quinta-feira, 9 de março de 2006

Verticalização: Bom ou Ruim?


A Verticalização das alianças eleitorais estão em discussão há algum tempo. A questão é: ela é importante? Por quê? Como? E para quem?

Os partidos eleitorais tomam posições imediatas, levando em consideração a conseqüência imediata da adoção daquela medida para o coletivo. O Coletivo maior, ou seja, a sociedade e seus interesses, são postos a margem e o debate torna-se eleitoreiro e, pior, imediatista.

Este fator é um dos principais motivos pelo qual o Brasil não avança mais do que poderia; por ignorar a adoção de medidas transformadoras e que sacodem o status-quo. Pior do que verificar um aumento pífio do PIB nacional, ou um ligeiro aumento na taxa de desemprego, é constatar a não-evolução da classe política brasileira e sua falta de interesse em tomar decisões em pró do povo que a elegeu.

O que é a Verticalização? Por que somente agora ela volta a cena (se bem que esse confronto já estava previsto)? Será ela uma medida transformadora?

Particularmente, acho uma pena estarmos voltando à discussão desse tema. Penso que essa discussão faz parte de uma coisa maior, de uma Reforma Política que, neste e em outros governos, foi ignorada.

Ações pontuais quando a situação é crítica é muito válida. Principalmente se por trás há uma discussão de um projeto mais amplo e abrangente. No entanto, no caso da Verticalização, vemos um monte de políticos pensando já em seus futuros em Outubro e ignorando um todo maior do qual a verticalização faz parte.

E nós somos os bestas que temos que aturar todo dia notícias sobre a verticalização nos jornais. De um lado, uma classe política corporativista e egocêntrica; do outro, um Tribunal fazendo-se de justiceiros. O final disso tudo, nós já podemos imaginar...

2 comentários:

Bernardo disse...

Esse debate é muito importante. Como você bem coloca, a verticalização é uma medida pontual que, isolada, não ajuda muito. Faria sentido se fizesse parte de um pacote mais amplo.

Mas há um debate além do político, que é o jurídico. O CN está aprovando uma lei a sete meses das eleições. Pela Constituição, para que a legislação seja vigente nessas eleições, ela teria que ter sido aprovada com um ano de antecedência. Sem entrar no mérito da questão, trata-se de um caso grave quando, por casuísmo eleitoral, ignora-se solenemente a Carta Magna. Bem verdade que não seria essa a primeira vez...

Alexandre Cavani disse...

Os absurdos aqui são realmente a fuga da discussão sobre a reforma (de forma ampla) do sistema político-eleitoral brasileiro e esse desrespeito direto (pelos próprios 'legisladores') das bases da lei brasileira. Acho que não é a verticalização que deveria ser discutida, mas esses dois pontos citados.

Na minha opinião (há muito formada) é ÓBVIO que deve haver verticalização. Explico, quando um partido quer reprimir um de seus membros eleitos por votar diferente do que foi acordado pela maioria dos outros membros, alega-se que todos devem votar de forma coesa pois fazem parte de um grupo coeso e que se o membro discordante em questão queira realmente discordar, que faça-o dentro das reuniões do partido, antes do assunto ir pra votação, e não no momento público da votação (na câmara, no senado, etc). Pra mim, faz sentido, embora alguns dos políticos com os quais eu mais simpatizo (Suplicy e Paulo Rubem, por exemplo) já tenham cometido o erro político (minha opinião) de votar contra a maioria de seu partido. Eu concordo com a elegação inicial do partido numa questão dessas: se você faz parte desse grupo, discuta com o grupo para que o mesmo possa agir de forma coesa e coerente. Claro que muitas vezes a maioria está errada, mas se você está associado eles, que estão errados, alguma coisa de errado você deve ter também.

O caso da verticalização passa por discussões similares. Se um partido decide nacionalmente que deve se aliar a outro, DEVERIA ser por ter coerência política e ideológica com esse partido coligado, afinal, formando uma coligação, eles estão formando um ‘partido de partidos’. Sob esse raciocínio, se o Partido Republicano (fictício, aqui) coliga-se com o Partido Democrata (idem) a nível nacional, suas ideologias e diretrizes políticas deveriam valer para todas as suas subdivisões locais (afinal, já disse aqui achar que se você faz parte de um partido, você DEVE pensar e agir como esse partido decidir, em conjunto, como deve-se agir). Alegações como as do PT de Alagoas nas eleições passadas de que não iria seguir a coligação nacional do PT-PL porque o PL ‘especificamente’ de Alagoas era claramente corrupto (não vamos discutir minhas afinidades políticas aqui) são absurdas. Não pelo PL-AL não ser corrupto, mas por um simples caso de lógica (voltemos todos os nossos políticos para o ensino fundamental): SE no âmbito local um partido é corrupto CONCLUI-SE QUE no âmbito nacional pelo menos boa parte do partido (no caso, um estado inteiro, na opinião dos petistas daquele estado) é corrupta OU o partido em si pode ser legitmamente declarado corrupto. Ou melhor, continuando com nossa aulinha de lógica: SE meu partido, nacionalmente, coligou-se com um partido com ‘partes’ corruptas e/ou anti-éticas LOGO meu partido é corrupto e/ou anti-ético (pois por mais que seus partidários não o sejam, eles estão fechando um acordo para que, quando eleitos, parte da administração pública fique na mão desses corruptos e/ou anti-éticos; isso não é falta de ética ou de coerência política?).

Repito: acho ÓBVIA a medida da verticalização, pois ela só reforça a idéia de ‘partido’. Mas acho mais importante que discutamos uma reforma política geral (e que o façamos dentro do período permitido por lei; o que deveria ser também óbvio e pelo visto não é).