foram construídas centenas de escolas técnicas atendendo as demandas de cada região. Ipojuca é um bom exemplo disso:
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=12179


5. a informação repassada na mensagem sobre o bolsa-presidiário é falsa. 798,30 é o valor MÁXIMO que se pode receber em reclusão, e apenas pessoas que JÁ são seguradas pela Previdência Social (ou seja, que já trabalhavam com carteira ssinada antes da reclusão) podem receber esse benefício, que vai para os DEPENDENTES do preso. Essa informação consta do link repassado na própria mensagem...

6. também é interessante saber quais são os valores do Bolsa Família. Essa informação pode ser encontrada facilmente na internet:
http://www.mds.gov.br/bolsafamilia/fc_beneficiario/beneficio/qual-o-valor-do-beneficio-pago-as-familias-do-pbf/

o valor varia de 15 a 95 reais por mês por família, de acordo com a renda mensal da família (pobre ou muito pobre) e número de membros (de 1 a 3 ou mais). Uma família pequena - 1 membro - e com renda mensal per capita de 60 a 120 reais (pobre), recebe 15 reais por mês. Uma família grande (3 membros ou mais), com renda mensal per capita de até 60 reais (muito pobre), recebe do Estado brasileiro 95 reais. É importante ter esses valores em mente antes de fazer julgamento sobre pessoas que vivem numa realidade tão diferente da nossa. Os trabalhos que as pessoas recusam em geral são sub-empregos que exploram mão-de-obra extremamente barata, em serviços sazonais (não dura o ano inteiro), em condições sub-humanas (tem gente que morre de exaustão no corte da cana), por um salário de miséria. Antes do BF, o cidadão se submetia a esse tipo de coisa por total falta de opção. Agora, como Diogo apontou, o cidadão tem uma escolha: entre fazer um trabalho merda e não fazer nada. E o empregador também: se quer trabalhador, que ofereça condições de trabalho mais dignas.

7. Pela primeira vez em décadas, o fluxo migratório mudou: o Nordeste deixou de ser exportador populacional para o Sul-Sudeste e, agora, recebe mais gente do que manda embora. Isso é um dos efeitos da série de políticas públicas implantadas no Nordeste nos últimos oito anos, dentre as quais o BF é uma das mais importantes. Os programas sociais fixam os cidadãos em sua terra.

8. por fim, não podia deixar de responder ao seu comentário. Não achamos que o Brasil esteja lindo. Temos problemas seculares que não se resolvem da noite pro dia. Mas acreditamos que o caminho para a melhoria do nosso país passa pela construção de um Estado do Bem-Estar Social, como é o caso de todos os países ricos. E esse processo foi iniciado sob Lula, e tem gerado um ciclo econômico positivo. E a aprovação dessas políticas não é só da gente que está longe, mas de 80% dos brasileiros, que estão aí. Mesmo longe, estamos mais em sintonia com o nosso povo do que algumas pessoas que estão no brasil....



quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Comentando o preconceito

comentários do Facebook ao texto abaixo


Alexandre Cavani Rosas
Caralho, Bernardo. Que comentário mais mainárdico desse teu amigo.
Damn!

Guilherme Rocha
Já eu pensei que o vídeo da candidatura Rio2016 tinha sido preparado exclusivamente por computador. Tipo quando empresas de videogame recriam cidades para destrui-las em seus jogos.
Não tem mistério, o Rio tem uma beleza de outro mundo, mas um tour virtual pela cidade sem ver favela é piada.
no mais, adorei o teu texto.

Paulina Roig Lira
hard to believe in such "nazi" comment...
e o video mostra um rio que nunca vi, realmente fabricado. Uma pena, pois e realmente uma cidade muito bonita. Porem fingir que as favelas nao existem e um pouco demais!

João Lima
a maior ignorância é, depois de tanto (colonização, miscigenação, etc), ainda ter alguém que acredita em pureza e pior, defende a separação. Esse teu amigo advogado está reprovado em história, ética, lógica, sociologia... e vive às custas de um povo, pobre e miscigenado.
boa berna, mande brasa!

Tchelo Guedes
ta na hora de tu rever suas amizades...

Jorge Santos
mais uma coisa, lembra ao amigo carioca que o Rio não está nem entre as 100 melhores cidades em IDH do Brasil.. Niterói e Macáe não as únicas no estado.. pq será?

Diogo Loureiro Jurema
burro, limitado, preconceituoso, prepotente, arrogante, sem-vergonha, elitista. devia morrer de uma bala perdida pra deixar de ser tudo isso, porque esse daí, só nascendo de novo.

Joao Filipe Muniz
Pelo menos ele teve a coragem de externalizar que pensa sobre a desigualdade regional, se ele mostrar argumentos razo... Saiba maisáveis tem todo o direito de pensar desta forma. Realmente há um forte fluxo migratório para o eixo Rio - SP; e algumas interpretações da legislação tributária nacional afirma que recursos que seriam destinados ao estados mais ricos acabam indo parar no NE.
Não acredito que as olimpíadas deva ser uma medida compensatória para tal fenômeno, que vai muito alem deste argumento encontrado em diversas obras acadêmicas, mas é bom ter gente pensando assim por que a gente aprende a não ser tão idiota e mesquinho com os outros sem precisar nunca na vida passar por um papel deste.
Ahhh, se um dia as olimpíadas de verão forem no Brasil, acredito que o rio seria o local.

André Bandim
pipo, com todo o respeito, há formas menos hostis de educação para a generosidade. e veja bem, se sofrer preconceito fosse sinônimo de crescimento pessoal e tolerância, o nordeste seria um templo de paz e amor :)


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Quando o preconceito se torna explícito

O preconceito, de qualquer ordem, é muitas vezes velado. Mesmo quando está latente, é dissimulado, disfarçado. Nem por isso menos sútil. Apenas não oficial, público, proclamado. Talvez envergonhado. Mas sempre presente.

Eu nunca fui pessoalmente destratado (por ser brasileiro no exterior, ou nordestino no Brasil). Com algumas exceções. Uma vez, uma curitibana, fazendo intercâmbio comigo na França, depois de me ver me comunicando com a comunidade anglófona, a latino-americana e com os brasileiros, dominando as três línguas (inglês, francês, espanhol), além da língua nativa, ela tentou fazer um elogio: "você tirou o preconceito que eu tinha contra os nordestinos". Em outras palavras: viu alguém que fala muitas línguas (como isso, por si só, impressiona os imbecis!), e pensou, "ah, os nordestinos não são todos burros" (como se aprender língua fosse indicativo de capacidade intelectual e não, como tudo no Brasil, de minha classe social e as oportunidades que tive por conta disso).

Mas o preconceito maior não é revelado por anedotas pessoais. Se fosse por isso, eu nem notaria. É uma questão histórica, mesmo. Afinal, o descaso com que a periferia do centro econômico e político do país sempre foi tratada não é fruto do acaso ou castigo divino.

Tem quem julgue Paulo Henrique Amorim "radical", entre outras coisas, porque ele costuma caracterizar a elite brasileira como "branca e racista e separatista (no caso de São Paulo)".
E aí ouço uma história de um tio meu. Ouviu pessoalmente de Serra, nos anos 90, quando o convidou para uma inauguração de uma empresa em Pernambuco (vou ser bem vago para não comprometer ninguém). "A resposta: do Nordeste, eu não quero nem a água de côco". Dia desses, PHA publicou este post aqui. Lá afirma: "o preconceito contra os nordestinos é a agenda secreta de 2010".

Também muito da crítica ao Presidente Lula vem carregado de preconceito de classe e, no sul-sudeste, preconceito de origem também.

E se ainda há quem duvide, aí a Internet permite o registro definitivo quando um racista deixa de lado a máscara usual e assume seu verdadeiro ódio sócio-regional.

Me refiro a uma troca recente de mensagens via Facebook com um conhecido meu lá do Rio. Tomo a liberdade de publicar aqui porque as mensagens não foram privadas. Foram postadas pelo autor em seu próprio "mural" do Facebook, sem qualquer constrangimento. Eu fiz um comentário a um vídeo promocional da candidatura do Rio aos Jogos Olímpicos (veja aqui), que ele havia postado. Eu comentei, em tom jocoso, que haviam "photoshopado as favelas". Daí seguiu-se essa troca:


Rogerio Campos
Bernardo, nao photoshoparam nada, inclusive pq o projeto Rio 2016 tem mt de inclusão social. Minha cidade é simplesmente bonita mesmo, foi mal se Recife nao tem 1 decimo do charme e tampouco vai receber uma olimpiada!

03 de setembro às 12:54
Bernardo Jurema
haha
ei po, isso né uma competição não, velho. não precisa levar qq crítica pro pessoal não! o vídeo dá uma maquiada na cidade... normal.
aliás, eu sou contra olimpíadas, copa etc em recife. nuzman e ricardo teixeira vão encher as burras de dinheiro público... :(
e o brasil inteiro, os pernambucanos inclusive, apoiam o rio2016. financeiramente, inclusive, por meio dos nossos impostos da grana federal que vai bancar esse negócio. lembre-se disso.

Rogerio Campos
Ah Bernardo, que PIADA! Os Estados do Sudeste (basicamente Rio-SP) bancam o nordeste há séculos, desde que o Rio virou a capital do Brasil... Talvez, de fato, essa olimpiada seja a 1a oportunidade do Rio (e sua populacao) recuperar uma pequena parcela de todos os impostos nossos que vao pro ralo aí por esses bandas...Isso sem contar o fluxo migratorio classico que tantas mazelas trouxe e ainda tras ao eixo RIO-SP...



Algo assim serve para nos lembrar que o racismo à brasileira, sempre dissimulado porém latente, às vezes emerge de forma bruta, nua e crua. E torna plausível a história de Serra. E dá credibilidade à assertiva de PHA ("elite branca, racista e separatista"). E explica o ódio que certos setores nutrem em relação ao Presidente Lula e ao povo ao qual ele se assemelha e com quem compartilha um caldo de cultura e de valores, para vergonha desses setores minoritários (brancos, racistas e separatistas).

Mas é um alento saber, por outro lado, que vivemos um momento de transição, em que investimentos públicos do Governo Federal, numa monta sem precedentes na História do país, estão transformando essa realidade - exemplo eloquente são as ecolas técnicas federais.

O comentário do advogado, que postei acima, além de historicamente errado, é extremamente preconceituoso. E eu disse isso a ele. E o adverti: nunca repita isso pra um nordestino, porque pega muito, muito mal... Essa linha de raciocínio, eu expliquei, é análoga aos críticos da imigração latina nos Estados Unidos, turca na Alemanha e árabe na França...

Eu disse mais: desde que o Rio virou capital do Brasil que o resto do país manda impostos pro centro e recebe muito pouco em retorno... o que, aliás, explica as inúmeras revolstas independentistas que aconteceram tanto ao sul quanto ao norte, durante o Brasil Colônia e o Brasil Império. Sem contar que disperdício de dinheiro público não é exclusividade de nós, atrasados nordestinos... inclusive porque, historicamente, sempre recebemos menos, proporcionalmente. Engraçado um fluminense falar isso... um estado que teve os Garotinhos governando... E o fluxo migratório, que trouxe "mazelas", trouxe também a mão de obra barata que tornou possível o desenvolvimento industrial dessa região do país.

Só agora esse processo histórico está sendo revertido, com as políticas do governo Lula. Nunca houve tanto investimento no Nordeste, e por isso mesmo, a nossa região tem crescido acima da média nacional. E não por acaso, pela primeira vez em décadas, desde os princípios do processo de industrialização brasileira, o fluxo migratório se reverteu. Tudo isso graças a uma série de políticas como essa aí das escolas técnicas, graças a uma visão holística do país, graças ao respeito a todos os brasileiros, de qualquer origem social ou regional. Tudo isso, em suma, graças a um governo que não tem vergonha do seu povo, muito pelo contrário: é seu reflexo mais puro:




***

Agora que penso que talvez não seja por acaso que os melhores presidentes da História do País, Getúlio e Lula, sejam um gaúcho e o outro pernambucano!

domingo, 16 de agosto de 2009

Um e-mail pra Danuza

numa manhã ressacada de domingo, escrevi esse e-mail pra Danuza Leão, em resposta à sua coluna dominical (que posto ao final da mensagem).

***


----- Mensagem encaminhada ----
De: Bernardo Jurema
Para: danuza.leao@uol.com.br
Enviadas: Domingo, 16 de Agosto de 2009 14:53:18
Assunto: um abraço desde londres

prezada danuza,

gosto muito das suas colunas. suas observações sobre o quotidianos são pertinentes e perspicazes. vc tem um estilo e um domínio da língua que fascinam.

como assinante e leitor da folha, só queria expressar que o único momento que acho graça involuntária da sua coluna é quando você aborda a política.

pra começar, você faz um julgamento mordaz que alguém que você admite nem conhecer. então não fale, ora.

infeliz, também, comparar a ministra dilma a "general da ditadura". logo ela, que foi presa dos 19 aos 21 anos e que foi barbaramente torturada pelo nosso regime autoritário (que é chamado, pela empresa onde você trabalha, de ditabranda. talvez tenha sido branda pros Frias, mas não pra dilma!). achei de mau gosto a comparação, além de historicamente incorreta.

e não vejo tanta bravura na dona lina. muito legal sair fazendo denúncia (sem provas!), quando se tem metade do senado te apoiando, sem contar o apoio em massa do nosso oligopólio midiático (folha, estado, as globos, abril). vá ver onde estar o "bravo" caseiro francenildo, usado covardemente pela oposição/imprensa, e hoje desempregado (nignuém quer um funcionário que vai depois sair falando pelos cotovelos, o que viu ou acha que viu, pro primeiro curioso que bater em sua porta).

e comparar dilma a collor? francamente. olha a biografia de um de outro. olha o poder econômico de um e de outro. dilma é uma "self-made woman". leia o perfil dela na piauí do mês passado. collor é um filhinho de papai, crescido em brasília, cheirador de cocaína, herdeiro de fortuna nordestina etc.

o medo de regina, eu te explico agorinha: medo de um presidente retirante nordestino, feio, que fala errado, maior líder popular do país, que construiu o partido mais orgânico da américa latina. em outras palavras, medo de povo, tão típico de certos setores de nossa sociedade casa-grande & senzala.

essa lenda da ocupação da máquina não é embasada em fatos. o que houve foi a primeira transição no brasil desde 1964! os grupos políticos pouco se alternaram desde então. quando o pt foi eleito em 2003, foi a primeira vez que o PFL (ex-arena, lembre-se) estaria alienado do poder federal! isso sim é ocupação de máquina! lembro que naquele ano, tinha funcionário com cargo comissionado na Fundação Joaquim Nabuco (em recife), indicados por marco maciel, que ocupavam o posto havia DÉCADAS. transição democrática é isso mesmo. quando outro partido receber a confiança do povo brasileiro, nem se preocupe, danuza: serão seus aliados que ocuparão a máquina administrativa. entendo sua confusão: temos pouca experiência democrática no brasil, e esse negócio de troca de grupo no poder é algo novo para nós.

por fim, é tão engraçado gente feito você, que ADORA petista - desde que saiam do partido. Marina é uma grande figura pública deste país. quando foi ministra, perdeu TODAS as batalhas no congresso, pois a bancada ruralista é a mais forte por lá. Nunca vi NINGUÉM do que hoje a defendem entusiasticamente a defenderem naquelas ocasiões. Se isso não for oportunismo, não sei o que é. e digo mais, diz muito da importância do PT o fato de que alguém com a trajetória de Marina tenha construído sua carreira no PT. Por que será que não surge alguém assim nos outros partidos? reflita sobre isso.

Mas não se anime muito. sabe qual o impacto que marina vai ter na candidatura de Dilma? Zero. Viu a datafolha hoje? viu a popularidade do governo lula? e isso a despeito da tentativa sistemática do oligopólio midiático de criar escândalos em série e nível federal e de proteger e até promover o governo tucano de são paulo (e esconder o do RS!).

Enfim... achei fraco seu artigo hoje. evite falar de política, danuza. exceto se for pra falar das roupas dos políticos, aí vc volta pro que sabe falar.

um leitor seu... e petista! hehehe

um abraço desde londres,

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Bernardo Jurema


***
São Paulo, domingo, 16 de agosto de 2009



DANUZA LEÃO

Quem tem medo da doutora Dilma?
Ela personifica, para mim, aquele pai autoritário de quem os filhos morrem de medo, aquela diretora


VOU CONFESSAR: morro de medo de Dilma Rousseff. Não tenho muitos medos na vida, além dos clássicos: de barata, rato, cobra. Desses bichos tenho mais medo do que de um leão, um tigre ou um urso, mas de gente não costumo ter medo. Tomara que nunca me aconteça, mas se um dia for assaltada, acho que vai dar para levar um lero com os assaltantes (espero); não me apavora andar de noite sozinha na rua, não tenho medo algum das chamadas "autoridades", só um pouquinho da polícia, mas não muito.
Mas de Dilma não tenho medo; tenho pavor. Antes de ser candidata, nunca se viu a ministra dar um só sorriso, em nenhuma circunstância.
Depois que começou a correr o Brasil com o presidente, apesar do seu grave problema de saúde, Dilma não para de rir, como se a vida tivesse se tornado um paraíso. Mas essa simpatia tardia não convenceu. Ela é dura mesmo.
Dilma personifica, para mim, aquele pai autoritário de quem os filhos morrem de medo, aquela diretora de escola que, quando se era chamada em seu gabinete, se ia quase fazendo pipi nas calças, de tanto medo. Não existe em Dilma um só traço de meiguice, doçura, ternura.
Ela tem filhos, deve ter gasto todo o seu estoque com eles, e não sobrou nem um pingo para o resto da humanidade. Não estou dizendo que ela seja uma pessoa má, pois não a conheço; mas quando ela levanta a sobrancelha, aponta o dedo e fala, com aquela voz de general da ditadura no quartel, é assustador. E acho muito corajosa a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, que está enfrentando a ministra afirmando que as duas tiveram o famoso encontro. Uma diz que sim, a outra diz que não, e não vamos esperar que os atuais funcionários do Palácio do Planalto contrariem o que seus superiores disserem que eles devem dizer. Sempre poderá surgir do nada um motorista ou um caseiro, mas não queria estar na pele da suave Lina Vieira. A voz, o olhar e o dedo de Dilma, e a segurança com que ela vocifera suas verdades, são quase tão apavorantes quanto a voz e o olhar de Collor, quando ele é possuído.
Quando se está dizendo a verdade, ministra, não é preciso gritar; nem gritar nem apontar o dedo para ninguém. Isso só faz quem não está com a razão, é elementar.
Lembro de quando Regina Duarte foi para a televisão dizer que tinha medo de Lula; Regina foi criticada, sofreu com o PT encarnando em cima dela -e quando o PT resolve encarnar, sai de baixo. Não lembro exatamente de que Regina disse que tinha medo -nem se explicitou-, mas de uma maneira geral era medo de um possível governo Lula. Demorei um pouco para entender o quanto Regina tinha razão. Hoje estamos numa situação pior, e da qual vai ser difícil sair, pois o PT ocupou toda a máquina, como as tropas de um país que invade outro. Com Dilma seria igual ou pior, mas Deus é grande.
Minha única esperança, atualmente, é a entrada de Marina Silva na disputa eleitoral, para bagunçar a candidatura dos petistas. Eles não falaram em 20 anos? Então ainda faltam 13, ninguém merece.
Seja bem-vinda, Marina. Tem muito petista arrependido para votar em você e impedir que a mestra em doutorado, Dilma Rousseff, passe para o segundo turno.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Terceiro Mês

Sempre tive dificuldade em entender argumentações geograficamente deterministas sobre a qualidade de vida dos lugares. É comum, por exemplo, atribuir-se a suposta “joie-de-vivre” do brasileiro à afabilidade do clima tropical; ou, por outro lado, supor ingrata a vida acima do trópico de câncer. Bobagem. Sou gente, não planta. Portanto, mais relevante do que o clima meteorológico é o clima social. A frieza e o cinzento que caracterizam o clima da Inglaterra não encontram paralelos no âmbito das relações sociais. Estas têm se revelado abertas, tolerantes, hospitaleiras, plurais, respeitosas – por vezes até mesmo calorosas. Em suma, e acima de tudo, as relações sociais são harmoniosas. Vivo numa sociedade pacífica.

Apesar de não ser essa a minha primeira experiência fora do Brasil, é a primeira na qual tenho plena consciência da liberdade de que desfruto aqui. Entre a guerra tropical e a paz chuvosa, fico com esta última, porque, sendo gente, é o clima social o que me importa.... Pelo menos enquanto o inverno não chega! E como disse um dos meus companheiros de casa: não existe clima ruim, existe roupa inadequada.

***

Outro dia comi um cavalo, na Suíça. É um prato popular, mais acessível, inclusive, do que carne de vaca. Além de ser mais barata, é melhor de se comer, é mais macia. Fiquei pensando porquê não adotamos, no Brasil, esse hábito alimentar. E não me refiro ao consumo involuntário do comeu-morreu no Arruda. Não existe nenhuma razão racional que justique a proscrição da carne de cavalo. Resolveríamos, dessa forma, dois problemas sérios: a pobreza de uns e a fome de outros (que geralmente são os mesmos, uns e outros). Geraríamos renda, de um lado, e alimento, do outro. E, de que quebra, ainda resolveríamos um problema de segurança pública, os cavalos soltos pelo meio da rua de grandes cidades brasileiras. Partindo desse princípio, poderíamos adotar, também, hábitos culinários coreanos, incluindo cachorro na nossa dieta: mais fonte de renda, mais fonte de calorias e nutrientes. E menos vira-latas nas ruas. Viajar é bom. Bastou uma só refeição e eu já resolvi boa parte dos problemas urbanos brasileiros.

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O Brasil está na moda. Por onde tenho passado, uma coisa é clara, o Brasil é popular. Essa popularidade transcende classes sociais. Varia a motivação: futebol, música (de bossa nova e Villa Lobos até Calypso e Ivete Sangalo, com tudo o que tem no meio), a “alegria do povo brasileiro” (carnaval, mulatas), caipirinha, praias, surf, capoeira... Isso nem é novidade. Meus pais contam histórias de como, quando eles viajavam pela Europa na era pré-União Europeia, o fato de serem brasileiros abria portas, literalmente, para o ingresso deles nos diferentes países europeus. A novidade, hoje, é o aspecto político também. O Brasil é muito admirado pela estabilidade política (relativa), pelo crescimento em plena crise, pelas políticas públicas progressistas. Só não é popular na extrema esquerda europeia, que prefere preferir a Venezuela (a União Soviética dessa geração, guardadas as devidas proporções). Os árabes também nutrem profunda identidade com relação ao povo brasileiro. Em um trem, certa vez, um líbio de origem popular me explicou que os brasileiros e árabes são povos irmãos. Como evidência disso, ele falou: olha Ronaldo, Roberto Carlos, Romário: eles têm cara de árabe. E apontou o bom relacionamento do presidente Lula com o presidente Kadafi. Isso foi em 2004. Mais recentemente, na África, ser detentor de passaporte brasileiro também é um facilitador de interação social. Na California, no ano passado, um funcionário do metrô, ao saber minha origem, se disse fã de “Cidade de Deus” e do seriado “Cidade dos Homens”. Ainda lá, capoeira é a nova ioga. Nada mais cool. E caipirinha, tanto lá (na América) quanto cá, na Europa, já é comumente escrita com “nh”. Por que não estamos usando essa imensa popularidade do Brasil, que transcende classe social, barreiras étnicas ou religiosas? O Brasil é querido e admirado no mundo todo e por todo mundo (talvez menos no Bolívia, até hoje traumatizada com a perda do Acre – embora a elite de esquerda ainda adore Chico Buarque e inveje o PT e a elite conservadora prefira Caetano e tenha saudades de FHC, pessoas em todos os pontos do espectro político têm um disco de Roberto Carlos). Como nós podemos usar esse “soft power”, afinal é o que nos resta e que é, inclusive, mais eficiente do que o “hard power”. Ela está aí, é um dado da realidade. O desafio é como transformar essa popularidade natural, que não é fruto de nenhuma política de Estado, em diretriz política para atingir os objetivos estratégicos do Brasil.

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São impressionantes os paralelos entre os governos Obama e Lula. Cada vez mais isso fica evidente. Nem falo das próprias eleições de cada um deles, que são simbólicas e inerentemente significativas em si mesmas, pelo que representam em suas respectivas sociedades. Mais importante que isso é que ambos se caracterizam como governos de ruptura de grupos no poder e de visão de mundo. Isso se reflete na abordagem aos problemas mais iminentes, no tipo de oposição que vêm enfrentando e no tipo de críticas que recebem. Observando agora os primeiros meses do governo Obama, escuta-se muito do mesmo que se dizia, e ainda se diz, sobre o governo Lula. Só que em inglês. As críticas, por exemplo, dirigidas ao Geithner pela esquerda americana são muito semelhantes às críticas que setores da esquerda ainda fazem a Meirelles (ambos são representantes dos bancos). A crítica à política externa de Obama poderia muito bem ter saído da boca de Arthur Virgílio (defende “sanções econômicas” e retirada do embaixador brasileiro de La Paz - leia aqui) ou Diogo Mainardi (e o preconceito social: “Lula é semi-analfabeto” - veja aqui), ao invés de Newt Gingrich (defende o uso de ingerência interna para desestabilizar o Irã - leia aqui) ou Glenn Beck (preconceito racial: “Obama is a racist” - veja aqui)... Se eu traduzisse o que fala um e dissesse que é o oturo, ninguém nem perceberia – a postura beligerante, preconceituosa e raivosa é a mesma.

As políticas adotadas, caracterizadas pelo pragmatismo acima de tudo, também são semelhantes. A reforma do sistema de saúde pode ser análogo ao Bolsa Família, pelo que representam em termos de inclusão social. O “stimulus package”, série de investimentos públicos com o intuito de estimular a economia aumentando a demanda, é equivalente ao nosso PAC. Novamente aqui, as críticas que recebem são muitas vezes idênticas, só mudando a língua. Obama oficialmente acabou com a “guerra contra o terror”. Em seu lugar, adota uma postura mais multilateral, que leva em conta os interesses dos outros países, respeita o diálogo e as instituições internacionais e vê o desenvolvimento econômico e social como a forma mais eficaz de combater o terrorismo. Em outras palavras, Obama adotou a diplomacia lulista... Desde que entrou no governo, Lula é obsecado por bio-diesel e etanol. Agora, uma das prioridades de Obama é fazer da economia verde um dos motores da economia americana. Não quero dizer que Obama esteja imitando Lula. Não se trata disso. Mas são governos que, em suas respectivas sociedades, representam uma mudança de rumo, uma ruptura com a situação vigente. Além disso, ambos são governos que adaptam suas ideologias à realidade (e não vice-versa). E que enfretam oposição feroz e intransigente pela defesa do status-quo.

Há uma diferença, porém, em favor dos americanos: a clareza do debate. Lá, o conflito é mais explícito e é mais público. No Brasil, a gente fica refém do moralismo denuncista, que camufla as verdadeiras questões de fundo por trás das disputas político-partidárias. Nos Estados Unidos, por outro lado, há uma pluralidade maior de vozes no debate e há um debate público de fato. Por mais tosco que seja, e muitas vezes é, o debate ocorre. E ele existe em torno de causas. O Partido Republicano não fica acusando Obama de ser ladrão ou bandido. Questionam suas políticas. Exemplo disso é agora a briga de Obama pela reforma do sistema de saúde. Obama quer fazer o SUS lá. É como se, para implantar o Bolsa Família, Lula tivesse que enfrentar uma votação no Congresso Nacional. Sorte nossa que no nosso sistema político ele não tinha que fazer isso. Nunca iria passar. Mas aqui, quando se quer combater o sucesso da admnistração, a oposição muda o assunto – é incapaz de articular um discurso coerente que ofereça à sociedade uma alternativa ao Governo Lula. Não se sabe como se posiciona a oposição em relação às grandes questões do governo Lula (distribuição de renda, crescimento do Nordeste, política externa, etc.) – a gente não sabe porque eles nunca falaram. Sabemos que eles são contra “roubo” (e quem não é?), mas não sabemos o que propõem para tratar disso, até porque eles também estão sujeitos a isso (alô RS, alô Cuiabá). Enquanto isso, ao norte do Rio Grande, os conservadores distorcem os fatos, apelam a sentimentos racistas da população, criam factóides (certos comportamentos da direita são análogos – se nós temos a Abril - leia aqui, eles têm a Fox News - veja aqui). Mas se posicionam claramente: são contra a reforma do sistema de saúde. Se Obama conseguir aprovar algum projeto de reforma, a população poderá julgá-lo se estava correto ou não. O conflito é explícito.

Minha aposta é que vamos observar lá algo parecido com o que ocorreu aqui; o governo Obama é a versão Herbert Richards do governo Lula. O primeiro ano do governo vai ser duro, os ataques da oposição são coordenados com grupos de interesses arraigados e muitas vezes abaixo da cintura; há uma óbvia articulação entre grupos políticos e empresas de comunicação (republicanos e FoxNews, tucanos-pefelistas com a Abril e as Organizações Globo); a popularidade vai cair bastante (já está caindo) e chegará ao ponto em que sua legitimidade será posta em questão (já está sendo); mas, mais adiante, o povo vai sentir uma melhora na qualidade de vida, consequência das políticas públicas adotadas, e Obama terá índices lulistas de apoio popular. Será?

***

Estava em Lausanne no dia 1º de agosto – a data da festa nacional da Suíça. Conversei, nesse dia, com um amigo suíço:

Eu: no ano passado, estava nos Estados Unidos no 4 de Julho. Agora estou na Suíça no Primeiro de Agosto.
Ele: ...
Eu: o que isso quer dizer?
Ele: que você tá viajando muito.
Eu: ...

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Tendemos a generalizar a Europa aí no Brasil. “Fulano tá na Europa”, ou “vou passar férias na Europa” ou “Sicrano tá tão europeizado”. É um erro. A Europa é uma colcha retalho, às vezes bem mal remendada (que o diga a ex-Iugoslávia!). Inglaterra, França, Alemanha (os três maiores países da UE) têm mais diferenças entre si do que, digamos, Argentina e Venezuela ou Chile e Colômbia. Se alguém que mora em Portugal disser que mora na Europa, ria. Alto. Sinto informar-lhe, mas em Portugal se está mais perto da África do que da Europa (em mais de um sentido; e não vai aqui nenhum juízo de valor; trata-se, tão-somente, de uma constatação). Viajar na Europa, às vezes, parece dar razão às piores conclusões do determinismo geográfico. Quanto mais descemos, mais bagunçado vai ficando. Recenemente, fiz uma viagem e pude constatar essa variação. De Londres, peguei um trem até Paris. Já no metrô de Paris se percebe a diferença. Tinha passado um mês e meio em Londres e o metrô, apesar de constantemente lotado, é tranquilo e ordenado. Logo no caminho da estação até onde eu ficaria hospedado, e já tinha um doido berrando no vagão ao lado. De Paris, voei para Barcelona. Lá, quando ia subir a escadaria pra sair da estação, ouvi um tumulto do lado de fora. Corri na direação do barulho. Encontrei a maior barafunda. Uma gritaria, um corre-corre, um calor húmido... por um momento me senti na Conde da Boa Vista em plena ação da PM contra os ambulantes. E, mais adiante, tinha o foco do conflito: três pessoas sangrando, atormentadas, sendo socorridas por policiais. Impossível deduzir o que ocorrera. Vi uma mulher especulando com um amigo o que teria acontecido. Me aproximei e perguntei o que era. Resposta: “no lo sé”. O que é isso? Lei do silêncio? Estou no Coque? Depois de uma semana de sol e bagunça tropicais, fui embora. Lausanne acaba com a tese do determinismo geográfico. É um imenso contraste sair da Inglaterra ou da França para a Suíça. Os dois primeiros parecem pobres e decadentes diante do terceiro. A Suíça é como um clube privado exclusivíssimo, cujo ingresso é precedido por árduo e longo processo e que, mesmo assim, raramente é definitivo. (Seguindo essa analogia, a Espanha é o piscinão de Ramos dos branquelos europeus, que descem para se bronzear um pouquinho). Adquirir cidadania suíça é algo raro. Soube de um “português” que mora lá desde que tem 5 anos. Hoje tem uns 30 e ainda é “português”. Na Suíça tudo é muito arrumadinho, tudo é no lugar, tudo tem cheiro de araucária. Exceto as pastagens, que têm cheiro de bosta de vaca mesmo (mesmo sendo as vacas melhor alimentadas do mundo, a bosta delas cheira igualzinho à bosta da vaca magricela da Zona da Mata pernambucana).

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Equilíbrio de poder

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, tem enfrentado pouca dificuldade no Congresso para levar adiante a sua agenda de reformas. Além de ter sido eleito com folgada vantagem em relação à candidata do Partido Socialista, Ségolène Royal, detém ampla maioria no Legislativo. Mais do que amplo apoio à plataforma sarkozista, tal hegemonia direitista denota a dificuldade da esquerda francesa em estabelecer uma agenda  que se lhe contraponha. 

Seria um erro, no entanto, superestimar a força de Sarkozy. No nível local, das prefeituras, o PS francês detém grande influência. Estão sob o seu comando Paris, Lyon, Lille, dentre outras. As iniciativas mais inovadoras e progressistas em termos de soluções para as questões urbanas, na França, passa por essas cidades, que são hoje referência sobretudo no que se refere a transporte público.

Ocorre no Brasil o oposto. A esquerda detém o controle da agenda a nível nacional. A direita tucano-pefelista ainda está para definir um discurso que se contraponha à plataforma lulista de "crescimento econômico com distribuição de renda". No entanto, os principais estados e cidades estão sob o controle da oposição. Mais que isso, nos últimos quatro anos são administrações de oposição as que têm apresentado políticas públicas mais criativas e que apontam para uma eventual agenda pós-Lula. Mais especificamente, me refiro às administrações do PFL em Brasília e São Paulo. É lá onde novas ideias têm surgido e novas respostas às preocupações do eleitorado têm sido dadas.

quarta-feira, 25 de março de 2009

A disputa política está saindo do armário

Aos poucos, a luta política vai emergindo, vem à tona. No Brasil, desde sempre, o debate programático tende a ser posto em segundo plano, em favor de disputas moralistas ou legalistas. Desde Dom Pedro II, pelo menos, que é assim. A Monarquia caiu não porque tenha deixado de defender políticas que favoreciam a sua base de apoio (os latifundiários e os credores), mas porque seria "podre" - a República seria uma necessidade moral. Desde então, a disputas, aqui, raramente se davam pela forma do que realmente eram: a retórica moralista escondia interesses bem prosaicos. 

Enquanto boa parte do eleitorado não participava do processo (até a década de 1980), ou, depois disso, enquanto o oligopólio midiático podia repassar sua versão sem correr o risco de ser questionado, essa maneira de disputar o poder funcionou. Agora, com o amadurecimento da Internet brasileira, isso começa a se tornar impraticável. A disputa política, no Brasil, está saindo do armário.

Os pontos desse emaranhado começam a se ligar. Em entrevista recente (veja aqui), FHC elogiou Daniel Dantas e Gilmar Mendes, e criticou o Delegado Protógenes Queiroz. (Se ele fosse mais atinado aos novos tempos, jamais teria falado o que falou. Qualquer pessoa familiarizada com YouTube, teria tido mais cuidado com quem elogia publicamente!). Inspirado nas opiniões do ex-presidente, o jornalista Luis Nassif esboça uma análise da história recente do país (aqui), colocando como o foco do jogo político atual a formação do Sistema Brasileiro de Inteligência - em que se opõem os grupos ligados aos criminosos do colarinho branco, Daniel Dantas à frente, e aqueles independentes. 

Vamos ver, no desenrolar da CPI dos Grampos, como se posicionam os grupos políticos em relação ao caso. Vai ficando cada vez mais difícil esconder o posicionamento atrás de posturas moralistas (isso funcionou no caso do suposto "mensalão"). FHC já se posicionou.

Um programa da TV Câmara entrevistou os jornalistas Leandro Fortes (Carta Capital) e Jaílson de Carvalho (O Globo), sobre as investigações da Satiagraha. É o que tem de mais esclarecedor sobre o tema. Por pressão de Gilmar Mendes (defensor da liberdade de imprensa), o site da TV Câmara retirou a entrevista do ar. Mas a pressão da blogosfera (Azenha e CartaCapital), fez com que a TV do Poder Legislativo voltasse atrás na decisão tão inócua quanto burra (veja aqui a entrevista ou então baixe aqui) . Queriam repetir, com essa história de Grampolândia, uma espécie de "Mensalão 2: redux". Se esqueceram de uma coisa - o país mudou desde então... Não colou.

Essa série de artigos, entrevistas e declarações recententes (aliás, que só têm tido a repercussão que tiveram graças aos blogs e ao YouTube) começam a tornar mais nítido o campo do jogo político brasileiro. Às vésperas das eleições de 2010, tal transformação, ainda que tardia e lenta, é muito bem vinda. Embora algumas pessoas ainda tenham receio, por exemplo, o jornalista/enólogo Renato Machado, aqui.

(Em tempo, a entrevista dos dois jornalistas é obrigatória para quem quiser entender o atual cenário político nacional.)

segunda-feira, 2 de março de 2009

A velha nova Europa?

Motivado por esse artigo do Nassif, um amigo francês me enviou a seguinte resposta, que publico abaixo. Eu concordo basicamente com as observações dele e acho interessante que ele toca em alguns pontos sob uma perspectiva fora do lugar comum. Como estrangeiro que vive no Brasil, também tende a ver pontos positivos no nosso país, quando nós sofremos daquela velha síndrome de vira-lata, que não aprecia nada de si mesmo. Segue o texto:


Cara, não concordo nem um pouco com o texto, acho que a Europa se afunda ano após ano.

O período pós guerra foi do meu ponto de vista o mais cruel em termos de globalização : 30 anos de crescimento nas costas do terceiro mundo explorando matéria prima baratissima e ficando com todos os processos agregando valor, mantendo no poder governos ditatoriais e ainda se gabando de modelo de humanismo !

Aos poucos, está acabando a submissão, agora econômica, do novo mundo e as conseqüências são terríveis para a Europa que, em nome do igualitarismo, se recusa a assumir uma lógica de mérito e competição.

Os USA vão ficar baleados, mas está no DNA deles reagirem, inovar, competir... basta ver sua historia e como eles reagiram a todo que os abalou. A Europa, já é outra coisa, coloca acima de tudo o bem estar e consequentemente poucos esforços : pense nos numerosos velhos europeus não dispostos a evoluírem com seu tempo e reverem seus hábitos ou aos jovens “rebeldes” querendo trabalhar pouco e ainda ganhar 10 vezes mais que um Brasileiro ou um Indiano, sem falar do Chinês.

Eu votei no Sarkosy, porque acho urgente que tenha reformas na França para que a queda não seja muito brutal, e vejo que não tem jeito, é preciso tanta cautela para reformar o país que seriam necessários 10 mandatos para chegarmos lá.

Quando passei a viver fora da França, fiquei enjoado do discurso populista da esquerda francesa que quer defender o encanador francês contra o polonês, o agricultor francês contra o brasileiro... quer dizer que a justiça social vale apenas para os sortudos que nasceram na França e que o resto do mundo pode morrer de fome, ou pelo menos ficar sem oportunidade de desenvolvimento, saúde, educação para efetivamente passar a ser um competidor ?

Não entendo como a justiça social pode enxergar fronteiras. Isto passa longe do meu entendimento.

Gordon Brown, Sarko ou Merkel não são grandes figuras políticas... bem que eu queria, mas até em sua terra respectiva, eles tem aprovação popular mínima e provavelmente vão rodar nas próximas eleições contra populistas que prometerão aumentar o salário mínimo para compensar o aumento dos preços consequente da limitação das importações de carne brasileira e de têxtil chinês. Aí vai o déficit publico pro espaço e a competitividade europea para o chão e aí sim, a França terá como única opçãp se tornar um museu-restaurante, graças a sua linda paisagem, seu clima simpático e seus monumentos cults. Agora, vamos ver se os franceses vão querer ser assistente do chef na cozinha ou garçom... Duvido.

Um pouco amargo, este meu depoimento ?!

Na verdade, foi bem espontâneo. Acordei de bom humor, mas li as noticias ontem a noite : sindicatos fechando uma estação de trem em Paris por 1 dia. Meio milhão de pessoas reféns de meia dúzia de funcionários públicos preguiçosos... Jovens dos liceus fazendo greve sem bem saber porque e muitas ações antisemitas em prol do conflito Israelo palestinens. A oposição esquerdista bitolada na liceça maternidade de uma ministra árabe que teve um filho solteira. Devo ter dado hazar, mas a situação me pareceu desanimadora, sem falar das perspectivas econômicas !

Até REcifilis não deve ser tão ruim ! ah ah

Abração e feliz 2009

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Bom dia Recifilis !
ta certo que foi um pouco entusiasta no meu pessimismo.

O equilibro entre humanismo e assistencialismo é tenuo, mas é uma busca que é preciso manter sempre, concordo.

Os rednecks americanos deixados por trás agora estão descobrindo nem o terço da miséria que eles espalharam pelo mundo afora com seu colonialismo econômico e protecionismo comercial. Mas, enfim, ninguém merece passar por isto...

Estou achando o governo do Lula com a proposta mais coerente hoje no mundo entre ideal de melhor redistribuição de renda e a pratica de um mundo competitivo.

O foda é que leva tempo e que neste intervalo, vão se algumas gerações sacrificadas.

Mas me parece o modelo mais robusto, menos populista, mais pragmático... quem diria nas direitas do mundo, neh ?!

Vc sempre é bem vindo em Sampa, inclusive para ganhar uns trocados de babá da Malu ! ah ah

Abraço e até logo

sábado, 20 de dezembro de 2008

E la nave va...


“Mi dicono: ‘fá la cronaca, raconta quello che succede!’

E chi lo sa quello che succede?”

 

(“Me disseram: ‘faça a crônica, conte o que aconteceu!’

E quem sabe o que aconteceu?”).

 

O jornalista, in “E la nave va”, F. Fellini


Tem sido interessantíssimo observar a desconstrução por que vem passando a narrativa oficiosa em relação aos supostos grampos do STF. A versão de Gilmar Mendes/Veja, endossada automaticamente pelas grandes empresas de comunicação, começa rapidamente a ir por terra. Boa parte desse desmonte se deve ao trabalho dos principais blogueiros do país (aqui, aqui ou aqui, por exemplo). Aos poucos, desmonta-se a farsa. A primeira narrativa era a de que a Abin teria grampeado o STF. Assim, a saída de cena de Paulo Lacerda, o então diretor-geral do órgão de serviço secreto brasileiro, seria imprescindível. A Veja divulgou o suposto grampo, a conversa teoricamente gravada entre Gilmar Mendes e o senador pefelista Demóstenes Torres. 

A gravação do suposto grampo nunca apareceu. A Veja nunca divulgou a fonte da transcrição. O novo relatório da Polícia Federal conclui que não houve grampo no STF - leia aqui. Ou a Veja e o presidente do STF foram ingênuos e caíram numa armação montada por alguém (quem seria? Aqui já há uma hipótese). Ou então a armação foi montada pela própria dupla GM-Veja (a dúvida, nesse caso, seria com que intuito o teriam feito). Uma coisa é certa: a narrativa mudou substancial e definitivamente.

O processo de construção de uma narrativa única que Veja/GM tentou montar agora é muito semelhante ao que ocorreu durante o caso do suposto "mensalão". Ali, como aqui, jogou-se uma teoria (narrativa), e toda a grande imprensa corporativa foi a reboque. A diferença, agora, são, basicamente, duas. Uma, é que, realmente, havia irregularidades no caso do suposto mensalão (embora não exatamente como a narrativa oficial queria nos fazer crer). Outra, é que hoje há uma imprensa mais independente (ou pelo menos mais plural) - em boa parte localizada na Internet - e que tem feito um trabalho fantástico de questionar e desmontar a narrativa oficial. Isso é uma mudança recente e incrível. 

Talvez, olhando para trás daqui a alguns anos, possamos identificar nesse período que vivemos agora como sendo o momento de inflexão, quando o pensamento único deixa de ser hegemônico. Apenas três anos atrás, provavelmente a Veja e Gilmar Mendes teriam conseguido passar incólumes. Enganar a patuléia, no Brasil, está destarte mais difícil. Aos trancos e barrancos, avançamos...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Mexe, mexe, mexe, mexe

Mexe, mexe, mexe 
Mexe, mexe, mexe 
Por que a arte de mexer vem desde os tempos da pedra
lascada
Todo mundo mexia, todo mundo requebrava
Todo mundo sacudia, todo mundo balançava
E cantava

Mexe, mexe, mexe, mexe
mexe, mexe, mexe, mexe
("Mexe mexe", mundo livre s/a)


Parece até que essa música da mundo livre s/a é o melô do sistema partidário brasileiro... É uma piada de mau gosto esses nossos representantes... Hoje, amanhecemos com a notícia de que a Comissão de Constituição e Justiça aprovou mudanças no nosso sistema político - dentre as quais, as mais importantes são o fim da reeleição e a extensão dos mandatos de 4 para 5 anos.

Sem nem entrar no mérito da questão... pelo amor de Deus, vamos brincar de deixar alguma coisa se institucionalizar, hein? Que tal isso, pra variar? O que dá mais raiva é a motivação por trás dessas mudanças. Antes fosse aquele jeito brasileiro de ir resolvendo os problemas no improviso, por meio de tentativa e erro... O lance é que é tudo para atender interesses particulares! Em 1997, a reeleição foi votada a toque de caixa, para atender ao grupo político do momento - a coligação em torno de FHC. Agora, para atender a outros grupos, que não querem ficar esperando na fila da sucessão, vão acabar com algo que só agora os eleitores brasileiros estavam começando a se acostumar.

Francamente! E tudo isso a despeito dos mesmos eleitores que essa corja diz representar! Ora, se formos ver a percentagem de prefeitos reeleitos nesse ano (67%, segundo este site), é justo concluir que a sociedade brasileira aprova o instituto da reeleição. Entre os cientistas políticos, há bons argumentos a favor e contra tal mecanismo. O que fica claro é que mais essa mudança não vem com o intuito de aperfeiçoar o sistema político brasileiro, tornando-o mais claro e representativo... Vem, isso sim, apenas para fazer a fila andar. Afinal, Aécio é novo mas não quer esperar 8 anos até que possa suceder ao Serra... e por aí vai. Enquanto isso, a reforma política de verdade, substancial... jaz em alguma gaveta do Congresso...

Aproveito para fazer uma defesa enfática da reeleição. Em primeiro lugar, o povo aprova. Além disso, é um mecanismo eficiente de beneficiar o bom gestor e punir o mau, de modo democrático. Aquele gestor que, aos olhos do eleitorado, não fez um bom trabalho, vai para casa depois de apenas 4 anos de mandato. Aquele que tiver seu trabalho aprovado pela população, continua. O argumento de que a reeleição favorece quem está no poder é falha em mais de um sentido. Há o ônus de se estar no poder - todos os problemas da cidade podem ser atribuídos ao incumbente. Por outro lado, nada impede que a máquina (ou o "bônus" do poder) seja usado em favor de um aliado do mandatário incumbente. A história recente mostra que não há nada garantido. Aqui mesmo, em 2000, o candidato incumbente a reeleição, Roberto Magalhães, competiu com apoio dos governos estadual, federal, do poder judiciário local e da imprensa - e perdeu. Marta Suplicy, em 2004, também foi incapaz de se reeleger, assim como todos os governadores do Rio Grande Sul desde que a reeleição foi adotada.

Mas minha raiva nem é com o fato de que algo bom esteja em vias de se acabar... mas é a motivação que move os deputados federais. Como sempre, em nosso país, interesses particulares prevalecem em detrimento do interesse público. Lastimável. Triste do país que tem essa classe política. Galera, pelo menos disfarcem! Finjam algo remotamente parecido com um debate público! Pelo menos isso, pelo mínimo de respeito ao povo, façam um teatrinho! 

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

A oposição estilou

A oposição conservadora às forças progressistas que controlam os governos do Recife e de Pernambuco perdeu o embate na esfera política. Os representantes da direita que não aderiram às forças progressistas vêm sendo paulatinamente postos à margem do jogo partidário, pela escolha dos eleitores.

O último resquício da oposição de direita em Pernambuco é o Judiciário - não por acaso, o menos sujeito ao escrutínio popular. Sem opção, desprovidas de propostas e de um discurso que encontrem ressonância na sociedade, as forças reacionárias do estado apelaram para a judicialização da disputa política.

A acusação é frágil e não se sustenta. Difícil responsabilizar o então secretário municipal, João da Costa, pelo uso escuso de duas contas pessoais de e-mail. Algo análogo ocorreu em São Paulo reccentemente, quando funcionários do prefeito Kassab teriam repassado mensagens eletrônicas para servidores municipais. A sentença, ademais, é incoerente. Porque se o juiz Nilson Nery viu por bem responsabilizar o secretário pela ação de seus subalternos, por que não seguir subindo na hierarquia até o prefeito João Paulo? É altamente questionável que esse ato isolado de envio de e-mails por parte de dois indivíduos seja abusivo ou mesmo que represente um claro desequilíbrio político e econômico em prol do candidato da situação.

Margarida Cantarelli tinha um logotipo laranja e preto quando, em 1986, foi candidata a senadora pelo PFL. Agora, como desembargadora, ao tornar legal a divulgação de informação protegida sob sigilo de justiça, serve de laranja da oposição para obscurecer a disputa política na cidade e demonstra ser adepta da fidelidade partidária. Nilson Nery, que acatou a representação fajuta do MPPE, mostrou fidelidade canina àqueles que o colocaram nessa mamata. Acusem-no do que quiser, menos de ingrato!

A arbitrariedade do juiz não é sem propósito. A menos que se acredite que foi a primeira vez que algo do gênero tenha ocorrido na cidade... Até o blogue jarbista de Jamildo reconhece o tratamento, digamos, diferenciado dispensado aos adversários políticos daqueles que deveriam zelar pelo cumprimento da lei - basta ver aqui. Sem contar que a divulgação de dados sigilosos não é vista da mesma forma indignada... Dois pesos e duas medidas.

Em instâncias superiores, tal sentença, por precária, cairá. O intuito, no entanto, não é fazer justiça. Trata-se de fazer política por outros meios. O timing, a menos de duas semanas das eleições, não poderia ser mais conveniente. A oposição (partidária, é preciso lembrar) já tenta propagar a desinformação, divulgando por meio de carros de som e panfletos apócrifos a cassação da candidatura governista de João da Costa. Ora, o fato é que, enquanto couber recursos, a candidatura permanece. Mas, como já foi dito, não se trata, em absoluto, de se fazer justiça. A oposição estilou.

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Resta saber como a população interpretará os acontecimentos. Vejo três cenários potenciais:

1 - Contingente significativo do eleitorado verá a decisão judicial como indicação de que o candidatao João da Costa é corrupto, não presta. Decide votar em outro candidato. Dependendo da intensidade desse movimento, isso pode apenas causar o advento do segundo turno ou, mais radicalmente, reverter as atuais tendências de intenção de votos.

2 - As intenções de votos se manterão inalteradas. A decisão do juiz de oposição apenas reforçará as posições já tomadas. Aqueles que se opõem ao candidato do PT, verão na decisão a confirmação de suas idéias, enquanto que os que o apoiam verão o fato como mais um episódio da luta política.

3 - Movimento em direção ao candidato perseguido pelo Judiciário. O episódio pode ser visto como perseguição política, jogo baixo, e atrair novos eleitores. Ademais, é possível que a radicalização da oposição funcione no sentido de trazer o Presidente Lula para participar de ato de campanha ainda no primeiro turno. Isso poderia trazer um importante impulso no sentido de definir de uma vez por todas a disputa.


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E se você quiser saber quem é Nilson Nery, o que fazia antes de ser indicado para o TJPE, quem o indicou, em que ano foi aprovado na Assembléia Legislativa, etc... Desista. Não há em parte alguma da Internet qualquer informação sobre a história recente. Nem adianta entrar na página do TJPE. Pois se você conseguir passar adiante da feiúria e bagunça da página inicial, desejo boa sorte para quem se arriscar pelos meandros labirínticos de um site típico do poder menos transparente da república. O site reflete bem a realidade...

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Vale lembrar que o Poder Judiciário não é a única esfera em que a oposição de direita mantém controle. Na imprensa, o quarto poder, também prevalecem. Basta ver o teor das manchetes dos jornais hoje. O destaque dos três jornais locais foi para a "cassação" - o que de fato não houve. Para que possa se consumar, precisaria que todos os recursos tivessem sido exauridos. E esta foi uma decisão em primeira instância. Meros detalhes?

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Homenagem ao Prefeito João Paulo


Prefeito João Paulo versão South Park


Em 2004, viajei para a Europa em meados de Julho, onde passaria três meses. Iria perder, portanto, a eleição municipal daquele ano. Queria, no entanto, registrar o meu apoio à reeleição do prefeito João Paulo. Eu havia me envolvido intensamente na sua primeira eleição, quatro anos antes, e tinha muito orgulho disso, diante dos resultados obtidos por sua gestão. Escrevi um texto no qual expunha as razões pelas quais apoiava o prefeito-candidato. O texto, enviado apenas para os amigos e familiares da minha lista de contatos, aos poucos tomou proporções inesperadas. Transformou-se num fenômeno virtual, sendo passado e repassado para inúmeras pessoas. Eu não tinha noção disso, distante que estava no meu périplo europeu. Mas dois amigos me escreveram, àquela época, me contando o que estava ocorrendo.

Ao se concluir a vitoriosa gestão petista na cidade, relembro aqui aquele texto que virou uma corrente viral e que, em alguma medida, acredito ter contribuído para a reeleição tranqüila do prefeito João Paulo Lima e Silva.
Algumas coisas chamam a atenção no processo eleitoral desse ano, que talvez eu comente ao término da disputa. Um ponto é a forma como a internet ainda é subutilisada como meio de propaganda e transmissão de informação política. A TV ainda é o meio predominante e determinante. Outra coisa é como, de 2000 para 2008, as forças opositoras demonstram ter aprendido muito, muito pouco. Resta uma preocupação -- sobrará oposição de fato em Pernambuco, após 2008? Fico devendo essa análise.
Por agora, fica a homenagem aos oito anos do governo João Paulo. Parabéns, prefeito, pelo cumprimento dos compromissos assumidos em 2000.
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De: E.C. (@hotmail.com)
Enviada:
sexta-feira, 13 de agosto de 2004 3:00:44
Para:
bjurema@hotmail.com


Berna,
Incrível! Chego a conclusão que eu ainda não tinha noção do poder da internet. Tudo bem q eu considerava q era uma grande inovação mas, daí a modificar os rumos da eleição.... Cara, o comentário é que seu artigo está rodando o mundo! Só D. já recebeu 5X, recebi de H., M. entre outros. Todos comentam q foi um texto super bem escrito (parabéns!), que vai repassar, que realmente estava sentindo falta de argumentos etc!!! Em resumo, o seu objetivo foi alcançado e ainda mais: já pensou q vc pode ser o responsável pelo crescimento nas pesquisas?!?!? (Alto poder de convencimento!) Mas estou só mandando este e-mail p dizer q vc esta fazendo falta aqui na campanha! Domingo vai ter a primeira carreata e kd vc??? Estava até pensando em ir de bike como o seu pai... Mas eu nem tenho bike e a da minha mae é daquelas q tem cestinha, hehehehe.
Mande noticias viu????Beijos, E.C.
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Date: Fri, 3 Sep 2004 18:38:25 -0300
Subject: olá!

e ai, berna! lembrei de tu agora e resolvi mandar um email já que nunca mais nosconversamos, neh! lembrei pq teu texto tah rolando o recife de umaforma fudedora, tah ligado?! só pra dar um exemplo, meu pai e minhamãe já receberam, tiago (meu irmão) já recebeu e um amigo meu, fábio,tb recebeu. o que me dá a impressão de que nenhuma pessoa nessa cidadetenha deixou de recebê-lo. wohooooooo! o caba tá em lille e contribuindo com a campanha desse jeito! hahahahaha. n sei como tu tah informado sobre a campanha, mas tá meio ridículo.cadoca fazendo sua campanha totalmente voltada para a classe média eachando mesmo q tah botando pra fuder. hahahaha. ô mulé, dá uma pena!hehehehe. o massa é passar na rua e ver o limpadores de para-brisa, asbarraquinhas de caldo de cana, os ambulantes, cobradores, catadores delixo... todos exibindo com o maior orgulho um adesivo de joão paulo.fuderoso demais! parece q todo mundo tah fazendo questão de dizer'esse é o cara. a gente n quer trocar n, pq ele eh o cara!'. massademais!
(...)

mas o povo q eh povo tah com joão paulo, e periga de tu nem votar,do jeito que tá. 42% pra joão paulo, 30% pra cadoca e 12% prajoaquim... é, neh! hehehehe. vo nessa, berna. se cuida ai e continua na boa viagem. té mais, p.


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Quando conceitos deixam de ser slogans eleitorais e se tornam diretrizes políticas de governo

Por: Bernardo Jurema

Na campanha de 2000, as grandes promessas do então candidato João Paulo Lima e Silva eram: a inversão de prioridades, a radicalização da democracia e a melhoria da qualidade de vida da maioria da população. As grandes ações da Prefeitura no decorrer desses últimos quatro anos foram inequivocamente voltadas para a periferia e setores historicamente marginalizados dos processos de desenvolvimento da nossa cidade.

Pela primeira vez, o grande beneficiário do poder público não foram as classes média e alta. As mortes por quedas de barreiras, drama que repetidamente assolava as periferias a cada inverno, foram praticamente extintas através do Programa Guarda-Chuva (http://www.recife.pe.gov.br/especiais/guardachuva/index.html), que institucionalizou a presença constante e sistemática do poder público nos morros durante todo o ano, e não apenas quando chove. A questão de moradia foi finalmente tratada de forma séria e humana, com a retirada da população de condições precárias, como as palafitas de Brasília Teimosa ou da beira do Capibaribe na Torre e na Madalena, assim como os moradores da Ponte do Limoeiro e os das barreiras dos morros. Essas pessoas receberam uma bolsa da PCR para alugar uma moradia provisória, aprenderam uma profissão, construíram a própria casa, recebendo um salário, e foram inclusos nos programas sociais dos governos municipal e federal. Os filhos passam a receber a Bolsa Escola, uma das maiores do Brasil graças ao complemento da administração local, além de receberem farda, sapatos, material escolar. Hoje, 500 mil famílias na cidade são atendidas pelo Programa Saúde da Família (em 2000 eram 93 mil pessoas apenas!). A merenda escolar passou a ser servida também nas férias. Isso se chama inclusão social.

Nunca esta cidade contou com tanta participação popular. Através do Orçamento Participativo (http://www.recife.pe.gov.br/op/), mais de R$ 55 milhões foram aplicados em obras que atendem a pleitos das comunidades, decididas e discutidas por elas mesmas. Esse mecanismo decisório fortalece a sociedade civil organizada, mune os oprimidos de mecanismos de influência na tomada de decisões do poder público, educa a população politicamente e acaba com o paternalismo.

Não significa que a cidade como um todo tenha deixado de ser beneficiada. O Serviço de Atendimento Médico de Urgência – SAMU atende com qualidade toda a população. Também existem agora as Academias da Cidade, que atendem milhares de cidadãos em vários bairros, valorizando o espaço público coletivo, e melhorando a saúde de todos com a orientação de profissionais de medicina, educação física e nutrição. A Praça de Boa Viagem foi revitalizada e organizada; a praça Euclydes da Cunha, projeto de Burle Marx, em frente ao Internacional, teve seu projeto original recuperado; a orla de Boa Viagem agora conta com banheiros públicos de qualidade; a Rua da Aurora vai ganhar uma área de lazer inédita no Centro.

Mas a grande marca dessa gestão é a coragem e a ousadia de se enfrentar interesses poderosos e bastantes arraigados no âmbito do poder público, acostumados a terem suas demandas atendidas. A retirada do Recifolia, acatando um anseio da população de Boa Viagem, apesar da forte pressão de setores da imprensa e do empresariado locais, é prova disso. O disciplinamento da construção civil dos bairros do Derby até Apipucos, impondo limites para conter a especulação imobiliária e o adensamento populacional e a conseqüente deterioração da qualidade de vida da população que vive nesses bairros, foi levado adiante apesar da pressão do setor imobiliário, que queria ver seus interesses privados prevalecerem sobre os interesses do bem-estar da coletividade. A regulamentação do transporte público – o transporte clandestino das kombis desrespeitava direitos elementares da população: idosos e deficientes não entravam gratuitamente, estudante não pagava meia, motoristas e cobradores não tinham direitos trabalhistas básicos, além de causarem transtornos e acidentes no trânsito e não pagarem impostos e multas. No entanto, era uma categoria mobilizada politicamente e nenhum administrador tinha tido a coragem de enfrentá-los. João Paulo teve, incorporando os ex-kombeiros ao transporte complementar, onde os direitos são respeitados e localidades que nunca antes tinham tido o transporte público agora passaram a ter, de forma organizada, planejada e respeitando os direitos dos trabalhadores e usuários do sistema. A inversão do trânsito de Boa Viagem foi uma solução simples, criativa e relativamente barata para o problema crônico e acumulado, e nunca antes enfrentado, dos engarrafamentos da Zona Sul. A administração enfrentou a pressão dos setores mais reacionários, negociou com representantes da sociedade civil, e levou adiante o projeto que hoje conta com amplo apoio, inclusive daqueles que se opuseram à idéia inicialmente.

Tudo isso nos mostra que inversão de prioridades, radicalização da democracia e melhoria da qualidade de vida da maioria da população não são, para essa gestão, meros slogans eleitorais; constituem a diretriz política da atuação dos nossos administradores. Reeleger o Prefeito João Paulo é imprescindível para que este trabalho sério, ousado e sem precedentes se consolide e gere mais frutos para toda a população da nossa cidade.