segunda-feira, 22 de agosto de 2005

Contra o Denuncismo
O presidente sempre combateu o denuncismo desde o início de sua gestão. Seu governo foi fortemente criticado quando apresentou o projeto de criação do Conselho Nacional de Jornalismo, entidade cuja função seria de cobrar responsabilidade de repórteres e veículos de informação.
Para acabar com a reputação de uma pessoa é rápido. Principalmente de políticos. Basta colocar seu nome numa lista sem verificar se se trata da mesma pessoa para que ela tenha que começar a provar sua inocência. Somos todos culpados até que provemos nossa inocência. Estranho, não?
Há vários exemplos recentes desse tipo de denuncismo. Tal comportamento ilustra a mediocridade e descompromisso com a verdade de veículos de (des)informação, bem como a irresponsabilidade de políticos (Rodrigo Maia e sua lista de homônimos) e promotores (caso do vazamento de denúncias sequer apuradas).
O fato de Lula não explicitar quem ele acredita te-lo traído, ou no que consiste essa traição incomoda a oposição, sedenta por motivos para criticar. Porém, mostra, nada mais, a coerência do presidente em não praticar o denuncismo e deixar que as denúncias sejam investigadas. Ele não deve, ainda, fazer juízo de coisa alguma porque ele sempre combateu o prejulgamento de fatos.
Devemos ser mais como Lula, neste sentido, e não fazer julgamentos com base em matérias publicadas na Veja, ou em Primeira Leitura; ou em jornais ligados a grupos políticos, como o Estado de SP, ou a Folha de SP; ou em matérias (re)publicadas por revistas como Época. A esperança num jornalismo mais qualificado e responsável está em revistas como CartaCapital, ou Caros Amigos, que investigam, fazem matérias responsáveis, analisando cada lado da situação.
Devemos ter cuidado com o que lemos e saber que, a princípio, somos todos inocentes até que PROVEM o contrário. E a prova não deve ser o testemunho de um doleiro e, sim, os documentos que este possa vir a apresentar.

5 comentários:

Jorge disse...

O papel mais lamentável em toda essa estória tem sido o da imprensa. Dá nojo. O denucismo, a manipulação de informações, a parcialidade revolta qualquer pessoa com o mínimo de senso crítico. Quando a VEJA, por exemplo, coloca em cinco capas consecutivas o presidente Lula procurando associá-lo, custe o que custar, à corrupção, sabe que pouco importa se são verdades suas afirmações, pois quem vai questiona-la? Quem realmente com o mesmo alcance de massa vai questionar as opiniões do Jornal da Band ou da Record? Não bastasse a medíocridade, a superficialidade dos comentários(Merval Pereira, Cristiana Lobo(essa dá nos nervos),Joelmir Beting(beira o patético), eles são uma espécie de filtro da "verdade", "olha o Palloci foi muito bem e ainda cutucou o Lula", "O Lula foi muito mal porque não deu nomes" etc, nós somos idiotas demais e precisamos da interpretação deles para entender a verdade.

Cesar disse...

O presidente se tornou contra o denuncismo quando chegou ao poder. Pois na oposição foi useiro e vezeiro desse denuncismo. O procurador Luiz Francisco vivia vazando notícias sobre suas investigações. Ninguém achava isso um atentado ao Estado de Direito. Pediu o impeachment de FH várias vezes.
Se Lula diz que se sente traído, aí ele já fez um pre-julgamento. Ele deveria esperar as investigações para se "sentir traído". Ele não fala quem o traiu, porque sabe que essa pessoa pode abrir o bico de volta e talvez a merda se espalhe ainda mais.

Cesar disse...

O presidente se tornou contra o denuncismo quando chegou ao poder. Pois na oposição foi useiro e vezeiro desse denuncismo. O procurador Luiz Francisco vivia vazando notícias sobre suas investigações. Ninguém achava isso um atentado ao Estado de Direito. Pediu o impeachment de FH várias vezes.
Se Lula diz que se sente traído, aí ele já fez um pre-julgamento. Ele deveria esperar as investigações para se "sentir traído". Ele não fala quem o traiu, porque sabe que essa pessoa pode abrir o bico de volta e talvez a merda se espalhe ainda mais.

d i o g o disse...

Eu acho que é diferente, César. As bandeiras que Lula e o PT levantaram quando oposição eram reflexos do papel que exerciam naquele momento. Era preciso gritar, reivindicar e acusar porque a Imprensa não era tão crítica como está hoje; a Polícia Federal não atuava da forma como o faz hoje. Era preciso uma voz que destoasse daquele meio. Claro que houve excessos, como já foi, inclusive admitido. Mas foi algo circunstancial; era o papel do partido, já que a Imprensa era conivente e demais autoridades não tinha o mesmo empenho de hoje.

Jorge disse...

Basta ver o papel da Folha de SP em São Paulo. Lá o PSDB governa há dez anos e não recebe um única crítica, quem vê pensa que é o melhor governo de todos os tempos, isso demonstra o partidarismo do jornal que inclusive lança campanha com um ano de antecedencia de candidatos do PSDB a presidência, depois diz que é o Lula que quer antecipar o debate, como são hipócritas esses jornalistas!