terça-feira, 29 de novembro de 2005

Breve reflexão: gênese do capitalismo à brasileira

O primeiro modelo econômico adotado no Brasil foi a economia colonial, a partir de meados do século XVI, quando colonos portugueses dão início à produção canavieira em escala comercial. O modelo colonial tem a estrutura assentada na “plantation”, que implica quatro elementos constituintes – o grande latifúndio, a monocultura, a mão-de-obra escrava africana e é voltado para o comércio externo. Trata-se, em suma, da execução do Pacto Colonial, onde a colônia vende toda a sua produção de matéria-prima e consome tudo o mais exclusivamente da metrópole.

Com a chegada da corte ao Rio de Janeiro, primeiro decênio do século XIX, tem-se o fim do Pacto Colonial: dá-se a emergência de uma segunda etapa da economia, o modelo mercantil-escravista nacional. A estrutura sócio-econômica, no entanto, mantém-se inalterada.

Por fim, a partir da I República, adota-se o modelo liberal: estabelece-se a economia agroexportadora capitalista. Apesar de ser o Estado dito liberal, o governo intervém por meio da prática da valorização do café. Aqui, nesta fase, o modelo baseia-se na mão-de-obra livre, assalariada ou sub-assalariada, embora sasonal. A presença do Estado seria uma constante no capitalismo à brasileira.

4 comentários:

Jorge disse...

Berna, qual o capitalismo, digo, em que país o capitalismo não tem intervenção do Estado? Mesmo qd se dizem (neo)liberais, a exigência de livre comércio, sem subsídios por exemplo, só serve aos países periféricos. A visão Liberal da política e da economia é mais utópica que o comunismo marxista, e pior, continua demonizando os outros e esquecendo sua própria falência.

Bernardo disse...

jorge eu concordo com você. mas como minha reflexão foi breve demais, não deu pra elaborar a idéia. Há uma diferença fundamental entre a intervenção em países capitalistas de democracia desenvolvida, e países como o nosso, de processo democrático incompleto, como o nosso.

Lá, o poder econômico é claramente separado do poder político e este influi sobre aquele através dos mecanismos institucionais (nos Estados Unidos, até os lobbies são institucionalizados). Então os diversos setores econômicos, empresários, trabalhadores, consumidores, tentam influenciar sobre a elaboração das políticas públicas.

No Brasil, ao contrário, há uma linha tênua, historicamente, entre poder político e poder econômico. Essa promiscuidade levava o Estado a funcionar para os setores econômicos detentores do poder político, de forma totalmente anti-democrática.

Espero ter sido mais claro. O que você acha dessa idéia?

Bernardo disse...

aliás, ilustra o ponto a renúncia essa semana de um deputado republicano da California, justamente por exageros nessa pressão de setores econômicos sobre o poder político (Estado). Ou seja, o poder judiciário, quando funciona, inibe justamente distorções nesse jogo de interesses, legítimos, que no brasil, pelos exageros, se tornam ilegítimos.

Jorge disse...

Mas no caso do Brasil, e de boa parte da América Latina, é q não há, ou ainda não há, um divisão entra a esfera de interesse público e privado. O público sempre serviu ao privado. Nos Eua, o fato de haver uma classe média grande q exerce alguma representação política evita q o interesse econômico minoritário aparelhe completamente o Estado.
Acho q essa noção diferenciada de público e privado é que mais distingue as práticas econômicas lá e cá, ainda q sempre sob tensão.
As decisões do COPOM, por exemplo, são sempre tratadas como se fosse decisões políticas. Não estou querendo defenda-las, pelo contrário, mas se fala em autonomia do BC, mas na prática se quer submeter a economia aos interesses políticos do momento.
Que fique claro q eu não concordo com um tipo de economia em q todos são sujeitos a especulção de poucos, nem acho q as decisões econômicas escapem a influÊncia política, porém é esse o jogo. Pode ser mudado, mas é preciso deixar claro q se quer. Se é q se quer alguma coisa além de ganhar o Hexa ano q vem!