quinta-feira, 29 de setembro de 2005

Viva o Futebol!

É uma pena testemunharmos essa rede de corrupção montada com alguns árbitros do futebol brasileiro. Logo num momento feliz para o campeonato, em seu terceiro ano de pontos corridos, uma fórmula que mostra-se interessante comercialmente e competitivamente: temos 5 times brigando pelo título, outros 5 ou 6 brigando para não cair e, no meio, outros tantos brigando por uma vaga na sul-americana.

Ano passado, já no segundo ano de pontos-corridos, a venda do campeonato brasileiro aumentos em 133% com relação ao ano anterior. Isso é credibilidade. Pela primeira vez depois de mais de 30 anos, o torneio repetia uma fórmula de disputa. Estabilidade essencial para investidores. A tendência para 2006 seria um campeonato ainda melhor em termos de competição e lucro, pois estaríamos reduzidos a 20 times nas séries A e B e, no caso da série A, entrando para seu quarto ano consecutivo de disputa em pontos-corridos, premiando aquele time com visão de longo-prazo.

Infelizmente, entretanto, alguns árbitros, corrompidos por alguns empresários, melaram uma imagem que vinha se recuperando. Fizeram uso de seus cargos de juízes e manipularam os resultados de alguns jogos. Se não manipularam, pelo menos tentaram. A solução? Bom, estão falando muito em jogar todas as partidas que o tal do Edílson Carvalho apitou. Falam, também, em deixar o que passou e apenas ressarcir financeiramente os clubes injustiçados... Vai ser importante não deixar isso parar na justiça comum, podendo inchar, assim, nosso campeonato de 2006.

Minha opinião: deveriam assistir aos jogos apitados pelos árbitros suspeitos. Ao assistí-los, já saberíamos para quem o árbitro tentou tendenciar aquele jogo. Como base nisso, analisar se houve de fato interferência. Por exemplo: num jogo Figueirense 4 X 1 Vasco, o árbitro deveria favorecer o time carioca, mas não adiantou; o futebol prevaleceu. Se não houve influência no resultado, para que cancelá-lo? Aqueles jogos cujos resultados tenham sido comprovadamente fraudados, devem ter seus resultados cancelados e jogados novamente. Não pára por aí. Os árbitros brasileiros são defasados; eles são ruins e mal-pagos. É preciso fazer uma reforma nesse sistema; acabar com os caciques do apito. Eles devem ser avaliados a cada temporada e, dependendo de seu desempenho num ano, o ano seguinte poderia ser frio para ele, numa geladeira. Quem sabe, até, definitivamente afastado... A remuneração poderia mudar, mas antes, a qualidade deve ser trabalhada de modo que mereçam uma revisão salarial. E as atividades extra-futebol dos juízes devem ser monitoradas para sabermos se estão envolvidos com algo que coloque em cheque sua função de árbitro.

Em toda essa confusão, não podemos esquecer os torcedores que pagaram para ver uma partida fraudada. Na minha visão, há duas alternativas: primeiro, quem apresentar o ingresso da partida que assistiu teria acesso ao estádio; a segunda alternativa é abrir os portões... partida de graça.

O bom disso tudo é que, no final, sairemos melhor. Podemos ter um Campeonato mais forte, mais confiável, sem ignorar os torcedores. São com erros e canalhas que aprendemos. E viva o futebol!

terça-feira, 27 de setembro de 2005

PODER

O Poder Rompe?
Corrompe.
O Poder é Afro?
Disíaco.
Corrompe?
Afrodisíaco?
E Agora?
Agora?
Agora, não.
Sempre.
Fudeu.
SHARON, O GRANDE.
Gente que muda não é por fraqueza ou ignorância. Pelo contrário. Quem muda como resultado de um processo reflexivo tem uma grande virtude: de estar sempre crescendo, absorvendo novos valores, novos costumes e assimilando novas idéias.

É com isso em mente que dou os parabéns ao Premiê israelense Ariel Sharon. Ele foi grande o bastante para ir de encontro às idéias conflituosas de alguns de seus aliados e dar passos significativos em direção a uma conciliação com a Palestina. Melhor ainda foi ele ter ganho, embora apertado, de seu agora rival Benjamin.

Quem diria que Sharon daria esse passo? Ele dá um grande exemplo de mudança; de alguém que não se prende ao passado, a idéias antigas e pouco consensuais. De alguém que assume a responsabilidade de chefe de estado que lhe foi conferida. Ele, na metade final de sua vida, dá outra cor a sua biografia. Ele é um homem que não tem medo de corrigir seus erros do passado.

Israel sofre, mas eles sabem, ou pelo menos deveriam saber que, no fundo, os palestinos têm direito à terra que eles, em 1967, usurparam. Agora, o povo palestino não pode se deixar influenciar pela idéia que tal conquista é resultado da luta armada do Hamas porque, na minha opinião, apenas justificará a continuação dessa cultura terrorista fanática que existe por lá.

É bom ver esse tipo de comportamento acontecendo numa região marcada por divergências e conflitos de interesse.

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Ai, ai...

É triste essa esquerda brasileira.


Para presidir a Câmara após a desastrosa passagem de Severino vemos o seguinte acontecendo com os partidos ditos de esquerda:


PPS – Roberto Freire, que ainda se diz um cara de esquerda, e seu partido fecharam apoio ao candidato do PFL, Nonô;
PV – O partido de Gabeira, combatente de Severino, também decide apoiar Nonô para presidente da Câmara;
PDT – Cristóvam Buarque, recém-filiado ao partido, vai ter que engolir seu discurso de mudanças e ver seus novos companheiros apoiarem a candidatura de Nonô;

Porque esses partidos não aproveitam o momento para transformar a Casa num exemplo, respeitando a bancada com a maioria e elegendo um nome que seja desvinculado à elite parlamentar? O PT abriu mão da candidatura. Ta certo que Aldo tem muita identidade com o governo... mas ninguém colocou nenhum nome que representasse alguma mudança:


Temer é macaco-véio do Congresso;
Ciro é o filho-adotivo de Severino;
Aldo foi articulador político do governo;
Nonô já tem história no Congresso e é um oposicionista. Não vai ajudar em nada;
Os restantes, não valem a pena nem falar.

Na minha opinião, o nome deveria sair do PSB. Ou, pelo menos, deveria representar algum tipo de mudança... seja de grupos políticos, de pessoas, enfim...

domingo, 25 de setembro de 2005

O Ganho de Cada Um

Bernardo Jurema

A teoria econômica revela um aspecto, digamos, curioso de certas ideologias mais ortodoxas... Ora, o "excedente do consumidor", que é o "ganho" do consumidor ao comprar um determinado bem, é valor suposto, subjetivo; é a diferença entre o quanto ele está "disposto" a despensar para obter o bem e quanto ele de fato desembolsa. Este resultado é o seu ganho. O ganho do produtor/vendedor, por outro lado, é bem real; trata-se da diferença entre o preço pelo qual ele vende o produto e o valor quanto custou fazê-lo. Soma-se ambos os ganhos, o "subjetivo" e o concreto, e temos o "excedente total", que é, de acordo com a teoria econômica, o ganho de toda a sociedade. Não é tão conveniente isso, hein?

Two cheers for democracy

Discuss the following statement in the light of the American government´s efforts to get countries to adopt democracy.

"Two cheers for democracy: one because it admits variety, and two because it permits criticism." (E. M. Forster)



Liberal democracy is an imperfect political regime exactly because it genuinely reflects human imperfection. Different countries have different kinds of democracy because historic and cultural aspects will lead to particular democratic systems.

There is little doubt that democracy is the best way for a society to organize itself politically. The problem with President Bush's policy of imposing democracy in the Middle East is not due to anti-democratic feelings. Rather, it is due to the fact that Bush's approach undermines the historic and cultural basis from which democracy can organically stem.

Democracy is an on-going process in which groups struggle for political power in order to defend their own interests and world-view. Democracy institutionalizes conflict. These politically organized groups are the parties which, in order to bear ligitimacy, must establish roots in society. Hence, democracy can only be legitimate and organical if there is an organized civil society, willing to respect democratic rules and institutions.

The reason many people are skeptical about the US policy of "regime change" is in part the fact that imposition is not the natural outcome of the historic process.

Countries like Chile, South Korea, Russia and Brazil have passed from autocratic regimes to democratic ones. In all of these cases, these were processes from whithin. Each took different time-frames, and led to particular forms of democracy. Today they vary in degree of democratic openness, but they all claim to have a democratic system.

There is no reason to believe that something similar could not take place in the Middle East. Perhaps a better approach would be to reinforce Western ties with the civil society in the region, for example by means of cultural and academic exchange programs between its citizens. This could have much better and lasting results, in the long run, than the use of violence which, so far, has only provoked more violence.

Iraq's neighbor, Iran, may be a role model of a gradual, organic and legitimate regime change. Nowadays, the sole threat to continuing political openness is Western meddling in Iran's domestic affairs (that has been, by the way, the same source of legitimacy that has kept alive thus far the backward Castro regime).

To understand the basis of democratic regimes - the strength of civil society - is the key to finding creative, peaceful and productive ways to lead other nations through the democratic path. It's perhaps too late for Iraq, but elsewhere, as in Lebanon, signs are promising.


(Bernardo Jurema)

quinta-feira, 22 de setembro de 2005

DESABAFO

É impressionante o nível de nossos parlamentares. Temos testemunhado de forma cada vez mais descarada o descaso desta classe para com os interesses daqueles que os elegem.

A desastrada eleição de Severino há sete seis, sete meses foi patrocinado pelos mesmos que pressionaram por sua queda. Por que o elegeram, então?! Para dar uma lição no governo? Que castigo para o povo... O mesmo erro parece estar se repetindo. O PT, desarticulado, lançou o nome de Chinaglia para a Presidente da Casa. Eu acho que é uma atitude um tanto quanto desastrada, pois o partido sofre de uma perda de credibilidade dentro e fora do Congresso. Por que não, então, apoiar um membro do PSB, partido fiel ao governo e limpo desse mar de lama? Vai terminar levando à Câmara um Temer, ou um Nonô; figuras batidas dentro do Congresso que não representam mudança.

Ontem vimos duas cenas tristes, de baixíssimo nível. Ambas protagonizadas por parlamentares do P-SOL, que parecem estar fazendo política estudantil, gritando, ofendendo e acusando. Na CPI estava sentado o banqueiro Daniel Dantas, figura importantíssima para entender todo esse esquema de corrupção. Os parlamentares se mostraram despreparados para inquirir o depoente e extrair dele algo que pudesse mudar o rumo das investigações e criar manchetes nos jornais diferentes das que vimos hoje: ressaltando troca de tapas entre parlamentares. Aquela sala deve ser varrida para deixar de ser palanque para figuras pequenas que se acham grande, como ACM Neto; para figuras que só querem saber de falar do passado, como alguns governistas; e pelegos que esquecem o verdadeiro objetivo da CPI para trocar acusações sem qualquer apresentação de provas e sem o menor interesse público.

Ou seja, Dantas depôs e nada de novo surgiu... a sombra continua. Do mesmo jeito que continuam esses parlamentares, perpetuando-se no poder fazendo carreira política sem prezar pelo povo que lhes elege.

sábado, 17 de setembro de 2005

Mantenha o Mastercard, mas não os velhos hábitos

por: Bernardo Jurema

É freqüente recorrer-se à índole maléfica do liberalismo para explicar problemas que afligem a sociedade contemporânea. Porquanto seja conveniente e fácil atribuir-lhe a falência do Estado moderno, explicitada agora na crise política por que passa o Brasil, trata-se de interpretação histórica errônea.

Adam Smith, o filósofo do liberalismo econômico, defendia que a livre circulação de bens, serviços e capitais, geraria distribuição de riqueza entre todas as nações. Os Estados dominantes do século XX, controlados por suas burguesias, adotaram o discurso liberal, mas não a prática -- ou, antes, adotaram-na apenas quando lhes convinha. Desde os seus primórdios, as bases filosóficas do liberalismo político e econômico foram deturpados de modo que atendessem aos interesses materiais da nova classe burquesa então ascendente.

O problema real, não abordado pelos intelectuais críticos do liberalismo - talvez em razão do embate ideológico que prevalece no estudo do tema - não é que o Estado moderno se tenha instituído baseado em formas primitivas de acumulação de capitais -- mas que sua instituição se tenha dado em bases ilícitas de acumulação de capitais. Se no século XIX esse comércio ilegal consistia no contrabando de mercadorias, escravos ou ópio, atualmente implica o narcotráfico, o superfaturamento de serviços públicos, tráfico de bens falsificados, desvio de recursos públicos, entre tantas outras formas de burlar a lei.

A crise política brasileira atual lança luz sobre esse aspecto. Contas em paraísos fiscais, doleiros, bicheiros, licitações viciadas -- estes são alguns dos ingredientes que compõem a crise e que nos indica um sistema político-partidário seriamente contaminado pelo modus operandi do modelo econômico vigente.

Convém aos extremistas de ambos os lados do espectro político fazer crer que a crise político-institucional que o país atravessa esteja ligada à acumulação primitiva de capitais dos atuais detentores do controle estatal. Convém à extrema esquerda esta tese, uma vez que legitimiza seu discurso anti-liberal e anti-capitalista; e à extrema direita, ao desmoralizar um governo de inegáveis bases popular e democrática e justificar o desmonte do Estado.

No entanto, à maioria sensata entre as duas pontas, cabe a busca de explicação lógica e coerente que não obedeça a vícios ideológicos ou interesses eleitorais, mas, sim, que vise ao bem-estar coletivo no aprofundamento dos avanços econômicos e políticos. Estes, por sua vez, passam por mudanças que levem a processos políticos e econômicos mais transparentes, que não estimulem práticas ilegais. As reformas, iniciadas no decorrer dos anos 90 no Brasil de maneira abrupta e atabalhoada, para não dizer irresponsável, precisam ser retomadas, debatidas e, por fim, levadas a cabo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2005

Do Marketing nas Federações
Do Campeonato, quanta propaganda há dos Campeonatos?
Os dirigentes de Federação devem mapear seus consumidores de modo a direcionar suas ações sem desperdício; ou seja, a pouca propaganda que existe dos campeonatos não devem ser apenas por meio de uma mídia de massa, modo mais fácil. Os dirigentes devem conhecer onde estão as pessoas para desenvolver ações com base no que foi identificado sobre elas.
Quantas campanhas são desenvolvidas pela Federação, fazendo uso da imagem dos atletas filiados, colocando o Campeonato em evidência? Os atletas recebem por ceder suas imagens, contudo, não se vê jogadores fazendo propaganda para o seu produto, o Campeonato em que atua. Em Pernambuco, algumas pessoas associaram sua imagem ao futebol local, porém, jamais fizeram campanhas em pró da Federação. O mesmo acontece no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais. Essa omissão também vem da CBF, a qual não usa a imagem de seus atletas para valorizar ou divulgar seus produtos: Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil.
Qual o nível de distribuição dos Campeonatos Estaduais no Brasil? Há, por exemplo, nordestinos espalhados pelo Sudeste e pelo Sul do Brasil. No entanto, os campeonatos estaduais não podem ser visto pelo torcedor que está em São Paulo, mesmo que ele queira pagar caro por isso. As Federações devem saber onde estão seus conterrâneos para avaliar a viabilidade de expandir seus canais de distribuição.
O marketing dos clubes e Federação deve ser trabalhado com mais zelo, valorizando os times e seu Campeonato. Portanto, clubes e entidades precisam:

· Identificar quem são os consumidores e aperfeiçoar as ações tomadas;
· Criar novas fontes de receita com base no perfil dos consumidores;
· Atender às necessidades e desejos implícitos do consumidor;
· Satisfazer o cliente-consumidor, evitando seu distanciamento.
Credibilidade, organização e comunicação são pilares para o sustento saudável de um produto: nenhum deles sozinho é suficiente para gerar boas receitas. O marketing bem feito é bom para os clubes e muito melhor para a indústria na qual atuam.