sexta-feira, 28 de julho de 2006

A lógica da esmola

A candidata do discurso da pureza na política, do messiânico Psol, a senadora alagoana, Heloísa Helena, tem, a despeito de seu discurso supostamente revolucionário, a sua base eleitoral nas classes A e B. O que, à primeira vista, pareceria um paradóxo, é, na verdade, bastante coerente com o ethos da elite brasileira. Trata-se da lógica da esmola. Eu dou a esmola ao pobre do semáforo, e, assim, cumpro minha missão, eximindo-me de responsabilidade - “fiz a minha parte”, penso, ao ver uma criança de rua, e sigo adiante com a consciência tranqüila. Esse é o raciocínio por trás de boa parte do voto na senadora psolista (a outra parte é formada pelos ingênuos). A nossa elite não participa da vida partidária, não se engaja em movimentos sociais, não busca discutir o país, fortalecer o debate público – nada disso, cada um preocupa-se exclusivamente com o próprio umbigo. Mas vota, ou diz que vai votar, na HH (H de histérica? Histriônica? Hipócrita?), e, assim, exime-se da responsabilidade da situação política do país; e, quando surgir mais um caso de corrupção, pensará, feliz, tranqüilo: “fiz a minha parte; a culpa não é minha”. Tão fácil.

2 comentários:

Jorge disse...

O engraçado é que toda vez que alguém pergunta a ela como fará para reduzir os juros ela dá um xilique e não explica coisa nenhuma. De todas os candidatos ela é a mais inconsistente, até agora. Parece uma vitrola quebrada, "tem que baixar os juros", como se apenas isso fosse resolver as coisas. Não entendo como esse eleitorado q nao quer votar no Lula opta por alguem sem qualquer consitencia tendo como opção um cara com o Cristovam, que pelo menos tem um foco claro e muito coerente que é a Educação.

Bernardo disse...

e que saca de economia...

eu concordo contigo, jorge.