interpretação de texto
quando puxas-me ao teu seio,
e fico ali, te sentindo, bem no meio,
sei que a vida é bela, apenas sei-o:
quando estou ali, tudo leio.
segunda-feira, 17 de abril de 2006
sexta-feira, 14 de abril de 2006
A força da força nas relações internacionais
A idéia de que a base das relações internacionais seja a força é muito tentadora para regimes autoritários e intelectuais de raciocínio simplório. Trata-se, no entanto, de uma má interpretação do Realismo por parte daqueles que pensam a política externa e contraproducente para aqueles que têm que executá-la.
O pensamento realista tem suas raízes no "Estado de Natureza" hobbesiano, qual seja, a crença de que o Homem é essencialmente egoísta e, conseqüentemente, vive em um estado permanente de guerra. Baseando-se nessa premissa, realistas estendem essa lógica para as relações entre Estados nacionais, uma vez que são compostos de indivíduos.
Esse raciocínio está ultrapassado, pois tem se mostrado equivocado ou insuficiente no decorrer da história. Hoje, Realismo é menos ideológico e mais pé no chão. Segundo K. Waltz, é o "sistema anárquico" que define o comportamento estratégico do Estado, seguindo a lógica do equilíbrio de poder entre as nações; as regras que regem os humanos, considerados individualmente, são irrelevantes, pois eles não vivem em um sistema anárquico.
O modo como é organizada as Nações Unidas comprova essa questão. Não existindo um governo central sobre todas as nações, a ONU institucionalizou a ordem existente: a nível global, uma vez que não há o monopolista da força, tem-se a tendência à anarquia; é no melhor interesse de todos os Estados-nação que prevaleça o equilíbrio de poder, no qual pólos de poder devem coexistir. Este é o sistema multipolar, que se realiza no Conselho de Segurança da ONU - constituído de cinco potências nucleares.
Algumas pessoas, ao tentarem questionar o pensamento realista contemporâneo, defendem a idéia fora de moda de que a força seja o principal fator nas relações internacionais. Citam, como exemplo, a atual guerra no Iraque. Afinal, dizem eles, os Estados Unidos foram à guerra contra as decisões do CS, apenas porque era poderoso o suficiente para fazê-lo. São incapazes de perceber que, para isso, o Governo americano montou sua própria "coalizão dos voluntariosos" (não consegui pensar uma melhor tradução para "of the willing"... alguém aí tem alguma idéia?), numa tentativa, frágil, de prover de legitimidade as suas ações.
Isso é importante: os atos realizados pelos Estados precisam ser sentidos, em alguma medida, como legítimos diante tanto dos agentes políticos e sociais domésticos como da comunidade internacional. Por si só, força não basta para garantir essa legitimidade, essencial para a sobrevivência do Estado, que é seu objetivo último.
(traduzido do inglês)
A idéia de que a base das relações internacionais seja a força é muito tentadora para regimes autoritários e intelectuais de raciocínio simplório. Trata-se, no entanto, de uma má interpretação do Realismo por parte daqueles que pensam a política externa e contraproducente para aqueles que têm que executá-la.
O pensamento realista tem suas raízes no "Estado de Natureza" hobbesiano, qual seja, a crença de que o Homem é essencialmente egoísta e, conseqüentemente, vive em um estado permanente de guerra. Baseando-se nessa premissa, realistas estendem essa lógica para as relações entre Estados nacionais, uma vez que são compostos de indivíduos.
Esse raciocínio está ultrapassado, pois tem se mostrado equivocado ou insuficiente no decorrer da história. Hoje, Realismo é menos ideológico e mais pé no chão. Segundo K. Waltz, é o "sistema anárquico" que define o comportamento estratégico do Estado, seguindo a lógica do equilíbrio de poder entre as nações; as regras que regem os humanos, considerados individualmente, são irrelevantes, pois eles não vivem em um sistema anárquico.
O modo como é organizada as Nações Unidas comprova essa questão. Não existindo um governo central sobre todas as nações, a ONU institucionalizou a ordem existente: a nível global, uma vez que não há o monopolista da força, tem-se a tendência à anarquia; é no melhor interesse de todos os Estados-nação que prevaleça o equilíbrio de poder, no qual pólos de poder devem coexistir. Este é o sistema multipolar, que se realiza no Conselho de Segurança da ONU - constituído de cinco potências nucleares.
Algumas pessoas, ao tentarem questionar o pensamento realista contemporâneo, defendem a idéia fora de moda de que a força seja o principal fator nas relações internacionais. Citam, como exemplo, a atual guerra no Iraque. Afinal, dizem eles, os Estados Unidos foram à guerra contra as decisões do CS, apenas porque era poderoso o suficiente para fazê-lo. São incapazes de perceber que, para isso, o Governo americano montou sua própria "coalizão dos voluntariosos" (não consegui pensar uma melhor tradução para "of the willing"... alguém aí tem alguma idéia?), numa tentativa, frágil, de prover de legitimidade as suas ações.
Isso é importante: os atos realizados pelos Estados precisam ser sentidos, em alguma medida, como legítimos diante tanto dos agentes políticos e sociais domésticos como da comunidade internacional. Por si só, força não basta para garantir essa legitimidade, essencial para a sobrevivência do Estado, que é seu objetivo último.
(traduzido do inglês)
quinta-feira, 13 de abril de 2006
Lições de Gilmar
Foi numa conversa com Gilmar, no último domingo (09/04), que eu compreendi exatamente o significado do resultado da mais recente pesquisa Datafolha de intenções de voto para presidente.
Não, Gilmar não é professor de Ciência Política. Aos vinte e tantos anos, retirante do sertão baiano, ele mora numa favela em uma das Cidades Satélites que compõem o entorno de Brasília. Trabalha como empregado doméstico na residência dos meus parentes daqui, há oito anos. O chefe da família para a qual trabalha é um proeminente cirurgião plástico no DF, que atende a várias personalidades artísticas e políticas do país, em sua clínica, e cidadãos comuns, no hospital público onde também atua. Graças ao seu trabalho árduo, vive confortavelmente numa ampla casa no Lago Sul, o bairro mais prestigioso da cidade, e provavelmente o metro quadrado mais caro do Brasil.
Gilmar me falou o seguinte, quando perguntei porquê votaria em Lula para presidente: "Ele [meu patrão] diz que o povo tinha muita esperança em Lula, mas ele não mudou nada. Eu discordo. Acho que mudou sim". Pergunto em que sentido houve mudança. Gilmar explica: "Há uns três anos eu morava só com minha mulher. Hoje, com a mesma quantia daquele tempo, eu sustento a mim, a ela, ao nosso filho e à minha irmã, e ainda sobra. O arroz, o feijão, tudo está mais barato. Foi Lula". Insisto se ele percebeu alguma outra mudança: "Na favela onde eu moro, tem serviços que antes não tinha. Por exemplo, as ambulâncias [refere-se ao SAMU]. Tem dentista. A Polícia Federal também está prendendo muita gente - não era assim não antes. Sem contar que tem muita coisa que o Governo Distrital [estadual] diz que é sua, mas que é verba Federal."
Ou seja, para pessoas como o patrão de Gilmar, realmente pouca coisa, ao menos perceptível, ao seu alcance, mudou. Mas, para gente como Gilmar, que é a maioria desse país, houve mudanças sensíveis, que os afetam diretamente.
Gilmar ainda me contou: "Em 1994 eu votei em Fernando Henrique. Ele também foi um ótimo presidente. Para mim, o Plano Real foi o melhor plano que já teve". Nos ensina, assim, outra lição - como já disse aquele assessor de Bill Clinton, "it's the economy, stupid". O voto do povão, que batalha para se manter, tende a ser muito mais pragmático e realista do que o da classe média e alta, que pode se dar ao luxo de ter ideologia ou coisa que o valha.
Obrigado pela aula, Gilmar.
Foi numa conversa com Gilmar, no último domingo (09/04), que eu compreendi exatamente o significado do resultado da mais recente pesquisa Datafolha de intenções de voto para presidente.
Não, Gilmar não é professor de Ciência Política. Aos vinte e tantos anos, retirante do sertão baiano, ele mora numa favela em uma das Cidades Satélites que compõem o entorno de Brasília. Trabalha como empregado doméstico na residência dos meus parentes daqui, há oito anos. O chefe da família para a qual trabalha é um proeminente cirurgião plástico no DF, que atende a várias personalidades artísticas e políticas do país, em sua clínica, e cidadãos comuns, no hospital público onde também atua. Graças ao seu trabalho árduo, vive confortavelmente numa ampla casa no Lago Sul, o bairro mais prestigioso da cidade, e provavelmente o metro quadrado mais caro do Brasil.
Gilmar me falou o seguinte, quando perguntei porquê votaria em Lula para presidente: "Ele [meu patrão] diz que o povo tinha muita esperança em Lula, mas ele não mudou nada. Eu discordo. Acho que mudou sim". Pergunto em que sentido houve mudança. Gilmar explica: "Há uns três anos eu morava só com minha mulher. Hoje, com a mesma quantia daquele tempo, eu sustento a mim, a ela, ao nosso filho e à minha irmã, e ainda sobra. O arroz, o feijão, tudo está mais barato. Foi Lula". Insisto se ele percebeu alguma outra mudança: "Na favela onde eu moro, tem serviços que antes não tinha. Por exemplo, as ambulâncias [refere-se ao SAMU]. Tem dentista. A Polícia Federal também está prendendo muita gente - não era assim não antes. Sem contar que tem muita coisa que o Governo Distrital [estadual] diz que é sua, mas que é verba Federal."
Ou seja, para pessoas como o patrão de Gilmar, realmente pouca coisa, ao menos perceptível, ao seu alcance, mudou. Mas, para gente como Gilmar, que é a maioria desse país, houve mudanças sensíveis, que os afetam diretamente.
Gilmar ainda me contou: "Em 1994 eu votei em Fernando Henrique. Ele também foi um ótimo presidente. Para mim, o Plano Real foi o melhor plano que já teve". Nos ensina, assim, outra lição - como já disse aquele assessor de Bill Clinton, "it's the economy, stupid". O voto do povão, que batalha para se manter, tende a ser muito mais pragmático e realista do que o da classe média e alta, que pode se dar ao luxo de ter ideologia ou coisa que o valha.
Obrigado pela aula, Gilmar.
domingo, 9 de abril de 2006
Surpresas e tendências - nova pesquisa Datafolha
Se eu fosse cartunista, faria a seguinte ilustração para representar o atual momento político brasileiro. O Presidente Lula entrega à oposição a cabeça de Palocci, com uma mão, e com a outra limpa, com o guardanapo, a saliva escorrendo da boca dela. É o que a nova pesquisa de intenções de votos do Datafolha, publicada hoje na Folha de São Paulo, indica.
Nas últimas semanas, o Governo tem sofrido com a pesada artilharia oposicionista e seus meios de comunicação. Alkmin, já assumido como candidato tucano, tem andado pelos quatro cantos do país. Garotinho tem se dedicado à briga interna do PMDB. O quadro era todo favorável a uma subida do ex-governador paulista, à queda do Presidente Lula e à estabilização de Garotinho. Não é o que aconteceu. Pelos números do Datafolha, Lula oscilou dentro da margem de erro, de 42%, da última pesquisa, em março, para 40%; Alkmin caiu de 23% para 20%; e Garotinho subiu de 12% para 15% (a margem de erro é de 2%). Num quadro sem Garotinho, Lula apresenta condições vencer logo no primeiro turno.
Essa nova pesquisa indica que a tática da oposição conservadora, de desestabilizar o governo e desmoralizar o PT, não funcionou. Isso em parte se deve ao fato de que as denúncias e acusações de corrupção e incopetência, vindas da dobradinha PSDB-PFL, não colou. Se deve, também, ao fato de que a maioria dos eleitores de Lula, a despeito de terem tomado conhecimento do caso Francenildo, mantiveram suas intenções de voto. Uma parcela simplesmente não achou o acontecido grave o suficiente; outra, talvez tenha visto que antes de demonstrar um defeito, o affair mostra uma virtude do Governo - a de punir os seus (a PF tem feito seu trabalho sem partidarismo). Resumindo, enquanto a oposição quis marcar como o grande diferencial desse governo a corrupção, parte significativa do eleitorado não viu esse como o fator distintivo, e sim o fato de que, nesse governo, se sabe, se investiga, se pune. Não se sabe de mais casos de corrupção porque seja este o governo mais corrupto que já se teve, como quer fazer crer a oposição direitista, e sim porque nunca a Imprensa foi tão vigilante e também porque a natureza mesma do governo é mais aberta - esta parece ser a mensagem das ruas.
A tendência indica Lula firme e forte na disputa. Alkmin, por sua vez, está em apuros. Desde ontem, blogues políticos já falam abertamente na substituição de sua candidatura pela de Serra. E Garotinho se cacifou ainda mais, com esses novos números, na disputa interna peemedebista.
A oposição conservadora tucano-pefelê parece não entender o recado. Continuará com a atitute agressiva, apelando para questões morais, ao invés de discutir politicamente. Miram, agora, no Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos - o objetivo é derrubá-lo. Seguem agindo de maneira mesquinha, visando objetivos eleitorais, no Congresso Nacional - o Orçamento 2006 ainda não foi aprovado, e, assim, ficam no papel o inédito aumento aos servidores públicos (todos os setores serão beneficiados, recebendo maior aumento aqueles que ganham menos) e o salário mínimo mais alto dos últimos anos.
Colhendo os frutos do aperto fiscal dos últimos três anos, o Presidente Lula tem uma série de políticas públicas favorecendo diversos setores sociais - essa semana foram anunciados aumento e benefícios aos aposentados. Vem mais coisa por aí. Ou seja, a tendência é que siga estável ou suba ainda alguns pontos.
Se a oposição não mudar sua atitude sangüinolenta, teremos uma campanha suja, feia, sem substância, mas que, por isso mesmo, talvez se resolva logo no primeiro turno. Serão eles tão burros assim?
Se eu fosse cartunista, faria a seguinte ilustração para representar o atual momento político brasileiro. O Presidente Lula entrega à oposição a cabeça de Palocci, com uma mão, e com a outra limpa, com o guardanapo, a saliva escorrendo da boca dela. É o que a nova pesquisa de intenções de votos do Datafolha, publicada hoje na Folha de São Paulo, indica.
Nas últimas semanas, o Governo tem sofrido com a pesada artilharia oposicionista e seus meios de comunicação. Alkmin, já assumido como candidato tucano, tem andado pelos quatro cantos do país. Garotinho tem se dedicado à briga interna do PMDB. O quadro era todo favorável a uma subida do ex-governador paulista, à queda do Presidente Lula e à estabilização de Garotinho. Não é o que aconteceu. Pelos números do Datafolha, Lula oscilou dentro da margem de erro, de 42%, da última pesquisa, em março, para 40%; Alkmin caiu de 23% para 20%; e Garotinho subiu de 12% para 15% (a margem de erro é de 2%). Num quadro sem Garotinho, Lula apresenta condições vencer logo no primeiro turno.
Essa nova pesquisa indica que a tática da oposição conservadora, de desestabilizar o governo e desmoralizar o PT, não funcionou. Isso em parte se deve ao fato de que as denúncias e acusações de corrupção e incopetência, vindas da dobradinha PSDB-PFL, não colou. Se deve, também, ao fato de que a maioria dos eleitores de Lula, a despeito de terem tomado conhecimento do caso Francenildo, mantiveram suas intenções de voto. Uma parcela simplesmente não achou o acontecido grave o suficiente; outra, talvez tenha visto que antes de demonstrar um defeito, o affair mostra uma virtude do Governo - a de punir os seus (a PF tem feito seu trabalho sem partidarismo). Resumindo, enquanto a oposição quis marcar como o grande diferencial desse governo a corrupção, parte significativa do eleitorado não viu esse como o fator distintivo, e sim o fato de que, nesse governo, se sabe, se investiga, se pune. Não se sabe de mais casos de corrupção porque seja este o governo mais corrupto que já se teve, como quer fazer crer a oposição direitista, e sim porque nunca a Imprensa foi tão vigilante e também porque a natureza mesma do governo é mais aberta - esta parece ser a mensagem das ruas.
A tendência indica Lula firme e forte na disputa. Alkmin, por sua vez, está em apuros. Desde ontem, blogues políticos já falam abertamente na substituição de sua candidatura pela de Serra. E Garotinho se cacifou ainda mais, com esses novos números, na disputa interna peemedebista.
A oposição conservadora tucano-pefelê parece não entender o recado. Continuará com a atitute agressiva, apelando para questões morais, ao invés de discutir politicamente. Miram, agora, no Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos - o objetivo é derrubá-lo. Seguem agindo de maneira mesquinha, visando objetivos eleitorais, no Congresso Nacional - o Orçamento 2006 ainda não foi aprovado, e, assim, ficam no papel o inédito aumento aos servidores públicos (todos os setores serão beneficiados, recebendo maior aumento aqueles que ganham menos) e o salário mínimo mais alto dos últimos anos.
Colhendo os frutos do aperto fiscal dos últimos três anos, o Presidente Lula tem uma série de políticas públicas favorecendo diversos setores sociais - essa semana foram anunciados aumento e benefícios aos aposentados. Vem mais coisa por aí. Ou seja, a tendência é que siga estável ou suba ainda alguns pontos.
Se a oposição não mudar sua atitude sangüinolenta, teremos uma campanha suja, feia, sem substância, mas que, por isso mesmo, talvez se resolva logo no primeiro turno. Serão eles tão burros assim?
sexta-feira, 7 de abril de 2006
Medo é o problema do Brasil??
Falando em violência, você é a favor da legalização das drogas? Regulamentar esse mercado não é um meio de aumentar o controle, reduzir o tráfico ilegal por traz disso e arrecadar impostos para o governo?
Há poucas semanas assistimos gravação de MV Bill nas favelas do Rio. É a violência refém da violência. Ninguém ganha; todos só perdem. São crianças desamparadas; são poucas pessoas lucrando muito em cima de um comércio ilegal. Há seis anos tramita uma projeto de lei no Congresso propondo nova política de drogas apostando na prevenção, tratando a dependência como caso de saúde público, ao invés de polícia, e na reinserção social de dependentes. Desde abril de 2005, entretanto, que o projeto está esquecido pelos congressistas.
Diante das indagações acima e dos fatos, você é a favor da descriminalização das drogas?
Estará o medo nos tornando em seres socialmente irresponsáveis? É tanto medo que esquecemos de tratar o problema e, sim, apenas as conseqüências que o problema cria.
Sabemos que a violência é um problema, mas como a tratamos senão pela força? Que tipos de políticas são criadas ou defendidas pela sociedade civil no que se refere à legalização das drogas, ao uso de armas de fogo, à questão das fronteiras?... Lidamos com o problema “violência” não pela raiz. Tratamos o assunto sempre de forma superficial e punitiva; jamais na base e de forma educativa.
Sabemos que a violência é um problema, mas como a tratamos senão pela força? Que tipos de políticas são criadas ou defendidas pela sociedade civil no que se refere à legalização das drogas, ao uso de armas de fogo, à questão das fronteiras?... Lidamos com o problema “violência” não pela raiz. Tratamos o assunto sempre de forma superficial e punitiva; jamais na base e de forma educativa.
Falando em violência, você é a favor da legalização das drogas? Regulamentar esse mercado não é um meio de aumentar o controle, reduzir o tráfico ilegal por traz disso e arrecadar impostos para o governo?
Há poucas semanas assistimos gravação de MV Bill nas favelas do Rio. É a violência refém da violência. Ninguém ganha; todos só perdem. São crianças desamparadas; são poucas pessoas lucrando muito em cima de um comércio ilegal. Há seis anos tramita uma projeto de lei no Congresso propondo nova política de drogas apostando na prevenção, tratando a dependência como caso de saúde público, ao invés de polícia, e na reinserção social de dependentes. Desde abril de 2005, entretanto, que o projeto está esquecido pelos congressistas.
Diante das indagações acima e dos fatos, você é a favor da descriminalização das drogas?
sexta-feira, 31 de março de 2006
"No hay futuro! No hay futuro!"
"Sí, pinche vieja! Sí lo hay!"
Palocci caiu.
Finalmente, a artilharia oposicionista derrubou mais um. Requentou um monte de denúncias até que o Governo, um dos principais aliados da oposição na promoção desta guerra política, interveio e tornou Francenildo numa estrela. O amadorismo deste Governo impressiona, pois eles conseguem fazer certas coisas que sempre foram práticas comuns na política brasileira de forma tão ingênua que servem um prato cheio à oposição. Precisava quebrar o sigilo bancário do caseiro? E, depois de tê-lo quebrado, precisava divulgá-lo? Tendo feito a merda, ao invés de jogá-la no ventilador, não teria sido mais prudente de, por outras vias que não a divulgação do extrato bancário do cidadão, questionar e colocar em dúvida a credibilidade da testemunha? Afinal, quem paga os advogados do caseiro? E suas passagens para lá e para cá? Quem descobriu esse camarada?
O PFL colocou no ar uma campanha criada por Lavareda que diz tudo: Corrupção e Incompetência, não dá. Eles, os pefelistas e tucanos, mais do que ninguém, sabem que, se for pra ser corrupto, tem que ser competente nisso. E o Governo não tem seguido a cartela direitista e, por isso, são hoje os porta-estandartes da ética e da transparência...
Será que daqui para o final da gestão a turma amadurece?
Eu, que sempre fui crítica do excesso de influência paulista no Governo, vejo com bons olhos essa sacudida, embora ela tenha sido meio forçada e um pouco tardia. Dar espaço, porém, para uma Dilma, um Tarso Genro, um Guido Mantega... sem ter a cobrança de caciques como Dirceu, João Paulo Cunha, Palocci, Gushiken, não é nada mau. Que o Governo consiga encontrar equilíbrio para terminar essa gestão de forma honrosa, na derrota ou na vitória, orgulhoso das melhorias que conseguiu implementar: na economia, na gestão ambiental, no comércio e nas Relações Exteriores....
Vivendo e aprendendo.
Já aqui no Rio, o casal Garotinho chega a ser patético. A propagando do Governo estadual tem sido pesada. Mídia de massa: outdoors, televisão, rádio... A mensagem não podia ser mais condizente com o nível do casal de Garotos: populista e nada informativa!
GOVERNO DO ESTADO: MAIS DE 10 MIL OBRAS!
Legal... foi descoberto que nessa contabilidade de obras há algumas da gestão de Anthony Garotinho, há obras em andamento, obras abandonadas e, inclusive, conserto de postes! Sem entrar no mérito da questão educativa, afinal, em sua propaganda o Governo do Rio não faz questão de informar a seus eleitores que tipo de obras têm sido feitas, quais os benefícios que elas têm trazido ou podem vir a trazer, enfim, ela é totalmente incompleta e elaborada com o claro objetivo de enganar, de impressionar o eleitor menos esclarecido. É patético! A cara do ex-Governador e da pseudo-Governadora.
E que venha a artilharia! Nessas eleições, o bicho vai pegar!
Finalmente, a artilharia oposicionista derrubou mais um. Requentou um monte de denúncias até que o Governo, um dos principais aliados da oposição na promoção desta guerra política, interveio e tornou Francenildo numa estrela. O amadorismo deste Governo impressiona, pois eles conseguem fazer certas coisas que sempre foram práticas comuns na política brasileira de forma tão ingênua que servem um prato cheio à oposição. Precisava quebrar o sigilo bancário do caseiro? E, depois de tê-lo quebrado, precisava divulgá-lo? Tendo feito a merda, ao invés de jogá-la no ventilador, não teria sido mais prudente de, por outras vias que não a divulgação do extrato bancário do cidadão, questionar e colocar em dúvida a credibilidade da testemunha? Afinal, quem paga os advogados do caseiro? E suas passagens para lá e para cá? Quem descobriu esse camarada?
O PFL colocou no ar uma campanha criada por Lavareda que diz tudo: Corrupção e Incompetência, não dá. Eles, os pefelistas e tucanos, mais do que ninguém, sabem que, se for pra ser corrupto, tem que ser competente nisso. E o Governo não tem seguido a cartela direitista e, por isso, são hoje os porta-estandartes da ética e da transparência...
Será que daqui para o final da gestão a turma amadurece?
Eu, que sempre fui crítica do excesso de influência paulista no Governo, vejo com bons olhos essa sacudida, embora ela tenha sido meio forçada e um pouco tardia. Dar espaço, porém, para uma Dilma, um Tarso Genro, um Guido Mantega... sem ter a cobrança de caciques como Dirceu, João Paulo Cunha, Palocci, Gushiken, não é nada mau. Que o Governo consiga encontrar equilíbrio para terminar essa gestão de forma honrosa, na derrota ou na vitória, orgulhoso das melhorias que conseguiu implementar: na economia, na gestão ambiental, no comércio e nas Relações Exteriores....
Vivendo e aprendendo.
Já aqui no Rio, o casal Garotinho chega a ser patético. A propagando do Governo estadual tem sido pesada. Mídia de massa: outdoors, televisão, rádio... A mensagem não podia ser mais condizente com o nível do casal de Garotos: populista e nada informativa!
GOVERNO DO ESTADO: MAIS DE 10 MIL OBRAS!
Legal... foi descoberto que nessa contabilidade de obras há algumas da gestão de Anthony Garotinho, há obras em andamento, obras abandonadas e, inclusive, conserto de postes! Sem entrar no mérito da questão educativa, afinal, em sua propaganda o Governo do Rio não faz questão de informar a seus eleitores que tipo de obras têm sido feitas, quais os benefícios que elas têm trazido ou podem vir a trazer, enfim, ela é totalmente incompleta e elaborada com o claro objetivo de enganar, de impressionar o eleitor menos esclarecido. É patético! A cara do ex-Governador e da pseudo-Governadora.
E que venha a artilharia! Nessas eleições, o bicho vai pegar!
quinta-feira, 23 de março de 2006
A Terra Prometida da casta-média brasileira
O Brasil é um país de 10 milhões de cidadãos e 170 milhões de empecilhos (ou condicionantes) ao seu bem-estar.
O sonho desse setor da sociedade brasileira é um mundo onde os pobres lhes garantam a qualidade de vida que desejam, contanto que permaneçam convenientemente distantes, em seu canto, em seu gueto, em seu devido lugar. Sem incomodar-lhes com seus hábitos estranhos e sua aparência suja. Que não distoem a paisagem, que não atrapalhem normalidade das coisas. Que venham limpar suas casas, vigiá-las, servir-lhes enfim - mas vender trecos ou pedir trocado no sinal da Agamenon ou no Canal de Setúbal, isso não... é feio.
Brasília é o tipo-ideal do conceito urbanístico de boa parte da nossa classe média, ou melhor, casta-média (tal é a imobilidade social em nosso país). É a concretização do "Brazilian Dream".
O plano geral, a concepção ideológica inclusive, da capital planejada foi antecipado na ficção-científica "Admirável Mundo Novo", do autor inglês Aldous Huxley, em princípios dos anos 30 do século passado. O mundo futurista imaginado por Huxley é isolado, asséptico; os seres indesejados, inferiores (social e biologicamente), são tolerados na medida de sua utilidade para o funcionamento "normal" da sociedade, para o bem-estar do "todo" ("everyone works for everyone else (...) we can't do without anyone" é um dos mantras repetidos anos a fio pelo programa governamental de "condicionamento" dos cidadãos do mundo huxleyniano). "The Epsilons don't really mind being Epsilons. How can they? They don't know what it's like being anything else", explica um personagem, referindo-se a uma das castas sociais inferiores.
Quando publicou o livro no entre-guerras, tratava-se de um alerta sinistro diante dos regimes totalitários que então se desenhavam. Mal poderia imaginar o autor britânico que, menos de trinta anos depois, sua previsão se realizaria num longínquo periférico país tropical, na forma da nova capital federal.
Em Brasília, é-se condicionado a aceitar a ordem social rígida em face da rigidez concreta da própria cidade. A organização das ruas, quadras, áreas de lazer, transporte, tudo conspira para a manuntenção hermética, antisséptica, "clean" da cidade. Os habitantes de segunda categoria, socialmente inferiores, vivem em lugares longes, feios e cujo acesso ao "Plano Piloto" (o Admirável Mundo Novo) é restrito às horas de trabalho e aos dias da semana. O metrô (uma linha e umas cinco paradas apenas) siplesmente não funciona nos fins-de-semana. Depois das 22 horas, os ônibus raream; depois da meia-noite, praticamente cessam por completo. O acesso aos "bairros" ou regiões mais nobres (os Lagos Sul e Norte) é ainda mais restrito. O indivíduo não-motorizado e morador das cidades-satélites é um Epsilon.
O DF encerra traços semelhantes ao Admirável Mundo Novo. E realiza o "Brazilian Dream" da nossa diminuta, auto-centrada e mesquinha classe-média. O sonho de qualquer típico cidadão casta-média de metrópoles brasileiras como Rio, Belo Horizonte ou Recife é viver na segregação sócio-racial que só Brasília logrou realizar, com sua rigorosa, quase intransponível, fixação física da hierarquização social.
O Brasil é um país de 10 milhões de cidadãos e 170 milhões de empecilhos (ou condicionantes) ao seu bem-estar.
O sonho desse setor da sociedade brasileira é um mundo onde os pobres lhes garantam a qualidade de vida que desejam, contanto que permaneçam convenientemente distantes, em seu canto, em seu gueto, em seu devido lugar. Sem incomodar-lhes com seus hábitos estranhos e sua aparência suja. Que não distoem a paisagem, que não atrapalhem normalidade das coisas. Que venham limpar suas casas, vigiá-las, servir-lhes enfim - mas vender trecos ou pedir trocado no sinal da Agamenon ou no Canal de Setúbal, isso não... é feio.
Brasília é o tipo-ideal do conceito urbanístico de boa parte da nossa classe média, ou melhor, casta-média (tal é a imobilidade social em nosso país). É a concretização do "Brazilian Dream".
O plano geral, a concepção ideológica inclusive, da capital planejada foi antecipado na ficção-científica "Admirável Mundo Novo", do autor inglês Aldous Huxley, em princípios dos anos 30 do século passado. O mundo futurista imaginado por Huxley é isolado, asséptico; os seres indesejados, inferiores (social e biologicamente), são tolerados na medida de sua utilidade para o funcionamento "normal" da sociedade, para o bem-estar do "todo" ("everyone works for everyone else (...) we can't do without anyone" é um dos mantras repetidos anos a fio pelo programa governamental de "condicionamento" dos cidadãos do mundo huxleyniano). "The Epsilons don't really mind being Epsilons. How can they? They don't know what it's like being anything else", explica um personagem, referindo-se a uma das castas sociais inferiores.
Quando publicou o livro no entre-guerras, tratava-se de um alerta sinistro diante dos regimes totalitários que então se desenhavam. Mal poderia imaginar o autor britânico que, menos de trinta anos depois, sua previsão se realizaria num longínquo periférico país tropical, na forma da nova capital federal.
Em Brasília, é-se condicionado a aceitar a ordem social rígida em face da rigidez concreta da própria cidade. A organização das ruas, quadras, áreas de lazer, transporte, tudo conspira para a manuntenção hermética, antisséptica, "clean" da cidade. Os habitantes de segunda categoria, socialmente inferiores, vivem em lugares longes, feios e cujo acesso ao "Plano Piloto" (o Admirável Mundo Novo) é restrito às horas de trabalho e aos dias da semana. O metrô (uma linha e umas cinco paradas apenas) siplesmente não funciona nos fins-de-semana. Depois das 22 horas, os ônibus raream; depois da meia-noite, praticamente cessam por completo. O acesso aos "bairros" ou regiões mais nobres (os Lagos Sul e Norte) é ainda mais restrito. O indivíduo não-motorizado e morador das cidades-satélites é um Epsilon.
O DF encerra traços semelhantes ao Admirável Mundo Novo. E realiza o "Brazilian Dream" da nossa diminuta, auto-centrada e mesquinha classe-média. O sonho de qualquer típico cidadão casta-média de metrópoles brasileiras como Rio, Belo Horizonte ou Recife é viver na segregação sócio-racial que só Brasília logrou realizar, com sua rigorosa, quase intransponível, fixação física da hierarquização social.
quarta-feira, 22 de março de 2006
Oposição golpista
A oposição conservadora tucano-pefelê ao Governo Lula tem maioria no Senado e de minoria grande na Câmara, de modo que tem condições de influir decididamente nas votações. Representando interesses econômicos estabelecidos, estes parlamentares expressam setores da sociedade que já dispôem de meios para influir tanto na divulgação de suas idéias, quanto na adoção destas no processo político-decisório. Ademais, contam com amplo espaço na grande imprensa escrita e televisada.
Não obstante essas vantagens de toda ordem, o objetivo tacanho de desmoralização do maior partido de esquerda do Brasil e a tentativa inescrupulosa, porém pífia, de desestabilização do Governo Lula os levaram à adoção de postura populista e que vai de encontro aos interesses do país. Exemplos abundam: a aprovação, no ano passado, pelo PFL, de salário-mínimo que quebraria muitas administrações municipais de pequeno porte; a protelação da votação do Orçamento Geral da União de 2006, que pode comprometer verbas para as políticas públicas; a eleição do Deputado Severino Cavalcanti à presidência da Câmara, há um ano; a onda denuncista anticonstitucional, que visa desestabilizar os bons índices econômicos.
Encampando discurso moralista que, hipocritamente responsabilizando o PT por males sistêmicos congênitos, não muda a situação legal; ou seja, ao substituir, maniqueisticamente, o embate político pelo moral, mantém-se tudo como está, exceto que sem o PT. Muito conveniente. Visa-se a destruição de tudo o que seja ligado à história do Presidente Lula ou à do PT, mesmo que para tanto se despreze o devido processo legal - acusa-se sem evidências, baseando-se em ilações, e cabe ao acusado o dever de provar sua inocência (os dólares cubanos, a conexão-Angola, os dólares do Ministro Thomaz Bastos etc., etc., etc.). Tudo isto, claro, com a conivência, quando não com a participação direta, de grandes empresas de comunicação.
O caso, agora, do Ministro Antônio Palocci é emblemático do padrão de conduta irresponsável e sem escrúpulos da oposição direitista tucano-pefelê. As denúncias contra a gestão municipal do Ministro são requentadas de um inquérito do Ministério Público de São Paulo de há mais de dois anos, que envolve outras cinco gestões, todas do PSDB - mas você nunca saberá disso, a menos que tenha lido a Caros Amigos. No ano passado, os senadores puderam questionar Palocci, com todas as informações disponíveis acerca do que talvez seja a gestão pública mais minuciosamente investigada na história do país, e, mesmo assim, NADA conseguiram provar. O melhor que conseguiram foi, agora, um caseiro - cujo patrão é filiado, de carteirinha (coisa rara!), ao PSDB e cujos advogados são financiados por sabe-se-lá-quem.
A única razão por que a oposição golpista irresponsável da dobradinha PSDB-PFL não derrubaram nem Palocci nem Lula é a popularidade de que goza o Governo, decorrente da percepção popular do sério e consistente trabalho da administração mais progressista e democrática que o Brasil já teve. O povo não engoliu o discurso à la oposição venezuelana.
A oposição conservadora tucano-pefelê ao Governo Lula tem maioria no Senado e de minoria grande na Câmara, de modo que tem condições de influir decididamente nas votações. Representando interesses econômicos estabelecidos, estes parlamentares expressam setores da sociedade que já dispôem de meios para influir tanto na divulgação de suas idéias, quanto na adoção destas no processo político-decisório. Ademais, contam com amplo espaço na grande imprensa escrita e televisada.
Não obstante essas vantagens de toda ordem, o objetivo tacanho de desmoralização do maior partido de esquerda do Brasil e a tentativa inescrupulosa, porém pífia, de desestabilização do Governo Lula os levaram à adoção de postura populista e que vai de encontro aos interesses do país. Exemplos abundam: a aprovação, no ano passado, pelo PFL, de salário-mínimo que quebraria muitas administrações municipais de pequeno porte; a protelação da votação do Orçamento Geral da União de 2006, que pode comprometer verbas para as políticas públicas; a eleição do Deputado Severino Cavalcanti à presidência da Câmara, há um ano; a onda denuncista anticonstitucional, que visa desestabilizar os bons índices econômicos.
Encampando discurso moralista que, hipocritamente responsabilizando o PT por males sistêmicos congênitos, não muda a situação legal; ou seja, ao substituir, maniqueisticamente, o embate político pelo moral, mantém-se tudo como está, exceto que sem o PT. Muito conveniente. Visa-se a destruição de tudo o que seja ligado à história do Presidente Lula ou à do PT, mesmo que para tanto se despreze o devido processo legal - acusa-se sem evidências, baseando-se em ilações, e cabe ao acusado o dever de provar sua inocência (os dólares cubanos, a conexão-Angola, os dólares do Ministro Thomaz Bastos etc., etc., etc.). Tudo isto, claro, com a conivência, quando não com a participação direta, de grandes empresas de comunicação.
O caso, agora, do Ministro Antônio Palocci é emblemático do padrão de conduta irresponsável e sem escrúpulos da oposição direitista tucano-pefelê. As denúncias contra a gestão municipal do Ministro são requentadas de um inquérito do Ministério Público de São Paulo de há mais de dois anos, que envolve outras cinco gestões, todas do PSDB - mas você nunca saberá disso, a menos que tenha lido a Caros Amigos. No ano passado, os senadores puderam questionar Palocci, com todas as informações disponíveis acerca do que talvez seja a gestão pública mais minuciosamente investigada na história do país, e, mesmo assim, NADA conseguiram provar. O melhor que conseguiram foi, agora, um caseiro - cujo patrão é filiado, de carteirinha (coisa rara!), ao PSDB e cujos advogados são financiados por sabe-se-lá-quem.
A única razão por que a oposição golpista irresponsável da dobradinha PSDB-PFL não derrubaram nem Palocci nem Lula é a popularidade de que goza o Governo, decorrente da percepção popular do sério e consistente trabalho da administração mais progressista e democrática que o Brasil já teve. O povo não engoliu o discurso à la oposição venezuelana.
Oposição democrática
Um dos efeitos concretos da primeira alternância de poder, de fato ocorrida no Brasil, desde o Golpe de 64, foi o revisionismo histórico patrocinado, literalmente inclusive, por setores conservadores da sociedade brasileira - os quais sempre encontraram órgãos de imprensa dispostos, quando não ávidos, a divulgá-lo.
Uma mentira recorrentemente propagandeada é a de que o Partido dos Trabalhadores teria exercido oposição irresponsável no decorrer das décadas de 1980 e 1990, o que revela a total falta de capacidade, ou de vontade, de contextualizar historicamente.
Nos anos 80, o PT era um partido pequeno em sua inserção no sistema político, mas intrinsecamente ligado a movimentos sociais, mormente urbanos, mas não apenas, que até então tinham sido mantidos à margem do processo político-decisório, pelo regime autoritário. O novo partido, organicamente ligado a esse setores populares sem acesso à esfera do poder de decisão, lhes propiciava voz no seio do nascente sistema polítco pós-ditadura. Por se tratar de partido pequeno e popular, sem ligação com setores econômicos fortes, e com escasso espaço na imprensa, era mais do que natural que, no exercício democrático de se fazer representar e ouvir, por vezes gritasse e adotasse medidas tidas, pelo "mainstream" político, como radicais.
Quando posições extremadas foram defendidas, como a abstenção na votação indireta para presidente, em 1985, tal decisão refletia o posicionamento de setores da sociedade, que desejavam eleição presidencial direta, e que, apenas no PT, foi representado; a ação também foi levada a cabo pois foi escolha racional: tendo ainda uma bancada minúscula, tratava-se de marcar posição. Certamente, tivesse o PT uma bancada mais significativa, que tivesse influência no resultado final, e a postura teria sido outra.
Nos anos 90, foi esta força política o canal de expressão política dos setores da sociedade que não se viam contemplados nos governos de viés neoliberalizantes que predominaram durante todo este decênio.
Não é exagero atribuir à existência de um partido orgânico, com práticas partidárias consolidadas, como o PT, o fato de, no Brasil, não termos tido o surgimento de grupos armados contestatórios, como o Peru do Sendero Luminoso ou a Colômbia das Farc, onde os setores marginalizados recorreram à violência para influir no processo político; ou descambando numa crise de legitimidade do sistema, como na Argentina, onde prevaleceu, no jogo político, a visão única do neoliberalismo "menemista", sem espaço para o contraditório, que levou à adoção radical da agenda neoliberal que gerou a crise social de 2002. Graças à existência de um partido, como o PT, enraizado na sociedade civil, os governos conservadores brasileiros dos anos 90 não empreenderam um neoliberalismo extremo.
O PT é uma confederação de movimentos sociais e lhes serviu como canal entre sociedade civil e processo político, além de inserir na pauta da agenda política nacional assuntos de seu interesse. Quando um parlamentar petista defende uma posição no plenário, como a contestação às privatizações ou o aumento do salário mínimo, ela representa o pleito legítimo de movimentos populares ligados a estas causas. Quando vociferava o descontentamento perante políticas adotadas pelos governos direitistas, expressava a insatisfação de segmentos sociais que, de outra forma, não teriam seus pontos de vista ouvidos.
Durante todo o período da reabertura política, a oposição progressista (PT, mais os partidos de esquerda e de centro-esquerda) nunca dispôs de número de parlamentares suficiente de maneira que pudessem influir diretamente nas votações, mesmo as mais importantes, que requeriam maioria qualificada. O seu papel foi, tão-somente, expressar os interesses de setores fora do processo político - o que não é pouco, pois proveu-lhe, assim, de substância democrática.
Um dos efeitos concretos da primeira alternância de poder, de fato ocorrida no Brasil, desde o Golpe de 64, foi o revisionismo histórico patrocinado, literalmente inclusive, por setores conservadores da sociedade brasileira - os quais sempre encontraram órgãos de imprensa dispostos, quando não ávidos, a divulgá-lo.
Uma mentira recorrentemente propagandeada é a de que o Partido dos Trabalhadores teria exercido oposição irresponsável no decorrer das décadas de 1980 e 1990, o que revela a total falta de capacidade, ou de vontade, de contextualizar historicamente.
Nos anos 80, o PT era um partido pequeno em sua inserção no sistema político, mas intrinsecamente ligado a movimentos sociais, mormente urbanos, mas não apenas, que até então tinham sido mantidos à margem do processo político-decisório, pelo regime autoritário. O novo partido, organicamente ligado a esse setores populares sem acesso à esfera do poder de decisão, lhes propiciava voz no seio do nascente sistema polítco pós-ditadura. Por se tratar de partido pequeno e popular, sem ligação com setores econômicos fortes, e com escasso espaço na imprensa, era mais do que natural que, no exercício democrático de se fazer representar e ouvir, por vezes gritasse e adotasse medidas tidas, pelo "mainstream" político, como radicais.
Quando posições extremadas foram defendidas, como a abstenção na votação indireta para presidente, em 1985, tal decisão refletia o posicionamento de setores da sociedade, que desejavam eleição presidencial direta, e que, apenas no PT, foi representado; a ação também foi levada a cabo pois foi escolha racional: tendo ainda uma bancada minúscula, tratava-se de marcar posição. Certamente, tivesse o PT uma bancada mais significativa, que tivesse influência no resultado final, e a postura teria sido outra.
Nos anos 90, foi esta força política o canal de expressão política dos setores da sociedade que não se viam contemplados nos governos de viés neoliberalizantes que predominaram durante todo este decênio.
Não é exagero atribuir à existência de um partido orgânico, com práticas partidárias consolidadas, como o PT, o fato de, no Brasil, não termos tido o surgimento de grupos armados contestatórios, como o Peru do Sendero Luminoso ou a Colômbia das Farc, onde os setores marginalizados recorreram à violência para influir no processo político; ou descambando numa crise de legitimidade do sistema, como na Argentina, onde prevaleceu, no jogo político, a visão única do neoliberalismo "menemista", sem espaço para o contraditório, que levou à adoção radical da agenda neoliberal que gerou a crise social de 2002. Graças à existência de um partido, como o PT, enraizado na sociedade civil, os governos conservadores brasileiros dos anos 90 não empreenderam um neoliberalismo extremo.
O PT é uma confederação de movimentos sociais e lhes serviu como canal entre sociedade civil e processo político, além de inserir na pauta da agenda política nacional assuntos de seu interesse. Quando um parlamentar petista defende uma posição no plenário, como a contestação às privatizações ou o aumento do salário mínimo, ela representa o pleito legítimo de movimentos populares ligados a estas causas. Quando vociferava o descontentamento perante políticas adotadas pelos governos direitistas, expressava a insatisfação de segmentos sociais que, de outra forma, não teriam seus pontos de vista ouvidos.
Durante todo o período da reabertura política, a oposição progressista (PT, mais os partidos de esquerda e de centro-esquerda) nunca dispôs de número de parlamentares suficiente de maneira que pudessem influir diretamente nas votações, mesmo as mais importantes, que requeriam maioria qualificada. O seu papel foi, tão-somente, expressar os interesses de setores fora do processo político - o que não é pouco, pois proveu-lhe, assim, de substância democrática.
sexta-feira, 10 de março de 2006
Protecting the socially weak
The conventional wisdom, among the Brazilian middle- and upper-classes, is that there is no racial prejudice, in a clear misconception of Gilberto Freyre's writings. According to the mainstream view, the problem in Brazil has a social character, rather than a race-based issue. Following this rationale, these people - usually white and well-off - oppose any government policy that aims at solving, even if partially, the problem of social and racial inequalities.
This commonplace opinion is deprived, however, of both a sense of reality as well as of a sense of justice. The opponents of affirmative action policies recognize there's a problem - even if they don't grasp it completely - and their proposed solution is to do nothing about it. That is a consequence of a limited interpretation of the issue, reducing it to an economic matter. It is that old, conservative idea that the pie must grow in order to be divided among more people, accordingly exclusively to their merits.
The idea, held as a universal and undisputable truth by the Brazilian middle- and upper-classes, mostly white, is based on false premises and defended only by those who are in a comfortable position to do so.
Poverty is closely linked to race, in Brazil. A recente study by Ipea concluded: "poverty in Brazil has a color, and it is black." Due to poor formal education, the underprivileged tend to continue in that situation throughout their lives. Added to that structural problem, there's the cultural one too. In equal conditions, a black person's wage is lower than his/her white counterpart.
In the long run, it is obvious that the public school system must improve and thus offer better opportunities to the Brazilian poor - most of whom happen to be black.
But, while we prepare the road for the next generations, something must be done for those young poor - and black - Brazilians who pay the price for society's neglect towards public education and the poor. Something must be done, furthermore, to repair the historic injustice suffered by the black Brazilians. When slavery was legally abolished by the Brazilian State in the last quarter of the 19th century, the African-Brazilians were left unassisted, on their own - they were socially marginalized.
It is a cynical position to oppose official measures to help out sectors of Brazilian society who have historically been looked down at by the ruling elites.
Affirmative action policies are not, in an ideal world, something to be aspired to. It is, however, a pragmatic and fair response to accumulated social troubles. It is a policy that aims at social justice and better wealth distribution. Although such policies might, at times, present some flaws, the benefits outweigh the drawbacks. Only when we live in a country in which a poor black person has the same opportunities as a white middle-class person, will we be living in a truly democratic and republican society - but until then, there is a long road ahead.
The conventional wisdom, among the Brazilian middle- and upper-classes, is that there is no racial prejudice, in a clear misconception of Gilberto Freyre's writings. According to the mainstream view, the problem in Brazil has a social character, rather than a race-based issue. Following this rationale, these people - usually white and well-off - oppose any government policy that aims at solving, even if partially, the problem of social and racial inequalities.
This commonplace opinion is deprived, however, of both a sense of reality as well as of a sense of justice. The opponents of affirmative action policies recognize there's a problem - even if they don't grasp it completely - and their proposed solution is to do nothing about it. That is a consequence of a limited interpretation of the issue, reducing it to an economic matter. It is that old, conservative idea that the pie must grow in order to be divided among more people, accordingly exclusively to their merits.
The idea, held as a universal and undisputable truth by the Brazilian middle- and upper-classes, mostly white, is based on false premises and defended only by those who are in a comfortable position to do so.
Poverty is closely linked to race, in Brazil. A recente study by Ipea concluded: "poverty in Brazil has a color, and it is black." Due to poor formal education, the underprivileged tend to continue in that situation throughout their lives. Added to that structural problem, there's the cultural one too. In equal conditions, a black person's wage is lower than his/her white counterpart.
In the long run, it is obvious that the public school system must improve and thus offer better opportunities to the Brazilian poor - most of whom happen to be black.
But, while we prepare the road for the next generations, something must be done for those young poor - and black - Brazilians who pay the price for society's neglect towards public education and the poor. Something must be done, furthermore, to repair the historic injustice suffered by the black Brazilians. When slavery was legally abolished by the Brazilian State in the last quarter of the 19th century, the African-Brazilians were left unassisted, on their own - they were socially marginalized.
It is a cynical position to oppose official measures to help out sectors of Brazilian society who have historically been looked down at by the ruling elites.
Affirmative action policies are not, in an ideal world, something to be aspired to. It is, however, a pragmatic and fair response to accumulated social troubles. It is a policy that aims at social justice and better wealth distribution. Although such policies might, at times, present some flaws, the benefits outweigh the drawbacks. Only when we live in a country in which a poor black person has the same opportunities as a white middle-class person, will we be living in a truly democratic and republican society - but until then, there is a long road ahead.
quinta-feira, 9 de março de 2006
Verticalização: Bom ou Ruim?
A Verticalização das alianças eleitorais estão em discussão há algum tempo. A questão é: ela é importante? Por quê? Como? E para quem?
Os partidos eleitorais tomam posições imediatas, levando em consideração a conseqüência imediata da adoção daquela medida para o coletivo. O Coletivo maior, ou seja, a sociedade e seus interesses, são postos a margem e o debate torna-se eleitoreiro e, pior, imediatista.
Este fator é um dos principais motivos pelo qual o Brasil não avança mais do que poderia; por ignorar a adoção de medidas transformadoras e que sacodem o status-quo. Pior do que verificar um aumento pífio do PIB nacional, ou um ligeiro aumento na taxa de desemprego, é constatar a não-evolução da classe política brasileira e sua falta de interesse em tomar decisões em pró do povo que a elegeu.
O que é a Verticalização? Por que somente agora ela volta a cena (se bem que esse confronto já estava previsto)? Será ela uma medida transformadora?
Particularmente, acho uma pena estarmos voltando à discussão desse tema. Penso que essa discussão faz parte de uma coisa maior, de uma Reforma Política que, neste e em outros governos, foi ignorada.
Ações pontuais quando a situação é crítica é muito válida. Principalmente se por trás há uma discussão de um projeto mais amplo e abrangente. No entanto, no caso da Verticalização, vemos um monte de políticos pensando já em seus futuros em Outubro e ignorando um todo maior do qual a verticalização faz parte.
E nós somos os bestas que temos que aturar todo dia notícias sobre a verticalização nos jornais. De um lado, uma classe política corporativista e egocêntrica; do outro, um Tribunal fazendo-se de justiceiros. O final disso tudo, nós já podemos imaginar...
A Verticalização das alianças eleitorais estão em discussão há algum tempo. A questão é: ela é importante? Por quê? Como? E para quem?
Os partidos eleitorais tomam posições imediatas, levando em consideração a conseqüência imediata da adoção daquela medida para o coletivo. O Coletivo maior, ou seja, a sociedade e seus interesses, são postos a margem e o debate torna-se eleitoreiro e, pior, imediatista.
Este fator é um dos principais motivos pelo qual o Brasil não avança mais do que poderia; por ignorar a adoção de medidas transformadoras e que sacodem o status-quo. Pior do que verificar um aumento pífio do PIB nacional, ou um ligeiro aumento na taxa de desemprego, é constatar a não-evolução da classe política brasileira e sua falta de interesse em tomar decisões em pró do povo que a elegeu.
O que é a Verticalização? Por que somente agora ela volta a cena (se bem que esse confronto já estava previsto)? Será ela uma medida transformadora?
Particularmente, acho uma pena estarmos voltando à discussão desse tema. Penso que essa discussão faz parte de uma coisa maior, de uma Reforma Política que, neste e em outros governos, foi ignorada.
Ações pontuais quando a situação é crítica é muito válida. Principalmente se por trás há uma discussão de um projeto mais amplo e abrangente. No entanto, no caso da Verticalização, vemos um monte de políticos pensando já em seus futuros em Outubro e ignorando um todo maior do qual a verticalização faz parte.
E nós somos os bestas que temos que aturar todo dia notícias sobre a verticalização nos jornais. De um lado, uma classe política corporativista e egocêntrica; do outro, um Tribunal fazendo-se de justiceiros. O final disso tudo, nós já podemos imaginar...
domingo, 5 de março de 2006
O não-carnaval de Brasília
Algumas pessoas têm me perguntado como é o Carnaval de Brasília. A resposta é simples: não é, ele não existe. É o não-carnaval de Brasília.
Nesses dias, me lembrei do Carnaval de 2002, quando passei bem longe das ladeiras de Olinda, nas alturas andinas do Carnaval de Oruro, "patrimônio cultural da humanidade" declarado pela Unesco (te cuida, Olinda!). Fui lá com a mente aberta, tentando ao máximo evitar comparações e curtir a festa. Foi depressivo. As marchas de instrumento de sopro e os desfiles ao estilo do Carnaval carioca - numa versão muito mais simples, sem nada disso de patrocínio da PDVSA - tornaram inúteis meus esforços de relativismo cultural. É bonito, é simpático e tal, mas, lo siento, aquilo ali não é carnaval. No máximo, uma parada alegre.
Carnaval mesmo, e aprendi isso desde cedo, é o Carnaval de Olinda. Tendo pais foliões (já saíram até de anjinhos no Jornal Hoje, há alguns Galos da Madruga atrás), fui bem escolado. Mas seria, independentemente disso. Me dei conta, aqui em Brasília, tendo contato com pessoas oriundas das várias regiões do país, que poucos lugares no Brasil atribuem ao Carnaval tanta importância quanto o pernambucano. Até o fato de eu dizer "brincar carnaval" foi motivo de comentário - me senti o próprio aborígena: "Olha só, como ele fala, que engraçado".
No ano passado fui passar o Carnaval em Recife - por razões outras que não a data festiva, diga-se. Finalmente caiu a fichinha: eu não sou folião. Fui para Olinda no sábado de manhã. Às 16h já não agüentava aquele apertado, aquele calor, aquele melado que era mescla de suor meu com o alheio e mais outros líquidos que é melhor nem saber, aquela zoada, aquele empurra-empurra que destrói qualquer livre-arbítrio remanescente do controle social. Na terça-feira à noite tentei mais uma vez, afinal, é carnaval. Fui ao Recife Antigo - ou Bairro do Recife, como preferem os puristas. Chegar lá requer todo um planejamento, mas tudo bem, afinal, é carnaval. Estando lá, depois de uma dose de vodka começo a curtir, até me perder da minha turma no meio da multidão. Sem problema, outra dose de Absolut. Tentativa de roubar o celular do meu pai, que eu tinha, contra as recomendações maternas, pego emprestado, frustrada pela minha determinação. Mas minha dose caprichada de Absolut se foi pelos ares e meus joelhos ficaram afolosados. Assim foi o fim - melancólico, é verdade - do meu último carnaval.
E quando eu saía de lá, contra o fluxo infinito e contínuo de foliões alegremente alegres, eu pensava - como é que eu nunca tinha me dado conta antes de isso não é pra mim? Minhas melhores lembranças do Carnaval de 2005 foram o dia que passei com meu afilhado na piscina na casa do meu tio em Maria Farinha, e ter visto "Sideways" com um amigo no Tacaruna. Enquanto isso, meu irmão passou todos os dias - todos! - da folia em Olinda. Não concebo isso. Só tem uma explicação: sofri, durante anos a fio, lavagem cerebral intensa. A pressão para se gostar dessa festa, em Pernambuco, é incrível. Vem de todos os lados. Mídia, amigos, família. Todo mundo tem que brincar carnaval, todo mundo tem que estar alegre, saltitante, e frevar sempre que tocar o tararã-na-nã-na-nã... Tal qual a aldeia de Asterix na Gália dominada pelos romanos, eu me rebelei: em Pernambuco todos brincam Carnaval... Todos? Não! Uma pequena aldeia resiste...
Odeio me fantasiar, odeio gente suada - ainda mais desconhecida - me tocando, não suporto cerveja quente, detesto refeição anti-higiênica no meio da rua e debaixo de sol de rachar côco, acho o Eu Acho É Pouco um saco (talvez perca uns 20 amigos por adimitar isso publicamente!), e o único bloco no qual eu sairia, não por acaso nunca sai (o Bumba Meu Ovo)... O melhor mesmo do carnaval é, depois do fato consumado, ler o relato de Cecília e ver as fotos, no blog dela (www.aportadarua.blogspot.com). Me dou por satisfeito. Ela é, para aqueles que não conhecem esse blog, a Danuza Leão da minha geração!
Este ano, estava no lugar certo. Não senti a menor saudade do caos de Olinda. E curti a tranqüilidade típica de Brasília, que ficou ainda melhor já que quaisquer foliões que possam existir nessa cidade tinham ido para o seu devido bloco, trio ou escola, em Recife, Salvador, Rio, ou seja lá onde se tenha esse tipo de manifestação cultural. Curti a bucolidade brasiliense, indo para as aulas (sexta, sábado, segunda, terça, quarta...) normalmente e, no tempo livre, lendo literatura ou indo ao cinema. Ano que vem convido a todos os meus amigos a passarem o não-carnaval mais tranqüilo do país aqui comigo.
Algumas pessoas têm me perguntado como é o Carnaval de Brasília. A resposta é simples: não é, ele não existe. É o não-carnaval de Brasília.
Nesses dias, me lembrei do Carnaval de 2002, quando passei bem longe das ladeiras de Olinda, nas alturas andinas do Carnaval de Oruro, "patrimônio cultural da humanidade" declarado pela Unesco (te cuida, Olinda!). Fui lá com a mente aberta, tentando ao máximo evitar comparações e curtir a festa. Foi depressivo. As marchas de instrumento de sopro e os desfiles ao estilo do Carnaval carioca - numa versão muito mais simples, sem nada disso de patrocínio da PDVSA - tornaram inúteis meus esforços de relativismo cultural. É bonito, é simpático e tal, mas, lo siento, aquilo ali não é carnaval. No máximo, uma parada alegre.
Carnaval mesmo, e aprendi isso desde cedo, é o Carnaval de Olinda. Tendo pais foliões (já saíram até de anjinhos no Jornal Hoje, há alguns Galos da Madruga atrás), fui bem escolado. Mas seria, independentemente disso. Me dei conta, aqui em Brasília, tendo contato com pessoas oriundas das várias regiões do país, que poucos lugares no Brasil atribuem ao Carnaval tanta importância quanto o pernambucano. Até o fato de eu dizer "brincar carnaval" foi motivo de comentário - me senti o próprio aborígena: "Olha só, como ele fala, que engraçado".
No ano passado fui passar o Carnaval em Recife - por razões outras que não a data festiva, diga-se. Finalmente caiu a fichinha: eu não sou folião. Fui para Olinda no sábado de manhã. Às 16h já não agüentava aquele apertado, aquele calor, aquele melado que era mescla de suor meu com o alheio e mais outros líquidos que é melhor nem saber, aquela zoada, aquele empurra-empurra que destrói qualquer livre-arbítrio remanescente do controle social. Na terça-feira à noite tentei mais uma vez, afinal, é carnaval. Fui ao Recife Antigo - ou Bairro do Recife, como preferem os puristas. Chegar lá requer todo um planejamento, mas tudo bem, afinal, é carnaval. Estando lá, depois de uma dose de vodka começo a curtir, até me perder da minha turma no meio da multidão. Sem problema, outra dose de Absolut. Tentativa de roubar o celular do meu pai, que eu tinha, contra as recomendações maternas, pego emprestado, frustrada pela minha determinação. Mas minha dose caprichada de Absolut se foi pelos ares e meus joelhos ficaram afolosados. Assim foi o fim - melancólico, é verdade - do meu último carnaval.
E quando eu saía de lá, contra o fluxo infinito e contínuo de foliões alegremente alegres, eu pensava - como é que eu nunca tinha me dado conta antes de isso não é pra mim? Minhas melhores lembranças do Carnaval de 2005 foram o dia que passei com meu afilhado na piscina na casa do meu tio em Maria Farinha, e ter visto "Sideways" com um amigo no Tacaruna. Enquanto isso, meu irmão passou todos os dias - todos! - da folia em Olinda. Não concebo isso. Só tem uma explicação: sofri, durante anos a fio, lavagem cerebral intensa. A pressão para se gostar dessa festa, em Pernambuco, é incrível. Vem de todos os lados. Mídia, amigos, família. Todo mundo tem que brincar carnaval, todo mundo tem que estar alegre, saltitante, e frevar sempre que tocar o tararã-na-nã-na-nã... Tal qual a aldeia de Asterix na Gália dominada pelos romanos, eu me rebelei: em Pernambuco todos brincam Carnaval... Todos? Não! Uma pequena aldeia resiste...
Odeio me fantasiar, odeio gente suada - ainda mais desconhecida - me tocando, não suporto cerveja quente, detesto refeição anti-higiênica no meio da rua e debaixo de sol de rachar côco, acho o Eu Acho É Pouco um saco (talvez perca uns 20 amigos por adimitar isso publicamente!), e o único bloco no qual eu sairia, não por acaso nunca sai (o Bumba Meu Ovo)... O melhor mesmo do carnaval é, depois do fato consumado, ler o relato de Cecília e ver as fotos, no blog dela (www.aportadarua.blogspot.com). Me dou por satisfeito. Ela é, para aqueles que não conhecem esse blog, a Danuza Leão da minha geração!
Este ano, estava no lugar certo. Não senti a menor saudade do caos de Olinda. E curti a tranqüilidade típica de Brasília, que ficou ainda melhor já que quaisquer foliões que possam existir nessa cidade tinham ido para o seu devido bloco, trio ou escola, em Recife, Salvador, Rio, ou seja lá onde se tenha esse tipo de manifestação cultural. Curti a bucolidade brasiliense, indo para as aulas (sexta, sábado, segunda, terça, quarta...) normalmente e, no tempo livre, lendo literatura ou indo ao cinema. Ano que vem convido a todos os meus amigos a passarem o não-carnaval mais tranqüilo do país aqui comigo.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006
E se fizermos nossa própria pauta de notícias?
A imprensa, ao basear-se em critérios deturpados ou deturpantes acerca de o que é notícia, dá muito mais ênfase às más notícias, em detrimento das boas. A "Carta Capital" (www.cartacapital.com.br) dessa semana nos traz um exemplo de que não tem que ser assim, dando destaque, em matéria de capa, à nova lei aprovada na Câmara (PL 4776/2005) que estabelece um novo modelo de exploração de florestas na região amazônica.
O projeto de lei (PL) é resultado de três anos de intensos debates públicos entre o Governo e os vários agentes sociais e econômicos com interesses na floresta, em todo o território nacional. É inovador, portanto, na forma como foi concebido: não foi imposto, de cima para baixo, mas sim exaustivamente negociado com os diferentes setores envolvidos.
A grande inovação, no entanto, é a concepção ecológica moderna, conseqüente e progressista que apresenta. Busca-se a preservação do meio-ambiente, levando em conta as necessidades de desenvolvimento econômico das populações nativas. O PL de Gestão de Florestas Públicas torna possível a concessão de áreas florestais (nunca maiores que 2500 hectares), por meio de licitações públicas e do pagamento de "royalties", para a exploração sustentável. Mais: a cada área concedida a uma empresa, ao Governo cabe oferecer o dobro de terras para uso comunitário ou familiar ou para unidades de conservação. Frise-se: não se trata de "concessão de terras" e sim de "concessão de usos de florestas".
O PL é ambicioso e abrangente (recomendo a leitura do artigo da revista). Prevê o engajamento de Estados e municípios, que ganharão verba com as "royalties" e passarão a ser agentes diretamente interessados na preservação da floresta - o que não ocorre atualmente. Há também o fortalecimento das instituições estatais da área ambiental, por meio de concursos públicos e maior responsabilização.
No ano passado, pela primeira vez em mais de dez anos, houve uma queda no desmatamento. O que mostra que o Ministério de Meio-Ambiente (MMA), da ministra Marina Silva, está no caminho certo.
Esse caso do MMA é emblemático deste governo, e desmente o discurso da oposição raivosa, composta pela direita oportunista e pela esquerda inconseqüente. Esta reclama que o Governo Lula não é de esquerda: engana-se, em sua cegueira ideológica. A história desse PL mostra que para que ações progressistas sejam alcançadas, num país plural, democrático e conservador, como o nosso, faz-se necessário muita negociação.
A direita oportunista-golpista acusa o Governo Lula de não ter projeto. É desmentida pelos fatos. O projeto de governo popular significa que os programas governamentais sejam construídos coletivamente. Este governo deu início às conferências temáticas, nas áreas de saúde, educação, meio-ambiente, mulheres, negros, entre outros, incluindo os movimentos sociais e populares e ONGs no processo de elaboração de políticas públicas - algo inédito no país. Ao mesmo tempo, a sociedade civil organizada torna-se mais fortalecida, e o governo, mais democrático.
O projeto tucano-pefelê, imposto goela abaixo da sociedade brasileira, nos anos 90, sem maiores debates públicos, consistia na alienação do parque industrial nacional e no esfacelamento do Estado brasileiro. Grande projeto.
O projeto ora em execução é construídos com a sociedade e passa pelo fortalecimento do Estado nacional. Muitos serviços públicos, quando não extintos ou precarizados, no governo anterior, passaram a ser prestados por terceirizados. O atual governo reverteu essa tendência.
A retomada da popularidade do Presidente Lula se deve a fatores de ordens as mais diversas. O fato de ser o seu governo o mais aberto à participação direta de movimentos sociais e populares é um deles, sem dúvida. O PL 4776/2005 é emblemático de um fenômeno que ocorre em outras áreas do Governo Lula. É importante que todos aqueles que se dizem de esquerda atentem para este fato, e não sigam, cegamente, a pauta determinada pela grande imprensa.
A imprensa, ao basear-se em critérios deturpados ou deturpantes acerca de o que é notícia, dá muito mais ênfase às más notícias, em detrimento das boas. A "Carta Capital" (www.cartacapital.com.br) dessa semana nos traz um exemplo de que não tem que ser assim, dando destaque, em matéria de capa, à nova lei aprovada na Câmara (PL 4776/2005) que estabelece um novo modelo de exploração de florestas na região amazônica.
O projeto de lei (PL) é resultado de três anos de intensos debates públicos entre o Governo e os vários agentes sociais e econômicos com interesses na floresta, em todo o território nacional. É inovador, portanto, na forma como foi concebido: não foi imposto, de cima para baixo, mas sim exaustivamente negociado com os diferentes setores envolvidos.
A grande inovação, no entanto, é a concepção ecológica moderna, conseqüente e progressista que apresenta. Busca-se a preservação do meio-ambiente, levando em conta as necessidades de desenvolvimento econômico das populações nativas. O PL de Gestão de Florestas Públicas torna possível a concessão de áreas florestais (nunca maiores que 2500 hectares), por meio de licitações públicas e do pagamento de "royalties", para a exploração sustentável. Mais: a cada área concedida a uma empresa, ao Governo cabe oferecer o dobro de terras para uso comunitário ou familiar ou para unidades de conservação. Frise-se: não se trata de "concessão de terras" e sim de "concessão de usos de florestas".
O PL é ambicioso e abrangente (recomendo a leitura do artigo da revista). Prevê o engajamento de Estados e municípios, que ganharão verba com as "royalties" e passarão a ser agentes diretamente interessados na preservação da floresta - o que não ocorre atualmente. Há também o fortalecimento das instituições estatais da área ambiental, por meio de concursos públicos e maior responsabilização.
No ano passado, pela primeira vez em mais de dez anos, houve uma queda no desmatamento. O que mostra que o Ministério de Meio-Ambiente (MMA), da ministra Marina Silva, está no caminho certo.
Esse caso do MMA é emblemático deste governo, e desmente o discurso da oposição raivosa, composta pela direita oportunista e pela esquerda inconseqüente. Esta reclama que o Governo Lula não é de esquerda: engana-se, em sua cegueira ideológica. A história desse PL mostra que para que ações progressistas sejam alcançadas, num país plural, democrático e conservador, como o nosso, faz-se necessário muita negociação.
A direita oportunista-golpista acusa o Governo Lula de não ter projeto. É desmentida pelos fatos. O projeto de governo popular significa que os programas governamentais sejam construídos coletivamente. Este governo deu início às conferências temáticas, nas áreas de saúde, educação, meio-ambiente, mulheres, negros, entre outros, incluindo os movimentos sociais e populares e ONGs no processo de elaboração de políticas públicas - algo inédito no país. Ao mesmo tempo, a sociedade civil organizada torna-se mais fortalecida, e o governo, mais democrático.
O projeto tucano-pefelê, imposto goela abaixo da sociedade brasileira, nos anos 90, sem maiores debates públicos, consistia na alienação do parque industrial nacional e no esfacelamento do Estado brasileiro. Grande projeto.
O projeto ora em execução é construídos com a sociedade e passa pelo fortalecimento do Estado nacional. Muitos serviços públicos, quando não extintos ou precarizados, no governo anterior, passaram a ser prestados por terceirizados. O atual governo reverteu essa tendência.
A retomada da popularidade do Presidente Lula se deve a fatores de ordens as mais diversas. O fato de ser o seu governo o mais aberto à participação direta de movimentos sociais e populares é um deles, sem dúvida. O PL 4776/2005 é emblemático de um fenômeno que ocorre em outras áreas do Governo Lula. É importante que todos aqueles que se dizem de esquerda atentem para este fato, e não sigam, cegamente, a pauta determinada pela grande imprensa.
domingo, 19 de fevereiro de 2006
Trabalho duro e sorte - ou, cinema e a vida
Engraçado como a experiência de ver um filme pode mudar consoante o momento de nossas vidas em que o vemos, o que pode nos levar a gostar mais ou menos do filme, ou a dar mais ênfase a algum aspecto em detrimento de outros. Tudo por conta das circunstâncias específicas em que estejamos vivendo. Somos condicionados pelo nosso contexto, como diria um certo sociólogo (que não sou eu).
Uma semana antes das provas das primeira e segunda fases do concurso, assisti o documentário "What the bleep are we?" (www.whatthebleep.com). Resumindo (e muito), o filme mostra como no passado paradigmas tidos como a verdade absoluta pela humanidade foram provados falsos pela ampliação do conhecimento científico (o mundo é plano, o Sol gira em torno da Terra...). Baseando-se em física quântica, o filme propõe reflexão sobre novos parâmetros para a realidade. A mensagem final é que nós somos co-autores do mundo, que não existe independentemente de nós. Nós somos capazes de fazer o nosso futuro, e a realidade é aquilo que nós escolhemos que ela seja. Claro, tudo isso fundamentado cientificamente.
Gostei muito do filme. Por um lado, porque é bom, informativo, inusitado. Feito de forma didática, não é restrito aos iniciados. É provocante, faz pensar em vários assuntos. Por outro lado, acho que gostei mais pelo momento em que vivo. Estava a uma semana das provas. Fazer concurso não é uma experiência divertida (não recomendo a ninguém... principalmente se for concorrer comigo! Até nossas piadas giram em torno disso, horrível.) Ao contrário, emocionalmente é complicado. Esse filme foi inspirador. Em outras circunstâncias, porém, teria ele me tocado tanto?
No dia antes das provas (na sexta-feira), assisti "Match Point", o novo de Woody Allen. Filmaço. Não tem nada a ver com o Allen a que estamos habituado - exceto pela certeza de que se vai ver um bom filme, característica que permanece. Trata-se de um thriller psicológico, passado em Londres. S. Johanson consagra-se como a atriz mais gostosa da atualidade. E, já que N. Kidman decidiu só fazer filme borocochô ultimamente, é a melhor atriz gostosa em atuação (perdendo, talvez, apenas para Naomi Watts). Não vou falar muito sobre o filme para não estragar as surpresas que ele apresenta para o espectador. Mas, em termos de valores, é complementar ao filme que eu havia visto anteriormente a este (o documentário). Sua mensagem é, ok, trabalho duro é fundamental... mas sorte é indispensável!
Depois de meses de preparação para o concurso (trabalho duro), caíram algumas perguntas sobre "Os sertões", que eu estava lendo (sorte). Se bem que tem aquele jogador de baseball que falou algo como - "incrível, quanto mais eu treino, mais sorte eu tenho". Talvez, mas o incrível é o quanto eu gostei desses filmes, e me pergunto até que ponto isso se deu em decorrência do que eu estava passando. Em tempo, ficam as sugestões desses dois ótimos filmes - principalmente se você estiver trabalhando duro por um objetivo, e precisando de um pouquinho de sorte.
Engraçado como a experiência de ver um filme pode mudar consoante o momento de nossas vidas em que o vemos, o que pode nos levar a gostar mais ou menos do filme, ou a dar mais ênfase a algum aspecto em detrimento de outros. Tudo por conta das circunstâncias específicas em que estejamos vivendo. Somos condicionados pelo nosso contexto, como diria um certo sociólogo (que não sou eu).
Uma semana antes das provas das primeira e segunda fases do concurso, assisti o documentário "What the bleep are we?" (www.whatthebleep.com). Resumindo (e muito), o filme mostra como no passado paradigmas tidos como a verdade absoluta pela humanidade foram provados falsos pela ampliação do conhecimento científico (o mundo é plano, o Sol gira em torno da Terra...). Baseando-se em física quântica, o filme propõe reflexão sobre novos parâmetros para a realidade. A mensagem final é que nós somos co-autores do mundo, que não existe independentemente de nós. Nós somos capazes de fazer o nosso futuro, e a realidade é aquilo que nós escolhemos que ela seja. Claro, tudo isso fundamentado cientificamente.
Gostei muito do filme. Por um lado, porque é bom, informativo, inusitado. Feito de forma didática, não é restrito aos iniciados. É provocante, faz pensar em vários assuntos. Por outro lado, acho que gostei mais pelo momento em que vivo. Estava a uma semana das provas. Fazer concurso não é uma experiência divertida (não recomendo a ninguém... principalmente se for concorrer comigo! Até nossas piadas giram em torno disso, horrível.) Ao contrário, emocionalmente é complicado. Esse filme foi inspirador. Em outras circunstâncias, porém, teria ele me tocado tanto?
No dia antes das provas (na sexta-feira), assisti "Match Point", o novo de Woody Allen. Filmaço. Não tem nada a ver com o Allen a que estamos habituado - exceto pela certeza de que se vai ver um bom filme, característica que permanece. Trata-se de um thriller psicológico, passado em Londres. S. Johanson consagra-se como a atriz mais gostosa da atualidade. E, já que N. Kidman decidiu só fazer filme borocochô ultimamente, é a melhor atriz gostosa em atuação (perdendo, talvez, apenas para Naomi Watts). Não vou falar muito sobre o filme para não estragar as surpresas que ele apresenta para o espectador. Mas, em termos de valores, é complementar ao filme que eu havia visto anteriormente a este (o documentário). Sua mensagem é, ok, trabalho duro é fundamental... mas sorte é indispensável!
Depois de meses de preparação para o concurso (trabalho duro), caíram algumas perguntas sobre "Os sertões", que eu estava lendo (sorte). Se bem que tem aquele jogador de baseball que falou algo como - "incrível, quanto mais eu treino, mais sorte eu tenho". Talvez, mas o incrível é o quanto eu gostei desses filmes, e me pergunto até que ponto isso se deu em decorrência do que eu estava passando. Em tempo, ficam as sugestões desses dois ótimos filmes - principalmente se você estiver trabalhando duro por um objetivo, e precisando de um pouquinho de sorte.
Diplomacia e sociedade civil
A relação entre diplomacia e sociedade civil passa, no mais das vezes, desapercebida em meio ao forte apelo midiático dos encontros de chefes de governo. Em países como o Brasil, de democratização recente, a organização da sociedade civil é ainda mais incipiente e desigual, o que torna sua participação em negociações internacionais ainda mais problemática.
A fraqueza da sociedade civil indica que o processo democrático se encontra ainda em vias de consolidação. Implica, ademais, menor grau de representatividade dos setores sociais, mormente aqueles com menor poder econômico. Em geral, esse é o caso dos países da terceira onda democrática, grupo ao qual pertencem quase todos os países da América Latina, o Brasil inclusive.
O processo de negociação internacional é complexo, entre outras, por dar-se em dois níveis: interna e internacionalmente. No nível doméstico, o governo busca o consenso. Concomitantemente, negocia-se no nível internacional. Ao fim, o acordo entre governos deve ser ratificado domesticamente, em geral pelo Poder Legislativo, em cada país. Todo governo negocia no plano externo condicionado pelas pressões advindas tanto na instância legitimadora como do eleitorado ou da base social de apoio.
Esse processo negociador complexo em dois níveis torna-se tanto menos flexível para o governo quanto mais democrática for a sociedade. A falta de participação da sociedade civil organizada leva, conseqüentemente, à elitização das negociações internacionais, favorecendo os grupos de maior poder econômico.
Quando países com graus de abertura democrática bastante diferentes negociam, o contraste põe em evidência o ponto em questão. O Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte) foi assinado na primeira metade da década de 1990 por Canadá, Estados Unidos e México. Os dois primeiros já dispunham de relações comerciais especiais. Tratava-se de incluir o vizinho do sul. Neste, o projeto de liberalização comercial encontrou pouca resistência nas esperas poíticas concorrentes pela ratificação, a despeito de certos setores sociais mexicanos temerem os efeitos econômicos potencialmente distorcivos da iniciativa. Prevaleceu a vontade dos segmentos econômicos organicamente ligados aos detentores do poder político. Nos Estados Unidos, por outro lado, o Governo Clinton enfrentou acirrada disputa política. Diversos grupos sociais ligados a interesses ambientais ou trabalhistas, assim como vários setores econômicos, principalmente o agronegócio, receavam os efeitos da integração comercial com um país mais pobre e com legislação que não protegesse tanto o o meio-ambiente e os direitos trabalhistas quanto a americana. O Nafta foi aprovado no Congresso Nacional americano por pequena margem de votos.
Maior grau de influência popular sobre a elaboração e a execução da política externa brasileira é algo desejável porque, embora venha a tornar mais difícil o trabalho do Governo e do Itamaraty no âmbito das negociações internacionais, aproxima-la-á do verdadeiro interesse nacional. Apenas na medida em que a sociedade civil brasileira atinja níveis mais elevados de organização, o déficit democrático das negociações internacionais tenderá a diminuir.
A relação entre diplomacia e sociedade civil passa, no mais das vezes, desapercebida em meio ao forte apelo midiático dos encontros de chefes de governo. Em países como o Brasil, de democratização recente, a organização da sociedade civil é ainda mais incipiente e desigual, o que torna sua participação em negociações internacionais ainda mais problemática.
A fraqueza da sociedade civil indica que o processo democrático se encontra ainda em vias de consolidação. Implica, ademais, menor grau de representatividade dos setores sociais, mormente aqueles com menor poder econômico. Em geral, esse é o caso dos países da terceira onda democrática, grupo ao qual pertencem quase todos os países da América Latina, o Brasil inclusive.
O processo de negociação internacional é complexo, entre outras, por dar-se em dois níveis: interna e internacionalmente. No nível doméstico, o governo busca o consenso. Concomitantemente, negocia-se no nível internacional. Ao fim, o acordo entre governos deve ser ratificado domesticamente, em geral pelo Poder Legislativo, em cada país. Todo governo negocia no plano externo condicionado pelas pressões advindas tanto na instância legitimadora como do eleitorado ou da base social de apoio.
Esse processo negociador complexo em dois níveis torna-se tanto menos flexível para o governo quanto mais democrática for a sociedade. A falta de participação da sociedade civil organizada leva, conseqüentemente, à elitização das negociações internacionais, favorecendo os grupos de maior poder econômico.
Quando países com graus de abertura democrática bastante diferentes negociam, o contraste põe em evidência o ponto em questão. O Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte) foi assinado na primeira metade da década de 1990 por Canadá, Estados Unidos e México. Os dois primeiros já dispunham de relações comerciais especiais. Tratava-se de incluir o vizinho do sul. Neste, o projeto de liberalização comercial encontrou pouca resistência nas esperas poíticas concorrentes pela ratificação, a despeito de certos setores sociais mexicanos temerem os efeitos econômicos potencialmente distorcivos da iniciativa. Prevaleceu a vontade dos segmentos econômicos organicamente ligados aos detentores do poder político. Nos Estados Unidos, por outro lado, o Governo Clinton enfrentou acirrada disputa política. Diversos grupos sociais ligados a interesses ambientais ou trabalhistas, assim como vários setores econômicos, principalmente o agronegócio, receavam os efeitos da integração comercial com um país mais pobre e com legislação que não protegesse tanto o o meio-ambiente e os direitos trabalhistas quanto a americana. O Nafta foi aprovado no Congresso Nacional americano por pequena margem de votos.
Maior grau de influência popular sobre a elaboração e a execução da política externa brasileira é algo desejável porque, embora venha a tornar mais difícil o trabalho do Governo e do Itamaraty no âmbito das negociações internacionais, aproxima-la-á do verdadeiro interesse nacional. Apenas na medida em que a sociedade civil brasileira atinja níveis mais elevados de organização, o déficit democrático das negociações internacionais tenderá a diminuir.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006
mombojó vem aí
Sem formulazinha de sucesso, sem forçações de barra piegas, sem invencionices pedantes, sem rebuscamentos cabeçóides. O novo disco da Mombojó mostra um som mais maduro, coeso, com identidade e personalidade próprias. Uma mesma música tem "climas" ou passa sensações as mais diversas. São, a um só tempo, divertidas, tocantes, alegres, emocionantes, românticas. Atentos à música que se faz no mundo, não por isso renegam suas origens. Vemos aqui novamente a riqueza de influências musicais que marcou o primeiro disco, dessa vez melhor apresentado (tecnicamente falando). O disco é multidimensional, assim como o grupo, e rotulá-lo seria impossível, porque reducionista.
Resumindo a razão da qualidade - e decorrente reconhecimento de crítica e público - do trabalho da banda: ela é contemporânea, ligada à sua época. Isso em todos os aspectos.
Um diferencial da Mombojó é que sua contemporaneidade e originalidade não se restringem à música que fazem. Ao contrário, são uma continuidade, extensão - estão presentes tanto no estilo de vida dos seus integrantes, relaxados, alegres, intelectualmente autônomos, sem preocupação com padrões de qualquer ordem, quanto, sobretudo, na atitude profissional. São engajados politicamente - em 2002 participaram voluntariamente da campanha do partido político que apóiam (num tempo em que política ainda é visto por alguns como algo "careta"). E, agora, ao assinarem com a Trama, mantém a postura independente. As músicas da banda estarão sob o "copyleft" (em contraposição ao "copyright" tradicional), o que significa que baixar, copiar, utilizar as músicas de Mombojó não consistirá em crime (desde que se cite a fonte).
"Eu quero mudar o mundo, mesmo que não ganhe nada com isso", diz um refrão de umas das músicas novas. Em tempos de FSM, nada mais atual. E, se mudar a indústria musical, atualizando-a, ainda que não mude o mundo, já é um bom começo.
O disco será lançado em abril. Fiquem atentos: vai dar o que falar. O binômio música boa - atitude progressista continua sendo a marca da banda.
---
Contextualizando, Mombojó faz parte de um movimento mais amplo, que começa lá atrá com CS&NZ e a mundo livre s/a. É um movimento cultural cuja atitude vai de encontro ao discurso do oprimido, do fraco. Diante de novas circunstâncias ("globalização", ou qualquer nome que se quiser chamar), há grupos que, frente ao novo, ao desconhecido, têm medo e, numa mentalidade conservadora, adotam discurso tradicionalista, de defesa contra a suposta ameaça externa (o discurso quasi-xenófobo de Ariano Suassuna é o arquétipo intelectualmente melhor acabado desse caso).
Esse movimento, do qual Mombojó é herdeiro, surgido nos anos 90, mostra que não tem que ser assim. Pernambuco, apesar de ser a "periferia da periferia" (econômica, cultural, política), tem sido um celeiro de criatividade artístico-cultural. Não estão preocupados em pregar valores, ao menos não os tradicionais. Não revindidicam representar, ou se apropriar de uma cultura, mas expressar várias, livre de amarras. Transcendem fronteiras culturais. Trata-se de cosmopolitanismo sadio, que, aberto ao mundo, não renega suas raízes, mas tampouco se fecha nelas, no que seria um provincianismo doentio e retrógrado - não estranho a alguns dentre nós.
Tomando emprestado conceitos da literatura, Mombojó, a um só tempo, evita o romantismo idílico da música regional, e foge a um parnasianismo estilístico artisticamente estéril, que se preocupa apenas com a forma em si (a música eletrônica pela música eletrônica, por exemplo). Sua música é um todo coeso - conteúdo e forma são uma síntese do amálgama do grupo, expressão autêntica e autóctone do septeto.
Sem formulazinha de sucesso, sem forçações de barra piegas, sem invencionices pedantes, sem rebuscamentos cabeçóides. O novo disco da Mombojó mostra um som mais maduro, coeso, com identidade e personalidade próprias. Uma mesma música tem "climas" ou passa sensações as mais diversas. São, a um só tempo, divertidas, tocantes, alegres, emocionantes, românticas. Atentos à música que se faz no mundo, não por isso renegam suas origens. Vemos aqui novamente a riqueza de influências musicais que marcou o primeiro disco, dessa vez melhor apresentado (tecnicamente falando). O disco é multidimensional, assim como o grupo, e rotulá-lo seria impossível, porque reducionista.
Resumindo a razão da qualidade - e decorrente reconhecimento de crítica e público - do trabalho da banda: ela é contemporânea, ligada à sua época. Isso em todos os aspectos.
Um diferencial da Mombojó é que sua contemporaneidade e originalidade não se restringem à música que fazem. Ao contrário, são uma continuidade, extensão - estão presentes tanto no estilo de vida dos seus integrantes, relaxados, alegres, intelectualmente autônomos, sem preocupação com padrões de qualquer ordem, quanto, sobretudo, na atitude profissional. São engajados politicamente - em 2002 participaram voluntariamente da campanha do partido político que apóiam (num tempo em que política ainda é visto por alguns como algo "careta"). E, agora, ao assinarem com a Trama, mantém a postura independente. As músicas da banda estarão sob o "copyleft" (em contraposição ao "copyright" tradicional), o que significa que baixar, copiar, utilizar as músicas de Mombojó não consistirá em crime (desde que se cite a fonte).
"Eu quero mudar o mundo, mesmo que não ganhe nada com isso", diz um refrão de umas das músicas novas. Em tempos de FSM, nada mais atual. E, se mudar a indústria musical, atualizando-a, ainda que não mude o mundo, já é um bom começo.
O disco será lançado em abril. Fiquem atentos: vai dar o que falar. O binômio música boa - atitude progressista continua sendo a marca da banda.
---
Contextualizando, Mombojó faz parte de um movimento mais amplo, que começa lá atrá com CS&NZ e a mundo livre s/a. É um movimento cultural cuja atitude vai de encontro ao discurso do oprimido, do fraco. Diante de novas circunstâncias ("globalização", ou qualquer nome que se quiser chamar), há grupos que, frente ao novo, ao desconhecido, têm medo e, numa mentalidade conservadora, adotam discurso tradicionalista, de defesa contra a suposta ameaça externa (o discurso quasi-xenófobo de Ariano Suassuna é o arquétipo intelectualmente melhor acabado desse caso).
Esse movimento, do qual Mombojó é herdeiro, surgido nos anos 90, mostra que não tem que ser assim. Pernambuco, apesar de ser a "periferia da periferia" (econômica, cultural, política), tem sido um celeiro de criatividade artístico-cultural. Não estão preocupados em pregar valores, ao menos não os tradicionais. Não revindidicam representar, ou se apropriar de uma cultura, mas expressar várias, livre de amarras. Transcendem fronteiras culturais. Trata-se de cosmopolitanismo sadio, que, aberto ao mundo, não renega suas raízes, mas tampouco se fecha nelas, no que seria um provincianismo doentio e retrógrado - não estranho a alguns dentre nós.
Tomando emprestado conceitos da literatura, Mombojó, a um só tempo, evita o romantismo idílico da música regional, e foge a um parnasianismo estilístico artisticamente estéril, que se preocupa apenas com a forma em si (a música eletrônica pela música eletrônica, por exemplo). Sua música é um todo coeso - conteúdo e forma são uma síntese do amálgama do grupo, expressão autêntica e autóctone do septeto.
nós na rede
eu quero uma rede,
pra nos balançar.
mas não posso furar
essa parede.
o quarto é alugado,
e quando eu sair
(se tiver pra onde ir)
tenho que deixar tudo arrumado.
pra nos balançar.
mas não posso furar
essa parede.
o quarto é alugado,
e quando eu sair
(se tiver pra onde ir)
tenho que deixar tudo arrumado.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006
canto nenhum
Não agüento mais esperar a morte
Vou sair por aí, tentar a sorte
Vou cantar o amor, escrever poesia
Qualquer coisa que me dê 3 minutos de alegria.
Vou sair por aí, tentar a sorte
Vou cantar o amor, escrever poesia
Qualquer coisa que me dê 3 minutos de alegria.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006
Internet Governance
The debate over Internet governance is rather recent and indicates its wide-ranging scope and economic, social and political implications. It is not surprising, therefore, that 175 countries met at the World Summit on the Information Society (WSIS), in Tunis, a couple of weeks ago, to discuss the issue, among others.
According to press reports, the meeting’s most relevant fact was the movement, led by several countries, that is pressing for some kind of international legislation over Internet governance. The group, formed by countries such as Brazil, China, Iran, India and Cuba, argues that no one country in particular should control the Internet; instead, they claim, there should be an international authority, under the United Nations umbrella, to rule it.
As it was reported by the media, it seemed yet another round of the struggle between developed and developing countries. In fact, it is the consequence of technical and historical misconceptions.
The reason why the infra-structure that makes the world wide web possible is located in U.S. territory is the fact that this technology was financed, created and mainly developed there. Furthermore, it was conceived with the very idea that it should be an autonomous system.
So, what are the real motivations behind this lobby group? For democratic countries, like Brazil, it is probably due to backward ideological reasons. But for authoritarian regimes, such as China, Iran or Cuba, it seems obvious that it’s political purposes. The free flow of information in the web goes against these (and others’) regimes’ political interests. And such countries exert great power with the U.N. bureaucracy.
It seems reasonable that there should be some sort of international accountability for Internet governance. The question is whether the U.N. is the solution. Perhaps a more appropriate institution to oversee it would be the World Trade Organization. First of all, its members are, in general, freer, more open societies. Secondly, the WTO has proven to be fair and effective to rule global commerce and disputes.
Given the decentralized, uncontrolled nature of the net, it is arguable, to say the least, whether Internet governance should be an issue at all in a U.N. summit. If countries really intend to find solutions and empower their citizens, there are other measures that can be taken, and which the U.N. could help.
On one hand, Internet access should be more democratic, more widespread around the world. Brazil’s “Digital inclusion” program, which offers computers at a low cost to poor families is a creative and simple idea that goes in the right direction.
On the other hand, the use of open-source software must be encouraged. First, because it requires much less of taxpayers’ money; secondly, because it makes information technology more readily available for the population; and thirdly, open-source software impends the appearance of scientists and knowledge-based inventiveness and development. Again, Brazil is a good example to the world, as the federal government, as several local governments as well, have done by opting out of the expensive copy-righted software and adopting open-source ones.
What must be clear is that any real attempt to make the web more democratic does not demand more or new bureaucracies to oversee it; instead, it requires that more people have the means (intellectual and material) to access the net.
The debate over Internet governance is rather recent and indicates its wide-ranging scope and economic, social and political implications. It is not surprising, therefore, that 175 countries met at the World Summit on the Information Society (WSIS), in Tunis, a couple of weeks ago, to discuss the issue, among others.
According to press reports, the meeting’s most relevant fact was the movement, led by several countries, that is pressing for some kind of international legislation over Internet governance. The group, formed by countries such as Brazil, China, Iran, India and Cuba, argues that no one country in particular should control the Internet; instead, they claim, there should be an international authority, under the United Nations umbrella, to rule it.
As it was reported by the media, it seemed yet another round of the struggle between developed and developing countries. In fact, it is the consequence of technical and historical misconceptions.
The reason why the infra-structure that makes the world wide web possible is located in U.S. territory is the fact that this technology was financed, created and mainly developed there. Furthermore, it was conceived with the very idea that it should be an autonomous system.
So, what are the real motivations behind this lobby group? For democratic countries, like Brazil, it is probably due to backward ideological reasons. But for authoritarian regimes, such as China, Iran or Cuba, it seems obvious that it’s political purposes. The free flow of information in the web goes against these (and others’) regimes’ political interests. And such countries exert great power with the U.N. bureaucracy.
It seems reasonable that there should be some sort of international accountability for Internet governance. The question is whether the U.N. is the solution. Perhaps a more appropriate institution to oversee it would be the World Trade Organization. First of all, its members are, in general, freer, more open societies. Secondly, the WTO has proven to be fair and effective to rule global commerce and disputes.
Given the decentralized, uncontrolled nature of the net, it is arguable, to say the least, whether Internet governance should be an issue at all in a U.N. summit. If countries really intend to find solutions and empower their citizens, there are other measures that can be taken, and which the U.N. could help.
On one hand, Internet access should be more democratic, more widespread around the world. Brazil’s “Digital inclusion” program, which offers computers at a low cost to poor families is a creative and simple idea that goes in the right direction.
On the other hand, the use of open-source software must be encouraged. First, because it requires much less of taxpayers’ money; secondly, because it makes information technology more readily available for the population; and thirdly, open-source software impends the appearance of scientists and knowledge-based inventiveness and development. Again, Brazil is a good example to the world, as the federal government, as several local governments as well, have done by opting out of the expensive copy-righted software and adopting open-source ones.
What must be clear is that any real attempt to make the web more democratic does not demand more or new bureaucracies to oversee it; instead, it requires that more people have the means (intellectual and material) to access the net.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006
2 sonhos
1. Disputa entre João Paulo (PT) e Marco Maciel (PFL) para o governo do Estado. Com JP ganhando, claro. Seria emocionante. Como em 2000. De quebra, Luciano Siqueira no Senado.
2. Filmagem da história da briga entre a família de Antônio Conselheiro, os Maciéis, e os Araújos, no interior do Ceará do século XIX, na qual aquela foi massacrada por esta. Sob a direção de Steven Spielberg. Roteiro: Euclides da Cunha. Seria um filmaço.
1. Disputa entre João Paulo (PT) e Marco Maciel (PFL) para o governo do Estado. Com JP ganhando, claro. Seria emocionante. Como em 2000. De quebra, Luciano Siqueira no Senado.
2. Filmagem da história da briga entre a família de Antônio Conselheiro, os Maciéis, e os Araújos, no interior do Ceará do século XIX, na qual aquela foi massacrada por esta. Sob a direção de Steven Spielberg. Roteiro: Euclides da Cunha. Seria um filmaço.
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