terça-feira, 23 de agosto de 2005

Paretto
A teoria de Paretto, um estudioso italiano, determina que 20% do que fazemos é responsável por 80% dos resultados. Ou seja, a maioria do nosso esforço é voltado a atividades com resultados pouco expressivos, que não condizem com o esforço dedicado a elas.
O resultado da pesquisa de preço na minha homepage pessoal evidencia que, obviamente, há uma maioria que prefere pagar menos para assistir uma partida de futebol. Ela quer pagar alguns poucos reais, mas elas vão querer segurança e um mínimo de conforto. Um estádio construído para atender a esta parcela dos torcedores pode estar ignorando os 20% dos torcedores que desejam pagar mais para um serviço diferenciado. Esta parcela é mais importante pelo que ela representa financeiramente para o clube. São consumidores do clube; elas estão ali por algo mais do que apenas assistir à partida, exigem algo mais do que é oferecido ao estádio todo.
O camarada que está nas cadeiras come o mesmo queijo assado e o mesmo salsichão do companheiro da geral. Não pode. Temos que dar espaço aos que desejam pagar mais, sem esquecer de diferenciar, ou seja, expandir o nível de serviços oferecidos a esses torcedores.
Não se trata de uma elitização dos estádios e, sim, de uma democratização capitalista. Aquele que quiser, e puder pagar mais, terá acesso a uma estrutura diferenciada aqueles que pagam o ingresse da Geral. Os estádios devem ser construídos de modo a agregar a maior quantidade de público possível, sem ignorar o que cada segmento deseja consumir e ter acesso numa partida de futebol.
Por exemplo, quem quiser tomar doses de whisky durante um jogo pode querer à vontade; mas se a dose não for vendida no estádio, ele deverá contentar-se com uma cervejinha ou ele assistirá ao jogo "no seco". Sai perdendo o torcedor e o clube.
Em breve estarei disponibilizando na homepage meu Trabalho de Conclusão do Curso do MBA em Marketing sobre Administração de Estádios. A próxima enquete sairá em breve, também. Estou aberto a sugestões.

2 comentários:

Joao disse...

Diogo,

Se eu estivesse com o pouco mais de tempo faria uma crítica "sociológica" e das tuas enquetes e do "tipo de representação do mundo social" engendradas por elas. Crítica da tipologia e dos efeitos de tais "distinções" estabelecidas menos pelo "gosto" do que pelo capital... O Brasil precisa de um discurso republicano, mesmo quando se trata de futebol... Sei que essas "lógicas de mercado" e de marketing tendem a ignorar o focus imagionário da universalisação republicana, mas em tempos de crise como o nosso, é preciso repensar mesmo esses campos autônomos da ordem economica das coisas... A coisa tá brabra!

Jorge disse...

Acho que existe uma diferença entre o público no Brasil e na Europa,por exemplo. Lá ao que me parece o futebol é um esporte mais "elitizado" a julgar pelo preço dos ingressos, caros mesmo para os padrões deles.
No Brasil existe uma massa significativa que encontra o seu lazer barato no futebol. Concordo com a setorização, de fato, assim como acontece com os teatros, por exemplo, mas isso geraria uma crítica generalizada muito grande, o que politicamente seria ruim para os dirigentes,pois estes não se preocupam com o bem estar do "cliente". A falência dos clubes é fruto deste descaso, um misto de incompetência e politicagem.