quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Por uma análise equilibrada

Eu estava errado, como agora está claro. Não houve complô algum contra o PT. Há, sim, uma exploração da oposição (que cumpre, naturalmente, seu papel de oposição), por sua vez reverberada pela Imprensa (que cumpre seu papel de porta-voz da oposição) - dá-se a tentativa de generalizar-se esse crime a todo o PT e ligá-lo diretamente ao Presidente Lula.

Talvez o analista mais sensato e equilibrado na imprensa brasileira hoje seja Luís Nassif. Isso ficou claro em dois momentos recentes quando a maioria dos jornalistas tomava posições apaixonadas (o caso da Bolívia e o da Varig). Nassif sempre manteve a frieza. O blog Luis Nassif Online é sem sombra de dúvida uma excelente fonte de informação. Coloco, abaixo, o texto em que ele analisa esse escândalo. Muito bom. Não consegui mudar a cor do texto. Ou vão diretamente à página (link acima), ou então selecionem o texto com o mouse e ele ficará branco e legível... Vale a pena ler.


20/09/2006

O dossiê e as batalhas do PT

Para entender o caso da compra de dossiê, é preciso analisar dois tipos de conflito político atuais. Um deles é a disputa entre o PT e o PSDB. O outro, a disputa entre a ala paulista do PT e a ala nacional. O terceiro ponto, é entender o estilo político de Lula.

Comecemos pelo terceiro. Lula e Fernando Henrique Cardoso são irmãos siameses na arte de administrar conflitos e tendências em seus partidos ou no governo. Não tomam posição. Tentam ficar por cima das paixões, e interpretar os rumos do vento. Só quando clareia o horizonte, ou os ventos se transformam em furacões, é que assumem posições.

Muitas vezes essa incapacidade de decidir foi confundida com fraqueza, tanto em FHC quanto em Lula. Não é fraqueza, é estilo político.

Vamos ao segundo ponto: as disputas entre facções do PT. O partido é um arquipélago que se divide não apenas entre tendências, mas entre regiões que, não raras vezes subdividem-se em várias tendências.

Entre as tendências horizontais (nacionais), há a ala sindicalista, que junta militantes de São Bernardo, Campinas, o pessoal mais próximo a Lula, de Jacó Bittar e Zeca do PT a Luiz Marinho. Há a ala Dirceu, que tornou-se majoritária no Diretório Nacional depois de fincar bases no PT paulista. Na ala paulista, há uma franca divisão entre Aluízio Mercadante (tem projeção nacional, mas não tem quadros) e a militância que se formou em torno de Martha Suplicy, coordenada por Rui Falcão – originalmente do grupo de Dirceu mas que, depois, tentou ganhar luz própria. Agora, na crise, devem se reaproximar de novo. Nessas duas tendências –a sindical e a “dircelista” pontificam quadros paulistas

Mas há diversas tendências regionais, até agora pouco articuladas, e que não se meteram nas trapalhadas do “mensalão” e companhia. São quadros como os mineiros Pimentel, Dulci e Patrus, os gaúchos Tarso, Dilma, o nortista Jorge Vianna, o nordestino Marcelo Dedá.

A ala paulista começou a se perder nos escândalos do ano passado, inclusive devido a um erro estratégico de Lula –o de não querer alianças com grandes partidos—que a levou a empregar métodos bisonhos na caça de aliados. Com os escândalos, Lula começou a jogar a carga ao mar e se escudar nas alas petistas que não se queimaram. É quando começam a brilhar as estrelas de Tarso e Dilma, que começam a aglutinar as tendências regionais. Em um eventual segundo governo, o tom seria dado por eles.

A perda de espaço do grupo paulista se completaria com a derrota de Mercadante para José Serra. Sem espaço no governo, sem cargos em São Paulo, o PT paulista seria afastado definitivamente da condução do PT nacional.

É esse desespero que explica esse movimento da compra do dossiê pelo PT paulista.

Não se reduza a responsabilidade de Lula. Em direito existe a responsabilidade civil e a criminal. Quando ruiu o Shopping Osasco-Plaza, a responsabilidade penal foi do arquiteto; a civil do Shopping que o contratou. Quando caiu o avião da TAM, a responsabilidade penal foi da Fokker, a civil da TAM.

No governo, mesmo que se prove que a responsabilidade penal não foi de Lula, como chefe do governo, vai ter que arcar com a responsabilidade civil, com um profundo desgaste adicional, quando mal se curava das feridas das batalhas anteriores.

Um comentário:

Jorge disse...

muito bom o texto do Nassif, equilibrado. Agora, o que esta se vendo eh um massacre contra o governo Lula, "nossa" imprensa esta mais do que nunca unissona nessas campanha para impedir um vitória de Lula. Aliás o q esperar de uma imprensa q vive de escandalos e fofocas, q vive das "trepadas" alheias.