quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Um e outro

Há uns meses atrás, quando eclodiu a crise de segurança pública de São Paulo, Diogo postou um comentário que, além de bem escrito, toca num ponto crucial. Ele fez uma comparação entre as formas de governar petista e tucana. Ao contrário do que vêm sistematicamente propalando as grandes empresas midiáticas, existem diferenças fundamentais, sim, entre os dois partidos. Diogo poderia ter ido além, mencionando, por exemplo, a área social. Depois de 12 anos de governo tucano em São Paulo, qual o grande legado nessa área? Febem e índices educacionais dignos de Pará! Um contraste forte com os meros quatro anos da gestão petista na cidade de São Paulo, onde, em curto espaço de tempo, a administração municipal deixou marcas significativas, e deu início a um princípio de processo de redistribuição de renda na cidade. Posto esse texto só pra lembrar que, domingo, não se trata de votar no "menos pior" ou "contra Alckmin", mas sim votar a favor desse projeto político que é diferente, novo, progressista. Com a palavra, Diogo:


(...)
Independente de variáveis, podemos comparar a essência de dois governos com tempo para executar um trabalho de longo-prazo. De um lado, São Paulo e seus doze anos de gestão tucana; do outro, o Rio Grande do Sul ou o Acre, com 16 anos de gestão petista no primeiro e, em breve, o terceiro mandato petista no segundo. O combate à violência nestes três estados é simbólico e representa prioridades de cada um.

Enquanto que em SP foram inauguradas mais FEBEM's, no RS estas instituições foram extintas. Lá, em seu lugar, dois tipos diferentes de espaços foram criados: um para trabalhar a reintegração daqueles com delitos não muito graves, e outro para um trabalho de mais longo-prazo para jovens com delitos mais sérios. A grande diferença: o foco. Enquanto um enxerga a quantidade, o outro priorizou a qualidade e, sobretudo, a reinserção.

No Acre, o Governo soube lutar eficazmente contra o crime organizado confrontando interesses de uma elite político-empresarial da região. Em SP, o "combate" só aconteceu porque a fronteira [social] foi ultrapassada. Até então, SP não era uma cidade violenta; violenta era o Rio de Janeiro. Enquanto no AC confronta-se, em SP foi mais fácil ignorar... até que não deu mais.


Lá e cá


Outro comentário, dessa vez de Jorge, merece destaque, nessa véspera de eleitoral. Aqui, ele faz um paralelo entre as gestões petistas a nível local (Recife), e nacional. Muito interessante:

acho que esse exemplo do Gilmar lembra o que ocorreu em Recife na primeira gestão João Paulo. Os três primeiros anos foram voltados para mudanças muito mais significativas para a população de baixa renda, SAMU, mais de 1.500 professores na rede municipal contratados, aumento do número de equipes do saúde da família, então a classe média não sentia a diferença, embora muitas outras ações a tenham alcançado (Paralela, inversão do trânsito de Boa Viagem, regularização das vans, etc.).

A grande questão é que Lula vem trabalhando do jeito que pode para diminuir a super concentração de renda (levando-se em conta o malabarismo que é fazer isso dentro de uma economia de mercado emergente e com uma guerra política suja e intermitente, mas como tem gente fazendo barulho pra isso não acontecer, putz!

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Para avaliar o Governo Eduardo

Em 2004, o deputado federal Cadoca Pereira foi o candidato da União por Pernambuco, a coligação conservadora que governa o estado desde 1999. Queria retomar o poder municipal, recuperá-lo para o seu grupo, que havia perdido quatro anos antes.

A sua candidatura foi construída ao longo desse intervalo. Ele tinha uma marca, ("Cadoca é Recife"), azul e laranja (que mau gosto). Logo em janeiro do ano eleitoral, os muros da cidade do Recife estavam tomados por seu logotipo - em flagrante crime eleitoral (veja foto abaixo, de minha autoria). Se, do ponto de vista do marketing, o candidato fez um "bom trabalho", do ponto de vista político, foi um fiasco. Ninguém sabia nada, nenhuma idéia ou posição do candidato em relação aos grande problemas da cidade. Um dos seus "grandes trunfos" foi dizer que o Prefeito João Paulo havia prometido 40,000 casas, mas só teria construído 4,000.

Cadoca se preocupou com a micro-política. E se esqueceu da macro-política. Macropoliticamente, o governo João Paulo havia sido inovador e diferente. Ao invés de ver como "só 4,000 casas", a população pensou "ele fez 4,000 casas!" - se micropoliticamente havia falhas, macropoliticamente a inversão de prioridades redistribuidora de riqueza de fato havia ocorrido. Ou seja, a grande promessa macropolítica do candidato petista em 2000 havia sido cumprida. Cadoca foi incapaz de perceber isso, e seu discurso não encontrou ressonância. João Paulo se reelegeu com folgada vantagem, no primeiro turno.

O Governo Jarbas/Mendoncinha é um fiasco. Trata-se da gestão "competente" do status-quo. E mais - um líder "preguiçoso", sem pretensões políticas, cansado, que já havia atingido o auge, e protegido pela imprensa e pelo poder judiciário. Não liderava, deixou o governo frouxo. Ou seja, ainda que micropoliticamente seja possível encontrar coisas interessantes, aqui e ali, macropoliticamente é um desastre. Particularmente desastroso em três áreas - educação, saúde e segurança.

Os professores da rede pública de Pernambuco recebem o salário mais baixo do Brasil - mais do que o Acre, por exemplo, estado com PIB bem menor que o nosso. O único grande investimento na área foi o Projeto Avançar (telecurso 2000) - que é um bom projeto - mas foi implantado em 2001, quando Raul Henry era secretário de Educação e Cultura, e terminou já em 2002. Teve cunho meramente eleitoreiro, foi um desperdício de recursos públicos, e serviu apenas para garantir o candidato do governador como o deputado estadual mais votado daquele ano. A saúde pública estadual é um desastre, e o índices de Pernambuco não condizem com sua riqueza - sem contar as disparidades regionais. Pernambucano gaba-se de que Recife é "o segundo pólo hospitalar do país"... privado! Finalmente, temos a crise de segurança pública, e seus efeitos gerais e devastadores. Em Novembro haverá em Recife o encontro nacional de cirurgiões plásticos. Dos entre 4 e 6 mil previstos, menos de mil até agora se inscreveram - por medo de ir a Recife. Isso sem contar a sensação de medo que assola, indiscriminadamente, toda a população do estado, todas as regiões, todas as classes sociais.

Minha baliza para avaliar o governo Eduardo Campos será nessas três áreas. Se a educação, a saúde e a segurança públicas melhorarem significativamente, então este terá sido um governo vitorioso. Dado o forte apoio de amplos segmentos da população à sua candidatura e à sua juventude (fatos que contrapõem-se ao viés coronelista-esquerdista do PSB-PE), é possível supor um governo de coalizão que realize, satisfatoriamente, essas macropolíticas-chave. Só pela perspectiva de mudança concreta nesses setores, que necessariamente não ocorreriam num governo da União conservadora, já vale a pena o voto de confiança em Eduardo.


Boa notícia


César, meu "roommate", voltou a atualizar seu blog. Vale a pena visitar.

terça-feira, 17 de outubro de 2006

Carta a um amigo

escrito privadamente a um amigo, a 05 de outubro de 2006, sobre essas eleições,
reproduzido aqui, com
adaptações, com a sua autorização.

escrevo a respeito de seu comentário. Dizer que o voto em
Lula é "cegado pela ideologia" significa que você ou não leu os textos no
blog em que explico minha posição pró-Lula, ou leu e não entendeu.

Meu voto é o oposto de ideológico. A ideologia do individualismo, como a
de Thoreau, e do Estado mínimo ou inexistente, como a de Bakunin, faz
sentido em país desenvolvido (se tanto). Em um país cultural e
materialmente atrasado como o nosso, um país de pobres e miseráveis,
simplesmente não faz sentido, soa hipócrita, não tem embasamento na nossa
realidade (aliás, a peça "Um homem é um homem" de Brecht trata disso).

O seu voto nulo, baseado numa ideologia importada de sociedades diferentes
e descontextualizada historicamente, considera que não há diferenças
substanciais entre Alkmin e Lula. Mas as há, sim. Senão vejamos. A
candidatura tucano-pefelê tem uma plataforma economicamente
neoliberalizante (retomada das privatizações, terceirizações, arrocho
salarial do funcionalismo - em suma, diminuição do Estado em benefício da
iniciativa privada) e socialmente conservadora (contra o aborto, contra
pesquisas em células-tronco, etc). Nesta definição, trata-se de uma
candidatura de Direita.

Por outro lado, a plataforma do Gov. Lula é economicamente
intervencionista-estatal, privilegiando o Estado como condutor do
desenvolvimento econômico, e por isso fortalecendo-o (fim de privatizações
e terceirizações, mais concursos públicos, aumento salarial horizontal pro
funcionalismo). Ao Estado cabe, nessa concepção, a distribuição direta
(Bolsa-família) e indireta (Fundeb, SAMU, antendimento bucal, ampliação do
PSF, Pro-Uni) da riqueza nacional. E socialmente progressista (políticas
de ação afirmativa, defesa dos direitos da mulher, defesa de tributação
sobre herança de grandes fortunas - aliás, projeto do governo que não foi
aprovado no Congresso -, defesa dos gays - como no projeto de Marta).

Claro que os casos de corrupção me deixam com raiva. Mas existem outros
critérios, além do moralista, para se escolher o voto. E eu não voto
pensando em mim, exclusivamente, mas na coletividade (classificaria esta
posição como de "idealismo pragmático"). E de mais a mais, esse
governo é mais transparente que os outros - a imprensa com seus
interesses, é mais vigilante do que nunca, e o próprio governo fortaleceu
as instituições investigativas, como a PF e a CGU. E, falando de ética - não é
ético a redistribuição de renda? Vamos expandir o sentido de ética. Por que
restringi-lo ao gosto da oposição conservadora?

O que incomoda a pessoas como eu, é o fato degente como tu, inteligente e
com visão de mundo progressista, não perceber que existem diferenças
significativas, sim, entre as duas candidaturas. E que o voto nulo, seja por
questões moralistas ou ideológicas, é inconseqüente e inócuo. O voto no Lula
é uma escolha pragmática por uma plataforma que trouxe mudanças pros
setores sociais e regiões nacionais historicamente marginalizadas dos
processos de desenvolvimento econômico do país. Reitero o que já disse - não
questiono a legitimidade do voto nulo, mas apenas a sua eficácia como forma
de protesto.

Os diferentes jogos ao qual você se refere não são excludentes.
Lembremos Gandhi - o mais ilustre praticante da desobediência civil e do
pacifismo. Ele lutou pela independência do Estado indiano e não se esquivou
do embate político-eleitoral. Temos outros exemplos históricos de como o
voto faz a diferença (pro bem e pro mal) - Hitler e Mussolini nos anos 20 e 30,
Allende no Chile, Morales na Bolívia, o PSOE na Espanha, os Republicanos
nos EUA, Chávez na Venezuela...

Te peço, por isso, que entendas minha posição e meu apelo para que
reflitas as conseqüencias do teu voto.

Um abraço, com carinho e respeito, do amigo -

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Você não verá essa entrevista na imprensa brasileira

Está no YouTube (o canal de TV mais democrático do mundo!) o trecho de uma entrevista do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin a um programa de notícias inglês. Não acostumado com o jornalismo sério praticado naquele país, o ex-governador perde totalmente a compostura, descontrola-se, não responde as perguntas. Interessante notar duas coisas. Uma, é a diferença do tratamento da imprensa nacional - como eu já havia comentado aqui mesmo nesse blog -, totalmente parcial e não apontando o dedo para os responsáveis diretos pelo terror paulista, e a imprensa inglesa, sem rabo-preso, sem meias-palavras, colocando o dedo na ferida. Essa entrevista põe em evidência a parcialidade criminosa da imprensa brasileira - e mostra que não se trata de choramingo de petista. Outro ponto, é que essa entrevista foi feita na época da Copa do Mundo - e a repercussão dela na Imprensa nacional foi nulo, zero, nada, rien du tout! Apenas para exercício de imaginação, pensem só como teria sido bem diferente caso o entrevistado fosse o Presidente Lula! (Naquela época, "escândalo" foi o Presidente Lula ter perguntado a Parreira se o Ronalducho estava gordo... Realmente, um tema muito mais importante). Outra coisa relevante dessa entrevista é que ela confirma exatamente o que Diogo acabou de escrever aqui em baixo - ela mostra o candidato da Direita nu e crú, sem aquele sorriso plástico patético, sem o verniz do marketing, ele como ele é. Mais um vez, vale ser notado, o YouTube demonstra seu caráter revolucionário. A grande imprensa corporativa brasileira tinha tomado uma decisão editorial de não noticiar um fato de indiscutível valor jornalístico. O público brasileiro não ficou sabendo dessa entrevista. Graças ao YouTube, e seu poder subversivo, a entrevista vem à tona. E agora os jornalões dificilmente poderão evitar de falar sobre algo tão desfavorável ao seu candidato. Não percam:

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Para não parar com a Politicagem...

Debate não é luta de boxe. Ninguém, no meu ponto de vista, "ganha" um debate a não ser que seus adversários tenham desempenho tão ruim que terminem consagrando um "vencedor". Acho que num debate, aos invés de perdedores e vencedores, conhecemos atitudes.
Domingo, ao ter a primeira pergunta do Debate, o candidato Alckmin dava o tom do que seria o restante do encontro. E ele começou da forma mais baixa. Concordo que deveria ter uma postura mais agressiva, mas jamais baixa, preconceituosa e enganosa. Insistir em de quem ou de onde é o dinheiro é uma postura de quem não quer saber nada, a não, de forma leviana, acusar. Neste debate, o candidato Alckimin vestiu a máscara de PFL, de uma direita preconceituosa e hipócrita. Trouxe à tona, demagogicamente, o assunto do avião presidencial. Disse que, se eleito, venderia o avião e construiria 5 hospitais! Grande proposta! Em que condições ele manteria esses hospitais, não valia a pena explicar... Candidato Alckmin pediu que o Lula abrisse as contas de seu cartão de crédito bancado pela União. Para quê? Ele sabe que isso é aberto ao público... inclusive, não sei porque o próprio Lula não falou... aliás, imagino que saiba... mas já volto para ele. O que acontece é que Alckmin, na verdade, começa aos poucos a tirar sua máscara.
Já Lula tinha tudo para tornar ainda mais evidente a mediocridade de Geraldo. Lula poderia ter enquadrado Geraldo logo no início. Ao invés disso, entrou no jogo de Alckmin e procurou partir para agressões e acusações. No entanto, senti ele mais propositivo do que seu adversário. Mas Lula estava tenso... talvez por não saber como seria o Alckmin do debate. Talvez por não esperar que Alckmin viesse no nível que veio.
Pessoalmente, achei um bom debate. Mas esperava que Lula soubesse tirar mais de letra um adversário como o que teve.

sábado, 7 de outubro de 2006

"Previously on LOST"

Quem conhece o seriado Lost sabe o que significa essa frase aí acima: vai começar o programa! Esta semana foi ao ar nos Estados Unidos o primeiro episódio da nova temporada. Quem nunca viu, eis uma boa oportunidade de baixar a primeira temporada e começar a acompanhar o que é, sem dúvida, um dos melhores e mais criativos programas de TV dos últimos tempos. Nesse videozinho, abaixo, segue uma compilação dos três comerciais de divulgação da série. Uma curiosidade extra pros brasileiros é a participação, a partir do terceiro episódio desta temporada, de Rodrigo Santoro, que passa a fazer parte do cosmopolita casting do show. Pelo que vi no primeiro episódio, tudo indica que a terceira temporada não deixará nada a desejar em relação às duas precedentes - grande mérito, já que, em geral, mesmo as melhores séries tendem a sofrer de uma certa "fadiga material" depois de um tempo (Desperate Housewives, Six Feet Under). Pela própria natureza do enredo, não deve ser este o caso de Lost - também neste aspecto, um programa atípico. Confiram aí de que se trata o programa:

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Impressões Eleitorais
Essas eleições fizeram brotar em mim alguns sentimentos... uns bons, outros muito ruins. Desde muito antes das eleições, senti que esse Governo estava sendo massacrado. A informação transmitida jamais foi isenta de posições políticas e sempre carregada de inveja e preconceito. Um grande exemplo dessa falta de coerência dos meios de informação, para ficar apenas com um, foi recentemente, uma manchete nas páginas de política do jornal Folha de SP (de domingo, 01/10/2006). A manchete ligava o ex-ministro da Saúde Barjas Negri à máfia das ambulâncias e citava seu nome na manchete. Se formos atrás das notícias veículadas de um ano para cá, jamais encontraremos um exemplo de um petista que tenha sido envolvido em algum pseudo-escândalo cuja referência tenha sido feita por meio de seu nome, apenas. Primeiro, ele estaria estampado na capa... provavelmente, com direito a foto. Em segundo lugar, seu nome viria no corpo da matéria, não na manchete. Na manchete, haveria alguma referência da ligação do indivíduo ao PT, ou a algum ministro importante ou, como não?, do próprio Presidente. Não julgo qual a forma certa... apenas acredito que o que vale para um, deve valer para todos. Isso é propaganda negativa pesada e, aparentemente, muito eficaz.
DECEPÇÃO
Uma de minhas grandes decepções nesse processo é a figura de Cristóvam Buarque. Seu papel foi ridículo! Muito lindo seu discurso, mas ele não estava na disputa para defender, como ele dizia, uma ideologia, a revolução da educação. Estava ali para defender um projeto pessoal, sem o menor compromisso em colocá-lo em prática. Quando começou a concorrer, já avisou que não estava ali para ganhar. Patético. Ligar a falta de Lula ao debate a um ato de Corrupção é forçar a barra demais! Fazendo o jogo da direita conservadora! Sem falar, que esse cidadão foi o único candidato a dizer temer uma vitória de Lula, pois poderia significar tornar-se numa Venezuela! Logo ele vai dizer isso?! Com que objetivo? Para mim, é um frouxo, mal-caráter! Agarrado a um discurso que atrai pessoas que... pessoas que não desejo julgar... que decidi não mais julgá-las.
FALTOU POUCO...
Tivera Sarney perdido no Amapá, o coronelismo nordestino teria sofrido uma queda dupla: Sarney e ACM. Mas está bom... Uma coisa de cada vez. Vemos o PT no Piauí, em Sergipe e na Bahia; o PSB no Ceará, talvez em Pernambuco e parece que no Rio Grande do Norte (não lembro de cabeça); e em Alagoas, pelo menos no ficou nas mãos da elite usineira do estado...
É LULA, LÁ??
Sinceramente, a "esquerda" brasileira pode ter eleito um PSDB para a Presidência. Querendo ser ideológicos, terminaram cagando nos próprios pés... aliás, espero que não... mas a sensação que dá é esta. Acredito menos na vitória de Lula porque não vejo votos em Cristóvam e Heloísa sendo transferidos tão facilemente, assim. Pelo contrário... agora, vale tudo!
A PORQUEIRA DO DEBATE
Não tivessem feito tanta suspeita sobre se Lula iria, ou não, ao debate da Globo, acho que a repercussão eleitoral disso teria sido menor. Mais uma vez, essa cúpula que guia o Governo, errou e perdeu pontos importante para conseguir finalizar tudo no dia 1º.
A CHATEAÇÃO
Nunca imaginei que "não votar" me faria tão mal. Me senti impotente. A vontade que deu foi voltar para Recife no 2º turno... a vontade durou até eu ver o preço da tarifa.

Brasil 2006 repete França 2002


Essa turma que vota nulo ou na "esquerda fragmentária" bem que merece um governo Alkmin pra ver o que é bom pra tosse.

O segundo turno vai ser duro. O tal do debate que o ingênuo (?) Cristóvam tanto pede, será em verdade um "massacre", como tem sido nessas últimas duas semanas. A versão única da oposição conservadora e seus porta-vozes midiáticos.

E, assim, a pseudo-vanguarda do voto nulo traz de volta ao poder as forças do atraso.

E vejo o futuro do Brasil ameaçado pela volta da política liberalizante de desmonte do Estado que essa turma vai fazer (privatizações, terceirizações, arrocho salarial), revertendo o esforço do Gov. Lula de reconstrução e valorização do Estado brasileiro. Tudo isso com a contribuição direta de eleitores que se dizem ou crêem "de esquerda" ou "progressista".

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

"Pra pensar e pra agir 

O que você acredita que seria mais benéfico para
o processo da reconstrução
de uma esquerda sensata
neste momento (em termos de resultado da eleição

presidencial 2006), a manutenção de um Lula com a
promessa de remissão dos
seus pecados ou o retorno
da turma da direita?...ter esperança no "vou ver"

uma esquerda saneada ou deixar "volver atrás" uma
direita
maquiavélica?...Será que este pesadelo
desesperador pode acabar com um P

SÓ???..."



mensagem de e-mail repassada pelo Professor Frank Tupinambá

domingo, 1 de outubro de 2006

26/09/2006 09:00

O que está em jogo no dia 1º de outubro


http://blogdodirceu.blig.ig.com.br/



Não se trata de vencer por vencer. E não se trata do PT. O que está em
jogo é o Brasil, o futuro do país, o seu rumo. Nada pode apagar os quatro
anos de governo Lula, resultado de nossa vitória em 2002. O balanço é o
próprio povo que está fazendo. Mas ainda há muito para fazer a fim de que
o Brasil cresça e acabe com suas desigualdades sociais históricas.

A reeleição de Lula é fundamental, não só para avançar no projeto de
desenvolvimento, mas, principalmente, para iniciar uma ampla reforma
democrática no Estado brasileiro, começando pela reforma
político-eleitoral.

No início de 2004, a oposição rompeu o pacto democrático e iniciou, com
amplo apoio de grande parte de nossa mídia, uma escalada para
desestabilizar, derrotar e, se fosse possível, derrubar o governo Lula. O
uso aberto e sem pudor das CPIs para esse fim está comprovado na recusa,
sem vacilações, do PSDB e do PFL em permitir CPIs sobre seus governos
estaduais. E, agora, do PSDB de Piracicaba (SP), que acaba de arquivar um
pedido de investigação parlamentar sobre as relações de Barjas Negri
(ex-ministro da Saúde e ligado a José Serra), o empresário Abel Pereira e
a máfia das ambulâncias.

A oposição não vacilou em apelar abertamente para o golpe, como o fez pela
voz autorizada de um ex-presidente da República e seu líder inconteste. A
base de nossa democracia é o voto universal. Mas, durante toda a campanha
eleitoral, o que vimos foi uma tentativa canhestra e antiga, como aquela
praticada pela UDN nas décadas de 50 e 60, de desqualificar o voto
popular. A oposição não teve pejo de representar no Tribunal Superior
Eleitoral contra a candidatura Lula, sem ter nenhuma evidência, indício ou
prova que envolvesse o presidente e os recursos de sua campanha no caso do
dossiê Serra.

Não temos salvação fora da legalidade e da democracia, fora das
instituições. Aqueles que nos acusam de aparelhar o Estado não podem,
abertamente, politizar e partidarizar a ação da Justiça Eleitoral e nem
pretender substituir o voto pelo Tribunal Superior Eleitoral, retrocedendo
às piores práticas da República Velha.

O princípio sagrado da democracia (“a cada cidadão um voto”) não pode ser
substituído pelo veredicto de uma dezena de homens. A igualdade de
condições para a disputa do voto não pode ser desequilibrada pelo uso da
mídia na campanha, pela partidarização aberta e completa do noticiário e
pela manipulação dos fatos.

Nunca, na história recente do Brasil, assistimos uma tão despudorada ação
dos meios de comunicação contra um governo e uma candidatura, sem falar na
campanha contra o PT. Nossa vitória, no primeiro turno, será, também, uma
resposta clara e dura do povo a essas práticas antidemocráticas e
permitirá ao país avançar na consolidação de nossa recente democracia.

Como sempre, a militância do PT fará a diferença. Precisamos da
mobilização e da arrancada final da última semana, precisamos fiscalizar a
eleição no dia 1º, é isso que vai garantir nossa vitória no primeiro
turno. Com a força do povo, Lula de novo.

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Não são todos iguais

Ontem eu fui para a reunião dos fiscais do PT. Lá, recebemos orientação do que esperar nas zonas eleitorais e quais os procedimentos que devemos tomar. Além disso, aprendi um pouco de história recente do Brasil. Mais especificamente, de Brasília.

Em 2002, Joaquim Roriz, atual candidato a senador pelo Distrito Federal, e virtualmente eleito, foi reeleito no segundo turno por uma margem mínima. Alguns dos acontecimentos comuns naquele ano: PMs armados, nos locais de votação, pedindo voto para Roriz; os fiscais de Roriz eram pagos e recebiam vale transporte do Governo do Distrito Federal, além de lanche preparado pelas cozinheiras das escolas públicas; ao final da votação, alguns mesários iriam digitar votações favoráveis a Roriz, quando não havia fiscais do PT por perto (como somos voluntários, há uma escassez de fiscais). Se eu não fosse a essa reunião, nunca tomaria conhecimento disso. Mas imaginem só se fosse feito por alguém do PT! Era mais uma crise.

Enquanto alguns jornalistas escrevem artigos arlamistas, preocupados com meteoros que possam cair na Terra, se esquecem da destruição cotidiana e impune. Queria ver Paulo Henrique Amorim falando dessas infrações, perpretadas por políticos com bons amigos no Judiciário, e que mudam resultados eleitorais (como aqui no DF em 2002), ao invés de se preocupar com algo hipotético. Enquanto setores da esquerda e da classe média, que se deixam levar pelo clima inquisitório imposto pelos grandes meios de comunicação, pautados pela oposição conservadora, e acham que "são todos iguais" e vota na direita, essas coisas continuam acontecendo.

Ainda que o PT de São Paulo venha demonstrando ter nos seus quadros verdadeiras almas sebosas, o fato é que na maioria dos estados o PT ainda é a força política mais séria e mais comprometida com os movimentos sociais e com políticas populares inclusivas e progressistas. Você não ouvirá histórias de compra de votos por deputados petistas, nem de fraudes nas zonas eleitorais. E, dos grandes partidos, apenas o PT tem fiscais voluntários - como eu. (Depois de domingo direi como foi a experiência).


Bom x Ótimo

Nada mais verdade do que o ditado que diz "o ótimo é inimigo do bom". O melhor exemplo histórico recente é a França, nas últimas eleições presidenciais. O Governo do Primeiro-ministro socialista Lionel Jospin era bem avaliado e tinha posto em prática algumas políticas esquerdistas, além de ter proporcionado crescimento econômico no país. Mas, nas eleições para presidente, a esquerda dividiu-se, porque não achava o Governo Jospin "bom o suficiente". Resultado: Jospin não foi para o segundo turno, que foi disputado entre o conservador Chirac e o ultra-conservador Le Pen. E a esquerda votou em massa no primeiro. Ao invés de setores da esquerda brasileira se inspirarem no maluco do Chávez, seria interessante que observassem o caso francês, e pensassem duas vezes antes de votar na Heloísa Helena e, assim, empurrar as eleições para um segundo turno nada garantido para a reeleição do Presidente Lula, o nosso Jospin, contra o nosso Chirac (até fisicamente se parecem!).

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Lobão no Faustão, 1989


domingo, 24 de setembro de 2006

Apertem os cintos!

Uma coisa é fato - a tendência das últimas pesquisas de todos os institutos é crescimento "lento, seguro e gradual" (pra citar uma expressão cara à nossa oposição!) e oscilações sucessivas pra baixo do Presidente Lula.

Daqui para o final, não devemos esperar refresco nem da oposicação (o que é normal) nem da imprensa (o que é escandaloso). A menos que um fato novo (este velho caramada que apareceu pra nos atemorizar, a nós petistas) surja contra a campanha dos conservadores, a impressão que eu tenho é que estamos indo na direção de um segundo turno. As pesquisas da semana que vem é que melhor irão refletir se a subida de Alkmin e a queda de Lula foram uma coisa do momento ou uma tendência. Mas aviso logo - apertem o cinto, que tudo indica que teremos umas semanas a mais de sofrimento... tudo por causa de paquidermes do PT-SP. (O lado bom disso tudo é que PT-SP deverá passar longe do segundo governo Lula).


O melô de Lula 2006


"Apesar do PT, amanhã há de ser outro dia"

(hahahha)

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Por uma análise equilibrada

Eu estava errado, como agora está claro. Não houve complô algum contra o PT. Há, sim, uma exploração da oposição (que cumpre, naturalmente, seu papel de oposição), por sua vez reverberada pela Imprensa (que cumpre seu papel de porta-voz da oposição) - dá-se a tentativa de generalizar-se esse crime a todo o PT e ligá-lo diretamente ao Presidente Lula.

Talvez o analista mais sensato e equilibrado na imprensa brasileira hoje seja Luís Nassif. Isso ficou claro em dois momentos recentes quando a maioria dos jornalistas tomava posições apaixonadas (o caso da Bolívia e o da Varig). Nassif sempre manteve a frieza. O blog Luis Nassif Online é sem sombra de dúvida uma excelente fonte de informação. Coloco, abaixo, o texto em que ele analisa esse escândalo. Muito bom. Não consegui mudar a cor do texto. Ou vão diretamente à página (link acima), ou então selecionem o texto com o mouse e ele ficará branco e legível... Vale a pena ler.


20/09/2006

O dossiê e as batalhas do PT

Para entender o caso da compra de dossiê, é preciso analisar dois tipos de conflito político atuais. Um deles é a disputa entre o PT e o PSDB. O outro, a disputa entre a ala paulista do PT e a ala nacional. O terceiro ponto, é entender o estilo político de Lula.

Comecemos pelo terceiro. Lula e Fernando Henrique Cardoso são irmãos siameses na arte de administrar conflitos e tendências em seus partidos ou no governo. Não tomam posição. Tentam ficar por cima das paixões, e interpretar os rumos do vento. Só quando clareia o horizonte, ou os ventos se transformam em furacões, é que assumem posições.

Muitas vezes essa incapacidade de decidir foi confundida com fraqueza, tanto em FHC quanto em Lula. Não é fraqueza, é estilo político.

Vamos ao segundo ponto: as disputas entre facções do PT. O partido é um arquipélago que se divide não apenas entre tendências, mas entre regiões que, não raras vezes subdividem-se em várias tendências.

Entre as tendências horizontais (nacionais), há a ala sindicalista, que junta militantes de São Bernardo, Campinas, o pessoal mais próximo a Lula, de Jacó Bittar e Zeca do PT a Luiz Marinho. Há a ala Dirceu, que tornou-se majoritária no Diretório Nacional depois de fincar bases no PT paulista. Na ala paulista, há uma franca divisão entre Aluízio Mercadante (tem projeção nacional, mas não tem quadros) e a militância que se formou em torno de Martha Suplicy, coordenada por Rui Falcão – originalmente do grupo de Dirceu mas que, depois, tentou ganhar luz própria. Agora, na crise, devem se reaproximar de novo. Nessas duas tendências –a sindical e a “dircelista” pontificam quadros paulistas

Mas há diversas tendências regionais, até agora pouco articuladas, e que não se meteram nas trapalhadas do “mensalão” e companhia. São quadros como os mineiros Pimentel, Dulci e Patrus, os gaúchos Tarso, Dilma, o nortista Jorge Vianna, o nordestino Marcelo Dedá.

A ala paulista começou a se perder nos escândalos do ano passado, inclusive devido a um erro estratégico de Lula –o de não querer alianças com grandes partidos—que a levou a empregar métodos bisonhos na caça de aliados. Com os escândalos, Lula começou a jogar a carga ao mar e se escudar nas alas petistas que não se queimaram. É quando começam a brilhar as estrelas de Tarso e Dilma, que começam a aglutinar as tendências regionais. Em um eventual segundo governo, o tom seria dado por eles.

A perda de espaço do grupo paulista se completaria com a derrota de Mercadante para José Serra. Sem espaço no governo, sem cargos em São Paulo, o PT paulista seria afastado definitivamente da condução do PT nacional.

É esse desespero que explica esse movimento da compra do dossiê pelo PT paulista.

Não se reduza a responsabilidade de Lula. Em direito existe a responsabilidade civil e a criminal. Quando ruiu o Shopping Osasco-Plaza, a responsabilidade penal foi do arquiteto; a civil do Shopping que o contratou. Quando caiu o avião da TAM, a responsabilidade penal foi da Fokker, a civil da TAM.

No governo, mesmo que se prove que a responsabilidade penal não foi de Lula, como chefe do governo, vai ter que arcar com a responsabilidade civil, com um profundo desgaste adicional, quando mal se curava das feridas das batalhas anteriores.

terça-feira, 19 de setembro de 2006

O que está em jogo nessas eleições

Há, por trás dessa luta partidária intensa, um combate político, em que visões de Brasil e interesses econômicos feridos estão em jogo. A oposição conservadora tucano-pefelê vem tentando desmoralizar o Partido dos Trabalhadores e desestabilizar o Governo Lula de todas as formas, desde 2004.

A partir de 2004, apareceu o caso Waldomiro Diniz - que não tinha nada a ver com este Governo... Denúncias requentadas. Pululavam, sempre que possível, acusações sobre o suposto viés autoritário do PT. Qualquer espirro dado era uma atitude stalinista.

Em 2005, um ex-aliado, sabe-se lá movido por que motivações, revela um esquema de caixa dois do PT para o financiamento de partidos aliados. Prevalece a versão única dos acusadores, a grande imprensa corporativa passa a ser pautada pelos líderes oposicionistas - agora com munição de sobra para a sua campanha difamatória contra o maiore o mais orgânico partido de esquerda do Brasil. A CPI criada para investigar os fatos recebe a alcunha de "CPI do Fim do Mundo", em decorrência de sua pretensão de provar uma tal de corrupção sistêmica do Governo, que nunca se confirmou. O acusador inicial é cassado por ter mentido nas suas acusações - e o Deputado José Dirceu, militante histórico da esquerda e mentor do projeto petista de governo, sofre a mesma punição, ainda que baseado naquelas acusações que seriam falsas...

A oposição conservadora opta por não derrubar o Presidente Lula, mas deixá-lo sangrar e vencê-lo nas eleições. Faltou combinar com o povo. A despeito a fúria oposicionista mais feroz da história recente do país, com a conivência, quando não com a participação direta, dos grandes meios de comunicação, o Governo Lula - o mais investigado, aberto às pressões populares, o mais transparente da História recente do país - goza de altos índices de popularidade (62% de aprovação, segundo recente pesquisa).

Depois de uma semana de tentativas inúteis de atingir o Governo, com acusações de desvio de verba pública e de autoritarismo (sempre ele!), surge essa denúncia esquisítissima. O Presidente Lula sempre foi avesso a dossiês. Em campanhas passadas, mesmo quando nem tinha chance de vencer, recusou até ver dossiês como o Cayman ou a Pasta Rosa. Por que cargas d'água iria o Presidente, agora que é franco favorito, e com uma onda de candidatos petistas subindo nas pesquisas (em RS, SP, BA, PE entre outros), recorrer a tal recurso? A quem interessaria isso?

A oposição conservadora correu para o TSE pedindo a impugnação da candidatura do Presidente Lula. Como não conseguem ganhar no voto, recorrem a esse tipo de expediente.


Hipóteses do dossiê


Eu tenho três hipóteses para essa história bizarra do dossiê:

1. Foi uma armação de alguém da oposição que teria
a. pago os dois filiados ao PT para envolver o partido nessa história; ou
b. atraído os dois filiados petistas (e retardados mentais, porque puta que o pariu!) a uma armadilha.

2. Os dois filiados presos agiram a mando de alguém do PT paulista (pra variar, fazendo merda).


O comportamento da Imprensa


Em qualquer dos casos, é chocante o comportamento da imprensa. É sempre assim. Quando alguma denúncia tem a ver com o PT, refere-se sempre a "petista envolvido em" ou "gestão petista" etc. Mas quando se trata de alguém de qualquer outro partido, aí então as manchetes de repente se despartidarizam e se fulanizam: "fulano envolvido em" ou "gestão de fulano" etc. É gritante a discrepância do tratamento dado a um e outros. Enquanto isso, a Polícia Federal segue fazendo o seu trabalho sério, discretamente.

Por trás da luta partidária


Esse acirramento na reta final, retomando os piores momentos da campanha desestabilizadora do ano passado, é mais um sintoma de que está em curso uma forte disputa política (latu sensu). Não se trata apenas de briga do poder pelo poder. Está em jogo visões distintas de país, representadas pelos dois principais partidos, PT e PSDB-PFL. O fim do processo de desmonte e sucateamento do Estado brasileiro, que se deu durante toda a década de 90, por meio das privatizações e terceirizações do setor público assim como a valorização do funcionalismo público federal (maior número de concursos públicos, mais valorização das carreiras de Estado) é uma política claramente anti-liberal que desagrada os setores reacionários da sociedade brasileira. O aumento dos gastos públicos federais, e sua distribuição geográfica mais justa (mais investimentos no Norte-Nordeste, privilegiando a região historicamente marginalizada do processo de desenvolvimento econômico do país), assim como mais gastos para os pobres (na Saúde, com os programas de Saúde na Família, o SAMU, o atendimento bucal, remédios populares, etc.; os programas sociais inclusivos), é uma política que incomoda os que sempre se beneficiaram do modo como as coisas costumavam ser feitas.

E ainda tem gente que gostaria que o Governo Lula tivesse sido mais "esquerdista"... Se os setores reacionários agem assim contra um governo popular de centro-esquerda, imagina como seria um governo abertamente de esquerda!

A frustração dos conservadores é que o Presidente Lula, um democrata convicto (basta ver sua história de vida), não tenha se comportado como o golpista vizinho, Chávez. A nossa imprensa, a serviço desses setores reacionários, no entanto, não hesita em se comportar como a imprensa venezuelana. O segundo mandato vai ser pauleira.
Armação ilimitada

Que história estranha essa do dossiê. Quero deixar aqui registrado: Isso é armação da oposição - até que me provem o contrário, minha versão é essa. Não acredito na versão propalada pela imprensa.

Se eu estiver errado - o que veremos dentro em breve, já que a Polícia Federal segue fazendo seu bom trabalho - reconhecerei aqui mesmo. E, digo ainda, nesse caso, se ficar provado o envolvimento da cúpula partidária, defendo a prisão sumária e imediata de todos por burrice extrema. Por isso desconfio totalmente dessa história. A quem interessa todo esse auê? Certamente, não ao PT! É totalmente irracional, pois todas as pesquisas indicam a vitória do Presidente Lula já no primeiro turno; ele não precisa disso. O grande prejudicado é o próprio Lula.

Incrível como, mais uma vez, a grande imprensa corporativa trata de forma diametralmente oposta PT e PSDB-PFL. Quando se trata de acusação contra o PT, então esquece-se presunção de inocência, ônus da prova do acusador, e devido processo legal - o importante é a acusação, por mais escandalosamente inconsistente que seja. Por outro lado, quando a acusação é contra o partido dos donos das empresas jornalísticas (entre aspas), aí inverte-se a lógica - a acusação deixa de ser importante, e foca-se, agora, no acusador. As denúncias na entrevista da IstoÉ dessa semana indicam - com provas! - que o Sanguessuga começou na gestão Serra, na Saúde.

Por que ninguém fala mais nisso? É um disparate total. A atuação da imprensa, completa e descaradamente servindo ao interesse da oposição conservadora, é nojenta e criminosa. E, pelo que parece, o discurso oposicionista tende a se tornar ainda mais inflamado. Resta um alento. Trata-se, evidentemente, da retomada da campanha orquestrada pelos setores conservadores para desmoralizar o Partido dos Trabalhadores, que sobreviveu à pacandaria do ano passado. Uma coisa, no entanto, ficou clara no decorrer da suposta crise política de 2005 e dos programas eleitorais dessa campanha - a gritante irrelevância de ambas para o povão.

Posso estar errado - em breve saberemos - mas os efeitos disso nas intenções de voto devem ser mínimos. Veja o caso de Humberto Costa em Pernambuco que, mesmo tendo sido indiciado pela PF, subiu solidamente nas pesquisas... A imprensa tem a credibilidade que merece.

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Por que votarei em Lula


A argumentação recorrente de que os eleitores de Lula sejam necessariamente "burros" e "pobres" apenas põe em evidência a arrogância e o elitismo dos tucano-pefelistas e o messianismo inconseqüente psolista. É esta a razão, também, pelo fato de serem incapazes de entender a popularidade do Governo Lula, que resulta de suas escolhas políticas, pois tem adotado uma série de políticas públicas inclusivas e populares, reduzindo a desigualdade social e promovendo um princípio de redistribuição de renda por meio das políticas públicas progressistas adotadas. Exemplos - o SAMU, atendimento dental por meio do SUS, remédios populares; a interiorização – inédita – das universidades federais e escolas técnicas; o FUNDEB, que vai financiar o ensino básico; a distribuição mais justa e democrática, social e regionalmente, das verbas da Cultura; o programa de quotas para pobres e negros nas universidades públicas; o aumento real do salário mínimo; o aumento do poder de compra dos setores mais pobres da sociedade; o controle da dívida pública; a tendência de baixa das taxas de juros.

Os tucano-pefelistas da oposição conservadora, cegados por sua ideologia importada Made in USA, são incapazes de entender isso. Por isso, e ainda bem, são incapazes de estabelecer uma estratégia eficiente de oposição, apesar do apoio pesado da grande mídia e do poder econômico. E por isso que já falam abertamente de impeachment, o único modo que têm para evitar o inevitável. Além de burros, são irresponsáveis.


Apoiar e defender o Governo Lula não é um realismo cínico, mas conseqüente. Acredito que houve uma mudança, sim, com esse governo, apesar de tudo, e esse é, sim, o governo mais progressista que já tivemos, e só não foi mais porque a sociedade brasileira, refletida no Congresso Nacional, é MUITO conservadora.


1. sou de esquerda. e acho que o PT é, ainda, o partido que, pela ligação intrínseca e orgânica que tem com os movimentos sociais e populares, é o que melhor representa um projeto progressista e realista de governo. Mais importante, o processo de desmonte do Estado brasileiro, que se dava por meio das privatizações criminosas, da terceirização de serviços básicos e do sucateamento de setores estatais estratégicos, foi corajosamente revertido. Hoje, passamos pelo processo de reconstrução do Estado brasileiro – o que talvez seja o grande legado da primeira gestão de Lula.

2. esse projeto progressista tem sido implatado naquelas áreas do governo que ficaram com o PT, como a social, a educação, a saúde, o meio-ambiente, onde políticas progressistas foram adotadas, representando uma verdadeira mudança em relação a como era antes.

3. o fato de sabermos todos esses casos de corrupção não significa que o PT seja o mais corrupto. De um lado, tem a imprensa conservadora mais vigilante do que nunca (em comparação com a leniência com a qual tratava governos passados). De outro, um governo que é, essencialmente, mais democrático e aberto. A Polícia Federal, por exemplo, atua de forma isenta e apartidária, diferente de antes (vide o caso do dinhero de Roseana Sarney). O Ministério Público Federal nunca agiu de forma tão autônoma. Trata-se, portanto, de uma escolha política do governo.

4. e, finalmente, desde sempre, minha opção pelo PT foi baseada em critérios POLÍTICOS, e não morais. Nunca me iludi nem idealizei. Como qualquer agrupamento de humanos, o partido não estava imune a condutas ilícitas. Se eu fosse votar baseado em critérios morais, iria votar em freiras, padres... na minha avó, sei lá. Mas meu critério é POLÍTICO, baseado em representação de interesses e de idéias, algumas das quais foram adotadas por esse governo. Quem vota primordialmente por questões morais, como essa turma do Psol, por exemplo, vai eleger 10 governos e vai se frustar 10 vezes. O que diferencia não é que o governo ou partido seja mais ou menos corrupto que outros, mas como esses desvios de conduta são tratados.