quinta-feira, 28 de julho de 2005

A culpa é Minha!...

Não gosto de teorias conspiratórias para explicar o que acontece no mundo. Respeito-as porque a raça humana é gananciosa e a elite governante do mundo trabalha, sim, no sentido de manter-se no poder. Quem está em cima, não gosta de ter que ficar embaixo, mesmo que por período curto e, principalmente, por um tempo prolongado.
Para a elite, a idéia de ter um presidente do povo é ao mesmo tempo temerosa e bonita. De início, ela é bonita, pois simboliza a ascensão de uma classe abastarda. É a democracia em seu mais perfeito funcionamento. Entretanto, ela causa temor pois a alternância de poder distancia certos grupos da elite do pote de mel. Esta distância significa perda de poder; ela quer dizer menos dinheiro; e, por isso, ela deve ser, simplesmente, passageira.
Com um pensamento semelhante ao das elites funciona os sectários; os ultra-esquerdistas, puritanos exacerbados. São eles que contam com o fracasso de todos e não são capazes de propor medidas que possam solucionar qualquer problema.
Em política cada parte deve ter seus objetivos bem determinados e conhecer suas prioridades. Isso porque numa negociação política, eles deverão defender seus pontos, porém, terão que, inevitavelmente, abrir mão de algo para a parte com quem negocia. Governar é abrir espaço para os outros sem perder a identidade do Governo. Ou seja, esses grupos de extrema esquerda nunca poderão governar porque eles não sabem compor, agregar forças. Embora eles tenham seu papel: o de gritar, espernear, combater e defender os interesses de suas bases.
Há três anos, o PT surgiu como a nova força do país. Jamais tinham chegado ao poder pleno da nação, tendo sua atuação restrito à oposição até então. O partido precisava desse amadurecimento; a turma precisava sentir o que é governar um país. Quem sai ganhando somos nós, com uma política mais madura.
Não creio que possamos dizer que a crise é apenas uma manobra das elites para derrubar o governo. Há algumas variáveis envolvidas... porém, o prazer deste grupo de ver um Governo de esquerda enfraquecido e derrotado nas eleições do ano que vem é grande. Tanto que não vemos na grande imprensa coberturas imparciais dos acontecimentos. Aliás, essa cobertura é calamitosa desde o início do Governo quando foram colocados em discussão temas como o Conselho de Jornalismo e a ANCINAV. Ambos foram injustamente classificados como meios de censura. A turma falava da lei da mordaça. Grandes jornalistas e políticos da oposição atacavam as propostas com unhas e dentes para, hoje, dizerem que o que o Governo quer, desde que assuminiu, mexicanizar o Brasil. Tudo parece muito planejado! O governo teve que abrir mão de um projeto que daria mais credibilidade ao que lemos e vemos em meios de comunicação para hoje ter que ouvir de um senador da oposição que, na verdade, o Governo tinha um plano de poder onde controlaria a Imprensa para, depois, comprar deputados e, assim, manter-se no poder até 2018. Até datas eles têm!O grande tumor, eu acho, não é o Valério, ou o Zé Dirceu. O problema é muito maior que isso! E mais, quem criamos somos nós. Somos nós quem elegemos essa raça podre que compõe o Congresso Nacional. É o analfabetismo político da grande maioria que faz com que esse sistema apodrecido se perpetue. Os corruptores nada farão se corruptos não forem eleitos.

Um comentário:

Jorge disse...

O caso do conselho nacional de jornalismo é clássico pois ilustra bem a qualidade de imprensa que nós temos. Eles querem estar acima de qualquer regimento, acima da sociedade civil. Detém um poder absurdo, mas são hipócritas porque não assumem o real impacto ( que eles sabem) que têm.
Esse plano de governar até 2018 é inverter a premissa de quem comprou voto para se reeleger, "mas é história deixa pra lá", assim como o que Maluf fez, é história senhor sociólogo, ou Sérgio Najar. A VEJA depois de semanas fazendo de tudo para associar o presidente Lula à crise, mesmo quando o mesmo é isentado por acusadores e acusados, já começou a pedir o impecheament, basta olhar a capa desta semana. Aliás, Por que a Editora Abril, dona da VEJA não diz em suas páginas que contribuiu para a campanha de vários deputados do PSDB, como o atual líder do PSDB na camara Alberto Goldman que recebeu r$34,9 MIL e Alysio Nunes, ex-ministro da justiça de FH, R$15,8MIL. Muito generosa essa VEJA não?