domingo, 28 de maio de 2006

Cobertura deturpada

A cobertura política da imprensa brasileira em geral é muito ruim. Restringe-se a Política à política eleitoral-partidária. Há uma miríade de blogues noticiosos e as páginas políticas dos jornais diários são numerosas. Quantidade não é qualidade. E, então, fica-se só na política como campeonato de futebol. Parece agora a cobertura de Copa do Mundo, inventando-se notícia, achando chifre em cabeça de cavalo. A briga interna na aliança PSDB-PFL, as eternas disputas entre as diversas facções peemedebistas, o fato de o Presidente se declarar ou não candidato à reeleição são todos temas de menor importância. Mas não a julgar pelo espaço que têm na mídia.

A que se deve isso? Provavelmente, à inexperiência da sociedade brasileira com o sistema democrático-representativo. No debate público, não há questões mais substantivas, não se discute políticas públicas, ou se as discute perifericamente, superficialmente. As armações partidárias prevalecem sobre as disputas de interesse nas articulações políticas para a implementação ou não de políticas públicas. A grande imprensa empresarial assume o discurso de que a popularidade do Governo Federal se baseia no Bolsa Família (o que é uma simplificação grotesca da realidade), mas não discute a fundo em que consiste tal política, seus efeitos concretos para a população atendida, suas falhas.

Trata-se de algo bastante danoso, porque reduz política à mera disputa pelo poder político e, assim, dá razão aos céticos, contribuindo para o descrédito do sistema político-partidário e da democracia representativa. Enquanto a imprensa não amadurece e fica nessa cobertura à la Caras, é importante que busquemos fontes alternativas de informação.

Um comentário:

Jorge disse...

você mais uma vez tocou num ponto interessante Bernardo; para quem assiste estarrecido o jogo político no Brasil, tem-se a clara impressão de que a guerra política, o disse-me-disse a troca de acusações é a única coisa que importa. A culpa mais uma vez é do tipo de imprensa que nós temos. Muita a feita a essa superficialidade. Então, o presidente diz uma coisa, já meio forçada pelas perguntas non-sense dos jornalistas e imediatamente até a oposição fazer intriga, uma verdadeira fofoquice e bate-boca pior que nos cortiços de Aluisio de Azevedo. Esse é o resultado de um lado de uma imprensa controlada por meia dúzias de reacionários e do outro pela criação do famigerado curso de jornalismo, onde o sujeitos se propõem a aprender um pouquinho de tudo e não aprendem nada. Mas viva o corporativismo que criou um jornalismo baseado em superficilidade e peitões na TV.