quarta-feira, 13 de julho de 2005

Parênteses

Quando falamos sobre o "Bang-bang no Rio" a minha idéia era usar o sarcasmo para provocar uma reação. Acontece que eu não mantive o sarcasmo ao longo do texto, tendo retirado, inclusive, algumas brincadeiras do texto original. Resultado, recebi um comentário nesse dia sobre a 'minha' posição, que não é 'minha', mas 'nossa'. E ela é 'nossa' porque é da maioria das pessoas, hoje. Ou seja, a tendência é sempre delegarmos responsabilidades; são poucos os que assumem, direta ou indiretamente, a responsabilidade por mazelas que possam existir lá fora.

Para não ficar repetindo, segue o que João disse:
"tendo a discordar de ti e da forma com a qual te posicionas em relação ao problema. Tu dizes 'nós que não temos nada com a omissão com a qual o poder público trata comunidades pobres'. Essa frase é muito significativa pois revela que nossa maior omissão é sermos omissos com relação à responsabilidade de sermos nós também responsáveis pelo estado de coisas que tendemos a criticar apenas de maneira 'externa'. Não seria difícil enumerar uma quantidade de coisas que fazemos para, mesmo sem querer, produzir e reproduzir o fosso social existente entre as classes sociais no Brasil. Omissão de omissão: mais um nome de nossa (minha, sua, dos da classe média, dos das elites-econômicas, intelectuais) irresponsabilidade social."

Perfeito!
Mas e agora, o que vamos fazer??

2 comentários:

Carlos Eduardo Perruci disse...

O Rio vem passando por uma crise grande cirse de segurança pública devido, principalmente, a incapacidade da sua população em refletir sobre seu voto.

Acredito que se por acaso aquele em que votamos não resolve, devemos escolher outro. Se este por sua vez, também não resolve, outro deve ser escolhido... Não podemos permanecer cometendo o mesmo equívoco, insistindo com os mesmos de sempre.

Essa é nossa maior omissão!

Joao disse...

O que fazer? Eis uma questão de difícil resposta. Lenin respondia isso num livro de receitas revolucionárias. Não aderindo de forma imediata a tais receitas acho que a questão "o que fazer?" no contexto de debate do seu blogue deve se referir às condições de uma reflexão (e não propriamente de uma prática) onde se possam produzir elementos para uma ação menos "irracional". Para mim uma das maneiras de se produzir esse tipo de coisa é a partir de considerações reflexivas (auto-reflexivas) sobre o quando, por exemplo, uma opinião se faz "nossa" ou "da sociedade" ou ainda "minha", sem auto-complacencia. Em termos sociológicos toda crítica do social deve ser encarada como autocrítica, razão e causa da margem de liberdade possível numa também possível ação social mais racional...