domingo, 11 de dezembro de 2005

Nada
Letícia
Hoje à tarde, sentada numa escada enorme, na entrada da faculdade, vendo o povo passar. Estava esperando minha aula começar, na verdade cheguei atrasada e tive vergonha de entrar, então esperei para a próxima iniciar
Tantas coisas acontecendo no mundo, inúmeros temas sobre os quais escrever, tamanha é a amplitude que não sei o que dizer. Não tenho palavras para me expressar, não encontro a maneira de começar. Por quê? A vida continua, uns entram, outros saem, alguns ficam. Eu observo, eles passam. Algumas vezes me identificam, mas para nós mesmos somos insignificantes. É nossa natureza. Enquanto uns sobem, há quem desce. Isto é um caos ou será cosmos? É relativo, talvez dependa do ponto desde onde observo. Se olho nos olhos de alguém existo mais para a pessoa? A solidão. Nunca poderei explicar o que passa por minha cabeça, nunca sentirão o que sinto. Mas temos palavras em comum, compartilhamos momentos. Anseio a liberdade? Gostaria muito de não ser eu, de não ser outra pessoa, de ser ninguém e todos ao mesmo tempo. Estou presa a minha personalidade, ao meu passado, ás expectativas, a meus ideais, a meus preconceitos. Prefiro os meus que os teus.
Já não sei que mais falar, tantas besteiras consegui pensar e nada pude sustentar. São meros pensamentos, soltos no ar. Num instante minha imaginação estancará e nada restará. São meros pensamentos, nada significam, nada mudará. Qual será a relevância de tanto pensar? Será para rimar? Não. Me rebelarei contra a ordem e deixarei esta bobagem, que de nada servirá. Estou emprisionada dentro do mundo da palavra. Como escapar? Se me preocupo com a forma, o conteúdo se esvaziará e, então, o que importará? A incomodo? Por que olha para mim? Fui eu que a avistei primeiro? Terá curiosidade? Não sabe que neste momento escrevo sobre ela, escrevo sobre todos eles, mas sobre nada posso escrever. Não sei o que dizer, não os conheço. São todos meros figurantes, de brincadeira. Se morressem amanha nada me afetaria. Quando nossos caminhos se cruzam, cobram importância, ganham protagonismo. A forma é importante, ela realça meu conteúdo, não achas? Eu não minto, se mentisse, estaria mentindo.

4 comentários:

estanislau borges disse...

tudo

johnny disse...

Palavras bonitas.
um beijo nos 3.
e a gente se encontra um dia, letícia?

clara moreira disse...

leticia, coneguistes nos tranportar pra perto de tu por um instante. deu pra sentir tudo isso junto contigo, deu pra te imaginar na escada escrevendo enquanto olhava as pessoas. deu pra sentir, leticia.

sei la, deu uma saudade de tu. de bernardo, dos irmaos jurema. que vontade de te encontrar, tenho tanto pra falar e acho que tem tudo a ver com vcs :P.

que massa!

beijo grande, querida!
nos vemos, nos vemos, nos vemos...

Jorge disse...

Deixar sair essa Clarice Lispector, ou quem sabe essa Clarissa Daloway, deixar vir, menina.

Abraço

Ps: tb quero encontrar-te um dia, um dia.