terça-feira, 19 de setembro de 2006

Armação ilimitada

Que história estranha essa do dossiê. Quero deixar aqui registrado: Isso é armação da oposição - até que me provem o contrário, minha versão é essa. Não acredito na versão propalada pela imprensa.

Se eu estiver errado - o que veremos dentro em breve, já que a Polícia Federal segue fazendo seu bom trabalho - reconhecerei aqui mesmo. E, digo ainda, nesse caso, se ficar provado o envolvimento da cúpula partidária, defendo a prisão sumária e imediata de todos por burrice extrema. Por isso desconfio totalmente dessa história. A quem interessa todo esse auê? Certamente, não ao PT! É totalmente irracional, pois todas as pesquisas indicam a vitória do Presidente Lula já no primeiro turno; ele não precisa disso. O grande prejudicado é o próprio Lula.

Incrível como, mais uma vez, a grande imprensa corporativa trata de forma diametralmente oposta PT e PSDB-PFL. Quando se trata de acusação contra o PT, então esquece-se presunção de inocência, ônus da prova do acusador, e devido processo legal - o importante é a acusação, por mais escandalosamente inconsistente que seja. Por outro lado, quando a acusação é contra o partido dos donos das empresas jornalísticas (entre aspas), aí inverte-se a lógica - a acusação deixa de ser importante, e foca-se, agora, no acusador. As denúncias na entrevista da IstoÉ dessa semana indicam - com provas! - que o Sanguessuga começou na gestão Serra, na Saúde.

Por que ninguém fala mais nisso? É um disparate total. A atuação da imprensa, completa e descaradamente servindo ao interesse da oposição conservadora, é nojenta e criminosa. E, pelo que parece, o discurso oposicionista tende a se tornar ainda mais inflamado. Resta um alento. Trata-se, evidentemente, da retomada da campanha orquestrada pelos setores conservadores para desmoralizar o Partido dos Trabalhadores, que sobreviveu à pacandaria do ano passado. Uma coisa, no entanto, ficou clara no decorrer da suposta crise política de 2005 e dos programas eleitorais dessa campanha - a gritante irrelevância de ambas para o povão.

Posso estar errado - em breve saberemos - mas os efeitos disso nas intenções de voto devem ser mínimos. Veja o caso de Humberto Costa em Pernambuco que, mesmo tendo sido indiciado pela PF, subiu solidamente nas pesquisas... A imprensa tem a credibilidade que merece.

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Por que votarei em Lula


A argumentação recorrente de que os eleitores de Lula sejam necessariamente "burros" e "pobres" apenas põe em evidência a arrogância e o elitismo dos tucano-pefelistas e o messianismo inconseqüente psolista. É esta a razão, também, pelo fato de serem incapazes de entender a popularidade do Governo Lula, que resulta de suas escolhas políticas, pois tem adotado uma série de políticas públicas inclusivas e populares, reduzindo a desigualdade social e promovendo um princípio de redistribuição de renda por meio das políticas públicas progressistas adotadas. Exemplos - o SAMU, atendimento dental por meio do SUS, remédios populares; a interiorização – inédita – das universidades federais e escolas técnicas; o FUNDEB, que vai financiar o ensino básico; a distribuição mais justa e democrática, social e regionalmente, das verbas da Cultura; o programa de quotas para pobres e negros nas universidades públicas; o aumento real do salário mínimo; o aumento do poder de compra dos setores mais pobres da sociedade; o controle da dívida pública; a tendência de baixa das taxas de juros.

Os tucano-pefelistas da oposição conservadora, cegados por sua ideologia importada Made in USA, são incapazes de entender isso. Por isso, e ainda bem, são incapazes de estabelecer uma estratégia eficiente de oposição, apesar do apoio pesado da grande mídia e do poder econômico. E por isso que já falam abertamente de impeachment, o único modo que têm para evitar o inevitável. Além de burros, são irresponsáveis.


Apoiar e defender o Governo Lula não é um realismo cínico, mas conseqüente. Acredito que houve uma mudança, sim, com esse governo, apesar de tudo, e esse é, sim, o governo mais progressista que já tivemos, e só não foi mais porque a sociedade brasileira, refletida no Congresso Nacional, é MUITO conservadora.


1. sou de esquerda. e acho que o PT é, ainda, o partido que, pela ligação intrínseca e orgânica que tem com os movimentos sociais e populares, é o que melhor representa um projeto progressista e realista de governo. Mais importante, o processo de desmonte do Estado brasileiro, que se dava por meio das privatizações criminosas, da terceirização de serviços básicos e do sucateamento de setores estatais estratégicos, foi corajosamente revertido. Hoje, passamos pelo processo de reconstrução do Estado brasileiro – o que talvez seja o grande legado da primeira gestão de Lula.

2. esse projeto progressista tem sido implatado naquelas áreas do governo que ficaram com o PT, como a social, a educação, a saúde, o meio-ambiente, onde políticas progressistas foram adotadas, representando uma verdadeira mudança em relação a como era antes.

3. o fato de sabermos todos esses casos de corrupção não significa que o PT seja o mais corrupto. De um lado, tem a imprensa conservadora mais vigilante do que nunca (em comparação com a leniência com a qual tratava governos passados). De outro, um governo que é, essencialmente, mais democrático e aberto. A Polícia Federal, por exemplo, atua de forma isenta e apartidária, diferente de antes (vide o caso do dinhero de Roseana Sarney). O Ministério Público Federal nunca agiu de forma tão autônoma. Trata-se, portanto, de uma escolha política do governo.

4. e, finalmente, desde sempre, minha opção pelo PT foi baseada em critérios POLÍTICOS, e não morais. Nunca me iludi nem idealizei. Como qualquer agrupamento de humanos, o partido não estava imune a condutas ilícitas. Se eu fosse votar baseado em critérios morais, iria votar em freiras, padres... na minha avó, sei lá. Mas meu critério é POLÍTICO, baseado em representação de interesses e de idéias, algumas das quais foram adotadas por esse governo. Quem vota primordialmente por questões morais, como essa turma do Psol, por exemplo, vai eleger 10 governos e vai se frustar 10 vezes. O que diferencia não é que o governo ou partido seja mais ou menos corrupto que outros, mas como esses desvios de conduta são tratados.

sexta-feira, 28 de julho de 2006

A lógica da esmola

A candidata do discurso da pureza na política, do messiânico Psol, a senadora alagoana, Heloísa Helena, tem, a despeito de seu discurso supostamente revolucionário, a sua base eleitoral nas classes A e B. O que, à primeira vista, pareceria um paradóxo, é, na verdade, bastante coerente com o ethos da elite brasileira. Trata-se da lógica da esmola. Eu dou a esmola ao pobre do semáforo, e, assim, cumpro minha missão, eximindo-me de responsabilidade - “fiz a minha parte”, penso, ao ver uma criança de rua, e sigo adiante com a consciência tranqüila. Esse é o raciocínio por trás de boa parte do voto na senadora psolista (a outra parte é formada pelos ingênuos). A nossa elite não participa da vida partidária, não se engaja em movimentos sociais, não busca discutir o país, fortalecer o debate público – nada disso, cada um preocupa-se exclusivamente com o próprio umbigo. Mas vota, ou diz que vai votar, na HH (H de histérica? Histriônica? Hipócrita?), e, assim, exime-se da responsabilidade da situação política do país; e, quando surgir mais um caso de corrupção, pensará, feliz, tranqüilo: “fiz a minha parte; a culpa não é minha”. Tão fácil.

O embate político

Movimentos sociais não criminalizados e livres para manifestarem-se e influirem na elaboração de políticas públicas; ampla liberdade de imprensa e de expressão; vitalidade da vida democrática; o Estado sensível à pressão popular. Esse era o contexto sociopolítico dos anos que se antecederam ao Golpe de 64. E também descreve bem a atual realidade brasileira.

O que mais em comum têm esses dois períodos históricos é o comportamento golpista e antidemocrático dos segmentos sociais conservadores. Agora, matizados pela Imprensa “mainstream” e mimetizados pelas classes médias alienadas ou acríticas. Na nossa democracia meia-boca, assim também o é a nossa liberdade de expressão – só para aqueles que detêm os meios de comunicação, bem entendido.

Portanto, o atual debate político, de fato um monólogo, onde a um só lado é concedido o direito à voz, está ceivado por inverdades, meia-verdades, omissões de verdades e mentiras deslavadas, consoante a conveniência dos interesses econômicos e ideológicos – do patrão, frise-se.

Porque a crer no discurso oficial da “opinião pública”, eufemismo inventado para legitimar as atitudes conservadoras, que consiste antes em “opinião publicada” - aliás, cada vez mais privada, como tanta coisa no Brasil de liberalismo parcial (sempre quando conveniente) –, o Governo Lula é o mais corrupto, o mais incompetente, o mais fisiológico, em suma, o pior que se tem notícia nesse Brasil. Pior para quem? Seria interessante se eles fossem um pouco mais explícitos (desconfio que, ainda assim, a nossa classe média, intelectualmente limitada, não entenderia a mensagem).

Percebe-se que o discurso do nada mudou interessa sobretudo àqueles que mais perderam com as mudanças ocorridas nos últimos anos; o discurso de que não existe mais “direita” e “esquerda” convém... à direita! E a manutenção da rota de transformação, em que se encontra o Brasil, depende da percepção por parte dos setores progressistas e populares dos interesses em jogo.

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Paliteiro

um poema em homenagem a Recife

Eu moro num paliteiro
será assim no mundo inteiro?

Prédio alto é feio
Mas na cidade não tem escolha
Eu moro num paliteiro

Privatizaram o horizonte
e pra ver o pôr do sol
tenho que viver pendurado
lá no décimo-primeiro

Eu moro num paliteiro
onde moram meus amigos,
meus colegas, minha família
e os pais e os pais dos pais

Eu moro num paliteiro
onde os palitos são feios, e iguais

Eu moro num paliteiro
será assim no mundo inteiro?


--

eu ainda hesitei antes de postar, digo isso em meu crédito!

(21:42:03) bui: hahahaha
(21:42:06) bui: ta meio mamao mesmo
(21:42:11) b j: hahaha
(21:42:12) b j: é
(21:42:16) b j: mas eu vou postar assim mesmo
(21:42:21) b j: foi espontaneo
(21:42:28) b j: voltei um dia do remo com isso na cabeca

segunda-feira, 24 de julho de 2006

Em briga de marido e mulher ...

Tomar posição a respeito de eventos que não conhecemos a fundo é arriscado e, muitas vezes, nos leva a posicionamentos injustos. Não é à toa que aquele ditado popular nos aconselha a mantermos a colher longe dos conflitos matrimoniais.

Parece ser fácil, e é esse o padrão, sobretudo, daqueles que se consideram do campo progressista, acusar Israel pela maneira violenta como costuma atuar em sua vizinhança. É também lugar-comum, talvez não sem razão, qualificar essas ações de contraproducentes. O que falta a essas análises, muitas vezes motivadas pelos mais louváveis valores humanísticos, é a compreensão da complexidade do conflito. Pra começar, são dois povos com milênios de história conflituosa. De um lado, um país arrodeado de inimigos mordazes que negam seu próprio direito à existência; de outro, povos oprimidos, por elites domésticas e pelos exageros estrangeiros, que terminam por legitimar o discurso - e a prática - anti-semita.

Além de difícil de entender uma realidade complexa, a cobertura da Imprensa, sobretudo a brasileira, não ajuda. A julgar pela TV no Brasil, é mais uma guerra do Oriente Médio. Só na CNN, tem-se uma idéia mais clara da dimensão do conflito.

Quem quiser entender um pouco sobre o que está ocorrendo, recomendo a leitura de um artigo muito longo, mas muito bem escrito, publicado em 2002 na revista The New Yorker, sobre o Hezbollah. Para quem acompanha de perto essa parte do mundo, a atual guerra e suas proporções não devem surpreender. Nesse texto, o autor descreve seu encontro com autoridades do Hezbollah, os objetivos do movimento, seus métodos de ação, quem o financia - e por quê - e o que ele representa em termos de segurança nacional e de geopolítica para Israel. Como diz um general israelense no artigo: "It's not tenable for us to have a jihadist organization on our border with the capability of destroying Israel's main oil refinery." E completa, de forma bastante premonitória: "This is the Hezbollah tail wagging the Syrian dog. As far as I'm concerned, Hezbollah is part of the Lebanese and Syrian forces. Syria will pay the price. I'm not saying when or where. But it will be severe."

O texto, que tem duas partes (parte um e parte dois), é muito explicativo, e fundamental para quem quiser entender essa guerra que se desdobra e cujos efeitos são difíceis de prever.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Em prol do banho frio


Tem me chamado a atenção a surpresa que causo nas pessoas quando lhes digo que tomo banho frio diariamente (inclusive depois da pelada semanal, após a meia-noite). O pior é que fica parecendo que sou masoquista, e que isso se trata de alguma espécie de provação. Que fique claro: eu gosto de tomar banho frio, porra!


Listo abaixo alguns argumentos, à medida que me vêm à mente, sem nenhum embasamento teórico-científico, baseado meramente na experiência empírica:

  • tomar banho frio é saudável, melhora a circulação e, ao espalhar o sangue pelo corpo, é bom antes de dormir (atividade que tende à concentração do sangue). Ok, conversei com um tio que é médico sobre esse tópico;

  • banho quente NÃO é uma necessidade biológica; ou seja, você NÃO vai morrer nem ter um treco se tomar banho frio. Banho quente é um HÁBITO que pode, como todo costume, ser mudado: é só você querer, já diria Duda Mendonça;

  • banho frio é econômico, pois o chuveiro elétrico é um dos maiores consumidores de energia doméstica;

  • banho frio é ecológico. Quando houver novo apagão, minha responsabilidade é mínima, vou logo avisando. Afinal, meu consumo médio mensal de 40 kWh é bastante razoável. Isso diminui consideravelmente meu “ecological footprint”!

  • ao não banalizar o banho quente, certamente eu, quando tomo, curto MUITO mais do que aqueles que tomam diariamente, exageradamente;

  • nada cura melhor ressaca ou gripe e não há método mais eficaz para despertar de manhã cedo;

  • É uma delícia.

Estilos de vida

Um diálogo recente entre eu (em Brasília) e Gabi (em Berlim), sobre culinária para o "pequeno orçamento e o pouco equipamento" (aliás, este é o título de um livrinho que eu comprei na França que eu achei que me seria útil, mas o meu orçamento e o meu equipamento eram ainda menores do que os autores previram, já que meu equipamento era apenas o microondas!).


(20:14:36) b j: vou nessa preparar algo pra jantar - isso sim é que é trash! hahaha
(20:14:48) b j: amanha procuro por vcs on-line
(20:15:00) Guardem pelo menos um milho assado p mim...: tenho receitas deliciosas p singles
(20:15:10) Guardem pelo menos um milho assado p mim...: posso te mandar algumas
(20:15:10) b j: eita! tens que me mandar!
(20:15:18) Guardem pelo menos um milho assado p mim...: simples e praticas
(20:15:20) b j: de preferência que seja de microondas
(20:15:24) b j: (nao tenho forno!)
(20:15:30) Guardem pelo menos um milho assado p mim...: aih tu me fode
(20:15:32) b j: hahahaha
(20:15:43) b j: po... te aviso entao quando eu arrumar um
(20:15:50) b j: agora vou comer hamburguer
(20:16:03) b j: (pao, hamburguer, catchup!)
(20:16:14) b j: e guaraná (mais saudável do que coca né?)
(20:16:41) Guardem pelo menos um milho assado p mim...: creeeeedo
(20:16:45) b j: hehhe
(20:16:47) b j: gostasse nao?
(20:16:55) Guardem pelo menos um milho assado p mim...: tem fogao. pelo menos?
(20:16:57) b j: ah, pra tu seria coca no lugar do guaraná
(20:17:03) b j: micro-ondas é o rei
(20:17:10) Guardem pelo menos um milho assado p mim...: cebola e tal
(20:17:38) b j: dá trabalho, suja muito, e iria aumentar as coisas que eu tenho que carregar do supermercado pra casa.
(20:17:44) b j: i have to keep it simple
(20:18:24) Guardem pelo menos um milho assado p mim...: creeeeeedo
(20:19:12) b j: eita que escandalo
(20:19:16) b j: né tao ruim assim nao
(20:19:20) b j: e é super prático
(20:19:48) b j: preferiria que já viesse a carne no pao no saquinho, pra ser ainda mais rapido.
(20:19:57) b j: alias, deveria patentear essa ideia
(20:20:29) Guardem pelo menos um milho assado p mim...: hahahha
(20:20:45) Guardem pelo menos um milho assado p mim...: aqui isso eh vendido em todos os supery
(20:20:51) Guardem pelo menos um milho assado p mim...: supers
(20:20:56) Guardem pelo menos um milho assado p mim...: mercado
(20:21:04) Guardem pelo menos um milho assado p mim...: verstanden?
(20:21:40) b j: sério?!
(20:21:44) b j: sabia
(20:21:50) b j: isso é coisa de primeiro mundo
(20:22:18) Guardem pelo menos um milho assado p mim...: hahaha
(20:22:28) Guardem pelo menos um milho assado p mim...: issso eh coisa de preguicoso
(20:22:39) b j: isso é coisa de qum nao tem empregada nem fogao
(20:23:06) Guardem pelo menos um milho assado p mim...: hahaha
(20:23:12) Guardem pelo menos um milho assado p mim...: oia vou dormir
(20:24:14) b j: blz
(20:24:18) b j: amanha a gente se fala!
(20:24:23) b j: gutten nacht!
(20:24:30) Guardem pelo menos um milho assado p mim...: blz
(20:24:35) Guardem pelo menos um milho assado p mim...: ateh amanah
(20:24:47) Guardem pelo menos um milho assado p mim...: gute nacht!